1 PRÁTICAS DE LEITURA E ESCRITA
1.1 ALFABETIZAÇÃO
processo. De acordo com Tfouni (2010, p. 11), “enquanto os sistemas de escrita são um produto cultural, a alfabetização e o letramento são processos de aquisição de um sistema escrito”.
Historicamente, a escrita data de cerca de cinco mil anos antes de Cristo e é considerada como uma prática social da humanidade. É por meio dela que as pessoas conseguem se comunicar e deixar fatos e acontecimentos registrados.
Em alguns momentos da história da humanidade, a escrita serviu de instrumento de poder e dominação para aqueles que a detinham.
Escrever foi rapidamente reconhecido como uma habilidade poderosa, e através das classes da sociedade mesopotâmica emergiu o escriba. Sem dúvida, a habilidade de ler também lhe era essencial, mas nem o nome dado à sua ocupação, nem a percepção social de suas atividades reconheciam o ato de ler, concentrando-se quase exclusivamente em sua capacidade de registrar. No âmbito público, era mais seguro para o escriba ser visto não como alguém que buscava e reconstituía informações (e, portanto, que podia imbuí-las de sentido), mas como alguém que simplesmente as registrava para o bem público (MANGUEL, 1997, p. 208).
Foi por meio da escrita que muitas civilizações modernas surgiram.
Mesmo que a escrita seja um fator primordial para as grandes civilizações, faz-se necessário reforçar que ela foi utilizada como meio de poder e dominação, como também aponta Tfouni (2010):
[...] a escrita está associada, desde suas origens, ao jogo de dominação/poder, participação/exclusão que caracteriza ideologicamente as relações sociais, ela também pode ser associada ao desenvolvimento social, cognitivo e cultural dos povos, assim como a mudanças profundas nos seus hábitos comunicativos (TFOUNI, 2010, p. 15).
A alfabetização pode ser definida como o referencial de grupos sociais hegemônicos que, por meio do conhecimento, utilizam-na como instrumento de poder e controle sobre grupos sociais menos favorecidos e, na sua maioria, não alfabetizados.
A história do mundo revela que a alfabetização da população nunca foi motivo de interesse das classes dominantes (TFOUNI, 2012). Para tais estratos era uma inconveniência que a população soubesse ler e escrever, o que acabaria dificultando sua permanência no poder. Saber ler e escrever significava a libertação das camadas mais populares.
Entretanto, houve um paradoxo. Ao mesmo tempo que não interessava para as classes dominantes alfabetizar as classes populares, a alfabetização possibilitou a formação de mão de obra com mais qualificação. Paulo Freire (1996, p. 66) afirma que a técnica educativa, que tem por função o predomínio sociocultural, busca sempre engendrar os indivíduos, ou seja, “tenta doutriná-los no sentido de sua acomodação ao mundo da opressão”.
O conceito da alfabetização mudou ao longo da história, pois, em cada época, havia uma exigência nos contextos específicos da sociedade. De forma geral, as diferentes concepções baseiam-se na relação da obtenção das habilidades de leitura e escrita.
De acordo com Carmo (2008), a primeira campanha de incentivo à alfabetização no Ocidente aconteceu com a reforma da alfabetização individual.
Essa reforma fez com que a alfabetização individual se tornasse uma força social e que acabou sendo criada para a própria sociedade. A reforma fez com que a alfabetização se tornasse controladora e doutrinária.
Por meio da história da alfabetização, consegue-se perceber mudanças durante a transição da Idade Média para a Idade Moderna. A principal são os indivíduos começarem a ser alfabetizados mesmo quando eram impedidos pelos setores que detinham o poder, por exemplo, a Igreja. A alfabetização em massa começou a ocorrer na Europa nos séculos XI e XII antes da Revolução Industrial.
A alfabetização era vista como algo sem importância, um modo de entretenimento. As pessoas utilizavam seus conhecimentos para poder registrar em diários sua realização pessoal.
Com a alfabetização, inicia-se uma disseminação de obras. Entre elas encontravam-se os almanaques, calendários e contos, fazendo com que a expansão da leitura fosse ainda maior. Saviani (1998) afirma que o processo de aprendizagem da leitura e da escrita ocorria de maneira informal entre as pessoas. Elas não frequentavam a escola, pois ainda não existia um sistema escolar, portanto, era por meio da convivência em casa e na rua, com situações do cotidiano, que as pessoas se tornavam letradas.
