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Alienação Parental e Guarda Compartilhada

2 EVOLUÇÃO DA FAMÍLIA

3.3 Alienação Parental e Guarda Compartilhada

O termino de um relacionamento pode gerar muitas mágoas entre os envolvidos, de tal forma que se torna tarefa árdua apartar a criança ou o adolescente fruto do relacionamento dos problemas advindos do término da união conjugal. De acordo com Edivane Paixão ; Fernanda Oltramari:

As transformações sociais refletem diretamente nas relações familiares, acarretando, entre outros, o crescente número de dissoluções de vínculos conjugais. A guarda de filhos, dentro deste contexto, assume relevante importância, uma vez que os genitores não ocupam mais aquelas definições inerentes à família patriarcal. Este entendimento deu lugar a uma forma equilibrada de exercício do poder familiar, com ênfase ao atendimento do melhor interesse do menor e na igualdade dos genitores; com isso surgiu o modelo compartilhado de guarda.( PAIXÃO; OLTRAMARI, 2005, p.50)

Ênio Santarelli Zuliani, desembargador do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, também assevera não existir dúvida de que a guarda compartilhada constitui-se a melhor maneira de se evitar a prática de atos de alienação parental.

(ZULIANI,2010, p.45).

Na guarda compartilhada de acordo com Lôbo (2009, p.401):

O uso da mediação é valioso para o bom resultado da guarda compartilhada, como tem demonstrado sua aplicação no Brasil e no estrangeiro. Na mediação familiar exitosa, os pais, em sessões sucessivas com o medidor, alcançam um grau satisfatório de consenso acerca do modo como exercitarão em conjunto a guarda. O mediador nada decide, pois não lhe compete julgar nem definir os direitos de cada um, o que contribui para a solidez da transação concluída pelos pais, com sua contribuição. (LOBO, 2009, P.401)

A mudança que se deu a poder familiar funcionalizado de acordo com interesse do filho, que anteriormente voltava-se ao interesse do pai (pátrio poder) favoreceu a materialização deste princípio. (ALBUQUERQUE, 2009, p.25).

O princípio do melhor interesse da criança e do adolescente encontra respaldo na CF de 1988 em seu artigo 227, asseguram-se as crianças e adolescentes a vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à desigualdade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária e também em seu art.229 os pais tem o dever de assistir, educar, criar, os filhos menores. E ainda são colocados a salvo qualquer tipo de discriminação, negligência, exploração, crueldade, violência e opressão. E também são assegurados todos seus direitos e garantias no Estatuto da Criança e adolescente lei nº 8.069 de 1990 (ECA). Waldyr Grisrd Filho aduz que:

O melhor interesse dos filhos e a igualdade dos gêneros levaram os tribunais a propor acordos de guarda conjunta, como uma resposta mais eficaz à continuidade das relações da criança com os dois genitores na família pós-ruptura, semelhantemente a uma família intacta. Ela mantém, apesar da ruptura, o exercício em comum da autoridade parental e reserva, a cada um dos pais, o direito de participar das decisões importantes que se referem à criança. A guarda compartilhada, ou conjunta, é um dos meios de exercício da autoridade parental, que os pais desejam continua exercendo em comum quando fragmentada a família. De outro modo, é um chamamento dos pais que vivem separados para exercerem conjuntamente a autoridade parental, como faziam na constância da união conjugal.

(GRISARD, 2000, p.174).

Vale ressaltar, ainda, que a própria Lei nº 12.318/10, que trata do tema alienação parental, estabelece, em seu artigo 6º, inciso V, que, uma vez caracterizados atos típicos de alienação parental ou qualquer conduta que dificulte a convivência da criança ou adolescente com genitor, o juiz poderá determinar a alteração da guarda para guarda compartilhada ou a sua inversão. (BRSASIL, 2010).

Com isso, de acordo com o entendimento de alguns doutrinadores, a guarda compartilhada seria um beneficio para a criança, pois ela teria contato com o genitor evitando a implantação de falsas memórias.

4 LEI DA ALIENAÇÃO PARENTAL E SUA AFETIVIDADE

Diante da necessidade de regulação do tema foi sancionada a Lei nº 12.318/2010, que trata da alienação parental, importante instrumento para que seja reconhecida uma situação de extrema gravidade e prejuízo à pessoa do menor e daquele que está sujeito a ser vitimado (BRASIL, 2010).

