4.2 SÍNTESE DA VULNERABILIDADE AMBIENTAL
4.2.3 Alta vulnerabilidade ambiental
As áreas classificadas com alta vulnerabilidade ambiental são predominantes no leste do município de Santo Amaro e totalizaram 154 km², que representa 35% do território. Essa área é a mais antropizada do município, com atividades agropecuárias, cultivo de bambu e indústrias de papel. Nela, está localizada a área urbana do município de Santo Amaro, abrangendo, principalmente, as áreas da Baixada Litorânea e as Planícies marinhas e
fluviomarinha. Na Baixada Litorânea, o relevo é predominantemente ondulado com declividade de 8-20%. As principais atividades agrícolas são a pastagem, culturas de subsistência, cana-de-açúcar e bambu. Os solos que têm maior ocorrência na Baixada litorânea são os Vertissolos e, nas Planícies marinhas e fluviomarinhas, os neossolos, espodossolos e gleissolos.
Todos os indicadores contribuíram para o resultado de alta vulnerabilidade nessas áreas, o uso da terra, a declividade, a geologia, solos e o clima. Na Baixada Litorânea, o material geológico é do Grupo Santo Amaro, Formação Candeias, composta por folhelho, siltito intercalado com calcário e arenitos. Na ponderação da vulnerabilidade em relação à fragilidade litológica, a Formação Candeias foi ponderada com alta vulnerabilidade (0.7). O clima nessa área é úmido com altos índices pluviométricos e foi ponderado com valores de alta vulnerabilidade (> 0.8). Os Vertissolos, devido à algumas limitações físicas e susceptibilidade à erosão, foram ponderados com valor de alta vulnerabilidade (0.7). Esses solos apresentam argilas expansivas 2:1, que refletem na alteração volumétrica de expandir quando estão úmidos e contrair quando secos.
Em relação à dinâmica da paisagem, é possível verificar na Figura 44 a ocorrência de processos erosivos ocasionados pela atividade de pastagem nas áreas de colinas cobertas com Argissolos que, naturalmente, são solos susceptíveis à erosão. Neste caso, a retirada da cobertura vegetal e implantação da pecuária intensificaram os processos morfodinâmicos.
Figura 44 – Processos erosivos em áreas de pastagem, relevo suave ondulado e Argissolos. Município de Santo Amaro-Bahia
Foto: Patrícia Silva dos Santos (2015)
Os processos de erosão podem ocorrer de forma laminar, em sulcos e voçorocas. A erosão laminar ocorre pelo impacto da chuva no solo e pelo escoamento de forma homogênea que remove a camada superficial do solo. A erosão laminar pode ser imperceptível, quando está num estágio inicial, porém, é bastante prejudicial porque remove a matéria orgânica do solo. A erosão em sulcos é facilmente perceptível, como pode ser verificado na Figura 48 e é caracterizada pela formação de sulcos irregulares (RIO GRANDE DO SUL, 1983). A erosão em voçoroca é um grau mais avançado da erosão em sulcos, dependendo da gravidade, pode se tornar irreversível.
As condições físicas e antrópicas que tornam as áreas mais susceptíveis à ocorrência de erosão laminar, em sulcos e voçorocas são: a retirada da cobertura vegetal, o índice pluviométrico e a intensidade pluviométrica, o tipo de solo, a declividade e implantação de atividades agrícolas.
Alguns casos de erosão laminar e em sulcos verificados em Santo Amaro foram ocasionados pela ação antrópica. A retirada da cobertura vegetal e implantação de pastagens em áreas de relevo suave ondulado provocaram os processos de erosão. As áreas classificadas com alta vulnerabilidade ambiental prevalecem o processo morfogênico.
Na Figura 45, é possível verificar áreas com processo de erosão laminar e solo exposto, provocados pela retirada da cobertura vegetal para inserção da pecuária. Também ocorrem áreas com processo de erosão laminar inicial, menos perceptíveis.
Figura 45 – Áreas com processos de erosão laminar com solo exposto.
Município de Santo Amaro-BA
Foto: Patrícia Silva dos Santos (2015)
As áreas com cultivo de bambu ocorrem às margens da BA-084, próximas da área da APP do Canion do Subaé e nas margens da BA-878 e BR-420. O cultivo ao longo da BA-084 ocorre nas áreas de vertentes e em áreas de relevo forte ondulado, com declividade 20-45%. A Figura 46 demonstra uma área de vale com cultivo de bambu.
