4.2 AMBIENTE VIRTUAL DE APRENDIZAGEM
4.2.1 Ambiente virtual de aprendizagem EUREKA
Figura 1 - Ambiente virtual de aprendizagem Eureka
Diante desse cenário de um novo espaço de aprendizagem, a Pontifícia Univer-sidade Católica do Paraná (PUCPR), se promoveu a inserção da tecnologia de informação em suas atividades. Com isso, nas palavras de Torres e Leite (2006, p.263),
A PUCPR procura responder as necessidades dessa nova sociedade do conhecimento, repensando o modelo de reprodução do conhecimento e evoluindo no que diz respeito "a pesquisa", já que a Universidade não pode se omitir da busca contínua de avanço tecnológico e pedagógico.
Assim, conforme Eleutério (2006, p.99), a PUCPR em 1996, juntamente com a Siemens Telecomunicação, desenvolveu por meio do Laboratório de Mídias Interativa (LAMI) um projeto que produzia material didático em formato de cd-rom. Já se começava a pensar em ferramentas que pudessem auxiliar na aprendizagem.
No entanto, os envolvidos não ficaram satisfeitos com esse trabalho, pois pensavam em algo que facilitasse a interação dos professores e alunos. Assim, conforme o autor acima citado, em outubro e dezembro de 1998, a primeira versão do ambiente
EUREKA estava "saindo do forno quentinho para ser saboreado" (ELEUTÉRIO, 2006, p.99). Este AVA objetivava ser utilizado tanto para o meio corporativo quanto para o meio acadêmico.
Gomes (2003, p.15) demonstra o processo de evolução do Eureka: "ano de 1999, o ano da pesquisa; em 2000 o ano da difusão do Eureka; 2001 ano da institucionalização do Eureka e o ano de 2002 foi o momento de consolidação do Eureka como infra-estrutura da PUCPR."
Conforme Ramos (2005), quando foi apresentado, o AVA Eureka era como uma espaçonave que parecia não ter um local apropriado para a sua aterrissagem, mas conseguiu fazer o pouso e pôde envolver toda a comunidade acadêmica.
Gomes e Mendes (2006, p.11) relatam como foi o início da experiência na PUCPR:
Podemos apresentar a trajetória de uma instituição de educação superior-Pontifícia Universidade Católica do Paraná, nesta direção. O primeiro passo foi a parceria com uma empresa para o desenvolvimento de tecnologia de informação e comunicação, produzindo o ambiente virtual denominado EUREKA. O segundo passo foi criar estratégica de gestão e participação dos autores envolvidos, tanto para estudo de metodologias de aprendizagem, quanto para utilização da ferramenta nos procedimentos acadêmicos.
Para se ter uma boa comunicação é necessário que o AVA apresente várias ferramentas de auxílio, pois sem estas dificilmente haverá resultados no trabalho interativo e colaborativo. O ambiente Eureka sofreu várias mudanças que resultaram em melhoras no auxílio à aprendizagem. Assim, apresenta em sua estrutura as ferramentas: correio, chat, fórum, links interessantes, avaliações, conteúdo e outros.
Conta, assim, com o material indispensável para ser utilizado em uma sala de aula interativa. Leite (2006, p.82) confirma isso citando as principais funcionalidades contidas no AVA Eureka:
Edital - corresponde como um espaço de comunicação entre professor e aluno;
Cronograma - permite o gerenciamento das atividades à distância;
Info- módulos que apresenta informações gerais do curso;
Chat - sala de conversa síncrona entre aluno e professor;
Correio - utilizado para envio de resposta de e-mail;
Conteúdo - espaço de disposição de materiais complementares pelo professor;
Fórum - módulo de comunicação assíncrona;
Saaw - funciona como apoio à aprendizagem do aluno, por meio de disposição de material didático;
Link - espaço reservado para disponibilização de endereço de site como sugestão;
Avaliação - módulos que incluem as atividades avaliativas do PA em andamento.
Tendo em vista que o AVA é local onde ocorre a produção de idéias, deve apresentar facilidade para o envolvimento entre professor e aluno, fazendo com que ambos apreciem o fato de estar adquirindo e trocando informações interessantes para o seu crescimento.
