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3 CONFRONTANDO A CIDADE CRIATIVA COM A CIDADE

3.3 AMBIENTE CRIATIVO

Com o processo de globalização e a necessidade de trabalho e de profissionais qualificados e com ideais inovadoras torna-se fundamental que se desperte nos jovens o interesse pelo êxito profissional, e não apenas de encontrarem um bom emprego.

Esses profissionais compõem a classe criativa - formada por indivíduos, de múltiplas áreas do conhecimento - que está procurando os grandes centros econômicos. E segundo Florida (2011), o papel dessa classe é ―[...] criar novas ideias, novas tecnologias e/ou novos conteúdos criativos. Além disso, a classe criativa também abrange um grupo mais amplo de profissionais criativos que trabalham com negócios e finanças, leis, saúde e outras áreas afins‖ (FLORIDA, 2011 p. 8). Esses tipos de funções exigem bom conhecimento na área, como também, experiência para que desenvolvam soluções para problemas complexos. Neste sentido, o lugar exerce papel preponderante para a atração dos criativos:

O lugar não precisa ser uma cidade grande para atrair indivíduos criativos, mas precisa ser cosmopolita – um lugar em que qualquer indivíduo pode encontrar grupos de pessoas afins com quem se sinta à vontade, bem como outros grupos que lhe sirvam de estímulo; um lugar que fervilhe com a interação de culturas e ideias; um lugar em que os de fora logo se entrosem (FLORIDA. 2011, p. 227).

Um dos elementos de identificação dos lugares que as pessoas criativas admiram é autenticidade e originalidade. De um lado, tanto o patrimônio tangível quanto o patrimônio intangível colaboram para a identificação da especificidade de um lugar. A arte é um bom exemplo dos fatores que afere essa propriedade ao lugar. Por outro lado, a relação da arte à tecnologia expressa a disponibilidade do lugar à introdução de novas ideias e indivíduos (FLORIDA. 2011, p. 228-229).

O capital criativo opta por se agrupar em centros criativos elegendo suas vontades, em oposição à escolha pela localização do trabalho. As relações sociais

estáveis que compunham, em pouco tempo, têm sido trocados por conexões incertas em grande parte da vida (FLORIDA, 2011, p. 7). De acordo com Florida (2011),

Segundo minha definição, o centro da classe criativa é formado por indivíduos das ciências, das engenharias, da arquitetura e do design, da educação, das artes plásticas, da música e do entretenimento, cuja função econômica é criar novas idéias, novas tecnologias e/ou novos conteúdos criativos. Além desse centro, a classe criativa também abrange um grupo mais amplo de profissionais criativos que trabalham com negócios e finanças, leis, saúde e outras áreas afins (FLORIDA, 2011, p. 8).

Desta forma, a globalização incentivou a inovação e a criatividade, auxiliando as cidades a se tornarem mais atrativas com a oferta de atrativos culturais e uma boa qualidade de vida. Não se pode definir, o momento exato, quando uma pessoa irá ser inserida na classe criativa, pelo fator de não existir apenas uma única condição de criatividade. Entretanto, para essa autora, o interesse por parte dos gestores públicos em ampliar a sua classe criativa conduziu a que esta se organizasse como campo de pesquisas efetiva (ROTEM, 2011, p. 139).

Landry foi um dos primeiros expoentes a refletir e dissertar sobre a cidade criativa e o ambiente para a promoção das atividades da classe criativa. Para ele, a cidade criativa é a junção dos aspectos organizacionais na realização da criatividade, os incentivos do ambiente criativo a função histórica e a tradição da criatividade (LANDRY, 2011, p. 8). Para Landry (2011, p. 13), o ambiente criativo é aquele ambiente urbano que oferece suporte para que a criatividade floresça e que os indivíduos possam interagir:

Esse ambiente construído – o palco, o cenário, o recipiente – é crucial para criar um ambiente. Ele oferece as precondições físicas ou a plataforma sobre a qual a base de atividades ou o ambiente de trabalho pode se desenvolver. Esse ambiente criativo contém os requisitos necessários, em termos de infraestruturas hard e soft, para gerar um fluxo de idéias e invenções (LANDRY, 2011, p. 14).

Neste sentido, esse ambiente criativo pode ser um edifício, uma rua ou um espaço que incita o desenvolvimento de algo nos campos sociais, culturais e econômicos. Dessa forma, está relacionado ao surgimento de novos ambientes de trabalho, estilos de vida e grupos sociais. Este ambiente é responsável pelo desenvolvimento de inovações tecnológicas, recursos e bens culturais (LANDRY, 2011, p. 15).

A ação criativa é social e não simplesmente individual exigindo, assim, formas de organização. Dessa forma, os ambientes criativos são fundamentais no processo de criatividade e não podem ser criados somente na hora em que precisamos ter ideias novas. Em outras palavras, não dá para mudar radicalmente um ambiente desagradável, tanto no aspecto material quanto no mental de um momento para outro, como se fosse um passe de mágica. Assim, a construção de um ambiente criativo é um processo contínuo. As instituições podem dizer qual a hora da aplicação de um processo criativo, podem estimular a criatividade das pessoas numa dada tarefa ou num determinado processo, mas não podem mudar, criar e estruturar um ambiente de uma hora para outra, sendo necessário um processo de adequação que estimule e integre as habilidades da classe criativa (FLORIDA, 2011, p. 35-40).

O potencial criativo só aflora em ambiente apropriado, sendo necessário que haja um clima harmonioso de interação entre as pessoas nos espaços, instituições ou organizações, para que se tenha uma produção adequada e resultados inovadores esperados. Isto é, pessoas criativas, processos criativos, não conseguem produzir inovações ou adaptações criativas se o ambiente não favorecer a criatividade (LANDRY, 2008, p. 15). Neste sentido, a cidade criativa possui um ambiente criativo e diversificado que possibilita o indivíduo a comunicar, participar e compartilhar ideias.

Para Seixas e Costa (2011), a partir do desenvolvimento de um projeto de verificação sobre as formas e fluxos de governança relacionada às dinâmicas da criatividade nas cidades, realizaram entrevistas exploratórias em metrópoles europeias (Lisboa e Barcelona) e no Brasil (São Paulo), acerca do crescente reconhecimento dos espaços da criatividade urbana. Desta forma, os autores elaboraram um padrão de seis tipos diferentes de lugares que afloram a criatividade, sendo eles: a) bairros criativos; b) espaços alternativos/emergentes; c) territórios e instituições socioculturais e de conhecimento; d) investimentos/Projetos urbanos de larga escala; e) projetos sociais e culturais de gênese local; e, f) classes sociais e/ou profissionais (SEIXAS; COSTA, 2011, p. 77-78).

Conceitualmente, concluiu-se que ambiente criativo deve abranger todos os aspectos materiais e imateriais ligados à integridade física e psíquica dos produtores. Assim, esse tipo de ambiente além de ser fundamental, deve ser pensado e estimulado como forma de diversificar, aumentar e ampliar as dinâmicas criativas das cidades a partir das atividades e produções culturais.