A possibilidade da existência da alienação parental em processos que envolvam a guarda e o direito de convivência com relação ao filho menor não pode ser tratada de forma que, diante de toda e qualquer alegação contra um dos genitores, seja contra o outro configurado essa campanha depreciativa, uma vez que podem ser verdadeiras as acusações promovidas.

Passa o magistrado, desta feira, a deparar-se com situação de graves alegações para com a pessoa do vitimado, que podem ser originadas ou não pela campanha depreciativa do alienado, como bem evidencia Maria Berenice Dias:

Essa notícia, levada ao Poder Judiciário, gera situações das mais delicadas.

De um lado há o dever do magistrado de tomar imediatamente uma atitude e, de outro, o receio de que, se a denúncia não for verdadeira, traumática a situação em que a criança está envolvida, pois ficará privada do convívio com o genitor que eventualmente não lhe causou qualquer mal e com quem mantém excelente convívio. (DIAS, 2011, p.456.).

De acordo com Alexandridis; Figueiredo; Vieira; Georgios (2011) caberá ao magistrado agir com a astúcia e a sagacidade necessárias de maneira a fazer emergir a verdade, o que, aliás, diga-se, no mais das vezes, é um trabalho árduo, de modo a coibir a prática do ato, restaurando a harmonia, propiciando o livre desenvolvimento da personalidade da criança ou do jovem e até mesmo da família como um todo. (Alexandridis; Figueiredo; Vieira; Georgios, 2011, p.40).

Com base no estudo doutrinário do tema, os legisladores afirmam o conceito de alienação parental no corpo da Lei 12.318/2010 em seu art. 2°, do qual podemos extrair que essa interferência prejudicial na formação psicológica do menor não é exclusividade dos genitores, mas sim de todo e qualquer parente que tenha o convívio com o menor e que possa dessa relação criar o mecanismo de quebrar o vínculo com o genitor e o menor (BRASIL, 2010). A lei cita, neste caso, as pessoas dos avós e de qualquer um que tenha a criança ou o adolescente sob a sua

autoridade, guarda ou vigilância. Assim, apesar de mais frequente e comprovável a alienação parental ocorrer por um genitor, nada impede que a campanha depreciativa seja promovida por qualquer um dos avós que em muitas vezes acabam por educar seus netos diante da necessidade do trabalho do genitor que detém a guarda do menor, tendo, assim, durante grande parte do tempo autoridade sobre ele. Também se mostra possível a alienação promovida pelo tutor do menor ou mesmo pelo curador do incapaz, quanto a outros parentes do menor. Dessa forma, é importante mensurar que não fica restrita a figura do alienador à pessoa de um dos genitores, podendo recair o repúdio contra qualquer parente próximo desse menor (irmãos, avós, tios, etc.).

Apesar de o legislador limitar a figura do vitimado configurando ab initio que somente o genitor pode sofrer a campanha de repúdio, pode ser evidenciado em muitos casos que quem sofre com a alienação parental é outro parente próximo desse menor – os avós, que também possuem o direito convivencial garantido para com a pessoa de seus netos.

Tal alienação pode ser evidenciada, ainda, antes mesmo da ruptura do convívio conjugal, por meio da qual um dos genitores – geralmente o que mantém o parentesco por afinidade – busca impedir ou dificultar o convívio social do menor com outros parentes, com atitudes como as descritas nos incisos do art. 2°, de que trata a Lei nº 12.318/2010. Parágrafo Único. São formas exemplificativas de alienação parental, além dos atos assim declarados pelo juiz ou constatados por perícia, praticados diretamente ou com auxilio de terceiros. (BRASIL, 2010).

No entendimento de Figueiredo, Alexandridis; Figueiredo; vieira; Georgios (2011) a gravidade da situação posta no Poder Judiciário frente à alienação parental faz com que o juiz tenha a necessidade de promover o desenvolvimento do processo mediante grande cautela, na medida em que se torna por demais difícil a caracterização do desvio prejudicial promovido pelo alienador, devendo, assim, valer-se de estudo multidisciplinar, apoiando em seus auxiliares, para a realização de perícia a fim e constatar de forma mais robusta a existência da alienação parental. (Alexandridis; Figueiredo; Vieira; Georgios, 2011, p.45). Tendo assim a necessidade de apurar a realidade dos fatos, é indispensável a colheita de provas periciais multidisciplinares, com a participação de psicólogos, assistentes sociais e psiquiatras, a fim de que o juiz – com base em seus estudos, relativos à pessoa do

menor, bem como do alienador e do alienado – se capacite para que seja possível a distinção da alienação parental – firmada pelo desejo ( consciente ou não) do alienador em separar o menor do convívio do alienado, da real presença de nefastas atitudes promovidas e que merecem que o seu causador seja afastado ou mesmo limitado do convívio com o menor. (MEIRELES, 2011 p.457).