O Eureka, de acordo com Eberspacher et al. (2003, p.25-26), apresenta uma série de facilidades no envolvimento de aluno e professor. O aluno, conforme os autores, tem a possibilidade de envio de trabalhos; assim abre-se espaço para o desenvolvimento de trabalhos em meio eletrônicos. Nesse espaço o aluno pode também tirar sua dúvida fora de horário de aula, onde quer que esteja. Os alunos impossibilitados de aparecer nas aulas podem ter um tratamento especial por meio do AVA.
Conforme os autores citados acima, o professor que utiliza o ambiente Eureka necessita: 1) dispor de tempo para preparar as aulas e transferir o material pedagógico para o meio eletrônico; 2) ser ágil em sua resposta, pois o aluno se torna exigente em relação a agilidade na obtenção das respostas. E o Eureka oferece opções para que as respostas transitem rapidamente.
A interatividade é primordial dentro do espaço de aprendizagem, pois, como já se afirmou anteriormente, o professor dentro de uma sala de aula interativa pode alcançar o aluno e trazê-lo para a discussão. Isso propicia o desenvolvimento de trabalhos colaborativos, dando oportunidade para o aluno trocar informações com os componentes do grupo, respeitando cada um nas suas diferenças. Matos (2003, p.41) diz que o ambiente Eureka integra projetos que buscam a constituição de ambientes colaborativos e cooperativos. A autora cita o relatório sobre 500 salas abertas até 2000.
O estudo apontou 13 salas com características classificadas na categoria exemplares. Nestas salas tutores e alunos colaboraram verdadeiramente, houve interação, verdadeiras trocas comunicativas, participações nas diversas áreas do ambiente, iniciativa por parte de moderadores e participantes na resolução de problemas e na cooperação com os demais participantes.
Matos (2003, p.42) ainda comenta que em várias salas tem prevalecido o modelo transmissivo. Alguns professores utilizam a sala apenas para passar tarefas, mandar avisos gerais, por exemplo, provocando baixa participação, o que resulta em pouca interação entre os agentes, pouca colaboração e menos iniciativa.
É evidente que a aprendizagem desenvolve-se a partir do momento em que há envolvimento do grupo, pois os indivíduos começam a ser co-autores de informações relevantes para o seu crescimento. O interessante é que o convívio nesse ambiente pode amadurecer diariamente, levando os agentes a praticarem atitudes de construção em diferentes espaços do seu cotidiano.
O AVA Eureka tem na sua história diferentes fases. Diversas pesquisas foram e são aplicadas nesse ambiente com objetivo de melhorar o seu andamento. Hoje, conforme Leite (2006, p.82), o AVA Eureka "encontra-se vinculado diretamente à Direção de Educação a Distância da Pró-Reitoria da PUCPR, formada por um grupo de pesquisadores, professores e estagiários".
Gomes (2003, p. 67) expõe itens importantes em relação ao resultado da sua pesquisa voltada a uma experiência de virtualização no curso de Pedagogia da PUCPR com o ambiente Eureka. Citam-se alguns:
- A virtualidade veio para ficar e o professor precisa incorporá-la no seu dia-a-dia na universidade;
- Os alunos, após resistência inicial, percebem que estão diante de algo novo, potencialmente bom e que necessitam entender esta nova forma de aprendizagem;
- Mais importante que a tecnologia em si é à vontade de inovar por parte dos agentes de aprendizagem;
- Sem tecnologia apropriada, todavia, não é possível realizar comunidades virtuais de aprendizagem;
- O professor precisa aprender a orientar o aluno neste processo, em contraste com o professor sabe-tudo que reproduz o conhecimento.
Aproveitando a aceitação do Eureka na academia e preocupada com a comu-nidade acadêmica, a PUCPR investe em vários estudos, projetos e novas formas metodológicas. Tem-se assim, o programa MATICE (Metodologias de Aprendizagem via Tecnologias de Informação e Comunicação Educacionais), que desde seus primórdios tem como objetivo introduzir a TICs no processo pedagógico da PUCPR. Vale rever a sua história.