C Espírito de vingança
11. Alcoolismo e jogo
Quem vive na alta sociedade não tem idéia da paixão que têm as crianças pelo álcool, mas na baixa sociedade é
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vê-los cair na embriagues (Moreau). Muitas vezes os presidiá-
.rios me contaram que se embriagavam desde a infância e diante dos genitores. A paixão pelo jogo é uma nota caracte- .' rística da vida infantil.
12. Tendências obscenas
Nem quando limitado pelo desenvolvimento incom- pleto faltam as tendências obscenas desde a primeira idade, de 3 a 4 anos. Em todos os asilos foram apresentados um ou dois meninos dedicados ao onanismo. Todos os amores anô- malos e monstruosos, como quase todas as tendências crimi- nosas, têm princípio na primeira idade .
13. Imitação
Até a forma de caminhar e de falar, escreve Perez, nos meninos, são efeito da imitação, e naturalmente se imita o bem como o mal. Uma menina que tinha o pai irascível, aos 15 meses começava a enrugar a sobrancelha à maneira do pai e gritar a seu modo. Aos 3 anos dizia a um com quem discutia: "Cale-se, você não me deixa terminar a frase", exata- mente como o pai. Há portanto imitações morais antes que nós possamos perceber.
,; Um idiota, disse Gal!, depois de ver matar um porco, pensou logo depois em degolar um homem e o degolou. Prós- pero Lucas cita o exemplo de um menino de 6 a 8 anos que .sufocou seu irmão mais jovem. Quando o pai e a mãe entra-
ram e tomaram conhecimento do ocorrido, ele jogou-se nos braços deles chorando e declarando ter desejado imitar o diabo, que tinha estr~.ngulado Pulcinel!a.
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!Por pouco, disse Marc, um meu amigo de infância não sucumbiu ao jogo do enforcado. Tendo assistido na cidade de Metz a uma execução, ele e outros companheiros pensa- ram em imitá-lo. Ele foi escolhido como paciente, outro como confessor e um outro como o carrasco. Prenderam-no no balaústre de uma escada e, como foram perturbados no jogo deles, fug(ram, esquecendo o pobre garoto, que teria morrido se alguém'que chegou a tempo não o soltasse e o reanimasse.
Os meninos têm em comum com os selvagens e os delinqüentes a mesma previdência: um futuro que não seja imediato ou não pareça assim, não tem qualquer influência sobre a imaginação deles. Ter um prazo após oito dias ou após um ano é igual para eles.
14. Desenvolvimento da demência moral
Do conhecimento dos fatos descritos e narrados, tem-se a natural explicação de como a demência moral se originou só por falta de todo freio nos excessos desde a infância, cujos maus hábitos não interrompidos pela educação, seria como uma conti- nuação. Esses meninos, disse Campagne falando dos candidatos à demência moral, são insensíveis aos louvores e às censuras. Não sentem quando o seu comportamento se torna penoso à sua família. Ficam indisciplinados, descuidados, briguentos. O ócio, o onanismo e o deboche, as excitações de todo tipo são os grandes estágios que percorrem aquela exaltação, dita demência racional, que os leva irresistivelmente à ação.
A crueldade foi notada na primeira juventude de Ca- racala, de Luiz
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e CarlosIX,
que fazia torturar animais . Também de LuizXIII
que amassou entre duas pedras a cabeça de um passarinho, e tanto se irritou contra um gentil homem que lhe era antipático que fingiu matá-lo. Feito rei, divertia- se em assistir a agonia dos protestantes condenados a morte.Sendo a demência moral e as tendências criminosas unidas indissoluvelmente, explica-se porque quase todos os grandes delinqüentes tiveram que manifestar suas medonhas tendências desde a primeira infância. La Lafarge estrangulava frangos desde criança com grande prazer. Feuerback conta o caso de um parricida que gostava de fazer girar os frangos em torno de si depois de cegá-los. Dumbey aos 7 anos era ladrão. Assaltante B, com 9 anos, já era ladrão e estuprador. Cartou- che aos 11 anos era ladrão. Crocco aos 3 anos divertia-se em depenar aves vivas.
