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O virtual é real, o virtual se opõe ao atual.

(LÉVY, 1996, p.2).

O termo “virtual” é citado com frequência ao se tratar dos “Ambientes Virtuais”, surgindo, portanto, com frequência em minha escrita. Assim, ao tentar discutir o conceito de virtual e de virtualização, busquei embasamento em Lévy (1996, p.2), onde traz que isso é um processo de transformação de um modo de ser em outro, transitando entre o presencial, adaptando-o para distância ou virtual. O conceito de virtual e de virtualização, referente ao movimento de virtualização, afeta a informação, a comunicação e os corpos; o exercício da inteligência, atinge as modalidades de estar junto, a constituição do “nós”, tratando-se de uma onda que ultrapassa a informatização (Lévy,1996, p. 2).

A palavra virtual vem do latim virtualis, derivado de virtus, que indica força, potência. No seu uso corrente é empregada para significar a ausência de existência, “a realidade”, supondo uma presença tangível. Com o termo “virtual” surgem os termos “real” e

“atual”, que segundo Lévy (1996, p. 4), “o virtual é real e não se opõe ao mesmo, sendo assim, o virtual não se opõe ao real, mas ao atual”. Virtualidade e atualidade são apenas duas maneiras de ser diferentes. O virtual tende a atualizar-se, é as forças que acompanham uma situação, um acontecimento, um processo de resolução que chamamos de atualização.

Lévy (1996) aponta que o mundo digital faz parte de uma realidade, os computadores são reais, códigos, memórias, telas, os corpos humanos são físicos e reais, o que é virtual, o que não é físico, o que é imaterial é a significação. O mundo da significação é o verdadeiro mundo virtual, podemos dizer, é um mundo que começa com a linguagem. Vivemos neste mundo virtual da significação. O conceito de virtual é pensado como desprovido de realidade e essa visão é errônea já que o virtual é real, e não se opõe ao mesmo.

Para Lévy (1996, p. 17), “a virtualização pode ser definida como um movimento inverso da atualização. Consiste na passagem do atual para o virtual. Podemos pensar no virtual como uma problemática sem forma definida e o atual como a resposta a esta problemática”. A atualização aparece como solução de um problema, a atualização é criação, invenção de uma forma a partir de uma configuração de forças e de finalidades. A

Explora certas técnicas de ensino a distância, incluindo as hipermídias, as redes de comunicação interativas e todas as tecnologias intelectuais da cibercultura, mas o essencial se encontra em um novo estilo de Pedagogia que, ao mesmo tempo em que favorece a aprendizagem, personalizada e a coletiva em rede. (Lévy, 1999, p. 158).

Nesse sentido, o docente é incentivado a tornar-se o mediador nestes espaços coletivos, da inteligência coletiva, de seus grupos de discentes, disponibilizando seus conhecimentos e conteúdos através de espaços virtuais.

Os ambientes virtuais proporcionam novas possibilidades, simulando a busca do saber, a troca de experiências e realização de pesquisas, oportunizando aprendizagem colaborativa em que a construção do conhecimento é partilhada, trazendo possibilidades de ensinar e aprender. Os docentes e discentes interagem no mesmo tempo/espaço presencial virtual e ora tempo/espaço diferenciados. Pode-se dizer que a interação que ocorre nos ambientes virtuais é a mesma que ocorre na educação tradicional, fazendo com que a aprendizagem seja possível, nos permitindo um novo método de ensino e uma nova forma de pensar.

O ambiente virtual diminui as distâncias entre um ponto e outro, fazendo com que não se dependa do espaço de uma sala de aula. Os livros são substituídos por bibliotecas virtuais. A velocidade com que a informação chega, possibilita novas metodologias de ensino em que, devido a essas novas tecnologias, o conhecimento acontece através do processo de interação entre o sujeito e o objeto e não fique centralizado na figura do docente.

