2.4 Malhas Dinˆamicas
2.4.1 C´alculo das For¸cas El´asticas
A solu¸c˜ao do sistema dado necessita da formula¸c˜ao adequada de F . Considere ~f uma componente da matriz FK. Em se tratando de malhas el´asticas, a formula¸c˜ao de ~f ´e
determinante para a solu¸c˜ao do sistema.
Dentre as diversas formas de se calcular essa for¸ca, a analogia com molas s˜ao as mais conhecidas e utilizadas em CFD [Batina, 1990]. Ela pode ser descrita da seguinte maneira. Molas chamadas longitudinais, contr´arias ao deslocamento, s˜ao atribu´ıdas entre os v´ertices e assim ´e determinada a for¸ca pela aplica¸c˜ao da lei de Hook:
~
f =−k~δ , (2.11)
onde k ´e o coeficiente de resistividade da mola e ~δ ´e a deforma¸c˜ao na mola.
2.4 Malhas Dinˆamicas 33 possui associado um coeficiente de rigidez. A for¸ca resultante em um v´ertice ´e ent˜ao calculada para todas as molas que o incidem, de modo que a conectividade da malha determina quais v´ertices influenciar˜ao neste c´alculo de for¸cas atuantes. Ent˜ao, todas for¸cas atuantes no v´ertice i a partir de seus v´ertices vizinhos j s˜ao consideradas. Al´em disso, ´e interessante que se preserve a propor¸c˜ao entre os comprimentos das arestas.
A equa¸c˜ao da for¸ca pode ent˜ao ser escrita como:
~ fi =
X
vj∈S(vi)
kij(~δj − ~δi) , (2.12)
onde ~δi ´e o deslocamento do v´ertice i e S(vi) representa o conjunto de v´ertices adja-
centes ao v´ertice i.
Batina [Batina, 1990] define que os coeficientes de rigidez das molas longitudi- nais sejam inversamente proporcionais ao comprimento de suas arestas. Portanto, o coeficiente de rigidez da mola pode ser calculado como:
kij =
a (lij)b
(2.13) onde lb
ij ´e o comprimento da aresta entre os v´ertices i e j na malha inicial, ou seja,
antes da deforma¸c˜ao, e a e b s˜ao constantes (usualmente iguais a 1).
Al´em de serem indicadas para resolver problemas com pequenas deforma¸c˜oes, uma deficiˆencia deste m´etodo ´e que n˜ao se pode garantir que algum v´ertice n˜ao ultrapasse uma aresta, criando elementos inv´alidos com ´area de valor negativo, pois as molas previnem que dois v´ertices adjacentes colidam, mas n˜ao impede que um v´ertice cruze sua aresta oposta.
A causa desta deficiˆencia nessas molas ´e que elas n˜ao levam em considera¸c˜ao a ´area do triˆangulo ou o ˆangulo entre as arestas. Uma solu¸c˜ao para este problema consiste em agregar molas torcionais ao sistema [Farhat et al., 1998].
tas, ao inv´es de controlar comprimentos como as molas longitudinais. Para compor o sistema desta abordagem, as molas torcionais s˜ao usadas em conjunto com as longi- tudinais. Seja o triˆangulo tijk composto pelos v´ertices vi, vj e vk, como mostrado na
Figura 2.6. Define-se θijki o ˆangulo entre arestas ei e eik, e A(tijk) a ´area do triˆangulo
tijk. Ent˜ao, o coeficiente da mola torcional no v´ertice vi do triˆangulo tijk ´e definido
como: Ciijk= 1 1 + cos(θijki ) 1 1− cos(θiijk) = 1 sen(θijki )2 = (eij)2(eik)2 4A(tijk)2 , (2.14) ´
E importante notar que o coeficiente Ciijk da mola torcional tende ao infinito se o ˆangulo entre as arestas for pr´oximo de 0 ou de 180o.
v
iv
jv
kijk i
Figura 2.6: Esquema de mola torcional.
A montagem do sistema de molas ´e feita associando-se uma mola torcional para cada ˆangulo interno de cada c´elula da malha. Al´em disso, uma mola torcional ´e associ- ada para cada v´ertice da malha a cada triˆangulo incidente. A formula¸c˜ao baseada em molas torcionais ´e eficaz na melhoria da raz˜ao de aspecto dos elementos. Mas, ap´os a movimenta¸c˜ao da malha, essa formula¸c˜ao tamb´em ´e restrita para pequenos deslo- camentos e possui uma implementa¸c˜ao n˜ao trivial, al´em de ser computacionalmente custosa.
O conceito de mola semi-torcional foi proposto por Blom [Blom, 2000] para sim- plificar a formula¸c˜ao baseada em molas torcionais, de modo a incluir as informa¸c˜oes
2.4 Malhas Dinˆamicas 35 dos ˆangulos internos dos triˆangulos em sistemas compostos por molas longitudinais. A ideia ´e promover a influˆencia dos ˆangulos internos nos coeficientes de rigidez das molas longitudinais, for¸cando a utiliza¸c˜ao tamb´em das molas longitudinais no sistema de molas. Isso ´e feito pelo quociente do coeficiente de rigidez da mola longitudinal pelo valor do ˆangulo oposto. Considerando-se a Figura 2.7 a t´ıtulo de exemplo, o co- eficiente da mola longitudinal na aresta eij ´e dividido pelo valor do ˆangulo interno do
triˆangulo tijk em vk(θ ijk
k ). Ent˜ao, o coeficiente de resistividade da mola semi-torcional
´e definido como:
kijBlom =
kij
θijkk
(2.15) Observe que kBlom praticamente n˜ao se modifica quando o triˆangulo ´e equil´atero,
uma vez que θijki = θ ijk j = θ
ijk
k . Note que quanto mais agudo for o ˆangulo, mais firme
ser´a a mola. Por outro lado, quanto mais obtuso, mais flex´ıvel ser´a a mola, o que deve-se evitar.
v
iv
jv
k ijk k ijFigura 2.7: Mola semi-torcional proposta por [Blom, 2000].
No trabalho de Zeng et al. [Zeng and Ethier, 2001] foi proposta uma melhoria nas molas semi-torcionais, de modo a adicionar o coeficiente de uma mola torcional ao coeficiente da mola longitudinal oposta. Assim, tomando base na Figura 2.8, o coeficiente de rigidez total kt
kijtotal= kij + Ckijk+ Clijl, (2.16)
onde C ´e o coeficiente de rigidez da mola torcional dado pela Equa¸c˜ao 2.14.
v
iv
jv
k ijv
l ijk kC
ijl lC
Figura 2.8: As molas torcionais em vk e vl s˜ao adicionadas `a mola longitudinal na
aresta eij.
Uma vez conhecido o coeficiente de rigidez das molas semi-torcionais, pode-se escrever a equa¸c˜ao geral das for¸cas nos v´ertices vi para este tipo de mola:
~ fi = X j∈S(vi) ktotal ij .[~δj − ~δi] , (2.17)
onde S(vi) representa o conjunto de v´ertices adjacentes ao v´ertice i.
Al´em do fato de que a formula¸c˜ao de molas semi-torcionais ser aplic´avel quando h´a grandes deforma¸c˜oes, uma outra vantagem deste tipo de mola em rela¸c˜ao as molas torcionais ´e a exigˆencia de um menor n´umero de opera¸c˜oes computacionais durante sua execu¸c˜ao. Por outro lado, o enrijecimento de molas torcionais pelo uso de molas semi-torcionais n˜ao evita o surgimento de elementos inv´alidos para todos os casos.