A periodização do treinamento esportivo
FCM = 220 – SUA IDADE
2. Altitude training – Fundamentalmente a exploração da latitude para
este método de preparação física não se resume em treinar nas alturas, mas sim passar de um nível para o outro de modo a encontrar uma progressiva queda na pressão parcial de O2.
A progressividade da carga ocorrerá pela maior quantidade e intensidade de trabalho, junto com assimilação dos diferentes níveis de altitude.
Atletas que terão que competir em altitude, procurarão sucessivamente galgar estágios progressivos até que alcancem um mais alto que o local da competição. Depois, descerá para aquele onde será realizado o evento. Com isso obtém-se um efeito estressante decrescente e o organismo se encontrará adaptado ao meio ambiente.
Treinamento neuromuscular
O treinamento ou condicionamento neuromuscular engloba o conjunto de métodos e procedimentos que visa treinar o aparelho locomotor do atleta e a interação neuromuscular de forma a provocar adaptações a nível de músculo ou grupo muscular e desta maneira permitir uma melhor performance esportiva. Ao contrário do treinamento cardiopulmonar, o treinamento neuromuscular se baseia na aplicação de cargas localizadas objetivando efeitos também localizados. Por este motivo cresce de importância a respeito do princípio da especificidade.
Métodos de treinamento – No estudo dos métodos de treinamento da
preparação neuromuscular deixar-se á de apresentar os processos de treino da velocidade, por coincidirem com o treinamento do sistema anaeróbico alético.
Circuit Training – Como foi visto o circuit training é um método adequado a
realizar tanto a preparação cardiopulmonar como neuromuscular. É por isso, largamente empregado no treinamento esportivo pela economia de tempo que propicia.
Consiste numa série de exercício (estações) dispostos sequencialmente e realizados sucessivamente sem interrupção.
Visando preservar o surgimento precoce de fadiga, deve-se alterar as intensidades e os grupos musculares trabalhados, de uma estação para outra, tendo o cuidado de escolher exercícios de fácil execução.
As estações que consintam na realização de exercícios com pesos adicionais fracionados (barras, anilhas, halteres ou máquinas de força), se realizará o teste de peso máximo de 1RM, que consiste em determinar o maior peso com o qual o atleta consegue realizar uma contração isotônica concêntrica em toda a amplitude do movimento.
Musculação – A musculação foi durante muito tempo conhecida como
halterofilismo. No entanto, a introdução de outros implementos no lugar do halteres provocou a mudança do nome.
A musculação foi, sem sombra de dúvida, a mais antiga forma de treinamento utilizada pelo homem e, embora nos Jogos Olímpicos d antiga Grécia não houvesse disputa de levantamento de peso, histórias como a de Milon de Crotona, que suportava nas costas bezerros e a do atleta Bybom, que levantou em Olímpia uma pedra de 143,5 kg acima da cabeça, com apenas uma das mãos, nos dão testemunho da importância atribuída ao método pelos antigos.
A sessão de musculação pressupõe a existência de algum implemento para funcionar como uma carga adicional opondo-se aos movimentos. Estes implementos podem ser de dois tipos:
a) Implementos Alodinâmicos – Não compensam as variações nos braços de alavancas havidas ao longo do movimento. Estas variações podem ser decorrentes dos diferentes ângulos da articulação ou da direção de incidência da força de gravidade.
b) Implementos Isodinâmicos – Baseados na ação das alavancas, eles compensam as diferentes capacidades do músculo de gerar força ao longo do arco articular, bem como as variações nos braços de alavanca.
Outra peculiaridade da musculação é a respiração, assunto sobre o qual circulam diversos conceitos errôneos, apontando este ou aquele tipo de respiração como sendo capaz de causar hipertrofia ou aumentar a força, o que obviamente não entra qualquer respaldo na verdade.
Como disse BITTENCURT (1984) “sobre o tipo de respiração a ser utilizado, na realidade não existe um tipo certo ou um tipo errado e sim o mais adequado”. São quatro os tipos de respiração utilizados na musculação:
c) Respiração continuada – É realizado independente do movimento, no entanto, quando a carga começa a aumentar, fica difícil de ser mantida. Normalmente é utilizada em programa de RML.
d) Respiração bloqueada – Observa quando o atleta inspira, executa o movimento (fase ativa e passiva) e expira, realizando o exercício em apneia.
Durante o bloqueio da respiração ocorre a manobra de valsalva, que consiste no fechamento da epiglote e aumento da pressão intratorácica. Por outro lado, provoca também um aumento da pressão sanguínea nas cavidades direitas do coração, obstruindo o retorno venoso ao coração e consequentemente o volume sistólico.
a) Respiração eletiva - quando o atleta que lida com pesos elevados quer evitar o bloqueio na respiração, lança mão do recurso da respiração eletiva, que consiste na ritmação da respiração com o movimento
b) Respiração combinada – quando o atleta se utiliza da combinação de duas das forças precedentes da respiração. Por exemplo, durante a fase ativa do movimento ele bloqueia a respiração; expirando na fase passiva.
A musculação, por ser um método que possibilita um alto perfil de consumo energético (devendo, para produzir seus resultados, trabalhar os limites superiores do atleta), além de uma grande facilidade de mensuração do volume e da intensidade, provocará a existência de uma relação absoluta entre estes dois fatores.
Numa sessão de musculação o volume é dado por: Exercícios
Grupo
A intensidade é dado por sua vez pela: Quilagem
Velocidade de execução Intervalo
Isometria – Os exercícios isométricos tiveram origem no empirismo de
SANDOW E CHARLES ATLAS que em 1928 popularizam o método.
