Parte I ENQUADRAMENTO TEÓRICO E METODOLÓGICO
Capítulo 2 – A Escola Inclusiva: possibilidades e desafios
2.1 Ambientes de Aprendizagem: Autonomia e Flexibilidade Curricular
Segundo Sousa (2005) citando Wood (1996) o papel dos professores é fundamental ao
(…) estabelecer com os alunos um ambiente na aula que os encoraja a exprimir o seu pensamento e ao mesmo tempo permite que coloquem questões uns aos outros, cria, também para nós, um ambiente de aprendizagem. Não se trata apenas de um ambiente que encoraja pensamentos de ordem superior e actividades reflexivas aos nossos alunos, mas também a nós próprios (p.35),
assim ao criar ambientes educativos de aprendizagem na sala de aula estão a promover ambientes seguros para que os alunos possam exprimir-se autonomamente, para além de transmitir segurança e liberdade. Assim todas as crianças/alunos conseguem exteriorizar e expressar o resultado das suas aprendizagens, uns para os outros, de forma reconheçam o seu empenho, esforço e dedicação reforçando assim a sua identidade.
De acordo com as OCEPE (2016) os ambientes de aprendizagens são “contextos que exercem determinadas funções, dispondo para isso de tempos e espaços próprios e em que se estabelecem diferentes relações entre os intervenientes” (p.21). A criança/aluno, ao sentir-se satisfeito, futuramente estará mais apto e disponível para as aprendizagens para que se reflita e seja reconhecido novamente o seu valor e empenho. Já Piaget defendia a importância da interação entre o aluno com o meio, através das suas ações sobre o mesmo. Todos têm um papel importante na construção do seu próprio processo de desenvolvimento e da sua personalidade.
Efetivamente, os ambientes de aprendizagem organizados, permitem às crianças/alunos um cenário mais vasto que está disponível no espaço, possibilitando assim que as crianças/alunos possam interagir com a maior naturalidade, rentabilizando assim todas as aprendizagens que os ambientes oferecem.
Segundo Sousa (2005), citando Ponte e Serrazina (2000), o
(…) ambiente de aprendizagem é caracterizado pelo maior ou menor envolvimento dos alunos no trabalho e pela rigidez ou informalidade nas relações entre eles e o professor. Relaciona-se com as
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tarefas propostas, o tipo de comunicação e negociação de significados, o modo de trabalho dos alunos e a cultura de sala de aula (p.36),
Calado (2019) afirma que a criação de ambientes que favorecem a aprendizagem permitem “ir orientando aquilo que deve ser, aquilo que nos podemos fazer e não fazer exatamente o que sempre fizemos”.
Os ambientes de aprendizagem não se resumem, nem se podem resumir, simplesmente à sala de aula. Existem aprendizagens formais e informais que se podem fazer no exterior. Nas escolas existem vários espaços que podemos utilizar, rentabilizando-os ao máximo, nomeadamente os espaços verdes, os jardins, os parques infantis, o campo, o pátio. Dessa forma, os alunos estarão mais motivados e muitas vezes são essas aprendizagens que ficam na memória dos alunos, segundo Vitória (2019) os professores devem “criar tempo e espaço para que os alunos criem, dar tempo aos alunos para que preparem, de forma a que passam de alunos consumidores para alunos criadores”.
Com toda esta mudança na sociedade e no mundo atual, o Governo Constitucional em 2017, publicou o Despacho 5908/2017, que promulgou o Projeto de Autonomia e Flexibilidade Curricular (PAFC) para experiência pedagógica. Neste contexto, foi desenvolvido um projeto pioneiro por várias escolas de Portugal, incluindo escolas da RAM, sendo que em 2018 saiu o Decreto-Lei n. º55/2018, promulgando este projeto, permitindo a sua aplicação nas escolas públicas e privadas de Portugal, incluindo as escolas da RAM. Este projeto permite que os membros das escolas que mostrem interesse e motivação na sua implementação, melhorar as aprendizagens, o desenvolvimento de todas as competências, atribuindo, assim, às escolas, aos alunos e aos professores, um papel fundamental, no desenvolvimento de todas as aprendizagens, na gestão do currículo, nos vários ciclos e na estrutura das matrizes curriculares, quer ao nível das áreas disciplinares e da sua carga horária. Permite também enriquecer o currículo com os conhecimentos, as capacidades e as atitudes para atingir as competências previstas no perfil dos alunos à saída da escolaridade obrigatória.
O currículo deverá ter uma gestão flexível e contextualizada, legitimando que essa autonomia só é garantida se o objeto da mesma for o currículo. Assim sendo, a flexibilidade curricular promoverá um trabalho interdisciplinar e colaborativo que irá refletir-se de forma positiva no desenvolvimento das Aprendizagens Essenciais.
Segundo Cosme (2018) o PAFC nos
(…) vem propor é uma outra forma de conceber os atos de ensinar e de aprender, correspondentes quer a uma nova conceção sobre o que é ser aluno e ser professor quer a uma outra abordagem acerca do estatuto do património culturalmente dito comum (p.8).
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Com este projeto os professores assumem-se como mediadores e interlocutores qualificados e responsáveis por “suscitar uma tal relação quer por contribuírem para que seja uma relação produtiva, do ponto de vista das aprendizagens e das competências que se espera que os alunos realizem e desenvolvam” através da socialização com os outros (Cosme,2018, p.10). É necessário salientar que a Educação para a Cidadania se funde na Cidadania e Desenvolvimento onde engloba todos os ciclos, sendo desenvolvida com a contribuição de todas as disciplinas que os constitui, com uma estrutura ajustável.
No que diz respeito ao desenvolvimento curricular é criado um variado leque de aprendizagens interligado às competências definidas no Perfil do Aluno à saída da escolaridade obrigatória, valorizando mais disciplinas, nomeadamente, como as artes, as ciências, o desporto, a investigação, a reflexão crítica construtiva, a divulgação de experiências de comunicação e expressão e não descorando a prática intensiva da cidadania. É necessária uma dinâmica persistente da relação entre o aluno e o mundo que o rodeia, daí existir uma ligação entre todos os espaços, de modo a colocar, na escola, o estímulo dos alunos nas imposições da sociedade atual.
Um outro aspeto importantíssimo da AFC são as Aprendizagens Essenciais, segundo Cosme (2018) as aprendizagens são “um documento de apoio às decisões curriculares dos professores que visa favorecer a autonomia do processo em questão e a potenciar a flexibilização das mesmas” (p.19). Visam também as AE a orientação curricular, através da planificação, realização e avaliação do ensino e da aprendizagem, de modo a promover o progresso das áreas presentes no Perfil dos Alunos à saída da escolaridade obrigatória.
Em todas as documentações anunciadas anteriormente encontram-se descritos todos os conhecimentos e capacidades que os alunos devem progredir e atingir no final de cada ano. As aprendizagens essenciais englobam as metas curriculares, os programas das várias disciplinas ao PAFC. No que diz respeito à avaliação esta deverá adotar e reajustar-se aos diversos formatos e contextos de forma a que consigam avaliar as aprendizagens com maior eficácia. Segundo Cosme (2018), citando Fernandes, (2016) remetem para a criação de um ambiente de avaliação “vinculado a um projeto curricularmente inteligente, deverá induzir uma cultura positiva de sucesso baseada no princípio de que todos os alunos podem aprender” (p.27).
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