Esta seção tem por objetivo apresentar a pesquisa na produção científica sobre o tema: ambiente virtual interativo multimídia, Internet. A seção está subdividida em duas seções, Algumas concepções sobre a Internet e Especificidades do ciberespaço, com a finalidade de apresentar algumas concepções sobre o ambiente interativo da Internet e caracterizar esse ambiente, respectivamente.
3.1.1 Algumas concepções sobre a Internet
No ambiente virtual da Internet não existem mais fronteiras e nem barreiras culturais ou geográficas. Tudo se encontra, todos se encontram. Tudo se pode trocar, compartilhar, construir/desconstruir/reconstruir e, também, (re)significar de acordo com a realidade do novo sujeito: o internauta. A Internet é, segundo Castells (2003, p. 8), “um meio de comunicação que permite, pela primeira vez, a comunicação de muitos com muitos, num momento escolhido, em escala global.”
Estamos a um passo do domínio público nesta grande praça pública. A autoria continua existindo e deve ser respeitada, mas, na Internet, o privado está em constante devir com o público. No entanto, precisa-se ter em mente que esse é um novo espaço - não veio
para substituir ou conflitar com outros, ao contrário,veio para atualizar – todavia, devemos reconhecer: é novo. Por isso, a postura muda, a linguagem é outra e os conceitos trazidos do presencial precisam ser discutidos com maior profundidade, uma vez que não se tem mais tanta clareza do que venha a ser tempo, espaço, real, virtual, instante, toque, interação, individual, coletivo, aberto, fechado, livre, democrático.
Na Internet, para ser considerado livre, e, de fato, democrático, é preciso que as tecnologias usadas sejam abertas e isso somente os softwares livres são capazes de proporcionar. Software livre é sinônimo de liberdade e não de algo gratuito, pois não basta ser de graça para ser livre é preciso que seu código-fonte seja aberto às configurações, no sentido de adaptá-lo às necessidades do usuário. Essas tecnologias são livres porque dão liberdade de escolha, criação, aperfeiçoamento e execução.
Em contrapartida, os softwares proprietários além de possuírem licenças caras, são totalmente fechados como um cadeado. Ao usuário só é permitido inserir mídias e ir obedecendo a todos os comandos. Ele já não tem liberdade para criar, recriar, construir e reconstruir. Não tem liberdade para compartilhar e multiplicar o que deseja sem medos ou angústias. O usuário de softwares proprietários tem apenas o direito de concordar com a hegemonia do sistema capitalista e reproduzir o conhecimento que já vem pronto e acabado.
Acerca da liberdade e autonomia na Internet, Castells (2003) argumenta que
na verdade, a liberdade nunca é uma dádiva. É uma luta constante; é a capacidade de redefinir autonomia e pôr a democracia em prática em cada contexto social e tecnológico. A Internet encerra um potencial extraordinário para a expressão dos direitos dos cidadãos e a comunicação de valores humanos. Certamente não pode substituir a mudança social ou a reforma política. Contudo, ao nivelar relativamente o terreno da manipulação simbólica, e ao ampliar as fontes de comunicação, contribui de fato para a democratização (CASTELLS, 2003, p. 135).
Portanto, ao se afirmar que a Internet democratiza o saber e aproxima as pessoas para compartilharem saberes é preciso ter uma leitura mais crítica sobre qual tipo de tecnologia estamos tratando e, sobretudo, em qual sistema estamos inseridos.
O espaço da Internet é virtualizado. Sobre virtualização Lévy (1996) explica que a palavra
virtual vem do latim medieval virtualis, derivado, por sua vez, de virtus, força, potência. Na filosofia escolástica, é virtual o que existe em potência e não em ato. O virtual tende a atualizar-se, sem ter passado no entanto à concretização efetiva ou formal. A árvore está virtualmente presente na semente. Em termos rigorosamente filosóficos, o virtual não se opõe ao real, mas ao atual: virtualidade e atualidade são apenas duas maneiras de ser diferentes. (LÉVY, 1996, p.15)
Para Venturelli e Teles (2004, p. 31) “a virtualidade é uma potência do real. O fogo virtualizou a madeira, o contrato virtualizou a violência e a internet virtualizou o computador.
Ou seja, virtualizar é uma potência criativa da ação cultural do homem sobre a natureza”. Os autores ainda colocam que a realidade no mundo virtual vai além de simplesmente tocar, sentir, ouvir e ver, ela nos permite uma interação com objetos que nos preenchem a mente.
A respeito do real e do virtual, Lévy (1999, p. 48) esclarece que o “virtual existe sem estar presente”. Muito embora exista certa confusão ao se tentar tornar ambas as ações dicotômicas, esclarece-se que o virtual não substitui o real, assim como o real também não substitui o virtual. Na verdade, eles agem de forma complementar e harmoniosa multiplicando as oportunidades de se atualizarem.
3.1.2 Especificidades do Ciberespaço
O avanço das tecnologias interativas (re)significou a relação com o saber. Esse saber não é mais estável ou imutável. Ao contrário, está em constante movimento e é compartilhado numa nova possibilidade de criação coletiva. O ciberespaço une pessoas do mundo inteiro no mesmo ambiente, provocando uma cultura digital mundial. Segundo Lévy (1999, p. 17) o ciberespaço “é o novo meio de comunicação que surge da interconexão mundial dos computadores.”
O ciberespaço tem a capacidade de reunir e concentrar a realidade virtual, a visualização da informação, as interfaces gráficas dos usuários, as redes, os múltiplos meios de comunicação e a convergência das mídias em um objetivo comum a todos (SANTAELLA, 2004). No mundo virtual, a arte virtual interage com o internauta e isso possibilita que ele seja estimulado a usar sua criatividade para trans-formar a própria realidade virtualizada.
Sobre as tecnologias interativas on-line, Abreu e Teles (2009, p. 181) apontam que as “novas formas de interatividade despontam, permitindo aos usuários interagir em vários formatos mediáticos [...]. As pessoas no ciberespaço criam seu próprio tempo, espaço e mídia para compartilhar o que queiram”. Vale ressaltar que no ambiente virtual, os internautas interagem uns com os outros através da escrita, da fala, do som, da imagem em movimento, do toque sutil interfaceado e, inclusive, dos sentimentos em tempo real.
A respeito da interatividade no ciberespaço, Santaella (2004) aponta que uma da s características principais das tecnologias, sobretudo às da informação e comunicação, é a rapidez com que os meios de comunicação atingem seus usuários e obtêm um feedback quase que instantaneamente. O conceito básico de interatividade adotado pela autora é o de um “processo pelo qual duas ou mais coisas produzem um efeito uma sobre a outra ao trabalharem juntas” (SANTAELLA, 2004, p. 154).
Lévy adverte que o termo ciberespaço não inclui apenas “a infra-estrutura material de comunicação digital, mas também o universo oceânico de informações que ela abriga, assim como os seres humanos que navegam e alimentam esse universo” (LÉVY ,1999, p. 17). Portanto, o que está em jogo hoje não é mais aprender a se adaptar às mudanças, mas compreender como iremos acompanhá-las; o que está em voga é aprender a aprender a navegar na rede.