3.2
Descri¸c˜ao do Algoritmo GWO
No algoritmo 3.1 ´e fornecida a estrutura fundamental do algoritmo GWO para um problema otimiza¸c˜ao.
No algoritmo GWO ´e inicializada uma popula¸c˜ao de N lobos-cinzentos (potenciais solu¸c˜oes) com posi¸c˜oes aleat´orias, designada por alcateia, que pode ser definida por PX = (X1, X2, ..., XN). Cada lobo-cinzento representa um agente de pesquisa,
ou seja, uma solu¸c˜ao potencial que ca¸ca/pesquisa uma presa/solu¸c˜ao melhor do problema. Os indiv´ıduos que comp˜oem a popula¸c˜ao s˜ao representados como agentes de pesquisa e representam uma solu¸c˜ao candidata do problema, sendo tratada como um ponto num espa¸co dimensional d.
Uma das etapas do processo de ca¸ca ´e perseguir e cercar a presa. Sendo X(t) a posi¸c˜ao de um lobo e Xp(t) a posi¸c˜ao de uma presa numa determinada itera¸c˜ao t do
tempo evolutivo, esta etapa ´e modulada matematicamente atrav´es das equa¸c˜oes:
D = |C · Xp(t) − X(t)| (3.1)
X(t + 1) = Xp− A · D (3.2)
onde A e C s˜ao vetores representados pelas equa¸c˜oes (3.3) e (3.4).
Atrav´es da equa¸c˜ao (3.2), realizada elemento-a-elemento, os lobos diminuem a distˆancia relativamente `as suas presas ao longo do tempo. Esta distˆancia depende dos parˆametros A e D, no qual o A ´e um vetor aleat´orio cujos valores est˜ao compreendidos no in- tervalo [−2a, 2a] que diminui gradualmente de acordo com a equa¸c˜ao (3.3) e D ´e a distˆancia entre o lobo e a presa. Assim sendo, ao longo do tempo, com o aumento do n´umero de itera¸c˜oes, os lobos ficam cada vez mais perto das suas presas.
A = 2a · r1− a (3.3)
C = 2 · r2 (3.4)
sendo r1e r2n´umeros gerados aleatoriamente entre o intervalo [0, 1] e a um parˆametro
que decresce gradualmente e linearmente de 2 para 0. O parˆametros A e a s˜ao res- pons´aveis por garantir uma transi¸c˜ao gradual entre a pesquisa local (atacar presa) e a pesquisa global (localizar presa). No GWO original, metade das itera¸c˜oes ´e dedicada `a pesquisa global com |A| ≥ 1 e a outra metade das itera¸c˜oes dedicada `
a pesquisa local com |A| < 1. Outro componente que favorece a pesquisa global ´e C que cont´em valores aleat´orios compreendidos entre [0, 2] e que tem como fun¸c˜ao designar, estocasticamente, valores de modo a real¸car a solu¸c˜ao (presa) (C > 1) ou atenuar a mesma (C < 1). A aplica¸c˜ao desta metodologia favorece a pesquisa global e evita a convergˆencia prematura do algoritmo para m´ınimos locais.
Como visto anteriormente, as alcateias s˜ao regidas por um rigoroso sistema hier´ar- quico de dominˆancia. Em analogia `a sua inspira¸c˜ao natural, o GWO considera a melhor solu¸c˜ao Xα, a segunda melhor solu¸c˜ao Xβ e a terceira melhor Xδ. As
restantes solu¸c˜oes s˜ao designadas Xω. No GWO, durante o processo de otimiza¸c˜ao
(ca¸ca), considera-se que os trˆes melhores lobos (α, β, δ) tˆem um melhor conhecimento sobre a localiza¸c˜ao da presa. Deste modo, s˜ao guardadas as trˆes melhores solu¸c˜oes
3.3. SIMULAC¸ ˜OES EM FUNC¸ ˜OES OBJETIVO PADR ˜AO 61
obtidas at´e ao momento que obrigam os outros agentes de pesquisa (ω) a atualizar a sua posi¸c˜ao de acordo com a m´edia dos melhores agentes. As equa¸c˜oes seguintes modelam, matematicamente, o processo descrito:
Dα = |C · Xα(t) − X(t)| (3.5a) Dβ = |C · Xβ(t) − X(t)| (3.5b) Dδ = |C · Xδ(t) − X(t)| (3.5c) X1 = Xα− A1· (Dα) (3.6a) X2 = Xβ− A2· (Dβ) (3.6b) X3 = Xδ− A3· (Dδ) (3.6c) X(t + 1) = X1 + X2+ X3 3 (3.7)
3.3
Simula¸c˜oes em Fun¸c˜oes Objetivo Padr˜ao
A meta-heur´ıstica GWO foi implementada num conjunto de fun¸c˜oes objetivo padr˜ao com a finalidade de realizar um breve estudo sobre o seu desempenho comparativa- mente `a meta-heur´ıstica PSO. As fun¸c˜oes selecionadas s˜ao apresentadas na Tabela
3.1.
