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Alternativas de Transporte e Distribuição

TABELA 8 – Descrição dos dutos de transporte de gás natural em operação

4. Malha Nordeste

3.3.1 Alternativas de Transporte e Distribuição

Os gasodutos que operam hoje no país não conseguem atender a todas as regiões interessadas na utilização do gás natural. Uma vez que a construção e operação de tais gasodutos representam custos muito altos, eles se limitam a abastecer os grandes mercados consumidores, onde existe um maior retorno financeiro (economia de escala).

Outros fatores que podem explicar a falta de transporte via dutos em determinadas localidades, seriam a necessidade de criação de um mercado cativo antes da chegada dos dutos e o fato de muitas vezes sua construção não ser tecnicamente possível por motivos geográficos, sem falar nas questões ambientais.

E é justamente nesses locais, onde o transporte de gás por dutos não se mostra economicamente viável, que fontes alternativas de suprimento (gasodutos móveis ou virtuais) vêm ganhando cada vez mais espaço no país. Além disso, o elevado grau de incerteza quanto ao fornecimento do gás boliviano, é outro fator que contribui para o desenvolvimento e aplicação de tecnologias de transporte alternativo do Gás Natural.

Dentre as alternativas de transporte e distribuição, destacam-se o gás natural liquefeito – GNL e o gás natural comprimido – GNC.

Gás Natural Liquefeito (GNL) é o gás natural resfriado até alcançar o seu estado líquido a aproximadamente -161 °C. Após essa conversão seu volume reduz aproximadamente 600 vezes, facilitando o seu transporte e armazenamento. O peso do GNL é de 45% em relação ao mesmo volume em água e é inodoro, incolor, não tóxico e não corrosivo.

O GNL é composto principalmente de metano, uma vez que, em seu processo de liquefação se faz necessário a retirada de determinados componentes tais como a água e o dióxido de carbono.

Gráfico 10 – Composição do GNL Fonte: Petrobras

Elaboração Própria

Ainda sobre os processos de liquefação, eles se dividem em dois tipos: os processos do tipo

base-load e do tipo peak-shaving. Esses dois tipos se distinguem quanto aos seus objetivos

e suas características técnicas. Os processos do tipo base-load têm como objetivo a

liquefação de Gás Natural em grandes volumes, visando o transporte por navios metaneiros e comercialização do gás natural no mercado internacional. Enquanto isso, as plantas do

Composição do GNL

95% 5%

tipo peak-shaving têm uma capacidade máxima de produção bem menor que a base load e

visam abastecer pequenos mercados consumidores, como postos de GNV e algumas fábricas (PERRUT, 2005).

O transporte do GNL pode ser feito através de duas maneiras distintas: por via rodoviária e por via marítima. Sua instalação requer a construção de uma estação de liquefação de gás e de um terminal de despacho do gás liquefeito, a aquisição de caminhões (modal rodoviário) ou navios-tanque (modal marítimo) para o transporte; a construção de uma estação de gaseificação no terminal descarregador (local da recepção do gás) e de reservatórios para armazenamento do produto (PRATES, 2006).

O projeto de GNL, por via rodoviária, envolve menores custos de investimento quando comparado com o projeto via marítima. Esse fato se explica, pelo fato da escala do segundo projeto ser, na maioria das vezes, muito maior e envolver a superação de distâncias elevadas. É a forma mais viável de efetuar o transporte de GN entre continentes. Sendo competitivo para o transporte de gás em grandes volumes e grandes distâncias.

Dentre as iniciativas utilizando esta tecnologia destaca-se a Gás Local, joint venture9 entre a Petrobrás e a White Martins10, que deverá iniciar a comercialização de GNL em breve. O empreendimento envolve uma planta de liquefação com capacidade de processar 380.000 m3 de gás natural, localizada em Paulínia (SP), ao lado da refinaria da Petrobrás, a REPLAN, e o atendimento de pontos de consumo localizados em um raio de até cerca de 900 quilômetros. Assim, a Gás Local prevê o atendimento de clientes no interior de São Paulo, norte do Paraná, sul de Minas Gerais, Goiás e Distrito Federal (PETROBRAS, 2007).

9 União de risco. Contrato entre partes para, em associação, desenvolver um projeto. Não configura uma fusão

ou incorporação.

10

A White Martins é a maior empresa de gases industriais da América do Sul, presente em nove países do continente. É fornecedora de todos os pólos petroquímicos e uma das maiores parceiras da indústria siderúrgica brasileira. A empresa tem também uma forte presença no setor metal-mecânico, de alimentos, bebidas, meio ambiente e no segmento de clientes de pequeno consumo. É líder no setor médico-hospitalar.

O GNC consiste em transportar gás natural comprimido por via rodoviária. O GN pressurizado ocupa um volume cerca de 268 vezes menor que o volume ocupado nas condições normais. Seu funcionamento demanda a implantação de uma estação de compressão e despacho do gás, a compra de caminhões especiais e a implantação de uma estação de recepção do GNC e de reservatórios em um ou mais pontos de destino.

Portanto o GNC e GNL possuem características técnicas e econômicas bastante antagônicas entre si. A tecnologia de compressão apresenta um grau de investimento inferior (menor intensidade em capital), mas em compensação apresenta um custo operacional maior tendo em vista que essa tecnologia tem uma menor capacidade de armazenamento, em outras palavras, ocupa um volume maior. Já a tecnologia de liquefação apresenta um elevado custo de capital inicial, porém consegue obter custos operacionais menores, aproveitando melhor as economias de escala.

Este transporte através de gasodutos móveis se caracteriza pela maneira mais rápida e econômica para suprir cidades com pequenas e médias demandas.

Na hora de optar por uma ou outra tecnologia, além das características técnicas de cada um, o volume a ser transportado e o fator distância percorrida são os dois fatores mais relevantes. Considerando o GNC e o GNL transportados via carretas, o primeiro atingiria mercados localizados a distâncias de no máximo 200 Km, enquanto o segundo seria direcionado para mercados a distâncias variando entre 500 e 1.000 Km.

Os Gasodutos Móveis vêm sendo utilizados em inúmeros países, como Rússia, Argentina, EUA, Iran e Egito. No Brasil este tipo de projeto já vem ocorrendo em algumas cidades do país mas ainda de forma tímida se comparada a outros países.

Estas formas alternativas de transporte de gás acabam por ajudar a fomentar novos mercados (sobretudo no interior do país), desenvolvendo a cultura da utilização do

energético. Portanto além do menor custo e tempo de construção os gasodutos móveis apresentam uma menor burocracia para sua implantação, quando comparados aos gasodutos tradicionais.

É importante que se diga que os gasodutos móveis não devem ser vistos como concorrentes

à distribuição via dutos, mas como uma forma de antecipar ou completar o abastecimento realizado pela tubulação convencional.

É muito provável que em pouco tempo, se continuarmos os esforços em pesquisa, treinamento e normalização, surjam novas formas diferentes de transporte alternativo de gás natural sem gasodutos, num momento em que o GN está se definindo como novo combustível na matriz energética nacional.

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