3. ENQUADRAMENTO DA PRÁTICA PROFISSIONAL
3.3 Alunos com necessidades educativas especiais
Para dar continuidade ao enquadramento do contexto real de prática onde estive inserida durante o EP apresento as populações ditas especiais que esta escola acolhe.
Evidenciando a ideia presente no PEAJD4 (p.20) sobre a “permanente estruturação deste agrupamento de escolas num propósito cada vez mais inclusivo” apresento duas situações distintas relativas a esta estratégia de inclusão, uma referente às populações com necessidades educativas especiais e outra relativa à comunidade de etnia cigana.
Nesta escola, frequentam vinte alunos que apresentam necessidades educativas especiais, doze com adequações curriculares individuais que se regem por adaptações curriculares e oito com um currículo específico individual que se regem pelos programas a nível nacional mas com adaptações ao nível da avaliação. Estes alunos possuem também um currículo adaptado ao nível desportivo, para além de integrar a turma em que estão presentes em apenas algumas disciplinas como por exemplo a educação para a cidadania e EF ainda realizam aulas de motricidade em conjunto com alunos com níveis de deficiência distintos.
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Ao contrário da população acima descrita, que se encontra integrada na escola, exponho a situação da comunidade de etnia cigana. Esta comunidade possui três acampamentos nas proximidades da escola, habitados por 114 pessoas, dos quais 16 encontram-se matriculados na EB Júlio Dinis. Para esta população débil ao nível de formação académica, apresenta-se um projeto de integração na comunidade não apenas escolar mas também na sociedade em geral, designado como o Projeto “Gipsy um Caminho para a Inclusão”. No PEAJD5 (p.32) é apresentado como um projeto de melhoria, no entanto este não foi posto em prática por não existir qualquer afetação de recursos humanos. Devido a esta escassez e à falta de estratégias, estes alunos surgiram várias vezes como problema nas reuniões de departamento e subdepartamento, pois apresentam diversas problemáticas, nomeadamente faltas de assiduidade e de material, falta de orientação, entre outros aspetos que desvalorizam a educação às minorias. Como os alunos não se apresentavam às aulas, por não conseguirem acompanhar a matéria passaram a circular em grupo e a colocarem-se à parte da sociedade, o que impossibilitou que se pudesse tomar alguma medida. Segundo informações recolhidas nas reuniões, nas escolas EB1 e JI este projeto está a funcionar muito bem uma vez que os alunos encontram-se a frequentar as aulas e concomitantemente a apresentar melhorias no rendimento escolar. Também ao nível dos hábitos de higiene verifica-se o cumprimento dos mesmos não só por parte dos alunos como também pelos seus encarregados de educação.
Perante os problemas encontrados nesta população, a escola deve ser ativa na procura de estratégias, por exemplo evitando colocar os alunos em aulas que estes não conseguem acompanhar as matérias, integrando-os em matérias adequadas ao seu intelecto, incentivando-os a participar nas aulas de EF e posteriormente educando-os a ter cuidados de higiene pessoal.
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Cada vez mais a sociedade apresenta maior diversidade e multiculturalidade, nesse sentido deve existir um investimento na formação dos professores que integram esta realidade social que é plural e complexa.
Tal como nos apresenta Pereira (2004, p. 2) “Numa sociedade cada vez mais heterogénea, tanto em termos étnicos como culturais, a imersão num currículo multicultural é também vantajosa para os alunos oriundos da maioria, porque ganham conhecimentos sobre as outras culturas e desenvolvem atitudes de tolerância e respeito para com as diferenças”. Este novo currículo que se entende como multicultural se for tido em conta e aplicado na nossa escola não irá apresentar vantagens apenas para os alunos de etnia cigana mas sim para todos, uma vez que passam a aprender a respeitarem-se mutuamente e a aceitarem as diferenças de cada um.
Ao longo do estágio profissional, apenas observei uma turma em que a etnia cigana fez parte da realização das aulas de EF, tratava-se de uma turma de 5º ano. Foi notória a interação e o esforço por parte do professor e dos colegas da turma com estes alunos. De modo a valorizar esta educação multicultural a autora Pereira (2004, p. 20), refere que “outra das estratégias de formação apontadas é a promoção de ambientes de aprendizagem cooperante e de grupos coesos, pois tem-se verificado que assim se ajuda os alunos a melhor analisar as suas atitudes e convicções relativamente aos vários grupos étnicos, favorecendo, desta forma, uma efetiva mudança.”
Para que esta estratégia possa ser efetivamente promotora de uma mudança a mesma autora (p.2) refere que “as sociedades democráticas devem oferecer um sistema educativo capaz de assegurar a todos os alunos as mesmas possibilidades e oportunidades de atingirem o máximo das suas potencialidades.”
“Perante as modificações profundas dos quadros tradicionais de existência, impõe-se a melhor compreensão do outro, do mundo e de si mesmo. A educação aparece como a estratégia, por excelência, para a construção desse mundo em
direção a uma maior compreensão mútua, a uma maior responsabilização, a um maior espírito solidário, a uma plena aceitação do outro nas suas diferenças” (Pereira, 2004, p. 17). A educação surge como forma de transmissão de valores e crenças de gerações para gerações, através dela podemos mudar mentalidades e aprender a aceitar as diferenças de cada um. No entanto é necessário por vezes alterarmos a nossa atitude perante as situações para dessa forma compactuarmos com este currículo multicultural.