• Nenhum resultado encontrado

O alongamento é um termo geral que é usado para indicar maneiras para alongar tecidos encurtados patologicamente para aumentar a flexibilidade e movimento da articulação em tecidos normais e anormais. O alongamento difere dos exercícios de amplitude de movimento onde o alongamento atinge os tecidos, além da amplitude de movimento normal. O movimento passivo atinge apenas estruturas na amplitude disponível (AMARAL, 2006).

As técnicas de alongamento são feitas em conjunto com os exercícios de amplitude de movimento para melhorar a flexibilidade das articulações e extensibilidade dos tecidos periarticulares, músculos e tendões (GROSS, 2002). As condições que resultam em encurtamento dos tecidos, incluindo imobilização, mobilidade reduzida, ferida e fibrose dos tecidos periarticulares, ou condições neurológicas, podem responder favoravelmente ao alongamento (AMARAL, 2006). A fraqueza muscular pode ocorrer com encurtamento dos tecidos porque o pico da tensão muscular não ocorre, e a escala de movimento da articulação pode ser diminuída como resultado da fibrose periarticular (HAMILTON et al., 2004).

A flexibilidade refere-se à habilidade dos tecidos, particularmente dos músculos, para relaxar e responder a uma força de alongamento (AMARAL, 2006). Os vários tecidos envolvidos, como os músculos, ligamentos, tendões, cápsula articular e pele, respondem ao alongamento de forma diferente. Por isso o terapeuta deve considerar que os tecidos limitam a mobilidade e escolher as técnicas apropriadas para ajudar a atingir função mais normal (KISNER; COLBY, 2005).

O alongamento passivo é mais usado na medicina veterinária por causa da incapacidade de comunicar instruções verbalmente ao paciente para relaxar e contrair seletivamente vários grupos de músculo (BOCKSTAHLER et al., 2004).

Um programa de alongamento feito de 3 a 5 vezes por semana pode resultar em aumento da flexibilidade em pacientes com enrijecimento na articulação do joelho. Depois de melhorar a flexibilidade, a freqüência de alongamento pode ser reduzida (MILLIS et al., 2004).

Na preparação para o alongamento, é benéfico executar alguns exercícios ativos, como uma caminhada de baixa intensidade. Pode haver menos danos aos tecidos e menos força pode ser exigida para conseguir o aumento do alongamento se os tecidos estiverem aquecidos (GROSS, 2002).

Para a realização do alongamento, o paciente deve estar em uma posição confortável, geralmente em decúbito lateral (figura 11) em uma superfície plana. É importante que o paciente esteja o mais relaxado possível (HAMILTON et al., 2004).

Figura 11: Realização de alongamento em paciente canino em decúbito lateral. Fonte: Arquivo pessoal.

7.2.1 Precauções e Contra-indicações para o Alongamento

As articulações não devem ser forçadas em uma direção desconfortável além da amplitude de movimento. Os pacientes não devem sentir dor durante ou depois do alongamento. A meta deve ser alongar e realinhar o tecido conectivo e não rasgar o tecido. O alongamento não deve ser feito antes que o tecido fibroso possa suportar alguma tensão. Da mesma forma, é muito importante tomar cuidado durante o alongamento em regiões após o reparo ter sido feito para não desfazer a cirurgia (KISNER; COLBY, 2005).

8 HIDROTERAPIA

A hidroterapia é a terapia por meio da água. As propriedades físicas da água fazem da terapia aquática um dos exercícios mais benéficos para cães, pois diminui a ação da gravidade no animal incapacitado, que na água torna-se capaz de caminhar sem ajuda (LEVINE; RITTENBERRY; MILLIS, 2004). Por causa dessas propriedades, a realização dos exercícios submersos torna-se diferente dos exercícios realizados fora da água (MATERA; PEDRO, 2006).

O exercício aquático refere-se ao uso de hidroesteira, piscinas ou tanques de imersão com múltiplas profundidades que facilitam a aplicação de várias técnicas fisioterapeuticas, incluindo alongamento, fortalecimento, mobilização articular, treinamento de marcha e de equilíbrio (HAMILTON, 2002).

