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ALIMENTAR E NUTRICIONAL E INCLUSÃO PRODUTIVA

A segunda visita técnica ocorrida teve por tema “Segurança Alimentar e Nutri- cional”, e buscou possibilitar que os participantes estrangeiros desfrutassem de uma visão mais completa de algumas das políticas de proteção social brasi- leiras na Amazônia relacionadas a esse tema. As visitas cobriram os programas de acesso à água e de aquisição de alimentos.

Igualmente, com vistas a enriquecer a experiência, a visita contou com uma visita a uma comunidade quilombola, para apresentar uma comunidade tradi- cional da Amazônia que não encontra homólogas em outros países.

VISITA À COMUNIDADE QUILOMBOLA

O grupo de participantes do Seminário foi recebido na sede da Associação da Comunidade Quilombola Menino Jesus, localizada no Município de Aca- rá, no Pará. Essa comunidade faz parte de um complexo de comunidades quilombolas. Na região, são aproximadamente 30. O acesso às comunidades é facilitado por meio da Alça Viária, sendo a distância curta e percorrida por meio terrestre, o que, para os padrões, das comunidades tradicionais ama- zônicas, é um diferencial.

Estavam presentes autoridades locais, representantes do MDS, representan- tes do governo estadual do Pará, membros da comunidade e uma das princi- pais lideranças da região, membro da Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq), Sr. José Carlos Galiza. Na mesa de abertura, os representantes ressaltaram a importância de se co- nhecer a realidade local. Pontuaram, ainda, a necessidade de implantar e concluir obras públicas que estavam pendentes na região, necessárias para a melhoria das comunidades, bem como de construir ações e projetos que sejam pautados nas necessidades e realidades locais. Ressaltaram a neces- sidade de convergir esforços entre a comunidade e os três entes federados – Governo Federal, representado pelo Ministério do Desenvolvimento Social (MDS), Governo Estadual, representado pela Secretaria de Estado de Assis- tência Social, Trabalho, Emprego e Renda (SEASTER), e o Município de Acará. Como parte dos processos de auto-organização das comunidades tradicio- nais, os membros das comunidades prepararam o momento com os visitan- tes, nacionais e estrangeiros, para que todos pudessem apreciar as tradições alimentares e um pouco da música e dança.

Em seguida, deu-se início à exposição sobre a comunidade quilombola, lide- rada pelo Sr. José Galiza. Ele explicou o que é uma comunidade quilombola, seu contexto histórico, a importância do território para a preservação da cultura e da identidade.

Os quilombolas são descendentes de negros e negras africanos que foram escravizados em terras brasileiras no passado e que se opuseram ao regime colonial, que foi assim marcado por resistências e construção de comunida- des formadas pelos negros insurgentes. Mas as comunidades quilombolas não apenas se limitam a este passado, como também foram formadas a par- tir de doações de terras pelas igrejas, pelo abandono de propriedades de- corrente do fim da exploração dos ciclos agrícolas e minerários, e por outras formas de conformação de comunidades.

A escravidão vigorou no Brasil desde o período colonial até 1888. As comu- nidades formadas pelos quilombolas são chamadas de quilombos. Esses grupos étnicos-raciais se definem por relações específicas com o território, o parentesco, a ancestralidade, as tradições, as práticas culturais e a coletivida- de distintas, que têm implicações sobre a sua forma de organização da vida social, política e econômica, sendo fortemente marcadas pelo pertencimento e pela coletividade. Os quilombolas no Brasil foram reconhecidos, por meio da Constituição Federal de 1988 e também por meio da Convenção nº 169 da Organização Internacional do Trabalho, como povos tribais. Entretanto, ain- da buscam o efetivo acesso e titulação dos seus territórios tradicionalmente ocupados; o poder de veto a empreendimentos que impactem seus modos de vida e territórios; infraestrutura de serviços públicos; inclusão produtiva; sus- tentabilidade pautada nas tradições e organização local; e participação social.