A isometria como método de treinamento visa desenvolver a força estática. Sua ação sobre este tipo de força é ponderável, ao passo que sobre a força dinâmica é desprezível.
Graças aos implementos atuais, a isometria ficou reduzido ao treinamento da força estática, exclusivamente, e na reabilitação física.
Como normalmente a contração isométrica é realizado contra uma resistência fixa, torna-se impossível quantificar a intensidade da contração. No entanto, recomenda-se que no início as contrações sejam realizadas a 70% da intensidade máxima e paulatinamente vá se aumentando a intensidade até chegar ao máximo.
Power Training – Método desenvolvido por RAUOL MOLLET no final da
década de 50.
O PT constitui-se de quatro tipos distintos de exercícios: Exercícios de Halterofilismo
Exercícios com medicine ball
Exercícios de acrobacia Exercícios abdominais
Conforme sua finalidade, os exercícios numa série de Power training se classifica da seguinte forma:
a.) Potência generalizada – Os realizados com barras de halterofilismo, coletes lastrados etc., com o fito de desenvolver generalizadamente a força explosiva. (25 a 45% do total d exercícios da série).
b.) Potência localizada – visando enfatizar o desenvolvimento da força explosiva num determinado músculo. 45 a 60% dos exercícios da série. c.) Potência explosiva – exercícios nos quais se utilizam implementos de pequeno peso e que enfatizam a componente velocidade da força
explosiva. (10% do total dos exercícios). Ex.: exercícios com medicine ball.
d.) Potência controlada – Exercícios de acrobacia nos quais se utiliza o peso do corpo e se estimula a coordenação psicomotora. (5% do total dos exercícios da série).
Treinamento da Flexibilidade – Pode ser trabalhada de duas formas:
através do alongamento ou por meio da flexibilidade.
Para se realizar o alongamento pode-se lançar mão de três tipos de ação:
Estiramento – Obtido pela ação do antagônico ou estiramento passivo do músculo que se deseja trabalhar.
Suspensão – São as realizadas por meio da ação da gravidade
Soltura – Realizada por meio de ação mecânica com ou sem auxílio de terceiros.
Para se realizar trabalhos de flexibilidade pode-se usar três métodos de treinamento:
1 – Método ativo –Realizado através da execução de exercícios dinâmicos
(balísticos), procurando-se aproveitar a inércia do segmento corporal em movimento e forçar a amplitudes maiores que as normais. É também chamado de método de insistência ativa. Consiste em realizar três a quatro séries com dez a vinte repetições cada uma.
Devido aos constantes estiramentos a que submete o músculo, ativa os fusos musculares provocando contração muscular e tornando o trabalho mais difícil e doloroso.
2 – Método passivo – Consistindo em posturas estáticas, foi inspirado na
Hatha Yoga. Além de ser 20% mais eficaz que o método ativo, representa menos perigo de dano tecidual, tem menor demanda energética e faz prevenção e/ ou consegue aliviar a tensão e a dor muscular.
3 – Método misto – Utilizando-se dos princípios da estimulação
proprioceptiva desenvolveu-se o método Scientifc stretching for Sport (3S) que revelou na mais eficaz forma de trabalho de flexibilidade; consiste em três passos:
1º - Mobilização do segmento corporal até o seu limite de amplitude. 2º - Realização de uma contração isométrica máxima durante 6 segundos. 3º - Forçamento do movimento além do limite original. Durante o relaxamento
da musculatura do atleta após contração.
Pliometria - A palavra pliometria é derivada do grego plenthyein, que significa:
plio (aumentar) e metria (medida), ou seja obtenção de maiores distancias do salto. Originou na década de 60 na URSS, sendo difundido a partir dos estudos publicados por POPOU (1967).
A pliometria tem por finalidade o desenvolvimento da força explosiva, principalmente nos membros inferiores, embora se possa fazer trabalhos pliometricos para membros superiores.
O trabalho pliometrico é também conhecido por excêntrico-concêntrico ou treinamento de força negativa, pois se baseia num estímulo sobre o fuso muscular provocado por uma contração isotônica excêntrica.
Inicialmente deve-se começar com uma queda de 50 a 70 cm (membros inferiores) e paulatinamente ir aumentando até chegar aos 80 a 110 cm.
Mesmo com o transcorrer do treinamento não são executados isoladamente, mas no contexto de uma sessão de Power training ou circuit training.
Referências
ASTRAND, Per Olof & RODAHL, Kaare – Tratado de fisiologia do exercício. Rio de Janeiro, Interamericana, 1980.
BOMPA, Tudor O. Periodização: teoria e metodologia do treinamento. – São Paulo: Phorte Editora, 2002.
DANTAS, Estélio H. M. – A prática da Preparação Física. Rio de Janeiro,1. ed, Editora SPRINT, 1985.
DANTAS, Estélio H. M. – Os princípios científicos do treinamento esportivo. Trabalho apresentado no Seminário Técnico da Federação de Ginástica do Estado do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, 1980.
MATTHEWS, Donald K. & FOX , Edward L. – Bases fisiológicas da educação físicas e dos esportes, 3. ed. Rio de Janeiro, Interamericana, 1983.
MOLLET, Raul - Lentrainement total. Bruxelas, Consell International de Sport Militaire, 1963.
NETO, F. P. M. Marketing n o Esporte. Rio de Janeiro: Incentive, 1986. PEREIRA DA COSTA, L. Fundamentos do treinamento esportivo. Caderno Didático. Departamento de Educação Física. 1972.
TUBINO, Manoel J. G. – Metodologia cientifica do treinamento esportivo. São Paulo, IBRASA, 1979.