Tabela 3.1 – Fun¸c˜oes objetivo padr˜ao selecionadas.
Fun¸c˜ao objetivo Dimens˜ao Espa¸co de Pes-
quisa, xi f∗ i f1(x) = n−1 P i=1 100 xi+1− x2i 2 + xi− 1 2 30 [−30, 30] 0 f2(x) = n P i=1 x2 i − 10 cos(2πxi) + 10 30 [−5.12, 5.12] 0 f3(x) = 1 + 1 4000 n P i=1 x2 i− n Q i=1 cos√xi i 30 [−600, 600] 0 f4(x) = −20 exp − 0.2 s 1 n n P i=1 x2 i − exp 1 n n P i=1 cos(2πxi) + 20 + e 4 [−5, 5] 0.0003
Durante este estudo, foram realizados v´arios testes, todos eles direcionados para a minimiza¸c˜ao das fun¸c˜oes objetivo apresentadas, das quais foram selecionadas as solu¸c˜oes que apresentaram melhores resultados. O tempo evolutivo utilizado para esta bateria de testes foi cerca de 500 itera¸c˜oes (t = 500)(Mirjalili, 2015).
Na Figura 3.2 ´e representada, graficamente, a fun¸c˜ao objetivo f1 (fun¸c˜ao de Ro-
senbrock) para dois parˆametros, n = 2. Uma compara¸c˜ao entre a convergˆencia do algoritmo GWO e o PSO ao longo do tempo de evolu¸c˜ao (t = 500) ´e apresentada na Figura 3.3. 200 100 x1 0 -100 -200 -200 -100 0 x2 100 15 5 10 0 200 ×1010 F1( x 1 , x 2 )
Figura 3.2 – Fun¸c˜ao objetivo f1 para duas
dimens˜oes.
Iteração
50 100 150 200 250 300 350 400 450 500
Melhor resultado até ao momento
102 103 104 105 106 107 108 GWO PSO
Figura 3.3 – Convergˆencia dos algoritmos GWO e PSO para a fun¸c˜ao objetivo f1.
O melhor resultado obtido com a implementa¸c˜ao da meta-heur´ıstica GWO foi f1∗ = 27.092. Por sua vez, o melhor resultado obtido com a implementa¸c˜ao da meta- heur´ıstica PSO foi f1∗ = 73.054.
Na Figura 3.4 ´e ilustrada, graficamente, a fun¸c˜ao objetivo f2, tamb´em conhecida
como fun¸c˜ao de Rastrigin, para dois parˆametros n = 2. Por sua vez, na Figura
3.5 ´e apresentada uma compara¸c˜ao entre a convergˆencia do algoritmo GWO e do algoritmo PSO ao longo do tempo de evolu¸c˜ao (t = 500) para a fun¸c˜ao f2.
O melhor resultado obtido com a implementa¸c˜ao da meta-heur´ıstica GWO foi um valor ´otimo da fun¸c˜ao objetivo de f2∗ = 11.675. Por sua vez, o melhor resultado obtido com a implementa¸c˜ao da meta-heur´ıstica PSO foi um valor ´otimo da fun¸c˜ao objetivo de f2∗ = 50.813.
3.3. SIMULAC¸ ˜OES EM FUNC¸ ˜OES OBJETIVO PADR ˜AO 63 5 x 1 0 -5 -5 0 x2 80 0 20 40 60 5 F2( x 1 , x 2 )
Figura 3.4 – Fun¸c˜ao objetivo f2 para duas
dimens˜oes.
Iteração
50 100 150 200 250 300 350 400 450 500
Melhor resultado até ao momento
102
GWO PSO
Figura 3.5 – Convergˆencia dos algoritmos GWO e PSO para a fun¸c˜ao objetivo f2.