A Revolução Industrial trouxe uma grande necessidade de alfabetizar as pessoas para que elas pudessem trabalhar de maneira mais adequada e eficiente nas fábricas. A alfabetização treinaria os funcionários, para que eles se tornassem mais eficazes no trabalho.
A necessidade de mão de obra mais eficaz fez com que surgisse a escolarização em massa, pois o número de pessoas que trabalhavam nas fábricas durante a Revolução Industrial era grande, diz Saviani (1998).
A partir da alfabetização em massa, as classes mais populares passaram a assimilar e entender as regras que a classe dominante impunha. A alfabetização passou a ser vivenciada pelas camadas populares como uma forma de ascensão social. Mesmo com o crescimento educacional da época, o governo ainda tentava impedir a alfabetização para que não houvesse um “descontrole social”, visto que a alfabetização era aceita apenas como um meio de educar e moldar as pessoas e melhorar seu desempenho nas fábricas.
A primeira escola aberta no Brasil, no Estado da Bahia, data de 1549.
Seu início se deu com a chegada dos primeiros padres jesuítas ao país, que eram chefiados por Padre Manoel da Nóbrega. O padre transmitia seus conhecimentos aos alunos, no caso, os índios, e os alfabetizava por meio de um ensino catequético em que lhes eram ensinadas a leitura, a escrita e a religião.
Lagôa (1990, p.14) afirma que a alfabetização em seu início foi definida levando em conta apenas os aspectos “decodificadores”. Isso significa que o indivíduo deveria ser capaz de decodificar uma mensagem ou um enunciado que fosse referente à vida cotidiana.
A alfabetização pode ser vista e entendida sob dois ângulos diferentes:
o primeiro é aquele em que ela acontece como aquisição de habilidades para a leitura e a escrita, de forma individual. O segundo ângulo é aquele em que a alfabetização é considerada como um processo de representação dos objetos. A alfabetização está estreitamente ligada às práticas escolares e à instrução. Sobre esse assunto, William Teale (apud TFOUNI, 2010, p. 17) menciona:
[...] a prática da alfabetização não é meramente a habilidade abstrata para produzir, decodificar e compreender a escrita; pelo contrário, quando as crianças são alfabetizadas, elas usam a leitura e a escrita para a execução das práticas que constituem sua cultura.
Percebe-se que a alfabetização, mesmo sendo considerada um processo individual, não o é. A sociedade está sempre em um processo de mudanças, fazendo com que a atualização individual seja sempre constante para que o indivíduo consiga acompanhá-las, segundo Tfouni (2010).
Paulo Freire (1996) descreve a alfabetização como “capaz de levar o analfabeto a organizar reflexivamente seu pensamento, desenvolver a consciência crítica, introduzi-lo num processo real de democratização da cultura e de libertação”.
Tfouni (2010) afirma que a alfabetização se refere à aquisição da escrita quando o indivíduo aprende habilidades para a leitura e a escrita.
Uma pessoa alfabetizada, portanto, é aquela que conseguiu adquirir a arte da escrita, ou seja, sabe decodificar as letras (sinais gráficos), mas ainda não possui conhecimento suficiente para ter habilidades de uma leitura e escrita com sentido.
1.2 LETRAMENTO DIGITAL
No Brasil, o termo “letramento” foi criado na década de 1990. Optou-se por essa palavra com a intenção de distinguir as práticas de ler e de escrever, no caso, a alfabetização, das práticas sociais de leitura e escrita que são consideradas mais complexas, o letramento. Foi a partir da década de 1990 que pesquisadoras como Soares (2004), Kleiman (1996), Tfouni (2010) e Rojo (2009) se tornaram nomes de destaque nos estudos de letramento, com uma influência da formulação proposta por Brian Street (1984), que afirma:
[...] usarei o termo letramento para nomear as práticas sociais e as concepções de leitura e escrita [...]. O que as práticas particulares e os conceitos de leitura escrita são para uma dada sociedade depende do contexto (STREET, 1984, p. 1).
Segundo Street (1984), o letramento divide-se em dois modelos:
autônomo e ideológico.
O modelo autônomo de letramento exprime que a escrita tem como principal característica a sua independência de produção. Isso quer dizer que, sendo a escrita um processo independente, ela é a responsável pelo desenvolvimento cognitivo de um indivíduo ou até mesmo de uma sociedade. Portanto, os indivíduos que eram alfabetizados e dominavam a escrita e a leitura eram considerados mais desenvolvidos cognitivamente do que aqueles que apenas se comunicavam pela oralidade.
