- Você espera tanto assim de um primeiro beijo? - Toda garota espera. – Maru estava pagando pra ver. - Quer que eu te dê o beijo? Só pra dizer que você já beijou. - Está brincando de novo?
- Não. – Amaro sério daquele jeito parecia um deus. - Então. Me beije. – Maru estava linda, parecia um anjo.
Amaro deu a volta pela frente da cadeira, se ajoelhou e colocou suas mãos no rosto dela. Maru estava tremendo de emoção. Ele aproximou seus rostos delicadamente e olhou dentro dos olhos dela. Maru se sentiu invadi- da. Ele tinha um jeito selvagem que a fazia nua, bem ali. Seus olhos verdes, escuros e brilhantes, pareciam querer vê-la no fundo da alma. Então, ele fechou docemente os olhos e Maru ficou observando, quando ele se aproxi- mou, sentiu a textura da bochecha de Maru com os lábios e beijou. Depois abriu seus olhos e sorriu:
- Pronto. Dei o seu primeiro beijo. Que boba!
- Idiota! – Maru foi dar um tapão na cara dele, mas ele segurou sua mão. Agora, olhando-a muito diferente, como uma fera, ele a arrancou a cadeira, e segurando seu corpo delicado de menina, sem pestanejar, fechou seus olhos e com virilidade lhe deu um beijo inesquecível. Sua língua doce com sabor de drops ensinava a Maru o jeito adulto de beijar com paixão. Ele a beijou intensamente, como se fossem se perder um no outro. Um beijo tão especial denunciava que eles foram feitos um para o outro. Que eram almas gêmeas. Mas... Amaro de repente tirou seus lábios e colocou Maru de volta na cadeira. Ela não sabia o que dizer.
- Agora já pode dizer a todos que beijou um cara muito mais velho. Seu charme fez efeito.
- Mas... Seu grosso! Eu não estava fazendo charme!
- Já tem o que dizer. – Amaro saiu do jardim e caminhou em di- reção ao carro. No fundo ele estava um pouco magoado. Queria inventar mil desculpas pra beijar Maru e achava que o único objetivo dela era tirar vantagem de sua maturidade e experiência.
Maru ficou com tanta raiva de Amaro. Esperava que depois de um beijo as pessoas começassem a namorar. Mas ele a tratou tão mal que nem valera a pena... Maru se sentia tão diferente. Ela havia esperado muito de um primeiro beijo, mas esse foi muito mais do que ela pensou que fosse um simples beijo. Ela sentiu formigações e um calor intenso. Um desejo tomava conta de seu corpo. Seu rosto ficou ruborizado. Mesmo que odiasse Amaro
desde sempre sentia algo que ia muito além dos corpos dos dois. Era uma vontade de saber sobre ele, seus mistérios de homem mais velho. Sua boca sensual que tinha tomado seu primeiro beijo. Mas ele não gostava dela. Ele era um idiota disposto a infernizá-la e fazê-la sofrer.
Mas o que ninguém sabia é que Amaro, na volta, dirigindo feito louco, chorava lágrimas atrozes. Ele não sabia o que fazer com aquele sentimento dentro de seu peito. Não queria entregar seu coração para aquela menini- nha mimada. Ele tinha sérios problemas de relacionamento, todo mundo sempre o chamou de chato e inconveniente. Ele nunca soube lidar com o coração. E tinha feito uma das coisas mais idiotas da sua vida. Se o pai dela soubesse estava frito. E o pior é que aquele homem feito, aquele marmanjo, estava entregue de vez para aquela garotinha que devia brincar de bonecas. Amaro chegou em casa atormentado. Tomou um bom gole de café preto e se jogou no trabalho, abrindo o livro de Maruland. Mas Maru infer- nizava sua mente, até que ele viu algo muito surpreendente: Um novo relato que provavelmente havia aparecido naquela manhã:
“Então princesa Penélope reapareceu com toda a pompa habitual. Ela disse a todos que tinha uma surpresa, e então apresentou três figuras de muito brilho. Uma mulher de quem muitos já haviam ouvido falar, cha- mada Cherry. Depois dela um rapaz com cabelos rosas, cortados de forma irregular. Do lado direito curto e do lado esquerdo longo, cobrindo o rosto. Ele tinha olhos de tonalidade amarela e vestia uma roupa muito estranha, seu nome era Send. O terceiro integrante era um rapaz da mesma altura que Send, mas com os cabelos brancos quase azuis claros, olhos azuis de gelo e com um corte de cabelo não menos irregular que o primeiro: os fios grossos formavam um cabelo volumoso, ele deixava uma parte mais curta solta e a parte comprida, que chegava no joelho, ele prendia na metade. Seu nome era Aoi.”