Na Figura 3.6 ´e ilustrada, graficamente, a fun¸c˜ao objetivo f3 (fun¸c˜ao de Griewank)
para dois parˆametros, n = 2. Na Figura 3.7 ´e apresentada uma compara¸c˜ao entre a convergˆencia do algoritmo GWO e PSO ao longo do tempo de evolu¸c˜ao para a fun¸c˜ao f3. 500 x 1 0 -500 -500 0 x 2 20 60 80 100 120 40 0 500 F3( x 1 , x 2 )
Figura 3.6 – Fun¸c˜ao objetivo f3 para duas
dimens˜oes.
Iteração
50 100 150 200 250 300 350 400 450 500
Melhor resultado até ao momento
10-15 10-10 10-5 100 GWO PSO
Figura 3.7 – Convergˆencia dos algoritmos GWO e PSO para a fun¸c˜ao objetivo f3.
Nesta simula¸c˜ao, o melhor resultado obtido foi tamb´em alcan¸cado pela meta-heur´ıstica GWO com o valor ´otimo de f3∗ = 0 em contraste com o valor de f3∗ = 0.00987 obtido com a implementa¸c˜ao da meta-heur´ıstica PSO.
Na Figura 3.8´e representada a fun¸c˜ao objetivo f4 (tamb´em conhecida como fun¸c˜ao
entre a convergˆencia do algoritmo GWO e do algoritmo PSO ao longo do tempo de evolu¸c˜ao para a fun¸c˜ao f4.
20 10 x1 0 -10 -20 -20 -10 0 x2 10 0 5 10 15 20 20 F4( x 1 , x 2 )
Figura 3.8 – Fun¸c˜ao objetivo f4 para duas
dimens˜oes.
Iteração
50 100 150 200 250 300 350 400 450 500
Melhor resultado até ao momento
10-12 10-10 10-8 10-6 10-4 10-2 100 GWOPSO
Figura 3.9 – Convergˆencia dos algoritmos GWO e PSO para a fun¸c˜ao objetivo f4.
Nesta simula¸c˜ao, o melhor resultado obtido foi tamb´em alcan¸cado pela meta-heur´ıstica GWO com o valor ´otimo de f4∗ = 1.359 × 10−13 em contraste com o valor de f4∗ = 0.00427 obtido com a implementa¸c˜ao da meta-heur´ıstica PSO.
Na Tabela 3.2 s˜ao apresentados os resultados obtidos para cada fun¸c˜ao objetivo padr˜ao utilizando a meta-heur´ıstica GWO e PSO, sendo o valor a negrito o que apresenta um melhor valor para cada fun¸c˜ao.
Tabela 3.2 – Fun¸c˜oes objetivo padr˜ao selecionadas.
Fun¸c˜ao objetivo GWO PSO
f1(x) 27.092 73.054
f2(x) 11.675 50.813
f3(x) 0 0.00987
3.4. NOTAS FINAIS 65
3.4
Notas Finais
Este cap´ıtulo foi dedicado `a descri¸c˜ao do algoritmo GWO, fazendo-se uma aborda- gem `a sua inspira¸c˜ao natural e biol´ogica, ao seu principio de funcionamento, opera- dores, bem como ao seu algoritmo fundamental. Posteririormente, procurou-se fazer uma pequena an´alise sobre o desempenho do GWO em rela¸c˜ao ao PSO em fun¸c˜oes objetivo padr˜ao. Nos testes realizados, foi verificado que o algoritmo GWO supera o algoritmo PSO nas fun¸c˜oes em que foram testados.
4
Projeto de Controladores PID:
Apresenta¸c˜ao do Problema
Neste cap´ıtulo apresenta-se o projeto do controlador proporcional, integrativo e deri- vativo (PID) com o algoritmo GWO. Numa primeira fase, ´e apresentada a relevˆancia deste tipo de controladores em termos de aplicabilidade pr´atica ao n´ıvel do controlo industrial de sistemas. De seguida, apresenta-se uma breve introdu¸c˜ao aos contro- ladores PID apresentando alguns m´etodos de sintonia considerados de referˆencia.
