1 PROBLEMATIZANDO E PROJETANDO O ENSINO DE CIÊNCIAS NO CONTEXTO INVESTIGADO
1.4 ALUNOS COM COMPORTAMENTO AGRESSIVO
Nas escolas, os professores se deparam constantemente com alunos de comportamento agressivo. Para Feijó (2008) esses alunos tendem a crer que são como acham que a sociedade quer que sejam e não como realmente são. Quanto menor sua auto-percepção,
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Aqui compreendida como uma situação profissional estagnada, onde se trabalha a alguns anos fazendo exatamente a mesma coisa há bastante tempo e não faz nada para mudar.
menor a percepção sobre os papéis sociais. Alunos que não tem de forma clara a percepção de si confrontam com certa frequência, a autoridade do professor em sala de aula. Neste sentido, trago excertos do diálogo mantido com as professoras pesquisadas:
No conselho de classe a gente fala, mas fulano de tal é tão agressivo, te trata mal, te responde mal, te olha com a cara feia. A escola convoca o pai e quando vemos a situação do pai, se percebe. O filho é reflexo do pai (Helena).
E acrescenta,
Muitos pais dizem não saber mais o que fazer com seu filho. Se com um filho ele tem problemas, imagine nós, que temos 35 em cada sala [...] Muitas vezes, nós acabamos ajudando mais o pai a criar [educar] o filho, do que ele próprio (Helena).
Tem pais que deixam a filha na escola e falam que não sabem como cuidar, jogando a responsabilidade para a escola (Ana).
Esses depoimentos trazem situações vivenciadas pelas professoras, evidenciando um problema que se encontra primordialmente no âmbito das relações familiares, tendo em vista que muitos pais ainda assumem a posição de repassar a responsabilidade da educação familiar de seus filhos para os professores, e estes se sentem sobrecarregados.
Ao analisar esses depoimentos, busco apoio em Feijó (2008), que ressalta alguns motivos que levam ao comportamento agressivo das crianças, dentre os quais destaco como fundamentais, as relações familiares empobrecidas e o déficit de repertório.
O empobrecimento das relações familiares se dá pela inexistência do diálogo entre pais e filhos. Para o autor, esta ausência suprime oportunidades para desenvolver a afetividade e habilidades sociais14 em família, fundamentais para o relacionamento interpessoal e desenvolvimento intelectual da criança.
Feijó (2008, p. 63) assevera que outro problema ligado a agressividade de muitos alunos se encontra no déficit de repertório, uma vez que possuem um vocabulário muito restrito, principalmente devido ao meio social de origem e à falta do hábito de leitura. A criança sente dificuldades em compreender o conteúdo, fica nervosa, muitas vezes agressiva. O professor precisa estar atento às dificuldades dos alunos, para que possa avançar no processo ensino e aprendizagem, buscando perceber se sua linguagem e a dos textos para estudos não se encontram muito acima do entendimento dos alunos.
Muitas vezes o professor precisa rever sua prática e adequá-la às várias situações. Por outro lado, os pais dessas crianças quase sempre não priorizam o estudo de seus filhos, e
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É um conjunto de desempenhos apresentados pelo indivíduo diante das demandas de uma situação interpessoal que o caracterizam como indivíduo espontâneo e comunicativo.
transferem para a escola toda a responsabilidade de motivação para o estudo. A professora Dina se reporta a essa problemática nos seguintes termos:
Fico preocupada em como despertar essa turma para o aprendizado, porque é difícil.Alguns alunos não têm a razão do viver. Eles me perguntam. Porque eu tenho que aprender? Em que isso vai me ajudar? Às vezes, o pai precisa mais do filho vendendo uma banana, um chop15, capinando quintal (Dina).
E acrescenta,
A necessidade [dos alunos] é o agora! O estudo é algo de longo prazo e a barriga deles, não. Eu preciso despertar o aluno para minha aula. Faço reflexões no meu primeiro momento de aula com eles, busco em minhas aulas contextualizar, levar para realidade deles, para a aula se tornar mais interessante (Dina).
A situação abordada pela professora demonstra claramente uma realidade conhecida – a luta pela sobrevivência, de forma desordenada e cruel - que passa por cima de valores familiares e sociais. Muitas vezes, os pais possuem um subemprego e o filho necessita complementar a renda vendendo chop ou outros produtos em sinaleiras, esquinas ou portão de escolas. Dessa forma, não participam da construção do futuro de seu filho, tendo de concentrar na preocupação com o dia seguinte. Isso priva os pais da própria idéia de que poderiam contribuir para a orientação de seus filhos e da sociedade, de tal forma que poucas pessoas compreendem a situação. Não orientando seus filhos para os estudos, estes se sentem desmotivados para aprender.
Percebo que Dina revê sua postura como educadora, e procura diversificar sua estratégia de ensino, apoiando-se em reflexões e na contextualização do assunto estudado. Compreendo essas estratégias como tentativas de despertar o aluno para o valor do estudo, desenvolvendo situações que requerem transformação, por ela considerada necessária, no sentido de incentivar seus alunos para o estudo. No entanto, necessitamos identificar se as nossas próprias habilidades comportamentais, afetivas e cognitivas são coerentes com o que exigimos dos nossos alunos. Para Feijó (2008, p. 70), a qualidade do vínculo professor-aluno, determina a relação, e essa qualidade é obtida quando a comunicação entre professor e aluno sai do patamar da comunicação agressiva ou passiva e passa para a comunicação assertiva16. Neste processo se encontra a empatia, a reformulação e a expressão verbal da posição, que compreende a verbalização de conclusões, valores, opiniões e sentimentos a respeito do acontecido. Isto indica que o diálogo se torna imprescindível.
15 Assim denominado a um saquinho de suco congelado, vendido por crianças nas ruas, praças e portões das
escolas.
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Feijó (2008) compreende como uma comunicação na qual a expressão de pensamento e sentimentos (positivos ou negativos), para a defesa dos direitos e dos valores, levam em conta o que as pessoas sentem e seu bem-estar.