Locatel1i observou que a tendência ao furto se mani- festa na idade mais tenra; começa com pequenas subtrações domésticas e progride. Os assassinos tornam-se tais de re- pente e também em idade jovem. De outro modo, observou Rousse1 em sua grandiosa obra Inquérito sobre a Menoridade -
1883, no que se refere à França, a prostituição tem uma larga cota dc mcnorcs: 1.500, por exemplo, em 2.582 prostitutas detidas em 1877. Em Bordeaux, continua ele, notava-se que 461 prostituíam-se por situação familiar ou por corrupção direta (32) dos pais, apenas 14 por perversão de seus instintos, entre outras a filha de um engenheiro e a de um rico presidente.
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CASUÍSTICA (DE DELITOS NOS MENINOS)Eis por que a cota dos delitos nos meninos é mais do que escassa, dos quais apontamos alguns.
1. Vimont, no seu Tratado de Frenologia -1838 - fala de um menino de 11 anos que convidou um garoto de 5 para passear em um brejo e chegando lá bateu nele, enfiou-lhe
um bastão no reto e depois o afogou. Acusado do crime, não só o negou, mas acusou outros meninos.
2. Em 15.6.1834, na cidade de Bel1esme, retirou-se de um poço o cadáver de uma menina de 2 anos. Dois dias depois foi retirado do mesmo poço um garoto de 2 anos e meio. Uma jovem de 11 anos, conhecida por hábitos perversos, não encon- trava meninos menores do que ela sem bater neles ou atormentá- los de mil modos cruéis. Ela tinha atirado sucessivamente no poço os dois meninos fazendo-os cair com um empurrão (Moreau).
3. O Tribunal do Júri de Doubs julgou um incendiário de 8 anos que ateou fogo na casa de sua aldeia e tudo isso, como confessou, só para divertir-se e iluminar os meninos (Moreau).
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4. Um bandido escocês, condenado por antropofagia, deixou uma menina que aos 12 anos era uma feroz antropó- faga. Perguntou ela: "E por que ter desgosto? Se todos sou- bessem como é boa a carne humana, todos comeriam os seus filhos" (Moreau).
5. A.M., de 11 anos, detido pela oitava vez como vaga- bundo, declarou que era bem nutrido e cuidado pelos pais, mas que sente necessidade de ser livre e qlle ele se libertará sempre da mãe se for encaminhado a ela. Está no seu sangue; preferia ficar na casa de correção que ficar na própria casa.
6. Em Lagny, dois meninos, um de 13 anos, outro de 10, tendo motivo de rancor contra um seu companheiro de 7 anos, convidaram-no a nadar na margem do Marne, em lugar afastado. Jogaram-no em lugar profundo e a golpes de pé e de pedra repeliram a tentativa de salvá-lo. No dia se- guinte, um deles, o menor, confessou a verdade (Moreau).
7. Aos 13 anos, B.A., braquicéfalo, índice 87, oxcéfalo, com olhos oblíquos, zigomas salientes, mandíbulas volumosas, orelhas de asa, com papo, feriu mortalmente com um facão no coração um companheiro que lhe negou dinheiro vencido no jogo. Com 12 anos já era encontrado nos prostíbulos. Seis vezes foi condenado por furto. Tinha um irmão ladrão, uma irmã meretriz e a mãe criminosa. Era religioso, pois fre- qüentava ao menos as igrejas, mas nunca disse ao confessor os delitos cometidos.
8. Mainero, um menino de fisionomia precoce e desen- volvimento escasso, uma vez que aos 12 anos aparentava 6; altura de 1,24 m, orelhas de asa, zigomas salientes, olhos
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vivos, aos 8 anos começou a roubar. Neto de um assassino, gabava de tê-lo seguido nos golpes dele e ter organizado bando de ladrões das esmolas das igrejas, e ter roubado amiúde a parte que pertencia a seus cúmplices menores, o que deu causa a eles para que o denunciassem .
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B., de Gênova, crânio amplo, fronte estreita, ta- tuado no braço com a frase: "Morte aos vis, e viva a aliança"(roubou desde os 8 anos). Gatuno, tem sete irmãos, dos quais três estão presos.
