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3.1 – 1º Congresso Nacional da CONLUTAS: “Se muito vale o já feito, mais vale o que será.”

Ocorreu em Betim, Minas Gerais, nos dias 3, 4, 5 e 6 de Julho de 2008 o 1º Congresso Nacional da CONLUTAS que, segundo o boletim impresso de divulgação desse congresso, o objetivo era:

[...] reunir neste Congresso milhares de delegados que representem sindicatos, oposições sindicais, movimentos populares e sociais do campo e da cidade e a juventude. Queremos reunir todos aqueles que estão na luta cotidiana em nosso país. Os que lutam contra as reformas neoliberais do governo Lula, como a da Previdência e a Universitária. Os que lutam pela manutenção dos direitos sindicais e trabalhistas. Os que lutam pela reforma agrária e por moradias populares urbanas. Os que defendem a luta das mulheres, dos negros e negras e do movimento GLBT. O Congresso pretende debater as nossas mobilizações e a nossa organização cotidiana. Mais do que isso. Também vai discutir a organização independente e autônoma dos trabalhadores diante às bandeiras estratégicas do movimento contra o capitalismo e pela construção do socialismo. Vamos debater ainda a organização da Conlutas diante desse processo de reorganização dos trabalhadores no Brasil.152

152 Boletim da Coordenação Nacional de Lutas. “Faça parte desta história! Vem aí o 1º

O 1º Congresso Nacional da CONLUTAS contou com a inscrição de 3.566 pessoas, representando 810 entidades sindicais e populares de todas as regiões do país.153 Mas desse total, estiveram presentes 2805 delegados e delegadas representando 583 entidades de todas as regiões do país (Galvão, A.; Marcelino, P.; Trópia, P. V. 2015)154. No universo de participantes nesse Congresso 65,3% representaram entidades sindicais (compreendendo a participação na direção, ou minoria da direção ou mesmo oposição à direção) e 34,7% representaram movimentos sociais (populares, sociais e estudantis). A tabela a seguir permite uma visualização da composição desse congresso:

Tabela 8

Participação de Setores no 1º Congresso Nacional da CONLUTAS

MOVIMENTO SINDICAL N % % TOTAL

Sindicatos 142 61,8% 40,3%

Minorias de Diretoria / Oposição Sindical 84 36,5% 23,9%

Federação e Sindicatos Nacionais 4 1,7% 1,1%

Subtotal 230 100% 65,3%

MOVIMENTO SOCIAL N % % TOTAL

Movimento Estudantil 75 61,5% 21,6%

Movimento Popular Urbano 20 16,4% 5,7%

Movimento Popular do Campo 19 15,6% 5,4%

Organização Cultural, de Mulheres, GLBT, Antirracismo 8 6,6% 2,3%

Subtotal 122 100% 34,7%

TOTAL 352 100% 100%

Fonte e confecção da tabela: (Galvão, A.; Marcelino, P.; Trópia, P. V.; 2015, 63)

153 O objetivo desse tópico nesse capítulo é apresentar a realização do 1º Congresso Nacional da

CONLUTAS e um quadro geral em relação a composição social presente no evento, verificando o peso político via participação dos setores sindicais, populares e estudantis, bem como compreender o perfil da delegação, para assim ter uma noção da inserção da CONLUTAS na organização do mundo do trabalho.

154 Galvão, A.; Marcelino, P.; Trópia, P. V., realizaram uma minuciosa pesquisa durante o 1º

Congresso da CONLUTAS, e em 2015 publicaram os resultados dessa pesquisa em livro “As Bases Sociais das Novas Centrais Sindicais Brasileiras”. Esse trabalho facilitou e contribuiu com a confecção do tópico desse capítulo.

Essa tabela revela o retrato interno da CONLUTAS, em que destaca-se a predominância de setores da esfera sindical de modo que mais de 41% das entidades que compunham a CONLUTAS naquele momento era constituída por entidades sindicais (somando às oposições sindicais, a porcentagem é de 65,3%), 21,6% era a parcela de entidades estudantis e apenas 13,4% das representações eram oriundas dos movimentos populares e sociais, que estão mais próximos da classe trabalhadora mais precarizadas que atuam na informalidade e sobrevivem em situações de vida mais degradantes.