4.1
Relevˆancia dos Controladores PID
Apesar dos grandes avan¸cos registados na teoria do controlo, os controladores PID continuam a ser os mais populares para aplica¸c˜oes industriais, devido `a sua estrutura simples e ao seu comportamento robusto numa larga gama de condi¸c˜oes de opera¸c˜ao
(˚Astr¨om e H¨agglund,1995) . Atualmente, mais de 95% das malhas de controlo indus-
trial utilizam controladores PID (Desborough e Miller,2002), embora muitos destes sejam controladores proporcionais-integrativos (PI) porque a a¸c˜ao derivativa n˜ao ´
e incorporada. A engenharia do controlo n˜ao est´a limitada a uma ´area particular, sendo aplic´avel em m´ultiplos dom´ınios cient´ıficos tais como Engenharia Aeron´autica,
Engenharia Biom´edica, Engenharia Eletrot´ecnica, Engenharia Mecˆanica, Engenha- ria Qu´ımica, entre outras. Em todas estas s˜ao encontradas aplica¸c˜oes que utilizam controladores PID (˚Astr¨om e Murray, 2008).
4.2
Controladores PID: Fundamentos
Um sistema de controlo ´e um conjunto de componentes, subsistemas e processos interligados, de forma a obter uma resposta desej´avel na sa´ıda do processo ou sis- tema. Na Figura4.1´e apresentado um diagrama de blocos de um sistema em malha fechada, onde v representa a entrada de referˆencia, e o sinal de erro, u a sa´ıda do controlador, d uma perturba¸c˜ao na carga, y a sa´ıda controlada, n o ru´ıdo e ym a
sa´ıda medida pelo sensor. Outras estruturas de controlo podem ser consultadas em (˚Astr¨om e H¨agglund, 1995, 2006). Controlador d(t) Atuador Sistema n(t) v(t) − e(t) u(t) + + + + y(t) Sensor ym(t)
Figura 4.1 – Diagrama de blocos de um sistema de controlo em malha fechada.
Assumindo que ym(t) = y(t), o sinal de erro ´e representado pela diferen¸ca e(t) =
v(t) − y(t) entre o sinal de entrada de referˆencia, v(t), e o sinal da sa´ıda controlada, y(t), devendo o sinal do erro ser o mais pequeno poss´ıvel. Pretende-se pois que y(t) seja o mais pr´oximo poss´ıvel de v(t).
O componente controlador pode ser configurado de diversas formas. Na realidade, representa uma estrat´egia de controlo, isto ´e, um conjunto de regras que fornecem um valor de controlo quando a a¸c˜ao `a sa´ıda se desvia do sinal de referˆencia. Um controlador pode, assim, ser representado por uma equa¸c˜ao ou um algoritmo. De
4.2. CONTROLADORES PID: FUNDAMENTOS 69
seguida ´e apresentada uma breve descri¸c˜ao dos controladores PID.
4.2.1
Controlo Proporcional (P)
Como o nome indica, no controlador proporcional a vari´avel de sa´ıda do controlador ´
e diretamente proporcional ao sinal do erro, sendo representada por:
u(t) = Kp· e(t) (4.1)
onde Kprepresenta a constante de ganho proporcional e e(t) o sinal de erro. A partir
da equa¸c˜ao (4.1) verifica-se que o valor do sinal de controlo u(t) ´e proporcional ao valor do erro e(t). Esta proporcionalidade depende, na pr´atica, dos limites fixos do atuador. Assim, a principal desvantagem da implementa¸c˜ao da a¸c˜ao proporcional ´e a sua incapacidade para eliminar o erro em regime estacion´ario (˚Astr¨om e H¨agglund,
2006).
4.2.2
Controlo Integrativo (I)
Na a¸c˜ao integrativa (4.2), a vari´avel de controlo ´e proporcional ao integral do erro. A grande vantagem da sua implementa¸c˜ao ´e a capacidade de eliminar o erro em regime estacion´ario.
u(t) = Ki
Z t
0
e(t)dt (4.2)
De uma forma geral, o controlo integrativo ´e utilizado em conjun¸c˜ao com o modo de controlo proporcional resultando num dos controladores mais utilizados em aplica¸c˜oes industriais, o controlador PI, representado por (4.3) em que Ti simboliza a constante
de tempo integrativa. u(t) = Kp e(t) + 1 Ti Z t 0 e(t)dt (4.3)
4.2.3
Controlo Derivativo (D)
Com o controlo derivativo (4.4), a vari´avel de sa´ıda do controlador ´e proporcional `a derivada do erro. Esta a¸c˜ao de controlo possui a capacidade de distinguir o sentido da varia¸c˜ao do erro, n˜ao precisando de erros com grande varia¸c˜ao de amplitude para ter uma influˆencia significativa na a¸c˜ao do controlo.
