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INSTINTO DE FO M E
Se atravessarmos três dimensões de um cubo de uma polegada (Figuras 1 e 2), ficamos com oito cubos em vez de um; o volume permanece o mesmo, mas a área de superfície é duplicada (fig. 3). A Figura 1 apresenta uma superfície de seis polegadas quadradas; a Figura 3 apresenta oito cubos, cada um com seis lados medindo meia polegada: 8 x 6 x 14 x Vi = 12 polegadas quadradas. Tendo, assim, duplicado a superfície do cubo original, podemos continuar a subdi visão, aumentando ainda mais a superfície.
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INSTINTO DE FO M E
Se atravessarmos três dimensões de um cubo de uma polegada (Figuras 1 e 2), ficamos com oito cubos em vez de um; o volume permanece o mesmo, mas a área de superfície é duplicada (fig. 3). A Figura 1 apresenta uma superfície de seis polegadas quadradas; a Figura 3 apresenta oito cubos, cada um com seis lados medindo meia polegada: 8 x 6 x 14 x Vi = 12 polegadas quadradas. Tendo, assim, duplicado a superfície do cubo original, podemos continuar a subdi visão, aumentando ainda mais a superfície.
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( ^ AAfJanã)
\ vantagem de uma superfície grande é sua reação rápida e ( ompleta a influências físicas e químicas. Um comprimido de aspiri-
1 1 . 1 sc dissolve mais rapidamente quando esmagado. Um pedaço de
carne, colocado em ácido moderado, requer um longo tempo para se dissolver, pois o ácido ataca apenas a superfície, deixando o interior iniocado. Se ele for picado e espalhado, entretanto, toda a substância sc dissolverá no mesmo tempo que foi necessário para penetrar a superfície no primeiro exemplo.
Esta;í)desempenha o papel principal no processo de consumo de alimento. A(^)porém, não deve ser ignorada, pois está presente no acesso ao alimento (apetite), no paladar e em certas reações químicas sintéticas em nosso organismo. Estas funções são relativamente insigni ficantes no feto, mas no indivíduo pós-natal elas desempenham um rç í r papel sempre crescente.
No primeiro estágio, encontramos o embrião, que é como qual-
0 quer outro tecido da mãe; obtém todo o alimento que requer via
• placenta e cordão umbilical — o alimento liquefeito e quimicamente preparado bem como a quantidade necessária de oxigênio. Nos pri meiros estágios, estes alimentos são liberados nos tecidos sem nenhum esforço do feto, enquanto posteriormente o coração do em brião participa da distribuição. Com o nascimento, o cordão umbilical deixa de funcionar, a linha vital entre mãe e filho e cortada, e para manter-se viva a criança recém-nascida enfrenta tarefas que — sim ples para nós — podem ser difíceis para o pequeno organismo. Ela precisa prover o próprio oxigênio, isto é, começar a respirar^ e deve incorporar alimento. Ainda não é necessário destruir estruturas sóli- das, como se demonstrou no início deste capítulo, mas as moléculas de proteínas etc. do leite precisam ser quimicamente reduzidas e divididas em substâncias mais simples. Há, entretanto, um papel ati vo consciente que o bebê deve executar: o morder dependente}
Na fase seguinte, os dentes incisivos do bebê irrompem, e sur gem os primeiros meios apara atacar o alimento sólido. Estes dentes agem como tesouras, envolvendo também o uso dos músculos do maxilar, embora em nossa civilização seu uso seja geralmente substi- I
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no original; com o sentido de parasitismo, dependência,tuído pela faca, com o resultante enfraquecimento dos dentes e de sua função. A tarefa dos dentes é destruir a estrutura bruta do alimento, como foi mostrado nas Figuras 1 a 3.
Os mamilos da mãe se tomam uma “coisa” para morder. O “cani balismo”, como este estágio é incorretamente chamado em psicanálise, entra em ação. A mordida no mamilo pode ser dolorosa para a mãe. Não compreendendo a natureza biológica do impulso de morder da criança, ou talvez tendo um mamilo dolorido, a mãe pode ficar aborrecida e até dar palmadas na criança “travessa”. Palmadas repetidas condicionarão a criança a uma inibição do morder. O ato de morder se identifica com machucar e ”ser machucado. O trauma do castigo, entretanto, não é tão freqüentemente encontrado quanto a frustração traumática da retirada do seio (desmame prematuro ou abrupto). Quanto mais a atividade de mor der é inibida, menos a criança desenvolverá a habilidade de enfrentar um objeto, se e quando a situação exigir.
