• Nenhum resultado encontrado

436346 100,0% 270Total de famílias clássicas por concelho

5.1. Caracterização da amostra e análise dos dados relativos a constrangimentos causados pelos cães e comportamento de viagem dos pet travellers

5.1.2. Algumas considerações sobre os resultados

5.1.2.1. Cão: constrangimento à viagem turística ou membro do grupo nas viagens turísticas?

Tendo em conta os resultados obtidos neste estudo exploratório, o cão não é, então, um impedimento à viagem turística para a maioria dos donos entrevistados. Para apenas 5,1% dos donos, o cão é um impedimento às suas viagens de férias. Embora a maioria (64,3%) dos donos considere que o cão não é um constrangimento às suas viagens turísticas (M= 2,32, Desvio padrão (DP)=1,35), quando chega a altura de partir para férias, a estratégia mais utilizada pelos donos para participar no turismo é deixar o cão ao cuidado de amigos/familiares (65,7%), sendo levar o cão de férias (20,6%) a segunda estratégia mais utilizada. Parece notório que para a maior parte dos donos encontra sempre uma estratégia de negociação para poder participar no turismo. E, sendo assim, será possível afirmar que o cão é, pois, um constrangimento negociável, que depois de negociado/ultrapassado não impede que os donos participem no turismo, já que estes encontram sempre uma estratégia para poderem viajar. Repare-se, ainda, que mesmo no caso dos donos que consideram que o cão é um constrangimento às suas viagens de férias (27,8%), a maioria destes encontram estratégias de negociação para poderem viajar. 61% quando vão de férias deixam o cão com amigos/familiares, 14,3% alternam as férias com o resto da família porque alguém fica por casa a cuidar do cão e 14,3% levam o cão de férias consigo, como estratégias de negociação à participação no turismo. Desta forma, é possível concluir que o cão é, então, um constrangimento negociável, já que a maioria dos donos encontra sempre uma estratégia para ultrapassar/negociar tal constrangimento (ex: deixar o cão com amigos/familiares, alternar as férias com o resto da família ou levar o cão a viajar também).

Os principais motivos que podem fazer com os donos não viajem com o seu cão de férias são: ‘É difícil encontrar espaços fechados (ex: museus, galerias, restaurantes, cafés, lojas) onde seja permitida a entrada de animais’; ‘É difícil encontrar meios de transporte públicos onde o cão possa viajar’; ‘A hotelaria não está preparada para satisfazer as necessidades das pessoas que viajam com o animal de estimação’; ‘É difícil encontrar alojamento turístico onde o cão possa pernoitar’ e ‘Viajar com o cão condiciona muito a escolha do meio de alojamento’. Por outro lado, os motivos melhor classificados pelos donos que podem fazer com que levem o cão de férias consigo são: o cão é um ‘bom companheiro’; o cão é ‘um membro da família’ e ‘o cão fica triste quando o dono viaja sem ele’.

Como a maioria dos donos tem cães que pesam mais de 10 quilos e dado que a maioria das empresas turísticas (unidades de alojamento, companhias aéreas e transportes públicos) coloca restrições à aceitação de animais domésticos de determinado porte, nomeadamente aos animais com mais de 5/8 quilos, não é de estranhar que os donos tenham dificuldade em encontrar meios de alojamento e de transporte públicos onde o cão possa pernoitar e viajar, que concordem que viajar com o cão condiciona muito a escolha do meio de alojamento e que a hotelaria não está preparada para satisfazer as necessidades das pessoas que viajam com o animal de estimação. A maioria dos donos entrevistados considera importante que a indústria do turismo crie condições para poder viajar com o seu cão e afirma que se lhe fosse dada a possibilidade de viajar para férias com o seu cão, isso seria importante. De tal forma que a maioria, está disposta a pagar entre 1€ a 15€ extra, por noite, em alojamento, para levar o seu cão consigo de férias .

72 Através dos resultados obtidos neste estudo exploratório, para os donos entrevistados, observa-se que o cão é um constrangimento negociável à viagem turística, que depois de negociado/ultrapassado não impede os donos de participarem no turismo e, em alguns casos, o cão é mesmo um membro do grupo nas viagens turísticas (ver subcapítulo 5.1.2.)

5.1.2.2. Comportamento de viagem dos pet travellers

Quase metade da amostra já viajou para férias na companhia do seu cão (54,9%), e destes, 23,2% afirma que sempre que vai de férias leva o cão consigo, ou seja, o cão é sempre um membro do grupo nas viagens turísticas. A frequência e o número de quilómetros percorridos nas viagens de férias com o cão são consideráveis. Nos últimos cinco anos, entre 2003 e 2007, a maioria dos pet travellers afirma ter viajado entre 1 a 5 vezes com o seu cão e, a maioria já viajou mais de 201 quilómetros com a companhia do seu animal (desde local de residência até ao destino de férias).

O principal motivo das viagens com o cão é ‘lazer, recreio e férias’, a duração média das viagens acompanhadas pelo cão é de 11 dias e todos os pet travellers entrevistados afirmaram ter já feito viagens com os seus cães em Portugal, existindo alguns donos que também se aventuram a viajar com o cão no estrangeiro, nomeadamente em Espanha, França, Polónia, Bielorússia, Alemanha, Holanda. A maioria dos pet travellers quando viaja geralmente vai para a praia e para o campo. Quanto à composição do grupo nas viagens com o cão, os donos viajam em média com mais 3 pessoas e com um cão.

Os meios de alojamento mais utilizados nas viagens com o cão são: as casas alugadas, as casas de amigos/familiares, as segundas residências, as casas de turismo em espaço rural e o campismo. São muito poucos os donos que já dormiram em hotéis, em pensões e em albergarias. Este facto pode estar relacionado com a dificuldade que os pet travellers sentem em encontrar unidades de alojamento onde o seu cão possa pernoitar (Carr, 2005), como tal, optam por pernoitar em locais onde não lhes seja restringida a entrada. O facto de serem poucos os pet travellers que afirmam pernoitarem em hotéis, pensões e albergarias parece estar relacionado com dois motivos: o facto de existirem poucos estabelecimentos hoteleiros que admitem a entrada de animais e, o facto dos que aceitam, terem políticas restritivas quanto ao peso do animal. Desta forma, viajar com o animal condiciona, pois, a escolha do meio de alojamento e os pet travellers parecem preferir pernoitar em locais onde os seus cães ‘são bem-vindos’.

A maioria dos pet travellers opta por viajar de carro, parecendo que as políticas restritivas existentes nos meios de transporte públicos relativamente ao peso do animal de estimação, levam os donos, mais uma vez, a optar pelo meio de transporte que não restringe a entrada do seu cão – a sua viatura própria. Desta forma, viajar com o animal parece pois condicionar a escolha do meio de transporte.

A opinião dos donos inquiridos vem, desta forma, determinar a importância que a indústria do turismo deverá dar a este nicho de mercado turístico, que tens cães como animais de estimação.

73

5.2. Diferenças entre os pet travellers e as pessoas que nunca viajaram com o cão