10. Um certo
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de família honesta, com 7 anos co- meçou a roubar na escola, espoliando até os professores. Teve uma irmã suspeita de furto e litigiosa. Chegou a simular pe- rante a justiça mau tratamento, para fazer encarcerar seus pais .11. Um menino, L.P., aos 19 anos se mostrou estelio- natário habilíssimo, ladrão com tentativa de homicídio, per- feita apatia moral, estatura alta, testa pequena alongada, sem barba, nariz desproporcional e recurvo. Filho de alcoólatra e mãe lasciva, com avô materno suicida. Com a idade de 3 anos, andando com serventes no mercado, começou a roubar cestas de dinheiro, peixes, frutas, e seguiu roubando em casa, depois na escola.
12. O bandido antropófago F. Salvatore, de Catânia, que, por três vezes, simulou demência, me deixou em lem- brança escrita como já nos 6 anos roubasse dos pais as refei- ções, para dar aos companheiros. Mais tarde, aos 9 anos, roubava do restaurante peças inteiras de queijo. Em uma lide por jogo com um amigo, arrancou-lhe um pedaço da orelha, malgrado o pai fosse honestíssimo e o castigava por santas
razões para corrigi-lo. Aos 14 anos feriu com um facão grave- mente um companheiro de jogo. Com falsa chave roubou o dinheiro do pai. Aos
19
anos matou um homem.13. De uma mãe histérica de grande talento e pai tam- bém talentoso mas bizarro e abusador do trabalho, dois tios, um capacitado, outro alienado, derivaram quatro filhos: um honestíssimo, um excessivamente lascivo, suicida após o ho- micídio cometido por paixão; um bravíssimo nas negociações mercantis, desde jovem avesso a qualquer estudo; um outro menino raquítico com fronte estreita, foi ladrão tão tenaz a ponto de roubar até o relógio e os objetos que encontrava na casa dos pais. Aos 16 anos se fez honesto, talvez pelo grande cuidado da mãe. Tornou-se habilíssimo nas negociações.
14. Entre dois meninos cegos encontrados em um insti- tuto privado ocultava recíproco mal-estar. Uma tarde, passan- do a conversar, chegaram às vias de fato. O mais débil, porém associado a outro companheiro que antes havia prevenido, dominou seu adversário: enquanto um o segurava pelas per- nas, ele o esganava, tanto que o teria matado se o barulho não tivesse feito acorrer outras pessoas. Este é de 12 anos, filho de um cidadão honesto, embora ignorante. Descurado na sua educação, foi abrigado com 8 anos e demonstrou me- mória extraordinária, a tal ponto de recordar-se de uma lista de nomes na ordem em que foram pronunciados.
Entretanto, a educação conseguia amansar só em apa- rência o seu gênio orgulhoso e selvagem. Logo se fez notar que não só reagia com os companheiros pela menor ofensa, mas também pelas admoestações infringidas pelos superiores, que, para ele, eram sempre injustas. Para causar danos aos objetos do instituto, uJ'la vez foi visto por tal motivo jogar uma meia na latrina. .
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Várias vezes, tentou suicidar-se de várias maneiras. Ti- nha estranhas práticas religiosas; quando ia passear, às vezes caia de joelhos. Não queria comer gorduras em dias de vigília, apesar das concessões eclesiásticas. Quando queriam levá-lo à missa fora das festas recalcitrava, apelando até aos insultos. Cometido porém o ato antes narrado, embora não mos- trasse arrependimento e dissesse que estava pronto a cometer outra vez o delito, suportou calmamente a prisão. Porém, encontrou modo de comunicar ao companheiro com um alfabeto cujas letras eram representadas por golpes. De cor pálida, era sujeito a freqüentes convulsões nos músculos das faces, dos dedos e do tronco. De cabelos loiros, orelhas de asa.
15. B.R., de 7 anos e meio, morena, indolente, estrá- . bica, macrocéfala, de mãe desorganizada e pouco benévola à
filha e nada afeiçoada ao marido doentio, pegava em casa laranjas e confeitos que vendia por dinheiro. Comprava brin- quedos com dinheiro roubado da casa da mãe. Deu uma vez duas liras, outra vez 50 centavos, a uma companheira para ter urna medalha. Tirou da irmã uma moeda de ouro de vinte liras e mostrou-a à companheira dizendo tê-la ganho de pre- sente; depois -recolocou-a no lugar, com medo de ser desco- berta. Quando soube que seria interrogada advertiu a compa- nheira para que dissesse a história ao seu modo e inventou uma fábula.