Para Kleiman (1995, p. 21), o modelo autônomo é considerado como:
As práticas de uso da escrita na escola – aliás, práticas que subjazem à concepção de letramento dominante na sociedade – sustentam-se num modelo de letramento que é por muitos pesquisadores considerado tanto parcial como equivocado. Essa é a concepção de letramento denominada por Street (1984) de modelo autônomo. Essa concepção pressupõe que há apenas uma maneira de o letramento ser desenvolvido, sendo que essa forma está associada quase que causalmente com o progresso, a civilização, a mobilidade social. [...] esse é o modelo que hoje em dia é prevalente na nossa sociedade e que se reproduz, sem grandes alterações, desde o século passado, quando dos primeiros movimentos de educação em massa.
Já o modelo ideológico de letramento exige, além da capacidade e do domínio da leitura e da escrita, o conhecimento dos contextos sociais e seus usos.
Esse segundo modelo se diferencia do primeiro no que diz respeito ao conhecimento social. Isso porque, mesmo que uma pessoa saiba ler, é necessário que ela conheça sua realidade para poder interpretar e entender o que está sendo lido.
Com base em Street (1984), Kleiman (1995, p. 22) aponta que o modelo ideológico está relacionado:
às práticas de letramento, no plural, são social e culturalmente determinadas e, como tal, os significados específicos que a escrita assume para um grupo social dependem de contextos e instituições em que ela foi adquirida. Não pressupõe, esse modelo, uma relação causal entre letramento e progresso ou civilização, ou modernidade, pois, ao invés de conceber um grande divisor entre grupos orais e letrados, ele pressupõe a existência e investiga as características, de grandes áreas de interface entre práticas orais e letradas.
Soares (2004) afirma que o conceito de letramento começou a ser utilizado no meio acadêmico para buscar uma distinção entre a alfabetização e o letramento, ou seja, tinha intenção de distinguir as práticas de leitura e de escrita, visto que os estudos da alfabetização sempre são remetidos ao fato de que o sujeito possui habilidades individuais na utilização da escrita. Kleiman (1995, p. 19) afirma que “podemos definir hoje o letramento como um conjunto de práticas sociais que seja, isso quer dizer que há, sim, uma relação entre a alfabetização e o letramento.
Tfouni (1988), ao estudar as questões do letramento, define letramento e alfabetização como:
[...] enquanto a alfabetização se ocupa da aquisição da escrita por um indivíduo, ou grupo de indivíduos, o letramento focaliza aspectos socio-históricos da aquisição de um sistema escrito por uma sociedade (TFOUNI, 1988, p. 16).
Ainda de acordo com a pesquisadora, a alfabetização é um processo individual, enquanto o letramento é um processo social, visto que a pessoa para ser letrada precisa saber compreender e entender o que se passa na sociedade. Já em
relação ao letramento a pesquisadora afirma que ele evidencia os aspectos socio-históricos utilizados na aquisição da escrita. Tfouni ainda completa seu pensamento afirmando que as mudanças ocorridas na sociedade só são possíveis quando a sociedade se torna letrada. As práticas sociais de alfabetização e de leitura, portanto, podem ser vistas e consideradas como o centro do letramento.
Soares (2004, p. 16) define letramento como:
a participação em eventos variados de leitura e de escrita, e o consequente desenvolvimento de habilidades de uso de leitura e da escrita nas práticas sociais que envolvem a língua escrita, e de atitudes positivas em relação a essas práticas.
Já para Kleiman (2005), letramento é um conjunto de práticas sociais – que ocorrem em contextos específicos como objetivos específicos – em que a escrita é usada como um sistema simbólico e tecnológico,
Quando os professores/educadores praticam o letramento, eles têm como objetivo desenvolver habilidades textuais de leitura e de escrita, além de diferentes, em contextos tão diferenciados, são vistas como letramento, embora diferentemente valorizadas e designando a seus participantes poderes também diversos.
A grande diferença entre letramento e alfabetização é que a última se ocupa da aquisição da escrita e o primeiro de aspectos socio-históricos de aquisição do sistema escrito utilizados pela sociedade em que o indivíduo vive. Vygotsky (apud TFOUNI, 2010) define letramento como:
O letramento representa o coroamento de um processo histórico de transformação e diferenciação no uso de instrumentos mediadores.
Representa também a causa da elaboração de formas mais sofisticadas do comportamento humano que são chamados
‘processos mentais superiores’, tais como: raciocínio abstrato, memória ativa, resolução de problemas etc. (VYGOTSKY apud TFOUNI, 2010, p. 22).
