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4.BANALIZAÇÃO DA LEI Nº 12.318/2010

E- mail enviado por um cidadão ao Deputado Federal Arnaldo Faria de Sá, proponente do Projeto de Lei nº 4.488

IX. ALIENAÇÃO PARENTAL x ESTUPRO DE VULNERAVEL

A “Alienação Parental”, mais conhecida como “SAP” Síndrome de Alienação Parental, segundo seu precursor Richard A. Gardner, não constitui uma anomalia psíquica, mas um distúrbio que surge principalmente no contexto de disputas de custódia da criança, denegrindo e aviltando o progenitor alienado, provocado por parte do cônjuge que tem a guarda do menor ou da menor.

A formulação de Gardner, foi severamente criticada como carente de base científica, e como hipótese da qual os proponentes falharam em encontrar provas cientificas.

Quase que a totalidade dos paises do mundo desaconselharam sua admissibilidade, excetuando o Brasil e algumas Varas de Família nos Estados Unidos.

Mesmo nessa conjuntura, criticada pelos demais paises do mundo, o Brasil, em 26 de Agosto de 2.010, acabou por incluir esta questão em nosso ordenamento jurídico, decretando a malfada Lei nº 12.318.

Aos argumentos de Gardner, nossos psicólogos acrescentaram fazer parte da Síndrome de Alienação Parental, incutindo o genitor alienante na criança “memórias plantadas”, de forma a afastá-la do outro cônjuge.

Importante frisar que a “Psicologia” não é uma ciência exata e como tal, se formula as conclusões em dados comparativos, muitas vezes extrapolando os limites da razoabilidade, dependendo do momento em que vive o profissional incumbido dessa análise. E mais, as perícias nunca, jamais devem ser semi-dirigidas, visto que desta maneira o veredicto já está formulado, não há mais o que se estudar. O correto seria um estudo, aprofundado, de caso a caso, sem interferências ou preconceitos.

O profissional não está isento das variáveis que envolvem cada caso, acabando por aplicar um único principio, desprezando características próprias de cada caso. Como se afirma em direito: “cada caso é um caso, embora guarde determinadas semelhanças”.Não se pode julgar todos os casos por uma única fórmula, isto porque tem que ser considerado as variantes que cada caso apresenta.

Assim também ocorre nas avaliações psicossociais. A apreciação de um caso depende do enfoque que se queira dar aquela situação a ser analisada. O Psicólogo ou Psiquiatra está mais exposto a erros do que outro profissional da área da saúde, que trabalha com “probabilidades”.

O próprio Gardner, em seu estudo, acabou por concluir que o principio por ele defendido estava sendo mal empregado e no Brasil, o emprego errado dos princípios de Gardner tem custado a vida de crianças inocentes, como se verá no transcorrer da presente reflexão.

Para entendermos a impraticidade da formulação de Gardner temos que recorrer a casos reais que ao longo do exercício da advocacia passaram pelo crivo do Judiciário.

A chamada Lei Maria da Penha veio atendendo uma realidade que o país estava e ainda vive de agressão e violência doméstica.

Para casos específicos, a Lei Maria da Penha tem que ser aplicada, socorrendo-se do Código Penal.

O que se observou ao longo desses seis anos da decretação da Lei de Alienação Parental, é que houve uma aplicação errônea das formulações de Gardner, como já acontecia em seu tempo.

Quando uma criança sofre abuso sexual, tem-se que socorrer do artigo 217-A, segunda parte, do Código Penal, que acentua “ ou praticar outro ato libidinoso com menor de 14 anos”, isto quando não há a conjunção carnal, prevista na primeira parte do indigitado preceito legal.

O abuso da formulação de Alienação Parental está na medida em que o causídico da parte Autora do ato ilícito, usa como meio de defesa o argumento de que não houve o ato criminoso e que está havendo a alienação.

Esse crime é praticado “sempre” entre quatro paredes. Não tem testemunhas oculares. É quando resta a palavra da vítima, criança, contra a palavra do autor do fato criminoso, acabando por ser absolvido o infrator.

Quando isto acontece, e é quase regra geral, a vítima fica a mercê do criminoso, que sempre é um parente próximo, ou o próprio genitor.

Existem casos, que o Ministério Público até opina pela condenação, mas o Juiz decide pela absolvição.

Embora o Estatuto da Criança e Adolescente, Lei 8069 de 13 de Julho de 1.990, foi promulgado para proteger a criança, porém, fica somente na teoria, pois, a voz da outros. E quando acontece o Juiz “chora” e se desculpa; “errei”!

Tarde demais. Reconhecer um erro não ressuscitará a menor ou o menor morto pelo desleixo, descaso da autoridade que tem por dever protegê-los.

Ao Judiciário não é dado o direito de errarem!

O artigo 18 do Código de Processo Penal não deve ser aplicado para casos aos quais estamos mencionando. O processo penal deve ser recebido pelo Ministério Público e ainda que tenham dúvidas, deve ser formado o devido processo legal, com sua instrução, e julgamento. Absolvição ou Condenação deve ser o desfecho de processo tais e não arquivamento. Se assim acontecesse, a possibilidade de erro seria bem menor.

O principio "in dúbio pro réu" não tem aplicação e não pode jamais ter em casos que envolva estupro ou abuso de vulnerável. O principio deve ser sempre "NA DUVIDA EM FAVOR DA VITIMA" que é uma criança, indefesa, o bem maior a ser tutelado pelo Estado. Doa a quem doer.

Esta utilização indevida do dispositivo, na Alienação Parental, deve ser alterada, para em consonância com os demais, não se aceitar pura e simplesmente a alegação de alienação parental, isto por que assim concluiu um Psicólogo, sem qualquer base cientifica, vez que o que está em jogo não é o patrimônio de alguém, mas a vida de uma criança, que poderá vir a ser interrompida antes da hora.

Bem recentemente, tomei conhecimento, como advogada, de uma mãe que ficou se deslocando com a sua criança, por um período de 10 anos, por ter sido sentenciada por "Alienação Parental", tendo um histórico anterior ao divorcio, ainda na constancia do casamento, de maus tratos e agressão física do genitor com a criança. Essa mãe somente sossegou quando recebeu a informação de que o pai de seu filho havia morrido no Rio de Janeiro atropelado.

As autoridades, durante todo esse tempo nada fizeram em socorro da criança e sua mãe, tendo ela que fazer o que o Estado lhe negara: proteger seu filho.

Até quando perdurará essa inconseqüência?

Se depender do que temos, uma Justiça inconseqüente, mancomunada com outros princípios que não os Constitucionais, enquanto não levantar-se alguém

comprometida com os princípios morais, e porque não dizer, com Deus, ainda assistiremos em nossa poltrona, na plana de nosso televisor, a continuidade dos crimes daqueles que nada temem, porque a Justiça nada faz!.

Pensem nisso!.

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