16. Obscenidade - Já tinha dito que não faltam aos me-
ninos casos de precoce obscenidade. Há muito tempo eu tinha observado que todos os casos de forma monstruosa de amor sexual (menos os originados da decrepitude) são iniciados na idade impúbere e junto com outras tendências criminais. Tal era o caso de B, ladrão que aos 9 anos estava sujeito a contínuas ereções e estímulos de tal modo exagerados a
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ponto de conduzi-lo ao estupro quando via roupas íntimas. Ele já apresentava esse estranho sintoma na primeira infância, aos 3 ou 4 anos, quando andando no reformatório via seus colegas com aventais brancos. O contato com roupas brancas provocava-lhe prazer como se fosse o contato com outra mu- lher. Foi esta a causa de outros estupros e da necessidade contínua de coito e para satisfazê-lo terminou como ladrão.
Ele foi atingido, quando criança, na cabeça por um forte trauma e sofreu longamente com ele, e como de hábito, descendia de neuropáticos; a mãe sofria de emecrania, a irmã era histérica, o avô morreu de queda de ânimo em seguida a um desastre financeiro, a avó morreu envenenada, um primo é semi-imbecil, um irmão balbucianre.
Não se pode acreditar, a princípio, da veracidade das suas confissões, por se tratar de um criminoso que pode ter seus interesses em uma simulação, quando me vi em duas histórias de Magnan e Charcot, que oferecem tanta analogia com a minha interpretação, provavelmente não tão seguras.
17. Ouvi falar de um camponês de 37 anos, com pai alcoólatra, tio alienado, mãe e irmã nervosas e melancólicas, um irmão demente, ele mesmo com problemas cefálicos. Aos
15 anos, vendo secar ao sol, um avental branco, apossou-se dele, enrolou-o no corpo e se masturbou. Depois daquele dia, não podia ver aventais sem usá-los com o mesmo obje- tivo, jogando-os fora após. Quando via alguma pessoa com avental, não se excitava, mas à vista dessa cena seguia atrás dele para derrubá-lo.
Em 1861 os pais o puseram na marinha, e, de fato, não vendo aventais se acalmou. Todavia, em 1864, retornando à v'ida antiga, repetia a estranha tendência e roubou outra vez um avental.
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noite, pensa nele, ao dia, imagina-o tal como lhe apareceu pela pr~~eira vez e se sente levado a roubar78
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aquele e não outros. Poderia ter à disposição milhares de coisas, mas só pegaria aventais. Por quatro vezes foi conde- nado a breve pena por furro.
18. Singular foi o caso de M.X., de 14 anos, que tem fimose e prepúcio mais longo que a glande, nascido de geni- tores neuróticos, quase dementes. De inteligência precoce desde criança. Já lia com 3 anos, mas débil de força, de 6 a 8 anos era dotado do hábito instinrivo estranho, de olhar os pés das mulheres, para verificar se não havia prego no sapato delas, e a vista daqueles pregos o enchia de extraor- dinário prazer.
Apossava-se dos calçados de duas de suas primas para contá-las e recontá-las.
À
noite, na cama, pensava no sapatei- ro que os fazia e na tortura de uma garota em que os pregos entravam no pé, como nos cavalos, e, ao mesmo tempo, se masturbava. Foi então este o ponto de partida quase predomi- nante, se bem que preferia a vista dos sapatos de mulheres às relações sexuais. Foi preso enquanto se masturbava em frente a uma sapataria.Faz ajustar a imaginação à verdade desses amores paradoxais, a analogia com outros descritos por mim nos alienados, e, o que é principal, a analogia recíproca. Todos esses amores se notam em neuropáticos, e muito nos crimi- nosos, por aproximação, e sempre ou quase sempre, masturbadores. Em todos se vê, como ocorre nas manias impulsivas e nas idéias sistematizadas, uma dada sensação que os atingiu no momento da infância, enquanto nos de- mais favorece a ereção como desejo secundário, por asso- ciação de idéias que substituem a idéia-mãe e pouco a pouco age como certos vírus, não só fixando, mas inva- dindo o organismo até dominá-lo, a tornar-se irresistível, impelindo até a atos criminosos.