u(t) = Kd
de(t)
dt (4.4)
O prop´osito da sua implementa¸c˜ao ´e melhorar o desempenho do sistema. Esta a¸c˜ao ´e combinada, de uma forma geral, com a a¸c˜ao proporcional, resultando no controlador Proporcional Derivativo (PD), ou com a a¸c˜ao Proporcional, Integrativa e Derivativa (PID), abordada na sec¸c˜ao seguinte. O controlador PD na forma paralela ´
e representado por (4.5), em que Td simboliza a constante de tempo derivativa:
u(t) = Kp e(t) + Td de(t) dt (4.5)
Uma desvantagem da a¸c˜ao derivativa ideal reside no facto de gerar ganhos elevados para altas frequˆencias, ou seja, o ru´ıdo em alta frequˆencia vai levar a varia¸c˜oes no sinal do controlador.
4.2.4
Controlador PID
O controlador PID resulta da jun¸c˜ao das trˆes a¸c˜oes de controlo previamente abor- dadas: Proporcional (P), Integrativa (I) e Derivativa (D). A relevˆancia deste tipo de controladores motivou o desenvolvimento de v´arias t´ecnicas para a sua formula¸c˜ao. Na Figura4.2´e apresentada a implementa¸c˜ao do controlador PID na forma paralela. A implementa¸c˜ao de um sistema de controlo PID em s´erie pode ser consultada em (˚Astr¨om e H¨agglund, 2006).
O controlador PID na forma paralela rege-se pela seguinte equa¸c˜ao:
u(t) = Kp e(t) + 1 Ti Z t 0 e(t)dt + Td de(t) dt (4.6)
4.2. CONTROLADORES PID: FUNDAMENTOS 71 1 Ti R e(t)dt Td de(t) dt Kp Sistema v(t) − e(t) + + + u(t) y(t)
Figura 4.2 – Sistema de controlo com controlador PID na forma paralela.
onde Kp representa a constante de ganho proporcional, Ti a constante de tempo in-
tegrativa, Tda constante de tempo derivativa, u(t) representa a sa´ıda do controlador
PID e e(t) representa o sinal do erro.
Recorrendo `a transformada de Laplace aplicada a (4.6) resulta em (4.7) e a equa¸c˜ao (4.8) apresenta a fun¸c˜ao de transferˆencia no dom´ınio complexo do controlador PID:
U (s) = Kp E(s) + 1 sTi E(s) + sTdE(s) (4.7) Gc(s) = U (s) E(s) = Kp 1 + 1 sTi + sTd (4.8)
em que: Gc representa a fun¸c˜ao transferˆencia do sistema; U e E representam, res-
petivamente, as transformadas de Laplace da sa´ıda e entrada do controlador.
Como se pode verificar atrav´es da an´alise da equa¸c˜ao (4.8), a ordem do polin´omio do numerador tem um valor mais elevado que o do denominador, sendo esta fun¸c˜ao de transferˆencia n˜ao pr´opria e portanto n˜ao implement´avel fisicamente. Assim devem ser realizadas modifica¸c˜oes para que se possa implementar.
Como j´a foi referido, na pr´atica n˜ao se pode implementar o controlador PID ideal utilizando circuitos passivos ou pneum´aticos. Assim, os controladores industriais co- merciais baseiam-se em formas alteradas tais como a da equa¸c˜ao (4.9) (formato ISA), com um filtro de primeira ordem na parte derivativa que ir´a ter um funcionamento idˆentico a um filtro passa baixo para reduzir o ru´ıdo de alta frequˆencia:
Gc(s) = Kp 1 + 1 sTi + sTd αTds + 1 0.05 ≤ α ≤ 0.2 (4.9)
onde: Kp = Kp, Ki =
Kp
Ti
, Kd = Kp× Td e α representa uma constante limitadora.