Maru ficou chateada. Voltou pra casa e quando sonhou com Maru- land não aconteceu nada de muito interessante. Novamente seu pai não a chamou de manhã cedo, mas parecia que ela havia acordado antes da hora, muito adiantada. Então decidiu ir até o quarto de seu pai acordá-lo, afinal, os dois não estavam lá essas coisas. Mas quando chegou no batente da porta teve uma visão estarrecedora: Sônia estava dormindo nua, cober- ta por lençóis, na cama que era de seu pai e sua mãe. Maru ficou de queixo
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caído. Parecia que na noite anterior eles haviam tido uma noite juntos. O pai de Maru devia estar na cozinha, por isso ela ia voltar silenciosa para seu quarto. O pior é que deu de cara com ele voltando com uma bandeja de café da manhã, assim como ele fazia com a falecida.
- Maru! – Ele exclamou surpreso. - Pai... Eu, eu queria te dar bom dia.
- Maru, não é nada do que você está pensando. Nesse momento Sônia acordou com a movimentação. - Ah... Maru, bom dia...
- Bom dia!
A bela mulher ficou um tanto envergonhada, mas Maru preferiu des- contar no seu pai.
- Podia pelo menos ter ido a um motel! - Maru!!
- Tudo bem, não briguem por minha causa. – Sônia levantou-se coberta pelo lençol e foi até a suíte.
- Viu o que você fez com ela?
- Eu fiz? – Maru ficou de certa forma preocupada com os sentimen- tos de Sônia. – Ninguém mandou trazê-la pra cá, você sabe como eu sou. Não queria magoá-la.
O pai de Maru virou as costas. E ela foi bem devagar para a suíte onde Sônia, já vestida, retocava a maquilagem.
- Me desculpe. - Não tem nada.
- Você não liga para o que uma menina boba como eu diz, né? - Maru. – Ela se virou. – Eu sei que você não falou isso do coração. - É verdade. – Aquela mulher estranha estava sendo muito compreensiva.
- Eu sei que você não gosta muito de mim, mas eu queria ser sua amiga.
- ... Mas está sendo.
A mulher sorriu para Maru com muita simplicidade e Maru estendeu a mão dizendo:
- Amigas? - Amigas!
- Seu nome é Sônia, né. - É. Eu tenho que ir agora.
passa aqui pra gente passar o dia junto. Ele nem vai desconfiar, porque eu saio depois dele e ele geralmente volta depois de mim.
- Eu topo.
- Então tá combinado. - Tchau.
- Tchau.
Maru fica pensativa sobre o comportamento legal e tão sem motivo. Parece até o tal Domas...
Alguém toca a campainha da casa no final da rua Mayer. - Pois não?
- Poderia falar com a srta. Penélope?
- Ela não está, mas vai voltar hoje do hospital. Ela tem que voltar a estudar.
- Ah, sim... Pois diga que Magno a procurou e necessita falar com ela. - Sim.
O rapazinho de cabelos dourados e olhos negros então desce as escadas.
Shopping. Sônia empurra Maru e as duas passam pelas passarelas que dão acesso às lojas. Elas passaram o dia se divertindo a valer, as duas se deram tão bem depois daquele mal-entendido. Maru viu os verdadeiros interesses da bela jovem.
- Sônia, você é tão legal! - O que é isso!
- Não, é verdade. Você está sendo muito legal, desperdiçando o dia pra ficar comigo.
- Não é desperdício. Você tem muita personalidade e opinião. Ape- sar de jovem tem uma conversa agradável e de alto nível.
- Puxa! Você usa muito bem as palavras. Aposto que trabalha com sua voz.
- Mais ou menos...
- Ah... Sabe, antes de ontem aconteceu uma coisa, e eu nem falei com a Heloísa ainda, porque eu ainda quero falar com alguém mais velho.
- Quer falar comigo? - Bem... Eu quero. - Sobre o que é? - É sobre um cara.