Foto 8 – 1º Congresso Nacional da CONLUTAS realizado nos dias 3, 4, 5 e 6 de Julho de 2008

Fonte: http://cahelhistoria.blogspot.com.br/2008_07_01_archive.html

Segundo os dados apresentados por GALVÃO, MARCELINO, TRÓPIA, (2015); a delegação do 1º Congresso Nacional da CONLUTAS era composta por 64,6% de homens155. As autoras destacam ainda que a presença do público feminino nesse Congresso foi relativamente superior, se compararmos com o 1º Congresso da Força Sindical em 1991, em

155 As autoras aplicaram um extenso e completo questionário durante o 1º Congresso Nacional da

CONLUTAS, e a análise dos resultados desse questionário, levam em consideração as respostas apresentadas por 250 delegadas e delegados. Foram excluídos as/os aposentadas/os, as/os desempregadas/os e as/os que não responderam.

que a delegação era composta por 24,6% de mulheres, ou se compararmos com os 3º e 4º Congressos da CUT em que a participação de mulheres correspondeu respectivamente a 24,1% e 18,4%. Cabe ainda registrar que a delegação do 10º Congresso da CUT era composta por 26,3% de mulheres. Portanto, a participação de mulheres no 1º Congresso da CONLUTAS é pequena, se comparada com a participação de homens; e o fato da presença de mulheres nesse congresso ter sido relativamente maior do que o registrado nos Congressos da Força Sindical e da CUT se deve certamente pela importância que os organizadores e as organizadoras da CONLUTAS concedeu à organização das mulheres dentro do GT de Mulheres constituído no CONAT em 2006, que trabalhou cotidianamente com as entidades filiadas durante esse período a necessidade de avançar nas condições estruturais e políticas que viabilizassem a participação de mulheres. As autoras GALVÃO, MARCELINO, TRÓPIA (2015); apresentam outra hipótese para avaliar essa questão, na qual compreende-se como complementar a hipótese mencionada anteriormente nesse parágrafo, e afirmam que:

A maior incidência de mulheres no Congresso da Conlutas pode estar relacionada a duas ordens de fatores: primeiramente, à participação de movimentos sociais, e de mulheres em particular, na entidade e à presença de sindicatos cujo força de trabalho é basicamente feminina, como professores, ou em que as mulheres têm grande inserção, como serviço público. Em segundo lugar, para enfrentar tanto as mudanças no perfil da força de trabalho quanto a redução de quadros, os sindicatos passam a incluir em suas pautas de negociação algumas reivindicações das mulheres (tais como mecanismos de prevenção às LER e garantias às lesionadas; instrumentos para combater as discriminações salariais e acesso a treinamentos e postos de trabalho, ampliação da licença- maternidade), reivindicações que podem tê-las traídos para o sindicalismo.

Outro aspecto importante a se destacar a respeito da delegação desse Congresso é a característica do perfil socioeconômico, de modo que GALVÃO, MARCELINO, TRÓPIA, (2015); demonstram que 49,7% do congresso é composto por delegados com a faixa etária entre 31 e 50 anos, e apontam que a CONLUTAS, em que pese propor ser uma nova central sindical e popular, com uma prática diferente do que era praticado pela CUT, Força Sindical e diversas outras centrais sindicais, manteve a característica tradicional do movimento sindical

no Brasil que é o de “agregar mais homens que mulheres e em uma faixa de idade que vai dos 31 aos 50 anos de vida”.

Na composição social presente nesse Congresso da CONLUTAS, no que se refere a localização no mercado de trabalho, ficou caracterizada que 68,5% das delegadas e dos delegados presentes estavam empregadas/os, 4,1% faziam bicos, 6,8% estavam desempregadas/os, 6,8% eram aposentadas/os e 14,1% eram estudantes156. Entre as delegadas e os delegados que se encontravam empregadas/os formalmente, 62,3% eram servidoras/es públicos, o que demonstra pouca inserção da CONLUTAS na organização das trabalhadoras e trabalhadores na iniciativa privada. No que se refere à profissão das delegadas e dos delegados, GALVÃO, MARCELINO, TRÓPIA (2015) demonstram que o Congresso era composto por:

[...] 27,3% eram profissionais de nível médio, 23,8% trabalhadores do serviço público cuja profissão não foi identificada, 9,7% trabalhadores do comércio e serviços, 7,8% são profissionais de nível superior e 7,2% trabalhadores industriais qualificados e semiqualificados. Note-se que há uma predominância de profissionais e trabalhadores não-manuais em detrimento dos trabalhadores manuais urbanos e rurais. Se agruparmos, por sua vez, as profissões predominantemente não manuais, encontramos quase 2/3 do total dos delegados (65,2%), em contraste com 14,7% que eram trabalhadores manuais da indústria e 2,5% rurais. Podemos afirmar que, em sua maioria, os delegados da Conlutas são homens, negros, com idade entre 30 e 50 anos, estão concentrados em ocupações do setor público e em profissões não- manuais. (...) 8,35% dos delegados estão inseridos no setor de educação e cultura, 16,1% no setor de serviços, 15% no setor industrial, 7,1% no de seguridade social (assistência social e saúde) e 5,5% no financeiro. (...) enquanto delegados do movimento sindical estão concentrados no setor da educação e cultura, serviços e indústria, os delegados do movimento social estão concentrados nos setores educação e cultura, agricultura, comércio e serviços.157