Segundo Araújo e Marques (2009, p. 358), artigo 50, do livro “Educação a Distância”: Estado da arte, a definição de Ambientes Virtuais de Aprendizagem (AVAs), na perspectiva do usuário, é como ambientes que simulam os ambientes presenciais de

aprendizagem com o uso de TIC. Os recursos tecnológicos e os Ambientes Virtuais utilizam de recursos do computador que possibilitam a comunicação e a expressão, de forma individual e coletiva, em diferentes formatos: texto, áudio, imagem, vídeo. Diferentes formas de interação, por meio das tecnologias, de forma adaptativa e flexível.

Os docentes podem compartilhar, através dos Ambientes Virtuais, vídeos aulas, áudios, animações, facilitando o processo de ensino aprendizagem dos discentes, que muitas vezes optam pela modalidade Educação a Distância devido à falta de tempo e o acúmulo de trabalho, fazendo com que mais pessoas busquem uma formação alternativa.

Com relação à elaboração das aulas no Ambiente Virtual, a distância física entre o docente e o discente faz com que exista uma dedicação maior por parte do docente, afeito a desenvolver propostas que apresentem a capacidade de estimular o aprender virtualmente. Em alguns momentos o docente tem dificuldades para manter o discente atento, em sala de aula, no modo presencial. Diante disso, é significativo pensar nos sentidos da docência nos Ambientes Virtuais, enquanto afeta os docentes e esses responderem com as suas experiências Para contribuir com o presente estudo, foram aplicados questionários online, que estão no Apêndice B, através do envio aos e-mails extraídos das páginas Comunitárias do COMUNG, para 134 professores, dos quais que apenas 17 retornaram. Gerados os gráficos e analisados em uma planilha de cálculo, pode-se perceber que nos últimos 10 anos houve o maior crescimento da Modalidade de Educação a Distância, passando a ser utilizada com maior expressividade pelas universidades nos últimos cinco anos, segundo a Figura 7. Alguns docentes atuam no presencial e no virtual, sendo que na faixa etária de 16 a 20 anos muitos atuavam no presencial. Com relação à Modalidade de Educação a Distância, 88,2% se diz satisfeito ou muito satisfeito; 11,8% pouco satisfeito ou insatisfeito com a modalidade. Pelos dados e informações geradas, percebe-se que a Modalidade de Educação Distância tem resposta positiva com relação às respostas dos docentes.

Figura 7 – Tempo no Ensino Superior Presencial e Modalidade de Educação a Distância

Fonte: Própria

Com relação às características e percepções da Modalidade de Educação a Distância, mediada por docentes em Ambientes Virtuais, pode-se perceber que:

Figura 8 – Ambientes Virtuais e características essenciais

Fonte: Própria

Segundo a Figura 8, com relação à Modalidade de Educação a Distância, 64,7%

considera essencial o planejamento e cronograma. Outro ponto essencial é o material didático.

Logo em seguida, as estratégias pedagógicas, com 64,1%; a avaliação vem com 52,9% e, por fim, as ferramentas com 47,1%. A interação foi apontada por 35,3%. Baseada na análise do quadro dos respondentes, tem-se que alguns ainda não obtiveram o retorno devido a atuarem de forma recente na modalidade.

Ao descrever os Ambientes Virtuais e suas metodologias, penso ser importante aprofundarmos nosso pensamento com relação às atividades e ferramentas disponíveis, o que pressupõe uma melhor disponibilidade de conteúdos a serem acessados via Ambiente Virtual, pois a sala de aula é substituída por este e a presencialidade é substituída por recursos tecnológicos de comunicação, capazes de diminuir distâncias e ampliar fontes de conhecimento.

O olhar se volta, deste modo, sobre a docência quando se pensa em Ambientes Virtuais nas Universidades Comunitárias do COMUNG, sendo relevante ressaltar que os docentes passam a criar e a se reinventar, oportunizando diferentes espaços educacionais, educando e desacomodando. Pensando nas experiências docentes em Ambientes Virtuais, o subcapítulo a seguir trata da docência, advinda da utilização dos Ambientes Virtuais, caracterizando outros modos de ser docente, através das narrativas escritas a partir da pergunta aberta do questionário online, que os 17 docentes responderam, trazendo suas experiências.