4.3
Problema da Sintonia do Controlador PID
A especifica¸c˜ao/sele¸c˜ao dos parˆametros Kp, Ti, Td do controlador PID , i.e. a sinto-
nia de controladores PID, ´e um problema fundamental no projeto de um controlador. Esta sintonia pode ser baseada numa fase experimental na qual sinais de teste s˜ao injetados no sistema. Historicamente, o trabalho desenvolvido por Ziegler e Nichols
(1942) representa o alicerce dos m´etodos de sintonia conhecidos atualmente. De facto, as primeiras tentativas que se conhecem de execu¸c˜ao da sintonia autom´atica de controladores PID (auto-tuning) foram direcionadas para automatizar o tedioso procedimento manual descrito por Ziegler e Nichols (1942). Desde ent˜ao, v´arios m´etodos de sintonia autom´atica de controladores PID foram desenvolvidos. Isto deve-se, principalmente, aos grandes avan¸cos no poder computacional dos micro- processadores visto que a maior parte dos controladores industriais PID podem ser implementados digitalmente num computador.
Os diferentes m´etodos de sintonia existentes podem ser classificados de muitas for- mas, como por exemplo, divididos em duas classes:
1. M´etodos no dom´ınio do tempo, nos quais o tempo ´e usado como vari´avel independente. O desempenho do sistema de controlo ´e avaliado estudando a resposta temporal a um sinal aplicado `a entrada do sistema;
2. M´etodos no dom´ınio da frequˆencia, baseados na teoria Nyquist, que utilizam um procedimento gr´afico para determinar se o sistema ´e est´avel ou inst´avel, dando indica¸c˜oes para melhorar as respostas transit´orias e permanentes do sistema.
A sintonia autom´atica de um controlador pode ser ilustrada atrav´es do diagrama de blocos apresentado na Figura4.3. No bloco Identifica¸c˜ao, estimam-se os parˆametros de um modelo do sistema a controlar e no bloco Projeto determinam-se as novas
4.3. PROBLEMA DA SINTONIA DO CONTROLADOR PID 73
constantes para o controlar PID (˚Astr¨om e Wittenmark,2008). A sintonia pode ser efetuada em direto (on-line) ou em diferido (off-line). V´arias t´ecnicas de sintonia
Controlador Sistema Identifica¸c˜ao Projeto v(t) − e(t) u(t) y(t) Kp, Ti, Td
Figura 4.3 – Representa¸c˜ao do projeto de sintonia autom´atica de um sistema de controlo.
tˆem vindo a ser desenvolvidas ao longo do tempo com a finalidade de encontrar os melhores parˆametros do controlador. Os m´etodos diferem na sua complexidade, flexibilidade e na quantidade de processamento utilizado. Nos t´opicos seguintes ´e apresentada uma revis˜ao de algumas dessas t´ecnicas.
M´etodo da Resposta ao Degrau de Ziegler e Nichols
Ziegler e Nichols (1942) desenvolveram duas t´ecnicas para sintonizar controlado-
res, que at´e aos dias de hoje tˆem vindo a sofrer v´arias altera¸c˜oes no sentido de as melhorar. O primeiro m´etodo de sintonia apresentado baseia-se no registo da res- posta em degrau de um sistema em malha aberta, a partir do qual s˜ao estimados os parˆametros de um modelo de primeira ordem com tempo de atraso: K, T , e L. Estes parˆametros s˜ao determinados a partir da resposta tipo sigmoide apresentada no gr´afico da Figura 4.4, atrav´es do m´etodo da tangente. Este m´etodo consiste em passar uma reta tangente `a curva no ponto de inflex˜ao e em seguida registar os parˆametros do modelo, como se ilustra na figura 4.4.
O problema com este procedimento reside no facto de que depende do ponto de inflex˜ao e os parˆametros do modelo podem variar significativamente, mediante o ponto escolhido. Pode ser ainda mais problem´atico para sinais com ru´ıdo.
0.5 1.0 1.5 2.0 2.5 3.0 −0.5 0.0 0.5 1.0 1.5 Ponto de inflex˜ao K = 4y 4u L T t y (t )
Figura 4.4 – Identifica¸c˜ao dos parˆametros de um modelo com o m´etodo da tangente.
industriais, est´aveis em malha aberta e n˜ao oscilat´orios. Um sistema com uma resposta em degrau, como o representado, pode ser aproximado a um sistema de primeira ordem com atraso no tempo (FOPTD, First Order Plus Time Delay) que ´
e representado pela seguinte fun¸c˜ao transferˆencia :
G(s) = K 1 1 + sTe
−sL
(4.10)
onde K ´e o ganho do sistema, T ´e a constante de tempo dominante e L ´e a constante de atraso ou de tempo morto.
