• Nenhum resultado encontrado

2.1 DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO

2.1.5 Ambiente Institucional

Como fora comentado no final do subtítulo anterior, considera-se necessária a análise do ambiente em que se formam as relações econômicas, abordada neste momento à luz da Nova Economia Institucional – NEI, cuja concepção teórica defende que a operação e a eficiência de um sistema econômico são limitadas pelo conjunto de instituições que regulam o jogo econômico. Neste sentido é preciso compreender quais os aspectos que devem ser governados pelas empresas para se protegerem em seu ambiente.

A NEI preconiza que a firma está atrelada ao ambiente institucional, no qual preços deixam de ser considerados como o grande regulador do mercado, assim como, assume a existência de custos de produção e, principalmente os de transação, Economia dos Custos de Transação – ECT ou Teoria dos Custos de Transação.

Segundo Williamson (1993), o novo ambiente em que a firma opera, requer arranjos institucionais de governança, que são uma resposta minimizadora de ambos os custos, os de transação e os de produção. Desta forma, as organizações, ao se estruturarem, levam em conta não só os custos associados às transações internas, de produção, mas também os custos burocráticos, de transação. Assim, o objetivo da NEI, também denominada de ECT, é estudar o custo das transações como o responsável pelos modos alternativos de organização da produção (governança), sob um ambiente institucional.

O termo governança possui sua origem no termo governar, que significa controlar, dirigir, ter poder de decisão, orientar-se e regular-se (HOUAISS, 2004).

Santos (1997) faz uma discussão acerca da capacidade governativa do Brasil pós-constituinte, e escreve que governança diz respeito aos padrões de articulação e cooperação entre atores sociais, políticos e arranjos institucionais, que coordenam e regulam as transações.

Para Zilbersztajn (1995), uma estrutura de governança é definida pelo arcabouço institucional no qual a transação é realizada, ou seja, instituições e agentes diretamente envolvidos na realização da transação e na garantia de sua execução. Transação diz respeito ao produto ou serviço trocado (comercializado) e os agentes dizem respeito às organizações que efetuam as trocas.

Nesta perspectiva, Atkinson et al. (2000, p. 568) salientam que “é útil pensar na empresa moderna como um conjunto de contratos inter-relacionados entre seus stakeholders”. Contratos são as trocas realizadas no ambiente e os stakeholders são aqueles com quem as trocas são efetuadas. A concepção de uma empresa deve ultrapassar o entendimento de simples “unidade produtora”, devendo ser considerada um complexo de contratos regendo transações que surgem à medida que alguém necessite delas.

Segundo Klein & Shelanski (1994 apud FARINA et al., 1997, p.71)

a ECT estuda como parceiros em uma transação protegem-se dos riscos associados às relações de troca (...) a redução dos riscos implica a redução dos custos de transação, sendo, diretamente por esse motivo, um elemento de eficiência na concorrência entre empresas.

Toda e qualquer negociação que envolva trocas, são relações contratuais e a existência de diversas empresas só ocorre pela demanda gerada no ambiente.

Zylbersztajn (1995, p.32) salienta: “para qualquer transação que ocorra no mercado, significa dizer que um conjunto de direitos de propriedade foi transacionado”, os quais precisam ser delineados e protegidos da expropriação indevida pela outra parte, o que implica dizer que em todo contrato há um agente e um principal, cujas relações estão permeadas pela assimetria informacional e pelo comportamento oportunista do agente, o que pode gerar conflitos que ultrapassem os limites da firma e necessitem de árbitros externos: as instituições (que dão as regras do jogo).

Zylbersztajn (1995) sugere grupos condicionantes das formas eficientes de governança, revelados pela Figura 1, apresentada a seguir.

FIGURA 1 – ESQUEMA DE INDUÇÃO DAS FORMAS DE GOVERNANÇA Fonte: Zylbersztajn (1995, p.23)

O autor afirma que as características das transações (Figura 1) é a unidade básica de análise. A freqüência diz respeito à repetição da transação, o risco está associado à existência de oportunismo entre os agentes e a especificidade refere-se aos ativos gerados e necessários na produção, que também devem ser associados à ação oportunística e à geração de quase-renda.

Quanto ao ambiente institucional, são direcionadores do modelo de governança os “aspectos da tradição legal, existência de leis de proteção intelectual, tradições de arbitragem para a solução de disputas, aspectos culturais entre outros.”

(ZYLBERSZTAJN, 1995, p.25)

Os pressupostos comportamentais são caracterizados pela racionalidade limitada e pelo oportunismo. O primeiro diz respeito aos contratos serem intrinsecamente incompletos, pois é praticamente impossível prever e processar todas as contingências futuras relativas a um contrato. O segundo pressuposto refere-se à possibilidade dos agentes econômicos agirem de forma oportunista, ou seja, a possibilidade das partes envolvidas na transação adotarem uma postura de comportamento aético. Com base nesse pressuposto a característica de oportunismo na transação poderá ser mais ou menos custosa à parte prejudicada.

(FARINA et al., 1997)

Em meio a estas características, para garantir o direito das partes, estão os contratos. Zylbersztajn (1995, p. 28) afirma que as transações são compreendidas como trocas de direitos de propriedade, associadas a bens ou serviços, que exigem a formalidade contratual. A forma contratual clássica refere-se a transações isoladas, ocorridas em um determinado período, que não deixam ligações possíveis com períodos posteriores. Os ajustes ocorrem no mercado e não há necessidade de planejamento. O autor salienta que esse tipo de contrato é mais uma referência teórica “uma vez que no mundo real a norma é definida pelos contratos incompletos, cuja correção continuada é quase sempre demandada.” (ZYLBERSZTAJN, 1995, p.53)

O contrato neoclássico objetiva o longo prazo, tem referência empírica e é flexível. Há manifestação do desejo em manter a relação contratual e o contrato original é referência de negociação. Custos elevados podem gerar o término do contrato, seja pela interrupção da negociação ou pela incumbência de um dos agentes assumirem as perdas desse conflito. O contrato neoclássico diferencia-se do contrato relacional por não ter como referência o contrato original. No contrato relacional, a cada negociação os pressupostos são revisados, ou seja, o esforço de desenhar um contrato completo é substituído pelo esforço de manter um sistema negocial contínuo. (ZYLBERSZTAJN, 1995)

Em síntese, os conceitos apresentados sobre o ambiente institucional e dos condicionantes das formas de governança reforça a idéia do DLE estar estreitamente ligado ao sistema territorial de produção, assim como a existência de contratos relacionais e neoclássicos para as trocas de mercadorias e informações entre os membros da região. Quanto ao capital social e à cooperação, estes estão intrinsecamente relacionados aos aspectos institucionais – normas e redes – que

direcionarão as regras do jogo, formais e informais. A produção de bens e serviços, bem como a sua comercialização, os ativos (máquinas, equipamentos, pessoas, tecnologia) envolvidos na produção podem ser individuais e coletivos. Na medida em que o desenvolvimento local ganha forças, cria-se um capital social, que passa a ser coletivo, daquela localidade, bem como, emergem necessidades de controles informacionais.

Estes aspectos de produção e comercialização devem ser registrados (contabilizados), não só com o intuito de avaliar resultados, mas principalmente em gerar informações que possibilitem tomadas de decisões, tanto no nível individual como coletivo. Nesta perspectiva, vêm à tona necessidades informacionais, que tipicamente podem ser supridas pela CG. A próxima seção do trabalho discute conceito, características e práticas da CG com vistas à análise de sua utilização e potencialidades na gestão da agroindústria do Pacto Fonte Nova.