Parafraseando o que disse o presidente do Conselho Nacional de Educação, Luiz Curi, no Webinário: “A Educação frente à Pandemia” do Todos Pela Educação, tudo isso - referindo-se à realidade vivenciada - tem prazo, apesar de incerto, para acabar. Logo, o que levar adiante na educação do que se tem aprendido?
Reflexões e desafios das novas práticas docentes em tempos de pandemia
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É imensurável o quanto é possível aprender nesse tempo tão difícil e desafiador, pois é certo que são nos “piores” momentos em que mais se aprende. Assim, dentre tantos aprendizados na educação, mencionar alguns, sem ordem de importância, é animador para que bons resultados possam ser gerados e mudanças ocorram.
O momento ensina o valor da escola, pois a construção do aprendizado ao mesmo tempo em que é coletiva, também é individual. Confinados em casas, os alunos sentem falta da interação com os pares e professores e das vivências no ambiente escolar onde aprendem mais do que conteúdos, aprendem a viver em comunidade, aprendem a se relacionar. E juntamente com o valor da escola, a importância do professor, que é o elo fundamental entre as estratégias tomadas e os alunos para a continuidade da educação, especialmente neste período. Como afirmam Inocêncio e Cavalcanti (2007, p. 3), “O professor continua tendo um papel crucial e valioso na EAD, pois é figura essencial para criar, estruturar e animar experiências de aprendizagem”.
O momento ensina sobre a urgência em formar docentes para novas práticas pedagógicas, o que inclui o uso ativo e indutivo das tecnologias. Professores que se apropriem das tecnologias e ensinem seus alunos a fazerem o bom uso delas. Para isso, é preciso frisar a importância de mudanças na formação inicial e continuada dos docentes.
Destacam-se, assim, dois pontos: o primeiro é a introdução de uma preparação para o uso das tecnologias educacionais que não se limite a uma disciplina no currículo, mas que tenha aplicabilidade durante o curso e, se possível, nos estágios. O segundo ponto é a necessidade de formações, inicial e continuada, “assentadas em situações-problema e na ativação dos aprendizes” (PERRENOUD, 2002, p. 91) e não em modelos didáticos e pedagógicos e práticas preexistentes. O novo aluno exige uma nova escola e um novo professor, assim como a pandemia exigiu do sistema educacional uma nova roupagem.
Por fim, o momento ensina que os professores precisam motivar e fomentar estratégias para que os alunos aprendam a aprender, visto que o atual momento da educação pede mais autonomia no aprendizado. Contudo,
Evidenciou-se que não temos angariado êxito na tarefa de preparar nossos alunos para que sejam aprendizes e estabeleçam uma relação ativa e investigativa com o conhecimento, tampouco para que usem as tecnologias para esta finalidade (VIEIRA; RICCI, 2020).
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Refletir sobre esses e outros possíveis aprendizados é tarefa de todos os sujeitos da educação, a fim de que não se volte ao que era antes, mas que a mudança de pensamento leve a novas práticas educacionais.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
No Brasil, apesar das diretrizes nacionais, ficou a cargo dos governos estaduais e municipais a adoção de efetivas estratégias a serem utilizadas na educação remota durante a pandemia. Desse modo, apesar das falhas, é importante reconhecer, como dito no Webnário do Todos Pela Educação, o trabalho e empenho dos conselhos e secretarias de educação estaduais e municipais na difícil tarefa de dar continuidade ao ano letivo de 2020.
É fundamental garantir a mobilização mútua entre vários órgãos gestores competentes para continuar o trabalho no enfrentamento e na superação dos desafios educacionais já existentes e que foram acentuados.
É necessário que o caminho percorrido e as aprendizagens desenvolvidas pelas redes e profissionais da educação para enfrentamento deste período de pandemia sejam mantidos como heranças vivas, permitindo-nos melhor configurar a escola pós-pandemia (VIEIRA; RICCI, 2020).
Logo, haverá o momento em que as escolas reabrirão, cada localidade no seu tempo, mas para isso é preciso que haja uma rede de apoio entre órgãos competentes, escolas, professores, alunos e famílias, todos dotados de empatia e cooperação para o retorno à convivência, agora com novas chances de fazer da educação brasileira um terreno fértil para mudanças.
REFERÊNCIAS
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