19. Amor precoce - E todos esses amores se formaram
ou germinaram ao menos na primeira infância. O primeiro desde 3 ou 4 anos, sendo a precocidade um outro de seus caracteres. A inversão do senso genital foi notada quase sem- pre precocemente aos 8 anos, por exemplo, no doente de Wetfalia. Eis novos exemplos.
P.R. começou a sentir o impulso para desfrutar a vista de homens nus, mormente de sua genitália e desde então tentava vestir-se de mulher. Desde essa hora manifestou-se a tendência aos furtos. Um dia, por exemplo, roubou um tinteiro do professor. Nasceu de um pai velho e teve uma avó excêntrica. Adulto, era bastardo, prognato, mas com ore- lhas volumosas.
20. Uma menina, que eu tive sob tratamento, precocís- sima na fisionomia, filha de mulher honesta, mas de avó lasciva, primo criminoso e avô alcoólatra, manifestou desde os 13 anos tendência à masturbação, sem ceder às censuras, nem às ameaças, nem ao tratamento médico. Ao invés, do mesmo instrumento que adotava para injetar anafrodisíaco, usava para se masturbar.
21. De um pai convulsionário, epiléptico, de família de neuropáticos, nasceu uma senhora pequena, dolicocéfala, inteligente, menstruada aos 12 anos. Com 8 anos, instruída por uma colega, começou a masturbar-se e continuou assim também após o matrimônio principalmente quando grávida. Teve doze filhos, dos quais cinco mortos precocemente, qua- tro mal constituídos na cabeça, hidrocéfalos, com deficien- tes disposições morais, impetuosos e violentos. Um deles, inteligente, com 7 anos se masturbava com muita insistên- cia, e outro, tardio d~inteligência, desde a idade de 4 anos
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~22. Zambaco nos descreve uma menina dominada por estranha paixão onanística e criminal. N.R., desde a idade de 10 anos, com ar de maturidade precoce na fisionomia e no trato, vaidosa, orgulhosa, prepotente nos jogos, fazia-se perdoar as violências com as carícias e amabilidades, especial- mente com os meninos que preferia. Desde os 5 anos mostrou tendências ao furto, até por objetos que poderia obter facil- mente, mas negava obstinadamente os furtos.
De imaginação quente, amava a beleza, mas desde- nhava Deus. Com 8 anos começou a sofrer de leucorréia (corrimento branco), que se atribui ao oxiúro, junto com o emagrecimento. Notou-se desde então que procurava isolar- se em uma cabana com meninos para jogar, mas, em vez disso, masturbava-se com eles.
Aos 9 anos, as excessivas masturbações provocaram inchaço da vulva. Experimentou as chicotadas, mas estas a tornaram'estúpida, falsa e feia, sem proveito. De nada adian- tou a camisa de força, nem a água fria, com que tentava primeiramente acalmar-se. A parte superiot,do corpo emagre- cia, mas a inferior desenvolvia mais. Bolinava-se diante das outras e dizia: "Por que me privar de um prazer tão inocente?". E depois: "Sei que é inconveniente, mas não posso fazer de menos". Às vezes se arrependia, chorava ao ver as lágrimas da mãe, mas depois era tomada de novos acessos. Enquanto um padre a aconselhava, ela se masturbava com a sotaina. Chegou a queimar o clitóris, mas inutilmente. Dizia ela:
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horrível ter vontade de fazer e não poder.É
para tornar louco qualquer um. Seria capaz de matar quem me impedisse. Na- quele momento sou prisioneira de uma vertigem. Nada vejo, nada temo para fazê-lo".Recordo-me de
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uma doméstica que se masturbava quando menina. Mais tarde a mestra proibiu-a de tocar a púbis, o que aguçou sua curiosidade. Daí por diante tocava-,
se sem prazer mas por pura curiosidade. Depois se imaginou estar doente e, por divertimento aplicou cataplasma e esfre- gava com um bastão as partes pudendas. Depois, os desejos lhe vieram em horas determinadas. Corrompeu a irmã que tinha 4 anos e que não sentiu prazer a não ser quando atingiu 8 anos. Depois se depravou com meninos.
23. Esquirol e Marc narram dois casos curiosos em que junto com as tendências obscenas, e em parte por causa destas, manifestavam-se as veleidades matricidas. Uma menina descrita por Esquirol era lúcida e de inteligência precoce, dando-nos