Segundo a Lei n°12.318/2010 a prática de ato de alienação parental fere o direito fundamental da criança ou do adolescente de convivência familiar saudável, prejudica a realização de afeto nas relações com o genitor e com o grupo familiar, constitui abuso moral contra a criança ou o adolescente e implica em descumprimento dos deveres inerentes à autoridade parental ou decorrentes de tutela ou guarda.

De acordo com o Tribunal de Justiça do Mato Grosso, declarado indício de ato de alienação parental, a requerimento ou de oficio (sem pedido da parte), em qualquer momento processual, em ação autônoma ou incidentalmente, o processo terá tramitação prioritária, e o juiz determinará, com urgência, ouvido o Ministério Público, as medidas provisórias necessárias para preservação da integridade psicológica da criança ou do adolescente, inclusive para assegurar sua convivência com genitor ou viabilizar a efetiva reaproximação entre ambos, se for o caso. O juiz mandará realizar estudo psicossocial ou biopsicossocial das pessoas envolvidas e de suas famílias, cujo laudo deverá ser entregue, no prazo máximo de 90 dias.

Poderá o juiz ainda ouvir os filhos, professores, vizinhos e determinar uma infinidade de medidas, visando impedir que a alienação prossiga, bem como, objetivando proteger e reparar, os males decorrentes da prática alienante.

De acordo com a Lei, será assegurado ao genitor garantia mínima de visitação, ressalvados os casos em que há iminente risco de prejuízo à integridade física ou psicológica da criança ou do adolescente, atestado por profissional designado pelo juiz (perito) para acompanhamento das visitas. (BRASIL, Lei 12.318/2010). Como uma medida preventiva, recentemente foi sancionada a Lei 12.318/2010 que trata sobre a alienação parental. A conquista da lei foi resultado de um mobilização de pais, filhos, profissionais da área e membros da sociedade, sensibilizados com o problema (BRASIL, 2010). O projeto de lei tramitava no Congresso Nacional desde 2008, a aprovação ocorreu em um contexto de demanda social por mais equilíbrio na participação de pais e mães na formação de seus filhos.

A família destaca Simão (2008), deixa de ser considerada como mera utilidade de produção e procriação, e passa a se tornar lugar de plena realização de seus integrantes, distinguindo-se claramente os papéis de conjugalidade e parentalidade.

Nesse sentido a lei considera por alienação parental ,a interferência abusiva na formação psíquica das crianças ou adolescentes para que repudie o genitor ou cause prejuízo ao estabelecimento ou manutenção de vínculos com este (BRASIL, art. 2° lei 12.318/2010). Perez (2010) observa que a lei, não restringe a autoria dos atos de alienação parental a genitores, mas a qualquer pessoa que tenha a criança ou adolescente sob autoridade, guarda ou vigilância.

5 JULGADOS

Tribunal de Justiça de Minas Gerais

Número do 1.0231.13.013467-0/001 Númeração 0403650- Relator: Des.(a) Edgard Penna Amorim

Relator do Acordão: Des.(a) Edgard Penna Amorim Data do Julgamento: 16/04/0015

Data da Publicação: 28/04/2015

EMENTA: AGRAVO DE INSTRUMENTO - AÇÃO DE REGULAMENTAÇÃO DE VISITAS - SITUAÇÃO CONLFITUOSA ENTRE OS PAIS - INDÍCIOS DE ALIENAÇÃOPARENTAL - ALTERAÇÃO DA GUARDA - MANUTENÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA.

O presente julgado relata o caso de uma menor que sofre de alienação parental. Segundo o pai, a menor mostra sentimentos confusos em relação à mãe, há indícios de que ela tenha sofrido abuso sexual por parte de um tio, enquanto esteve sob os cuidados da sua mãe. Além disso a mãe é incapaz de cuidar da criança, pois esta até os nove anos de idade não frequentava a escola.

Diante do fato, não foi demonstrado o alegado abuso sexual, ou maus-tratos imputados à mãe.