156 Dados disponíveis em: GALVÃO, MARCELINO, TRÓPIA (2015).

157 Galvão, Marcelino, Trópia (2015) alerta que o baixo quantitativo de delegadas e delegados do

setor agrícola se deve ao fato do Movimento Terra, Trabalho e Liberdade (MTL) ter rompido com a CONLUTAS semanas antes da realização da do Congresso.

Cruzando os diversos dados coletados com a pesquisa realizada durante o 1º Congresso da CONLUTAS, relativos a profissão das delegadas e dos delegados com o setor econômico no qual estão inseridas/os, as autoras GALVÃO, MARCELINO, TRÓPIA (2015), concluíram que as frações centrais que caracterizam o perfil da delegação desse congresso são “trabalhadores não manuais que ocupam predominantemente cargos ou funções de nível de escolaridade superior e média hierárquica.”

Outro aspecto a ser destacado para avaliar o perfil da delegação do 1º Congresso Nacional da CONLUTAS se refere a relação de trabalho da delegação com a legislação trabalhista já reestruturada com a política neoliberal praticada no país no decorrer das décadas de 1990 e 2000. Nesse Congresso, segundo GALVÃO, MARCELINO, TRÓPIA (2015); 71,4% das delegadas e dos delegados eram vinculadas/os a contratos de trabalho com prazo indeterminado, 7,5% por a contratos de trabalho com prazo determinado, 1,4% possuíam contrato de trabalho por pessoa jurídica, 0,4% possuíam contrato em tempo parcial, 1,2% com contrato de safra e 17,8% possuíam outros tipos de contrato de trabalho. Para as autoras:

Do total dos delegados, 58% tinham carteira assinada. Embora 42% deles tenham afirmado não possuir carteira, esse dado não deve ser entendido como indicador de alta informalidade, pois o regime de trabalho predominante no setor público ainda é o Regime Jurídico Único, que confere aos servidores estatuto próprio e diferente da CLT.

Registra-se ainda que a pesquisa realizada por GALVÃO, MARCELINO, TRÓIA (2015), buscou identificar a composição étnica-racial da delegação do 1º Congresso Nacional da CONLUTAS, aplicando um questionário que pedia a auto-identificação da/o entrevistada/o, e chegou a seguinte identificação: de que o Congresso foi composto por 22,7% de negras e negros e pelo menos de 46,7% de não brancas/os.

3.2 – Deliberações do 1º Congresso Nacional da CONLUTAS

3.2.1 – Princípios e concepções

O 1º Congresso Nacional da CONLUTAS teve a tarefa de aprimorar as questões referentes aos princípios e concepções sindicais aprovados durante o CONAT em 2006. Na essência, o congresso reafirmou a CONLUTAS como uma central de natureza sindical, popular (possibilitando a participação limitada de estudantes de 10% referente ao números de delegadas e delegados em reuniões deliberativas), que:

[...] organiza entidades sindicais, oposições sindicais, movimentos populares, movimentos sociais e organizações da juventude. A primeira razão de ser, portanto, da nossa organização é o impulsionamento das lutas em defesa das demandas concretas de cada um destes segmentos da classe trabalhadora que estão organizados e representados pela Conlutas. (Resoluções do 1º Congresso Nacional da CONLUTAS, 2008, 18).158

158 Eesse documento que consta as Resoluções do 1º Congresso Nacional da CONLUTAS, foi

disponibilizado via email para as entidades que compunham a CONLUTAS, nos dias 21 e 22 de Julho. O documento é composto por 72 páginas, contendo resoluções acompanhadas dos textos analíticos sobre os temas que tiveram encaminhamentos. É um documento que careceu de uma redação final mais aprimorada, em virtude de diversas partes indicar fusões, junções de um texto com outro, de uma resolução com outra. Contudo, o documento expressa de forma objetiva todas as resoluções, flexões e encaminhamentos do Congresso. Esse documento não foi disponibilizado publicamente em material expresso ou virtualmente nos sites da CONLUTAS e de suas entidades filiadas. O documento foi compartilhado pela Secretaria Executiva Nacional da CONLUTAS por email apenas, na qual foi possível ter acesso em virtude de nos anos de 2006 à 2008 acompanhar, na condição de estudante e membro de entidade estudantil representativa, as mobilizações propostas pela CONLUTAS e por consequência participar do 1º Congresso Nacional da CONLUTAS. Assim, o documento chegou diretamente ao meu email. Esse documento será disponibilizado na íntegra nos arquivos do Centro de Documentação e Pesquisa em História-CDHIS, vinculado ao Instituto de História da Universidade Federal de Uberlândia, para permitir o acesso ao mesmo e assim possibilitar inúmeras outras reflexões sobre o conteúdo desse documento. Não foi encontrado até o momento nenhum outro trabalho que tenha se proposto a analisar esse documento, com as resoluções e encaminhamentos aprovados pelo 1º Congresso Nacional da CONLUTAS.