Neste caso, inicia-se um círculo vicioso. A criança pequena não pode reprimir2 seus impulsos, nem resistir facilmente a um impulso tão forte como o de morder. Na criança muito pequena, as funções do ego (e, com elas, as fronteiras do ego) não estão ainda desenvolvidas. Até onde eu posso ver, ela tem à sua disposição apenas os meios de projeção. A criança não pode, neste estágio, distinguir entre o mundo interno e o externo. A expressão “projeção” não está, portanto, totalmente correta, pois significa que algo que deveria ser sentido no mundo interno é experienciado como pertencente ao campo externo-, mas para objetivos práticos podemos usar a pala vra “projeção”, em vez de “estado pré-diferencial de projeção” (ver Capítulo X desta parte).
Quanto mais a habilidade de machucar é inibida e projetada, mais a criança desenvolverá o medo de ser machucada; e este medo * le retaliação, por sua vez, produzirá uma relutância ainda maior para | infligir dor. Nesses casos, o uso insuficiente dos dentes incisivos é encontrado, junto com uma incapacidade de ter controle sobre a vida, de enfrentar3 uma tarefa.
2. A repressão é originalmente baseada no controle dos músculos orbiculares
d.i boca, do ânus e da uretra.
No original, to get o n e’s teeth into, que significa “cravar ou pôr os denii-s em” . (N. do T.)
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< )ittia saída para a agressão inibida é a “retroflexão”, para a qual irservei um capítulo especial.
Sc- o desenvolvimento dentário parasse após o aparecimento e o uso dos dentes incisivos, seríamos capazes de cortar um pedaço grande em pedaços pequenos, mas a digestão de tais pedaços forçaria nosso aparato químico e exigiría tempo considerável. Quanto mais triturada uma substância, maior é a superfície que ela apresenta à ação quími ca. A tarefa dos molares é destruir os pedaços de alimento; a masti gação é o último estágio na preparação
mecânica
para o ataque futuro por substâncias químicas, fluidos, corporais. A melhor preparação para a digestão adequada é triturar o alimento numa massa quase fluida, misturando-a completamente com saliva.Poucas pessoas compreendem que o estômago é apenas um tipo de pele, incapaz de lidar com pedaços. Às vezes, o organismo, para compensar a falta de mastigação, produz uma quantidade excessiva de ácido estomacal e pepsina. Este ajustamento, entretanto, acarreta o perigo do desenvolvimento de uma úlcera gástrica ou duodenal.
Os diferentes estágios no desenvolvimento do instinto de fome podem ser classificados como estágios
pré-natal
(antes do nasci mento),pré-dental
(amamentação),incisivo
(morder) emolar
(mqr.- der e mastigar). Antes de entrar nos detalhes do aspecto psicológico destes diferentes estágios, gostaria de considerar o tema mencionado anteriormente — a impaciência. Muitos adultos encaram o alimento sólido “como se” ele fosse líquido, a ser engolido em goles. Tais pessoas são sempre caracterizadas pela impaciência. Exigem a satis fação imediata de sua fome — elas não desenvolveram o interesse em destruir alimento sólido. Sua impaciência está combinada com a gula e a incapacidade para obter satisfação, um fato que ilustraremos posteriormente.Para compreender a estreita relação entre gula e impaciência, basta apenas observar a excitação, a gula e a impaciência do bebê quando ele bebe. A função de
contato
do bebê está limitada aomorder
dependente',
o resto da alimentação éconfluência (fluere
= fluir).Quando os adultos estão muito sedentos, se comportam de forma . mdhante, sem ver nada errado nela. Mas as pessoas que engolem alimento sólido confundem sólidos com fluidos, e o resultado é que
elas não desenvolvem a habilidade para mastigar, para levar qualquer trabalho até o fim, nem a habilidade para suportar expectativa.
Comparemos a pessoa impaciente ao comer (que, é claro, sem pre encontrará uma desculpa para sua pressa, como “não ter tempo”) com aquela que espera o bonde. Para a mente do guloso, encher a boca é tão “figura” quanto o bonde é para alguém esperando impa cientemente por ele. Em ambos os casos, a confluência, aqui o fluxo conjunto de imagem e realidade, é esperada e permanece o impulso principal. O ato de encher a boca não recua para o fundo, como deveria, e o prazer de saborear e destruir o alimento não se toma o centro de interesse — a “figura”.
Acima de tudo,