Sundaresan e Krishnaswamy(1978), desenvolveram um m´etodo denominado m´etodo
dos dois pontos, que requer a determina¸c˜ao de dois pontos na curva de rea¸c˜ao do processo. Estes s˜ao os pontos da curva do processo quando y(t) atinge 35.3% e 85.3% do estado estacion´ario final. O m´etodo requer a determina¸c˜ao do tempo correspondente para cada um dos dois pontos, t35 e t85, respetivamente, que s˜ao
ent˜ao utilizados nas express˜oes seguintes para determinar a constante de tempo (T ) e o tempo de atraso (L):
K = 4y
4u (4.11)
4.3. PROBLEMA DA SINTONIA DO CONTROLADOR PID 75
L = 1.3t35− 0.29t85 (4.13)
As f´ormulas para determinar os parˆametros do controlador propostos por Ziegler e Nichols s˜ao apresentados na Tabela4.1.
Tabela 4.1 – Regras de sintonia de Ziegler-Nichols (Ziegler e Nichols,1942) para o m´etodo da resposta em degrau. Tipo de Controlador Kp Ti Td P T KL - - PI 0.9 T KL 3.3L - PID 1.2KT L 2L 0.5L
M´etodo da Oscila¸c˜ao Cont´ınua de Ziegler e Nichols
Tamb´em em 1942, Ziegler e Nichols (1942) propuseram um m´etodo no dom´ınio da frequˆencia, o qual se baseia na determina¸c˜ao de um ponto do diagrama de Nyquist obtida a partir da fun¸c˜ao transferˆencia que corresponde `a primeira interse¸c˜ao desta curva com o semieixo real negativo, como ´e ilustrado na Figura 4.5.
Re G(iw) Im G(iw) ω α Ponto cr´ıtico ϕ
Este m´etodo baseia-se na determina¸c˜ao do valor do ganho cr´ıtico kc e da frequˆencia
cr´ıtica ωc. O per´ıodo cr´ıtico ´e representado por tc, sendo o seu c´alculo obtido atrav´es
da seguinte equa¸c˜ao:
tc=
2π ωc
(4.14)
As f´ormulas de sintonia, propostas por (Ziegler e Nichols, 1942) para os parˆametros do controlador s˜ao apresentados na Tabela4.2.
Tabela 4.2 – Regras de sintonia propostas por Ziegler-Nichols (Ziegler e Nichols,1942) para o m´etodo da oscila¸c˜ao cont´ınua.
Tipo de Controlador Kp Ti Td
P 0.5kc - -
PI 0.4kc 0.8tc -
PID 0.6kc 0.5tc 0.125tc
A automatiza¸c˜ao do procedimento necess´ario para determinar o ganho cr´ıtico kce o
per´ıodo cr´ıtico tc´e dif´ıcil de se obter, visto que o valor da amplitude da oscila¸c˜ao n˜ao
pode ultrapassar o valor limite, incorrendo no risco de o sistema se tornar inst´avel.
M´etodo do Rel´e de ˚Astr¨om
De modo a encontrar uma solu¸c˜ao para a automatiza¸c˜ao do controlador PID e assim determinar o ganho cr´ıtico kc e o per´ıodo cr´ıtico tc, descritos no m´etodo de
oscila¸c˜ao cont´ınua, ˚Astr¨om e H¨agglund (˚Astr¨om e H¨agglund,1984;Hang e Astrom,
1988;˚Astr¨om e H¨agglund, 1988;H¨agglund e ˚Astr¨om,1991) propuseram um sistema
em que estes dois parˆametros s˜ao estimados ligando uma malha de realimenta¸c˜ao com um rel´e, como se pode verificar na Figura 4.6. O sistema ´e colocado a oscilar utilizando um rel´e em vez do controlador, at´e se determinar os valores para kc e tc.
Ap´os a sintonia do controlador PID este ´e colocado em funcionamento.
Sendo d a amplitude do rel´e e a a amplitude da oscila¸c˜ao obtida, o ganho cr´ıtico ´e dado pela seguinte express˜ao:
Kc=
4d
πa (4.15)
Este m´etodo tem a vantagem de controlar facilmente a amplitude da oscila¸c˜ao cont´ınua pela escolha apropriada da amplitude do rel´e. Assim, gera o sinal de
4.3. PROBLEMA DA SINTONIA DO CONTROLADOR PID 77