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CAPÍTULO II Os quadros interactivos

3. Alternativas dos quadros interactivos

Dados os montantes elevados subjacentes à aquisição dos quadros interactivos, os responsáveis pela operação devem considerar todas as opções disponíveis no mercado de tecnologia educacional, não esquecendo nunca os objectivos inerentes e a forma como se integra essa opção no Projecto Educativo da escola.

Como já apontámos previamente, as opções de instalação obedecem a condicionamentos intrínsecos, como os montantes financeiros disponíveis, mas se existir uma maior margem de manobra, poderão e deverão ser estudadas outras alternativas que se adeqúem aos objectivos delineados.

Os Tablet PC, ainda relativamente recentes no mercado, são para muitos uma interessante alternativa aos QI. Trata-se de um computador portátil com um monitor de cristais líquidos que recorre a uma caneta específica, estilete ou mesmo o toque, dispensando teclado e rato. Generalizado pela Microsoft, incorpora um digitalizador e tecnologia de reconhecimento de caligrafia, e o sistema operativo pode mesmo ser o

Windows Vista41 que apresenta algumas melhorias no que diz respeito àquela funcionalidade. Um Tablet PC pode ser ligado a uma rede por cabo ou wireless e a um videoprojector disponibilizando os conteúdos a um grupo, não permitindo, todavia, o mesmo nível de interactividade patente nos QI. Em cenário educativo, o Tablet PC pode apresentar vantagens: é mais barato que um QI, evita que os alunos se levantem uma

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Anteriormente ao Windows Vista, o sistema operativo mais utilizado nos Tablet PC era o

vez que pode circular entre os alunos e o professor pode movimentar-se com maior à vontade na sala de aula, pois não necessita de se manter junto ao quadro. Ao fazer os seus registos num Tablet PC o professor não precisa de virar as costas à turma, o que é benéfico pois contribui para a existência de um menor número de comportamentos disruptivos. Dado que o seu preço já é mais acessível (a partir de 1000 euros), será uma hipótese a considerar pelos responsáveis pela aquisição deste tipo de tecnologia interactiva.

Também os plasmas surgem como uma alternativa, ainda que mais cara, aos QI, assim como a tecnologia emergente dos visualizadores que se encontra em franco desenvolvimento no Reino Unido, sendo utilizados nos vários níveis de ensino, do primário ao superior. A sua crescente aplicação conduziu à realização de alguns estudos de caso que apresentam as suas vantagens como ferramenta a utilizar em sala de aula.

Um visualizador consiste numa câmara de vídeo com características específicas que permite exibir documentos e objectos num monitor, tela, LCD, plasma e, ligado a um projector, num quadro interactivo. Uma das vantagens desta tecnologia digital é a possibilidade de mostrar objectos de reduzida dimensão, mas por outro lado o seu preço é ainda um tanto limitador, variando entre as 379 e as 1900 libras, dependendo das suas funcionalidades e da sua resolução.

De acordo com vários estudos de caso publicados, os visualizadores permitem a partilha de recursos, minimizando o tempo de preparação das aulas dado que se reduz a necessidade de os fotocopiar. Contribui também para o aumento do interesse e motivação do público pois facilita a apresentação de qualquer objecto mesmo os de reduzida dimensão, possibilitando a visualização dos mais ínfimos detalhes, sendo mesmo possível capturar imagens do exterior. Um outro aspecto positivo é o facto de se poder gravar toda a aula no computador para posterior análise ou reutilização. Revela-se como um excelente contributo para o sucesso do processo de ensino e aprendizagem que envolve alunos com necessidades educativas especiais uma vez que permite colmatar determinadas limitações de ordem física como, por exemplo, alunos com problemas de locomoção, que podem visualizar os pormenores de experiências realizadas pelo professor.

A Microsoft apresentou recentemente o Microsoft Surface, uma nova tecnologia que a médio ou longo prazo poderá ser adaptada ao mercado educativo. Se actualmente ainda se encontra apenas em fase de desenvolvimento para as áreas da restauração, hotelaria, comércio e militar pelo seu preço proibitivo (entre 5000 e 10000 USD), dada a evolução rápida da tecnologia, este gigante informático anuncia no seu site de apresentação que é

verosimilhante a possibilidade deste tipo de computador de superfície surgir em vários ambientes, dos educativos aos domésticos, em numerosos suportes, como uma parede ou mesmo um frigorífico. A Microsoft anunciou já que num prazo de três a cinco anos esta tecnologia será acessível aos consumidores individuais.

A Microsoft Surface consiste numa mesa, do tamanho de uma mesa de café, com um

touchscreen de 30 polegadas com capacidade de reconhecimento de objectos,

permitindo que objectos virtuais ou reais sejam manipulados através de gestos por um ou vários utilizadores na realização de múltiplas tarefas.

Uma outra empresa, a Eyeclick, oferece uma solução em tudo semelhante à anterior e que permite, de acordo com o fabricante, a associação de todo o tipo de aplicações, de simples páginas Web a aplicações 3D.

No mercado nacional está em franca divulgação outro tipo de soluções interactivas, que actualmente não têm aplicação no meio educativo pelo seu preço proibitivo, mas que começam a ser amplamente divulgadas em vários sectores, nomeadamente o comercial e o da comunicação. É o caso dos produtos interactivos da Edigma que permitem que ”… através da conjugação de hardware e software seja possível transformar qualquer vidro ou display numa superfície totalmente interactiva e imersiva”42. A tecnologia Displax® baseia-se na instalação de nanofios horizontais e verticais em superfícies de vidro ou acrílico que reagem ao toque e enviam a informação a controladores simulando o click num rato de computador. É também possível adaptar esta tecnologia a qualquer LCD ou plasma (Displax frame) mais aconselhável, segundo a empresa, em aplicações em contexto educativo.

Sublinhe-se o facto desta empresa portuguesa, sedeada em Braga, trabalhar em parceria com a Universidade do Minho desde 2004, ano em que a Displax® Interactive

Window ganhou o prémio do produto mais inovador na feira “ComTec - IT,

Telecomunications and Digital Image Trade Fair”.

Recentemente, foi apresentada por Johnny Chung Lee do Human-Computer Institute (Carnegie Mellon University) um sistema que recorre a uma adaptação da Wii e que por alguns euros permite imbuir de interactividade uma qualquer superfície.

À excepção da opção que envolve a adaptação de elementos de uma Wii que é realmente acessível, todas as outras opções são ou mais caras que um QI, ou não proporcionam o mesmo grau de interactividade. Resta verificar em que medida o investimento nestas tecnologias, dados os montantes elevados que estão em causa, serão justificados por um aumento do sucesso escolar ou uma verdadeira alteração das

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práticas pedagógicas. Todavia, o sucesso dos quadros interactivos tem sido grande e as empresas do ramo parecem apostar no desenvolvimento de soluções alternativas cada vez mais completas e dirigidas não apenas ao meio educativo mas a todas os sectores da sociedade.

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Projectos de utilização em Portugal dos quadros interactivos