Pela definição de letramento dada por Vygotsky, percebe-se que o letramento é, na verdade, organizado por estratégias letradas que as pessoas (inclusive as crianças) possuem mesmo não sendo alfabetizadas. As crianças conseguem elaborar frases com sentido mesmo sem terem começado a frequentar a escola. Em relação ao nível de conhecimento de letramento das pessoas, pode-se perceber que existem graus de letramento. Nenhum indivíduo pode ser considerado
“iletrado”, pois cada qual tem o seu grau de conhecimento, porém pode ser considerado analfabeto.
A prática do letramento acontece quando um sujeito consegue desenvolver tanto habilidades de leitura como de escrita para conseguir conviver com os muitos tipos de gêneros textuais presentes em nossa sociedade.
A participação em eventos variados de leitura e de escrita, e o consequente desenvolvimento de habilidades de uso de leitura e da escrita nas práticas sociais que envolvem a língua escrita, e de atitudes positivas em relação a essas práticas (SOARES, 2004, p.
16).
Para que uma pessoa consiga fazer parte da sociedade em que vive, precisa ser letrada, em virtude da necessidade de interação com outros indivíduos e com o mundo. Mesmo que a pessoa não seja alfabetizada, ela precisa ser letrada para que a troca de informação e conhecimento possa ocorrer. Caso essa troca não ocorra, o sujeito passa a ter maior dificuldade de inserção em uma sociedade.
1.3 LETRAMENTO DIGITAL
Ao longo do século XX, estabeleceram-se outras formas de comunicação. Essas novas formas surgiram com os artefatos tecnológicos como: o telefone, o cinema, a TV, o computador e a tecnologia digital. Todo esse aparato moderno propiciou aos homens uma maneira de enxergar o texto como um produto que vai além das manifestações da escrita e da linguagem.
Nesse contexto tecnológico em que vivemos já não nos basta, mas práticas de leitura e escrita, com textos convencionais compostos somente por
palavras, ou por textos multimodais constituídos por meio das combinações de palavras, imagens, fotos gráficos, símbolos etc.
Os precursores da teoria da multimodalidade foram os teóricos Kress e Van Leeuwen, no ano de 2001. Esses autores começaram a pensar em uma linguagem multimodal que deve ser vista e lida com os sentidos, quais sejam, olfato, tato, visão, audição e paladar.
Multimodalidade se refere a processos e artefatos comunicativos que combinam vários sistemas de signos (modos) e cuja produção e recepção convocam os comunicadores a inter-relacionar semanticamente e formalmente todo o repertório de signos presentes (VAN LEEUWEN, 2001, p. 9).
O uso de todo o repertório de signos para o ato de comunicação significa dizer que os textos contemporâneos são produzidos pela inter-relação entre pelo menos mais de um tipo de linguagem: sons, palavras e movimentos juntos compondo um texto, que se caracteriza, então por ser multimodal. A linguagem verbal é a forma de comunicação que utiliza a palavra falada ou escrita, presentes em diálogos no cotidiano, em textos (obras literárias, científicas), em propagandas, em reportagens (jornais, revistas).
Linguagem não verbal é o uso de imagens, símbolos, desenhos, fotografias, escultura, figuras, pintura, música, dança e gestos como meio de comunicação.
A linguagem multimodal caracteriza-se pelo uso simultâneo da linguagem verbal e da linguagem não verbal, muito presente na comunicação contemporânea, no universo da tecnologia mediada pelo computador.
Se observarmos as práticas letradas cotidianas dos sujeitos alunos, verificaremos que esses novos gêneros multimodais já estão presentes nos processos de comunicação que realizam fora dos muros das escolas: games, TV, internet, celulares, entre outras mídias. No entanto, quando inseridos intramuros escolares, muitas vezes os alunos se deparam com livros usados, lousas ruins, giz e fala do professor, que tenta passar conhecimentos que não têm chegado a eles, pois não se sentem motivados, persuadidos, sobretudo, acreditamos que por ruídos no processo de interlocução professor-aluno.
Lévy (1999), estudando essas novas formas de comunicação, considera que o texto produzido no ciberespaço, que se denomina hipertexto, caracteriza-se como:
um conjunto de nós ligados por conexões. Os nós podem ser palavras, páginas, imagens, gráficos ou partes de gráficos, sequências sonoras, documentos complexos que podem eles mesmos ser hipertextos. Os itens de informação não são ligados linearmente, como em uma corda com nós, mas cada um deles, ou a maioria, estende suas conexões em estrela, de modo reticular.
