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PARTE II – ESTUDO EMPÍRICO

1. METODOLOGIA DO ESTUDO

1.2. AMOSTRA DO ESTUDO

O estudo foi realizado no Hospital Asylo Conde Sucena (Hospital Distrital de Águeda), que foi mandado construir em 1909, pelo Conde com o mesmo nome, sendo mais tarde doado à Santa Casa da Misericórdia de Águeda pelo seu filho José Sucena. A sua inauguração como instituição hospitalar teve lugar em 15 de Agosto de 1922.

No seu historial conta com várias obras de beneficiação, tendo sido concluída em 1998 a última fase de beneficiação, dispondo, actualmente, dos seguintes serviços: consultas externas (cardiologia, cirurgia, diabetologia, fisiatria, hipertensão arterial,

hepatologia medicina, nutrição, oftalmologia, ortopedia, pediatria, reumatologia, traumatologia); internamentos (cardiologia, cirurgia, medicina, fisiatria, pediatria, oftalmologia, ortopedia); laboratório; farmácia; hospital de dia (cirurgia de ambulatório, oncologia, pediatria, fisiatria, tratamento de dor crónica e reumatologia); medicina física e reabilitação; serviço de imagiologia (ecografia, mamografia, radiologia convencional, TAC); serviço social/gabinete do utente; serviço de urgência e serviços administrativos.

O HDA é uma instituição pública com autonomia financeira e administrativa, que tem definida uma política institucional que fornece orientações gerais, relativas aos valores, missão e objectivos que norteiam a vida da Instituição e de todos os seus actores.

Butterworth e Woods (1999), referem que o cuidado clínico é cada vez mais complexo e exige dos profissionais que o desenvolvem uma rede complicada de relações para que possam exercer as suas responsabilidades clínicas adequadamente no seio de um colectivo. Assim, o exercício da responsabilidade individual num diversificado e exigente ambiente clínico nunca foi tão pertinente como hoje.

Um profissional é responsável por proporcionar ao indivíduo cuidados de elevada qualidade, sendo capaz de os demonstrar através da definição e monitorização de padrões aceitáveis. Esta exigência requer a definição clara de padrões comuns quando existirem diversos profissionais envolvidos nos cuidados.

Para Butterworth e Woods (1999), também a instituição é responsável por proporcionar serviços de elevada qualidade, sendo capaz de o demonstrar através da fixação e monitorização de padrões para os diversos sectores e serviços e ter capacidade para afectar e responsabilizar os profissionais pela efectiva prestação desses serviços.

A política do Serviço de Enfermagem inscreve-se nessa política institucional e abrange todos os enfermeiros da estrutura e cada um individualmente, definindo os valores de referência sobre os quais assenta a reflexão e o exercício profissional.

E, é a definição das políticas institucionais e do serviço de enfermagem do HDA que iremos expor resumidamente.

Visão: como a de todos os hospitais do Sistema Nacional de Saúde, insere-se numa visão do Homem como um ser holístico, complexo, com a sua componente física, psíquica

e social, sendo a vida um bem inestimável que interessa preservar tanto em quantidade, quanto em qualidade.

Missão: o HDA, pessoa colectiva de direito público, tem por missão: “Prestar à população assistência médica curativa e de reabilitação. Compete-lhe também colaborar na prevenção da doença, no ensino e na investigação científica” (Regulamento Geral dos Hospitais - Decreto nº 68358 de 27/04/68). Esta é a missão oficial da instituição, que é aplicada a todos os hospitais públicos do país, pelo que não se distinguem uns dos outros.

Objectivo: o objectivo prioritário do HDA é facultar à comunidade em que se integra a prestação de cuidados gerais, diferenciados e especializados, de natureza preventiva, curativa e de reabilitação.

Valores:

• Pessoa / beneficiário: é a razão de ser do Hospital. O doente é uma pessoa com necessidades biológicas, psicológicas e sociais, com direitos e deveres. É um ser com potencialidades e capacidades que utiliza na satisfação das suas necessidades, com vista a atingir o equilíbrio / bem-estar e o seu máximo desenvolvimento.

