• Nenhum resultado encontrado

2.7 ERGONOMIA E O AMBIENTE DE TRABALHO

2.7.1 Ambiente Luminoso

O ambiente luminoso deve ser compatível às necessidades do desenvolvimento das atividades no posto de trabalho sob análise. De acordo com a ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas), em sua norma NB 57, “A quantidade de luz necessária para qualquer espaço em particular depende, primeiramente, da atividade a ser desenvolvida.”

Para Santos e Fialho (1997) a iluminação é considerada uma das variáveis que condicionam à percepção, por parte do trabalhador, dos sinais de trabalho, sejam formais ou informais.

Iida (2000, p.252) refere que Lux (lx), uma das variáveis usadas em iluminação, e a define como “o fluxo luminoso que incide sobre uma superfície. O lux corresponde a 1 lúmen por metro quadrado”.

O mesmo autor (2000, p.253) analisa a relação entre o nível de iluminamento e o mecanismo fisiológico da visão, destacando os fatores que influenciam a discriminação visual, o ofuscamento até a fadiga visual, conforme transcrito a seguir:

Fatores que influenciam na discriminação visual:

Quantidade de luz: o rendimento visual tende a crescer a partir de 10

lux, com logaritmo do iluminamento até cerca de 1.000 lux, enquanto a fadiga visual se reduz nessa faixa. A partir desse ponto, os aumentos do iluminamento não provocam melhoras sensíveis no rendimento e a

fadiga visual tende a aumentar. Dessa forma, recomenda-se usar 2.000 lux praticamente como o máximo.

Tempo de exposição: o tempo de exposição para que um objeto

possa ser discriminado depende do seu tamanho, contraste e nível de iluminação

Contraste entre figura e fundo: a diferença de brilho entre a figura e

fundo é chamada contraste. Se não houver esse contraste, a figura ficará camuflada e não será visível, como acontece, por exemplo, com um urso polar na neve ártica.

Ofuscamento:

É produzido pela presença de luzes, janelas ou áreas excessivamente brilhantes em relação ao nível geral do ambiente ao qual o olho foi acostumado.

• ofuscamento devido a uma fonte de luz muito forte no campo visual, que tende a causar “cegueira”;

• ofuscamento quando não há “cegueira”, mas há desconforto, irritação e distração visual;

O autor acima referido faz sugestões para acabar com ofuscamento, conforme segue:

• eliminar a fonte de brilho do campo visual;

• se a fonte for uma janela, pode-se mudar a posição do trabalhador de forma que a janela fique de lado ou de costas para ele;

• reduzir a fonte de brilho;

• colocar anteparos entre a fonte de brilho e os olhos e/ou aumentar a luminosidade geral do ambiente;

• reduzir o brilho refletido usando lâmpadas de luz difusa ou eliminando superfícies refletoras no campo visual.

Couto (2002) destaca dois fatores importantes para a correta iluminação, que são: a intensidade da iluminação (ou iluminamento), geralmente expressa em lux; e a luminância ou brilhança, que é a sensação de brilho e de ofuscamento, percebida por uma pessoa a partir de uma fonte de luz ou refletida por uma superfície.

Seguindo as recomendações da Illuminating Engineering Society (1987) a AAMI (1994) recomenda que a iluminação do ambiente de trabalho seja adequada ao tipo de atividade desenvolvida a partir das seguintes indicações:

• para inspeção detalhada pode ser: 1000, 1500 ou 2000 Lux; • para áreas de trabalho geral pode ser: 200, 300 ou 500 Lux;

• para selecionar o valor mais indicado entre as três opções deve-se levar em conta:

• a idade dos trabalhadores, sendo que pessoas com menos de 40 anos necessitam de menos iluminação na área; pessoas de 40 a 55 anos requerem iluminação média e as pessoas com mais de 55 anos de idade precisam de área altamente iluminada;

• a importância da rapidez e acurácia do trabalho exige maior iluminação;

• a refletância de uma área de trabalho, lembrando que maior refletância requer menor iluminação.

Condições inadequadas do ambiente luminoso podem acarretar fadiga

visual, definida por Iida (2000, p.258), como “o esgotamento dos pequenos

músculos ligados ao globo ocular, responsáveis pela fixação e focalização dos olhos”.

O autor destaca ainda a ocorrência de dor e ardor nos olhos, fotofobia (intolerância à claridade), sensação de visão velada, percepção de auras coloridas em torno dos objetos, instabilidade da imagem em sua definição óptica e em sua definição espacial. Trabalhadores de meia idade, usuários de óculos ou lentes de contato submetidos ao trabalho em ambientes com iluminação muito baixa ou muito alta, que trabalham com computadores e outras atividades de informática por mais de 6 horas diárias são considerados como mais predispostos à fadiga visual (COUTO, 2002).

Iida (2000) destaca os datilógrafos, os revisores, os inspetores de qualidade, os desenhistas, os microscopistas, como exemplos de profissões sujeitas à fadiga visual por usarem intensamente a visão no desenvolvimento de suas atividades.

Segundo Couto (2002), outro problema relacionado ao ambiente luminoso é a queda do rendimento, por ele considerada como uma conseqüência óbvia, porém, com freqüência ignorada. Ocorre especialmente na execução de tarefas que exigem maior acurácia da visão, como por exemplo nas atividades realizadas nas linhas de montagem fina e trabalhos executados no computador. O autor destaca ainda que a

fadiga visual é significativamente mais comum em pessoas com mais de 45 anos de idade, quando os prejuízos visuais estão relacionados à opacificação gradativa dos líquidos oculares e à presbiopia, que constitui-se na dificuldade de focalização para perto causada pela perda de elasticidade do cristalino, que se acentua em ambientes com menores níveis de iluminação.

A luz natural é mais vantajosa que a artificial, entretanto, deve-se evitar luz solar incidindo diretamente sobre paredes envidraçadas, que tende a aquecer o ambiente pelo chamado efeito estufa (IIDA, 2000).

Tarefas que exigem discriminação de formas, texturas ou defeitos necessitam de luz dirigida, com iluminamento local acima de 1.000 lux. São exemplos citados por Iida (2000) para utilização de iluminação combinada onde a iluminação geral é obtida pela colocação regular de luminárias em toda a área, garantindo-se, assim, um nível uniforme de iluminamento sobre o plano horizontal; e iluminação localizada, que possui de 3 a 10 vezes mais que a do ambiente geral. Recomenda que as luminárias sejam posicionadas de modo a evitar a incidência da luz direta ou refletida sobre os olhos, para não provocar ofuscamentos, devem ainda estar localizadas acima de 30º em relação à linha de visão (horizontal) e, se possível, colocadas lateralmente ou atrás do trabalhador para evitar a luz direta ou refletida nos seus olhos.

Documentos relacionados