8.1 PROPRIEDADES DA ÁGUA

É necessário entender os princípios básicos das propriedades da água, incluindo densidade relativa, flutuabilidade (empuxo), viscosidade, resistência, pressão hidrostática, turbulência e coesão, para estimar os benefícios da terapia aquática (LEVINE; RITTENBERRY; MILLIS, 2004).

8.1.1 Densidade Relativa

A densidade relativa é a relação do peso de um objeto com o peso de igual volume de água deslocada (LEVINE; RITTENBERRY; MILLIS, 2004).

A densidade de várias substâncias é definida por um número puro chamado de gravidade específica. A gravidade específica da água é um. Um corpo com gravidade específica menor que um flutuará, e um corpo com gravidade específica maior afundará (GROSS, 2002).

8.1.2 Flutuabilidade

A flutuabilidade é definida como a pressão ascendente da água em um objeto submerso que seja igual à quantidade de água deslocada pelo objeto. A quantidade de água deslocada depende da densidade relativa do objeto (BOCKSTAHLER et al., 2004).

Com a flutuabilidade, um corpo carrega menos peso na água do que na terra. A diferença do peso depende da profundidade de imersão (HAMILTON, 2002).

A flutuabilidade ajuda na reabilitação de músculos fracos e em articulações doloridas. Permite ao paciente se exercitar em pé e pode diminuir a dor minimizando a quantidade de peso suportado nas articulações (LEVINE; RITTENBERRY; MILLIS, 2004).

8.1.3 Viscosidade e Resistência

A viscosidade é resistência de um líquido ao fluxo, que depende do grau de coesão e da adesão das moléculas no líquido. A resistência é a quantidade de força que deve ser exercida para mover um corpo através da água em uma velocidade dada que seja relacionada à viscosidade do líquido (BOCKSTAHLER et al., 2004).

A viscosidade, ou resistência à fluidez do líquido, é significantemente maior na água do que no ar, tornando mais difícil mover-se na água do que no ar. A água pode, portanto, oferecer a resistência que ajuda fortalecer os músculos e melhorar o desempenho cardiovascular. A viscosidade é importante na terapia aquática por vários outros motivos: aumenta os sensores de atenção, ajudar a estabilizar articulações instáveis e ajudar na prevenção de quedas aumentando o tempo de intervalo para o paciente reagir (LEVINE et al., 2004).

8.1.4 Pressão Hidrostática

A pressão hidrostática é a pressão exercida em um corpo submerso na água. Dessa forma, as moléculas do meio líquido vão empurrar toda a superfície do objeto mergulhado nele. Quanto mais profundamente um corpo é submerso na água, maior a pressão exercida nele (BOCKSTAHLER et al., 2004; MIKAIL, 2006).

A pressão hidrostática pode ajudar o movimento de um animal com problemas na locomoção, pois lhe dá uma sensação de sustentação e também pode diminuir a dor durante o exercício (LEVINE; RITTENBERRY; MILLIS, 2004).

8.1.5 Turbulência

A turbulência é definida como um fluxo irregular de água que varia em qualquer ponto. Isso cria mais resistência ao movimento do que um fluxo contínuo indo apenas numa direção. Quando o corpo se move na água, há um aumento da pressão na frente do corpo e uma diminuição da pressão atrás do corpo (MIKAIL, 2006).

Com a turbulência da água, pode-se obter o efeito de massagem, que pode ser causada pelo movimento do animal no meio líquido ou pela instalação de jatos de água em piscinas, ou hidroesteiras (GROSS, 2002).

8.1.6 Coesão

A tendência que as moléculas da água têm de aderir uma à outra é conhecida como coesão. A coesão contribui com a resistência encontrada enquanto um corpo se movimenta na água, porque para separar as moléculas é necessário uma determinada força (LEVINE; RITTENBERRY; MILLIS, 2004).

Documentos relacionados