O bambu oferece algumas vantagens econômicas em relação ao cultivo de outras matérias primas de celulose, como o eucalipto e pinus. Além do uso para produção de papel, o bambu possui diversas finalidades como fabricação de móveis e artesanato. O bambu é uma gramínea que tem o crescimento rápido e seu sistema radicular favorece sucessivas brotações, o que permite infinitos cortes, é de fácil estabelecimento e manutenção. (SILVA et al, 2011).
Figura 46 – Áreas com cultivo de bambu nas áreas de vales próximas do canion Subaé.
Município de Santo Amaro-BA
Foto: Patrícia Silva dos Santos (2015)
Em 2011, foi criada a Lei Federal 12.484 que dispõe sobre a política nacional de incentivo ao manejo sustentável e ao cultivo de bambu. A lei incentiva:
o manejo sustentado das formações nativas e ao cultivo de bambu voltado para a produção de colmos, para a extração de brotos e obtenção de serviços ambientais, bem como à valorização desse ativo ambiental como instrumento de promoção de desenvolvimento socioeconômico regional [...] a valorização do bambu como produto agro-silvo-cultural capaz de suprir necessidades ecológicas, econômicas, sociais e culturais (BRASIL, 2014a). Apesar do cultivo de bambu ser bastante defendido como uma cultura agrícola sustentável, na análise da vulnerabilidade ambiental, no município de Santo Amaro o cultivo
Áreas plantadas de bambu Áreas colhidas de bambu
de bambu foi ponderado com valor de alta vulnerabilidade (0.8), por se tratar de uma atividade de monocultura que provoca a perda da biodiversidade. A sua implantação e expansão pode comprometer áreas de cobertura vegetal, como ocorreu em Santo Amaro. Na Figura 47, é possível observar o cultivo de bambu nas áreas de vertente.
Figura 47 – Cultivo de bambu nas áreas de vertente na Baixada Litorânea.
Município de Santo Amaro-BA
Foto: Patrícia Silva dos Santos (2015)
Além das atividades de pastagem e bambu, nas áreas de alta vulnerabilidade, ocorrem também atividades de subsistência, com cultivo de milho, feijão, mandioca e banana (Figuras 48 e 49). As culturas de subsistência foram pontuadas com valor (0.5), média vulnerabilidade, por se tratar de atividades de pequeno porte, sem mecanização e sem técnicas muito agressivas ao solo. O resultado de alta vulnerabilidade foi favorecido devido aos tipos de solo, declividade e clima, classificados com alta vulnerabilidade, que tornam o ambiente mais susceptível de ocorrer processos morfodinâmicos.
Figura 48 – Culturas de subsistência – banana. Município de Santo Amaro-BA
Foto: Patrícia Silva dos Santos (2015)
Figura 49 – Culturas de subsistência - mandioca nas áreas dos Vertissolos.
Município de Santo Amaro-BA
Foto: Patrícia Silva dos Santos (2015)
No sul do município de Santo Amaro, a ocorrência dos Neossolos quartzarênicos e dos Espodossolos, nas planícies marinhas, contribuíram consideravelmente para a alta vulnerabilidade nessas áreas. O potencial de erosividade decorrente dos altos índices
pluviométricos também influenciou a alta vulnerabilidade dessas áreas. Na Figura 50, é possível verificar as áreas de planícies marinhas degradadas com pastagem.
Figura 50 – Áreas degradadas na planície marinha,
sul do município de Santo Amaro-BA
Foto: Patrícia Silva dos Santos (2015)
A classe de muito alta vulnerabilidade ambiental ocorreu apenas em 1% (5 km²) das áreas do município de Santo Amaro e encontram-se nos depósitos fluviomarinhos. Embora todos os indicadores estejam classificados com alta vulnerabilidade, a baixa declividade (0 a 3%) foi o indicador que contribuiu de forma positiva para a redução das áreas classificadas com muito alta vulnerabilidade (Figura 51).
Figura 51 – Mapa de vulnerabilidade ambiental. Município de Santo Amaro-BA
Elaboração: SANTOS (2015)
O mapa de vulnerabilidade ambiental espacializou as áreas mais resistentes e frágeis à ocorrência de processos morfodinâmicos e antropogênicos no município de Santo Amaro. Foram analisados os principais processos da dinâmica da paisagem, a partir da análise das inter-relações no sistema ambiental.