Foi possível perceber que os vínculos com a mãe e os irmãos já se encontram consolidados. Ela deseja ter contato com toda a família materna, porem expressa o medo de que isso possa magoar ou prejudicar o pai, principalmente porque ele se encontra com a saúde fragilizada, submetido á cirurgia cardíaca.

Com todo o fato, foi possível presenciar a Alienação Parental por parte do pai, preocupado em perder a filha para a mãe, acarretando o medo da menor de se encontrar com sua genitora, contrariando e magoando o pai.

Foro Regional de Campina Grande do Sul da Comarca da Região Metropolitana de Curitiba

Processo: 719279-9

Relator(a): Clayton Camargo Data de julgamento: 10/11/2010 Data de Publicação: 22/11/2010

EMENTA: AGRAVO DE INSTRUMENTO AÇÃO DE SEPARAÇÃO JUDICIAL LITIGIOSA DECISÃO QUE REVERTEU A GUARDA DOS FILHOS MENORES PARA O GENITOR COMPORTAMENTO INADEQUADO DA GENITORA EM PREJUÍZO DOS MENORES IMPEDIMENTO AO EXERCÍCIO DO DIREITO DE VISITAÇÃO PATERNA INTENÇÃO DA MÃE E DE SEUS FAMILIARES DE IMPEDIR A CRIAÇÃO DE VÍNCULO AFETIVO DOS FILHOS COM O PAI INOBSERVÂNCIA DOS DEVERES INERENTES À GUARDA PELA GENITORA REITERADO DESCUMPRIMENTO DE ORDENS JUDICIAIS PARA PERMISSÃO DAS VISITAS PATERNAS OPOSIÇÃO DE OBSTÁCULOS À ATUAÇÃO DO CONSELHO TUTELAR E ACOMPANHAMENTO PSICOLÓGICO DOS MENORES ALIENAÇÃO PARENTAL CONFIGURADA INEFICÁCIA DAS MEDIDAS APLICADAS PELO JUÍZO NECESSIDADE DE ALTERAÇÃO DA GUARDA PRESERVAÇÃO DOS INTERESSES DOS MENORES DECISÃO MANTIDA RECURSO DESPROVIDO-

A Agravante sustenta que menores vivem em companhia da genitora desde o nascimento e que a reversão da guarda determinada pelo Juízo de primeiro grau pode causar prejuízo irreparável aos menores, os quais serão bruscamente afastados de toda a família e amigos. Alega que não houve ocultação dos menores em detrimento da visitação paterna, nem qualquer tipo de manipulação para criar distanciamento entre os menores e o genitor. Afirma que não existe alienação parental com o objetivo de impedir o convívio e a aproximação do genitor com os menores e que ao afastamento do Agravado em relação aos filhos decorre de suas próprias atitudes, não havendo qualquer óbice criado pela genitora para impedir o

contato do pai com os menores. Aduz, por fim, que não há provas de que o Agravado tem condições para manter a guarda dos filhos.

6 CONCLUSÃO

Através deste trabalho foi possível compreender a evolução da família, no código civil de 1916, 2002, e na atualidade. Destacando as espécies de famílias que vão se adequando com o passar dos anos.

Foi possível compreender a Síndrome de Alienação Parental, mostrando suas causas e consequências.

Segundo o desembargador do Tribunal de Justiça de São Paulo, a guarda compartilhada seria a melhor maneira de se evitar a prática desses abusos, pois a lei 12.318/10 trouxe benefícios para o menor, podendo amenizar a Alienação. Com isso, o genitor que não possui a guarda do menor, por lei ira participar mais da vida da criança.

Segundo Maria Berenice Dias, a Alienação acontece quando o alienador impede a convivência de um filho com o outro genitor, isso ocasiona certos desentendimentos familiares que poderiam ser resolvidos sem grandes problemas.

Esse problema acontece geralmente na época da separação do casal, em que os pais acabam utilizando a criança como instrumento de vingança para atingir o genitor que não possui a guarda do menor.

Não entendem esses pais que são grandes as sequelas que a síndrome deixa na criança que podem segui-la durante toda a vida, influenciando no seu desenvolvimento.

A alienação não acontece somente pelos pais, mas também pelos avós, responsáveis, tutores.

Para a comprovação de alienação há necessidade de submetê-la a uma entrevista através de um psicólogo, psiquiatras, ou uma assistente social.

Por fim, ressalta-se que o Estado poderia intervir mais nessa situação que destrói lares, e deixa sequelas por toda a vida como mencionado.

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