(LÉVY, 1999, p. 33).
Nos dias atuais, com a multiculturalidade, característica da globalização, e a multimodalidade dos textos, em que qualquer indivíduo é capaz de produzir textos multimodais ou multissemióticos, com a combinação de imagens estáticas ou em movimento, com músicas e vozes, surge um conceito novo, o de multiletramentos.
O conceito de multiletramentos, articulado pelo Grupo de Nova Londres, busca justamente apontar, já de saída, por meio do prefixo
“multi”, para dois tipos de “múltiplos” que as práticas de letramentos contemporâneas envolvem: por um lado, a multiplicidade de linguagens, semioses e mídias envolvidas na criação de significação para os textos multimodais contemporâneos e, por outro, a pluralidade e a diversidade cultural trazidas pelos autores/leitores contemporâneos a essa criação de significação (ROJO, 2013, p. 14).
O Grupo de Nova Londres é composto por pesquisadores dos letramentos que, após uma semana de discussões em Nova Londres, em Connecticut (EUA), como resultado de um colóquio, publicou um manifesto com o título de A Pedagogy of Multiliteracies – Designing Social Futures (“Uma pedagogia dos multiletramentos – desenhando futuros sociais”).
O grupo1 propôs alguns princípios sobre como encaminhar uma
“pedagogia de multiletramentos”, configurados no diagrama a seguir:
1 Dentre eles, Courtney Cazden, Bill Cope, Mary Kalantzis, Norma Fairclough, Jim Gee, Gunther Kress, Allan e Carmen LuKe, Sara Michaels e Martin Nakata.
Figura 1 – Imagem do livro Multiletramentos na escola.
Fonte: ROJO; MOURA, 2012.
Segundo Rojo e Moura (2012), esses princípios tratavam de formar um usuário funcional que:
[...] tivesse competência técnica (“saber fazer”) nas ferramentas/textos/práticas letradas requeridas, ou seja, garantir os
“alfabetismos” necessários às práticas de multiletramentos (às ferramentas, aos textos, às línguas/linguagens) (ROJO; MOURA, 2012, p. 29).
Cabe à escola, em relação aos alfabetismos, a promoção de possibilidades práticas de que os alunos se transformem em criadores de sentido.
Para que isso aconteça, eles precisam ser analistas críticos, capazes de transformar os discursos e significações, seja na recepção de leitura ou na produção textual.
Para Rojo e Moura (2012), o que caracteriza multiletramento é a diferenciação do conceito de letramentos (múltiplos), que apenas apontam para a multiplicidade e variedades das práticas letradas, enquanto o multiletramento:
[...] aponta para dois tipos específicos e importantes de multiplicidade presentes em nossas sociedades, principalmente urbanas, na contemporaneidade: a multiplicidade cultural das populações e a multiplicidade semiótica de constituição dos textos por meio dos quais ela se informa e se comunica (ROJO; MOURA, 2012, p. 13).
Canclini (2008) defende que a multiplicidade cultural são as produções culturais letradas em circulação social, com textos híbridos de diversos letramentos e de diversos campos.
Segundo Rojo e Moura (2012), a multiplicidade de linguagens é:
o que tem sido chamado de multimodalidade ou multissemiose dos textos contemporâneos, que exigem multiletramentos. Ou seja, textos compostos de muitas linguagens (ou modos, ou semioses) e que exigem capacidades e práticas de compreensão e produção de cada uma delas (multiletramentos) para significar (ROJO; MOURA, 2012, p.19).
As autoras Dionísio e Vasconcelos (2013) consideram que “o termo
‘texto multimodal’ tem sido usado para nomear textos constituídos por combinação de recursos de escrita (fonte, tipografia), som (palavras faladas, músicas), imagens (desenhos, fotos reais), gestos movimentos, expressões faciais etc.”.
Com os textos multimodais cada vez mais presentes nas inúmeras práticas de linguagem emergentes nas mídias contemporâneas e nos recursos tecnológicos em desenvolvimento, é necessário compreender algumas definições em relação aos novos termos.
Rojo (2013) apresenta um quadro do resumo das definições de Santaella (2007 apud ROJO, 2013) em relação à multimodalidade, multimídia hipertexto e hipermídia:
Figura 2 – Resumo das definições Fonte: ROJO, 2013.
Com o advento da internet2 e a crescente população de usuários das
Com o advento da internet2 e a crescente população de usuários das