TECNOLOGIA SOCIAL DE ACESSO À ÁGUA - CISTERNAS

Sob a moderação do Sr. Francisco Mello, diretor do Departamento de Fomen- to à Produção e à Estruturação Produtiva (SESAN/MDS), os visitantes tiveram a oportunidade de conhecer uma tecnologia social de captação de água da chuva, localizada na Comunidade Quilombola Menino Jesus e apoiada no âmbito do Programa Nacional de Apoio à Captação de Água de Chuva e Ou- tras Tecnologias Sociais de Acesso à Água – Programa Cisternas. O Programa Cisternas integra a estratégia do governo federal de promover o acesso au- tônomo e sustentável à água, para consumo humano e para a produção de alimentos, às famílias de baixa renda residentes em regiões atingidas pela seca ou pela falta regular de água de qualidade.

O diretor explicou que as tecnologias desenvolvidas para a região amazô- nica são bastante diferentes – e menos conhecidas – que as cisternas do

semiárido. A região amazônica não sofre com grandes períodos de seca. Há abundância de água pluvial, mas essa deve ser filtrada e tratada para viabi- lizar o consumo das famílias. A implementação destas tecnologias viabiliza o acesso à água às famílias de baixa renda residentes no meio rural, assim como aos povos e comunidades tradicionais, como indígenas, quilombolas e extrativistas. A tecnologia conta com um sistema de captação de água da chuva instalado junto ao telhado da residência, e o volume de água arma- zenado evita que as pessoas tenham que se deslocar em busca de água em dias de seca.

Com custo estimado em R$ 5,3 mil por família, tais tecnologias são adap- tadas às condições socioeconômicas e climáticas da região e constituem solução simples e de fácil aplicação e apropriação pela comunidade, sendo capazes de oferecer resposta eficaz à criticidade do acesso à água de qua- lidade dessas populações. O resultado é um impacto direto e positivo so- bre a qualidade de vida, considerando a redução na incidência de doenças de veiculação hídrica, decorrentes muitas vezes das condições precárias de acesso ou da baixa potabilidade da água disponível.

Além disso, trata-se de um processo no qual as famílias a serem diretamente beneficiadas são mobilizadas e estimuladas a refletir sobre a gestão e ma- nejo da água a ser armazenada na tecnologia, podendo inclusive participar diretamente do processo construtivo.

VISITA A PRODUTORES BENEFICIÁRIOS DO PROGRAMA DE AQUISIÇÃO DE ALIMENTOS

A segunda parte da visita técnica começou com uma explanação da Sra. Danielle Chalub (SAGI/MDS) sobre o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA). Os participantes estrangeiros do Seminário mostraram-se bastante in- teressados na forma como o Governo Brasileiro estruturou um programa que conjuga, ao mesmo tempo, apoio aos agricultores familiares e instituições que dependem dos produtos produzidos.

O Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) é uma ação do Governo Fe- deral para colaborar com o enfrentamento da fome e da pobreza no Brasil e, ao mesmo tempo, fortalecer a agricultura familiar. Para isso, o programa utiliza mecanismos de comercialização que favorecem a aquisição direta de produtos de agricultores familiares ou de suas organizações. Os alimentos adquiridos pelo governo de agricultores familiares, assentados da reforma agrária, comunidades indígenas e demais povos e comunidades tradicionais são distribuídos à população em maior vulnerabilidade social, atendida pela rede socioassistencial e por ações de segurança alimentar e nutricional. 

A visita para conhecer o programa in loco deu-se no município de Barcarena, no Pará, no sítio do Sr. José Pinheiro, que participa do PAA.

No sítio, estavam presentes não só autoridades políticas municipais e esta- duais, mas também grupos de agricultores que participam do mesmo pro- grama, e suas famílias. Os representantes ressaltaram a importância do Pro- grama, relatando brevemente como ele transformou a realidade local. Em seguida, os visitantes fizeram uma breve visita guiada ao sítio. O Sr. José Pinheiro mostrou toda a produção erguida por ele e por sua família. Explicou que, além de produzir para o Programa, ele consegue também produzir para vender de forma autônoma, e realiza parcerias com outros produtores locais para otimizar as vendas, inclusive para outros mercados institucionais. A segu- rança de compra da produção e o aumento dos lucros permitiram ao Sr. José e sua família o reinvestimento na produção com vistas ao aumento desta. O grupo também teve a oportunidade de conversar com outros agricultores, que levaram exemplares do que produzem e comercializam por meio do Programa: hortaliças, cítricos, abacaxi, abóbora, açaí, milho, mangaba, bana- na, mandioca, entre outros.

5º DIA:

APRENDIZADOS E