• Recursos Humanos: numa empresa como o Hospital, os recursos humanos são uma das chaves do sucesso na prestação dos serviços. É importante a existência de tecnologia diferenciada e actual, mas a mão-de-obra, altamente especializada (como sejam os médicos, enfermeiros, técnicos auxiliares de diagnóstico e terapêutica, administrativos e auxiliares de acção médicas, entre outros) são os responsáveis directos por uma consecução efectiva da Missão do hospital. Os conhecimentos adquiridos na preparação académica, associada à formação profissional e ao know-how adquirido ao longo dos anos de experiência condicionam a assertividade dos cuidados de saúde realizados e consequentemente a dimensão dos custos envolvidos no processo. Trata-se então de um aspecto primordial na análise estratégica de qualquer empresa hospitalar e que domina as preocupações dos gestores da organização.

• Qualidade: eleger a qualidade como valor que ilumina o caminho da Instituição, implica reconhecer em cada momento que é importante mas não basta ter recursos humanos qualificados, boas condições de trabalho e um conjunto de condições organizacionais e materiais que lhe servem de suporte, no exercício das actividades de prestação de cuidados.

O programa adoptado para ser desenvolvido no HDA, cujo protocolo com o Instituto da Qualidade em saúde e o King´s Fund Health Quality Service foi assinado em 24/10/2002, é a afirmação clara e inequívoca deste valor institucional.

A qualidade só pode ser alcançada se houver coerência entre os diferentes subsistemas e respectivas estratégias terapêuticas. O Serviço de Enfermagem, deve proporcionar cuidados integrados, numa apreensão holística do cliente, pelo que, a sua gestão específica, deve ser regida não pela lógica tradicional, mas por uma lógica coordenada que tenha em conta: a) a lógica do subsistema administrativo; b) a lógica do subsistema médico; c) a lógica do subsistema enfermagem; d) a lógica do cliente.

Envolvidos numa metodologia que implica a existência de padrões de qualidade, normas de actuação e critérios de avaliação do desempenho para cada categoria profissional, o que permite entre vários aspectos, uma melhoria no desempenho dos enfermeiros e uma maior facilidade na sua aplicabilidade e reflexão, os enfermeiros do HDA, com base na Classificação Internacional para as Práticas de Enfermagem (CIPE) e no modelo teórico de Virgínia Henderson e tendo apoio da Secção Regional do Centro da Ordem dos Enfermeiros desenvolveram uma dinâmica própria que lhes tem permitido trabalhar algumas metodologias científicas de trabalho.

No momento da realização deste estudo, existiam na Instituição, 97 enfermeiros distribuídos da seguinte forma, segundo as categorias profissionais: 78 enfermeiros de nível 1 (enfermeiros e enfermeiros graduados), 11 enfermeiros especialistas, 6 enfermeiros chefes, uma enfermeira supervisora e um enfermeiro director.

Para Polit e Hungler (1995: 144), uma amostra consiste em “um subconjunto de entidades que compõem a população”. É um subconjunto característico de uma população ou de um domínio de actividades.

Optámos por uma amostra não probabilística por conveniência porque permite ao pesquisador “decidir seleccionar, intencionalmente, a mais ampla variedade possível de respondentes, ou, ainda, pode seleccionar os sujeitos tidos como características da população em questão, ou particularmente conhecedores das questões em que estão sendo estudadas” (id, 1995: 148).

A população incluída no estudo foi constituída pelos enfermeiros que exerciam funções nos diversos serviços do HDA e que cumpriam cumulativamente os seguintes

critérios: a) não tinham nenhuma doença grave; b) exerciam funções no HDA há mais de três meses e; c) não detinham a categoria de enfermeiro supervisor.

Assim, no presente estudo foram inquiridos 90 enfermeiros, 31,1% do sexo masculino e 68,9% do sexo feminino (quadro 3). No mesmo quadro, podemos observar que a maioria são casados 71,1% e 21,1% são solteiros. De referir que apenas 1,1% são viúvos.

Quadro 3: Caracterização da amostra quanto ao sexo e ao estado civil

Sexo % Masculino 28 31,10 Feminino 62 68,90 Totais 90 100,00 Estado civil % Solteiro 19 21,10 Casado 64 71,10 Divorciado 6 6,70 Viúvo 1 1,10 Totais 90 100,00

A média de idades observada na amostra é de 34,91 anos para um desvio padrão de 9,07. O mínimo de idade observado é de 22 e o máximo de 66, podendo afirmar-se, com fundamento no valor do desvio padrão que há uma razoável variabilidade em relação à média (quadro 4).

Quadro 4: Caracterização da amostra quanto à idade

Variável N Mínimo Máximo X DP