O 1º Congresso Nacional da CONLUTAS reafirmou também os princípios estabelecidos no CONAT, referentes a Autonomia em relação aos governos, ao Estado e aos partidos políticos; a Democracia Operária compreendendo como uma estratégia educativa de modo que as trabalhadoras e os trabalhadores deveriam debater e aprovar os encaminhamentos políticos, construindo democraticamente a Central já como um ensaio para a tarefa futura da classe trabalhadora de assumir o controle político do país; o Socialismo por entender que todas as lutas econômicas e sociais reivindicatórias só terão uma solução definitiva com o fim do capitalismo e a construção de uma sociedade sem classes e por compreender que se trata de uma estratégia não exclusiva aos partidos políticos, mas também de organizações sindicais e populares que se pretendem organizar milhares de trabalhadoras e trabalhadores; e o Internacionalismo entendendo que na luta pela construção do socialismo contra a lógica do capital que possui uma caráter internacional, as lutas da classe trabalhadora não devem se restringir às fronteiras do Brasil (Resoluções do 1º Congresso Nacional da CONLUTAS, 2008, 19-23).

Outro aspecto a ser destacado é a concepção aprovada que indicava às entidades sindicais filiadas à CONLUTAS que o Sindicato deveria atuar em unidade na luta com todas/os exploradas/os e oprimidas/os, em defesa de direitos e pautas coletivas. Partindo da compreensão de que, para resolver os problemas sociais e econômicos a tarefa é lutar contra o sistema capitalista que é organizado internacionalmente e que, portanto não é tarefa exclusiva de um único segmento, o congresso apontou a necessidade de se fazer com que cada segmento de modo individual lute contra a lógica do capital, constituindo uma luta comum do conjunto das trabalhadoras e trabalhadores de diversas categorias e segmentos. Nesse processo:

Os sindicatos, como organização mais forte da classe trabalhadora e compreendendo esta realidade, precisam estar ao lado de todas as lutas de todos os explorados e oprimidos, pois a sua luta fortalece a luta dos sindicatos, e a vitória de qualquer destes setores facilitará a vitória dos sindicatos em defesa de suas reivindicações. Alem disso os sindicatos, pela responsabilidade que têm, devido ao seu peso político na sociedade, precisam ser os campeões da defesa da unidade de todos os explorados na luta contra o capital. (Resoluções do 1º Congresso Nacional da CONLUTAS, 2008, 22)

Em um aspecto, esse encaminhamento apontou para a superação do desafio histórico já apontado por Trotsky [1938 (2008)] quando afirmava que os sindicatos (até os mais poderosos) não congregavam mais do que 25% da classe operária, e que em momentos de ascenso do movimento era necessário constituir espaços organizativos que congregassem toda a massa de trabalhadoras e trabalhadores em luta. Nesse sentido a resolução do Congresso indicava a necessidade dos sindicatos combaterem o corporativismo, participando e coordenando em unidade as suas lutas com as dos demais setores explorados e oprimidos. A resolução ressaltou ainda que:

Isso não significa substituir todas as outras formas de organização dos explorados pela luta sindical, e tampouco abdicar da luta sindical, confundindo-a com outras formas de organização. O combate ao capitalismo exige diversas formas de luta, do qual a luta sindical é mais uma e que deve ter preservada a sua autonomia em relação a outras formas de organização e de luta. (Resoluções do 1º Congresso Nacional da CONLUTAS, 2008, 22)

Mas vale destacar que apesar da resolução orientar as entidades filiadas à CONLUTAS construir ações unitárias com os demais setores da classe trabalhadora não organizadas em sindicatos, a resolução não é explícita quanto a possibilidade e a necessidade dessas entidades sindicais constituírem na prática espaços organizativos mais amplos e orgânicos, capazes de envolver as trabalhadoras e trabalhadores que não se organizam em sindicatos a construírem coletivamente a luta em defesa dos direitos sociais, em busca de novos direitos, e em defesa da superação da lógica do capital.

