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CAPÍTULO I – O Projeto: A problemática da pesquisa e os objetivos do estudo

1.2 Algumas escolas que inspiraram o Projeto GENTE

1.2.1 Quest to Learn (NYC)

“A maneira mais efetiva de ensinar é deixar os estudantes no controle da própria aprendizagem.”

Elisa Aragon4

A escola pública que fica em Nova Iorque, nos Estados Unidos, foi aberta em 2009, com 76 alunos, e em 2013 atingiu o número de 330 alunos do 6º ao 10º ano escolar. Nesta escola as crianças aprendem através de jogos, todos desenvolvidos pela ONG (Organização Não Governamental), Institute of Play, que cria jogos para desafiar as crianças a procurarem soluções. Cada jogo dura cerca de uma semana para ser resolvido e o grupo que frequentemente trabalha na resolução de cada problema é formado por 15 alunos.

Na Quest to Learn as disciplinas são designadas por “Domínios”, e estes integram duas ou mais disciplinas, de forma a que haja interdisciplinaridade e que os alunos entendam a aplicabilidade dos temas estudados, sem a fragmentação usual do ensino tradicional: que separa as disciplinas em blocos de 50 minutos cada. Todas as atividades tem um propósito, é uma investigação para aprender, os jogos expandem a sala de aula e desafiam os alunos na construção do seu próprio saber.

1.2.2 Núcleo Avançado em Educação (NAVE) - Rio

É uma escola pública estadual que participa de uma parceria público-privada da Secretaria de Estado da Educação (SEEDUC) com o Instituto Oi Futuro. O NAVE trata- se de uma escola profissionalizante sobre tecnologia de multimídia. Tem capacidade

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para atender até 600 jovens, em período integral, com cursos de duração de 3 anos, que preparam futuros profissionais para atuarem em profissões como: roteiristas, programadores, designers e gestores de tv digital, internet, celulares e jogos eletrónicos. A escola desenvolve metodologias de aprendizagem baseadas nas Tecnologias de Informação e Comunicação, que contribuem para a inserção dos jovens no cenário atual de evolução tecnológica. Além da formação no ensino médio, os alunos têm acesso às disciplinas necessárias para a introdução da cultura digital.

1.2.3 Escola da Ponte - Portugal

Nesta escola não existem turmas criadas pela Direção e professores, mas sim, grupos que incluem alunos em busca de um interesse comum e que se juntam voluntariamente, tendo por base a afetividade. Os alunos sentem os seus desejos respeitados e é precisamente, o desejo, que move seus interesses. O aluno é o centro do processo de ensino e aprendizagem.

Não existe a divisão por séries ou turmas e o trabalho dá-se através de Núcleos de Trabalho que são divididos em: Iniciação, Consolidação e Aprofundamento. Na fase de Iniciação é trabalhada a autonomia da criança, com a preocupação de proporcionar um equilíbrio entre as crianças e a administração do tempo e espaço, utilizados no convívio diário. Na Consolidação são trabalhadas as habilidades apontadas na fase de Iniciação: capacidade de se autoplanejar, exercitar a autoavaliação, pesquisar em grupo e entender como se processam as metodologias de trabalho da escola. No Núcleo de Aprofundamento, os alunos que tenham mais de 13 anos, dispõem de alguns projetos de pré-profissionalização.

O professor é encarado como um Orientador Educativo que deve ter algumas características, das quais se destacam a: Assiduidade, motivação, contribuição ativa e construtiva para a resolução de conflitos, autonomia, responsabilidade e solidariedade. Na escola não existem salas de aula, mas espaços educativos, onde os alunos buscam pessoas, ferramentas e soluções, testam os seus conhecimentos e convivem uns com os outros.

1.2.4 High Tech High

É uma rede de 11 escolas públicas, de administração particular, nos Estados Unidos, que se baseia em quatro pilares que têm sido apontados por especialistas em Educação como essenciais para formar alunos para o século XXI: Personalização, conexão com o mundo, interesse comum em aprender e professor como designer do aprendizado. As unidades são distribuídas da seguinte forma: Duas unidades de Ensino Fundamental 1, quatro de Fundamental 2 e cinco de Ensino Médio e a proporção de alunos por professor é baixa, além de ser designado um monitor para cada aluno, que faz o acompanhamento individualizado dos interesses académicos.

As aulas são mais longas, para que possibilitem o desenvolvimento de projetos, não duram os 50 minutos habituais nas demais escolas e as disciplinas são agrupadas porque entendem que é desta maneira que elas irão aparecer na vida real. Ao invés de terem salas de aula, têm espaços de aprendizagem que compreendem: salas para atividades manuais, para reunião de grupos pequenos, para trabalhos individuais e para apresentações.

Na condução desse processo dialógico, os professores guiam os alunos numa metodologia de aprendizagem baseada em projetos. Em vez de disciplinas estanques, os conteúdos são agrupados em eixos temáticos e trabalhados a partir da resolução de problemas concretos, baseados na realidade e interesse dos alunos. A ideia é que o processo de aprendizagem seja um reflexo real da vida do indivíduo.

1.2.5 Fontán - Colombia

A escola foi fundada há quase trinta anos pelo filósofo e psicólogo, Emilia Fontán e Buenaventura Fontán, e segue na contramão das escolas tradicionais, porque valoriza a individualização da aprendizagem. O próprio aluno constrói o seu currículo (o projeto educativo pessoal) e estuda de forma autodidata. A escola estimula a autonomia para que os alunos aprendam autonomamente e se tornem intelectualmente maduros.

O modelo de educação é reconhecido pelo Ministério da Educação do país que considera a proposta inovadora. Para avançar de série escolar, o aluno pode demorar quatro meses ou, se preferir, 15 ou 23, sendo ele também quem determina quando está pronto para a avaliação. Nesta avaliação o objetivo é a excelência, o aluno deve alcançar uma nota mínima de 9,0 num total de 10,0.

São cerca de 200 alunos de ensino fundamental e médio que passam pela metodologia chamada Serf (Sistema Educativo Relacional Fontán) que se baseia na realidade de cada aluno, onde cada um deles tem um projeto educativo pessoal. São os alunos, por exemplo, que escolhem o que a escola chama de “taus”, ou seja, os textos autodidáticos que eles pretendem estudar para aprender cada disciplina da grade.