3.2.2 – O debate sobre a prática e estrutura sindical

O 1º Congresso Nacional da CONLUTAS pautou o debate sobre a relação da CONLUTAS com o Estado, e nesse quesito esse congresso deliberou a necessidade de buscar a legalização da CONLUTAS. De um certo modo, é possível avaliar que nesse início da

construção da CONLUTAS existe uma concepção hegemônica similar ao que se tinha durante os primeiros congressos da CUT, no que se refere a possuir um pé dentro do Estado e outro fora. Esse congresso ratificou uma resolução que já havia sido aprovada durante a reunião da Coordenação Nacional da CONLUTAS que ocorreu no final de fevereiro e início de março de 2008, que define:

1 – A Conlutas mantém posição já externada, contrária à Lei de Reconhecimento das Centrais Sindicais, recentemente aprovada no Congresso Nacional e sancionada pelo presidente da república. Esta lei é parte da política deste governo, de integrar as entidades sindicais ao aparelho de Estado, para uma política de colaboração com o Estado e os patrões, em troca de vantagens econômicas. Antes era o FAT e os “convênios” com ministérios e bancos públicos. Agora, alem disso tem o dinheiro do Imposto Sindical. Alem disso a Lei fere a independência das entidades sindicais ao estabelecer condições de representatividade para que uma Central possa obter pleno reconhecimento. É uma clara ingerência do Estado na organização dos trabalhadores. Cabe aos trabalhadores e seus sindicatos e movimentos atribuir ou não representatividade à suas Centrais.

2 – A Conlutas mantém sua posição, já anunciada publicamente, contrária ao Imposto Sindical, e a decisão de não receber o que lhe caberia pela lei aprovada no Congresso Nacional.

3 – A Conlutas mantém também, sua posição favorável ao reconhecimento das Centrais Sindicas. Trata-se de um direito dos trabalhadores terem suas organizações reconhecidas e legalizadas.

4 – A Conlutas lutará pela sua legalização e vai reivindicar do Estado seu pleno reconhecimento e legalização como Central Sindical e Popular que é, assim como fazemos em cada um dos nossos sindicatos. Obviamente, a Conlutas deve fazer isso sem admitir que este reconhecimento e legalização imponham qualquer tipo de restrição à sua independência e autonomia frente ao Estado e aos patrões. (Resoluções do 1º Congresso Nacional da CONLUTAS, 2008, 71)

Com essa resolução, a CONLUTAS se constituiu no campo de resistência à política do Imposto Sindical, porém a resolução aprovada no congresso aponta para os limites da intervenção política de construir um movimento sindical completamente independente do Estado. Tais limites se devem a incapacidade que a Central possuiu naquele período de construir efetivamente uma luta que garantisse hegemonia e legitimidade política, via mobilização de base por parte dos sindicatos e movimentos populares filiados, em defesa de uma postura de não reconhecimento da intervenção do Estado na organização da classe

trabalhadora. Cabe ressaltar que tais limitações oriundas da conjuntura política do período afetava o conjunto das organizações das trabalhadoras e trabalhadores que se dispunham a lutar por um movimento sindical autônomo e independente ao Estado, e não afetava apenas a CONLUTAS.

Nesse debate, o Congresso da CONLUTAS se posicionou contra a Unicidade Sindical e em defesa da unidade sindical, que se traduziu ao mesmo tempo na defesa da existência de um único sindicato por base. A resolução do Congresso fez os seguintes apontamentos:

Liberdade de organização sindical – fim da unicidade, defesa da unidade sindical. É preciso retomar, de forma sistemática, a luta pela liberdade de organização sindical, entendida como a defesa do direito dos trabalhadores de decidirem como deve ser sua organização sindical e contra a ingerência do Estado na organização dos trabalhadores.

Defender a liberdade de organização não significa a defesa da pluralidade. Defendemos o sindicato único na base, que avance inclusive na superação da fragmentação existente hoje, e avançando na construção de sindicatos unitários com a base o mais ampla quer for possível. (Resoluções do 1º Congresso Nacional da CONLUTAS, 2008, 20)

O fato da resolução afirmar que a defesa da liberdade de organização não significa a defesa da pluralidade aponta que, no debate com a classe trabalhadora, a CONLUTAS se posicionaria contra a Unicidade Sindical, mas dentro dos fóruns sindicais defenderia a necessidade de cada categoria se agrupar em um único sindicato, visando fortalecer a organização das lutas e a superação da fragmentação.

Nos aspecto que envolve a relação dos sindicatos filiados à CONLUTAS com as

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