CAPÍTULO 3. OBJETIVOS E HIPÓTESES 3.1 OBJETIVO GERAL
4.2 POPULAÇÃO E LOCAL DO ESTUDO
4.2.1 Amostra e amostragem
Para o cálculo do tamanho da amostra do EpiFloripa 2009 foi empregada a fórmula para cálculo de prevalência, por meio do programa Epi-Info, versão 6.04 de domínio público (DEAN, et al., 1994)
Utilizou-se a equação para o cálculo de prevalência, considerando os seguintes parâmetros: população de adultos é de 300.827 (DATA-SUS), nível de confiança em 95%, prevalência para os desfechos desconhecidos em 50% (para maximizar o tamanho de amostra), erro amostral de 3,5 pontos percentuais, efeito de delineamento (deff) de 2,0, percentual (%) de perdas estimadas em 10%. Considerando ainda que o Epifloripa tinha por objetivo avaliar diferentes associações, as quais precisariam ainda de ajuste para fatores de confusão, foi acrescentado 15% ao tamanho final da amostra. Por meio da aplicação desses parâmetros obteve-se o tamanho da amostra de 2.016 pessoas.
O processo de amostragem foi realizado através de conglomerados, em virtude de sua praticidade. As unidades de primeiro estágio foram os setores censitários, unidades de recenseamento do IBGE, constituídas por aproximadamente 300 domicílios cada. A unidade de segundo estágio foi o domicílio. A unidade de análise do estudo foi o indivíduo. Assim, todos os adultos de cada domicílio sorteado eram elegíveis.
Foram sorteados aleatoriamente 60 setores censitários domiciliares urbanos dentre os 420 setores existentes na cidade. Estes setores estavam agregados em dez distritos. Os 420 setores censitários urbanos foram estratificados segundo os decis de renda do chefe de família (R$ 192,80 a R$ 13.209,50) e sorteados sistematicamente 60 setores (fração de amostragem igual a sete), perfazendo seis setores em cada decil. Desta forma foi assegurada a representatividade
socioeconômica da amostra. Dois setores foram sorteados para o estudo piloto, um do primeiro decil de renda e o outro decil superior de renda. O número médio de moradores estimado por domicílio foi de 3,1. Em cada um dos setores censitários de Florianópolis tinha-se, em média, 300 domicílios. Multiplicando o número médio de domicílios pelo número de moradores por residência, em média em cada setor haveria 930 pessoas, o que equivale a 530 indivíduos na faixa etária de interesse para a pesquisa (considerando que 57% da população tem idade entre 20-59 anos).
Após a obtenção dos mapas dos 60 setores censitários sorteados, distribuídos no município, em cada um deles foram identificados os quarteirões domiciliares, os quais foram numerados. Em seguida foi realizado o reconhecimento e atualização (arrolamento) do número de domicílios dos setores sorteados pelos supervisores do estudo, alunos de pós-graduação, com o auxílio dos mapas dos setores fornecidos pelo IBGE, de mapas oriundos do Google Maps e de imagens de satélite obtidas junto ao Google Earth. Nesta etapa os supervisores percorreram os setores e identificaram os endereços, rua por rua, de todos os domicílios ocupados na maior parte do ano. Esta etapa permitiu a atualização do número de domicílios de cada setor e a estimativa do número de moradores em cada setor.
Considerando o elevado valor do coeficiente de variabilidade de domicílios por setor, três setores foram divididos em dois e seis foram agrupados em três, para reduzir a variabilidade entre o número de domicílios em cada um deles, e permitir uma amostra auto-ajustada. No final resultaram 63 setores censitários após este processo, totalizando 16.755 domicílios elegíveis, dos quais 1.134 foram sistematicamente selecionados para o estudo. Em média, 32 adultos foram selecionados em cada setor censitário com a intenção de reduzir a variabilidade.
Para o estudo propriamente dito foi sorteado o domicílio de início do trabalho em cada setor a partir de sorteio causal simples. Por exemplo, se em um setor tivesse 330 domicílios e o número necessário estimado de domicílios a serem visitados para se encontrar os adultos proporcionalmente ao tamanho do setor for de 15 (330/15=22=k), foi sorteado um número entre 1 e 22 para o início do trabalho de campo, e depois um “pulo de 22” a partir do número sorteado e assim por diante percorrendo o trajeto no sentido horário. Em cada um dos setores o procedimento foi o mesmo.
A partir da vontade de continuar acompanhando os mesmos indivíduos investigados em 2009 iniciou-se o estudo Epifloripa Adulto 2012, o qual avaliou de forma mais aprofundada as condições de saúde bucal, a alimentação, verificar a evolução dos indicadores de obesidade geral e central, de pressão arterial, trajetória socioeconômica das famílias, experiências discriminatórias ao longo da vida, percepção da imagem corporal na infância e qualidade de vida. Os detalhes metodológicos desta segunda visita serão descritos a seguir.
Localização dos participantes: Foram localizados quase 90% dos participantes em 2011, estes foram contatados por telefone, usando os contatos que foram coletados em 2009. Com esta estratégia os endereços foram atualizados e outros dados telefônicos foram coletados. Um e-mail com os resultados principais do levantamento da fase I foi enviado a todos os participantes com endereço de e-mail em funcionamento, para aumentar o número de contatos disponíveis e facilitar a adesão à pesquisa. O estudo EpiFloripa 2012 foi também amplamente divulgado nos meios de comunicação (programas de rádio, telejornais, site da universidade) e foi criado um site do estudo (www.epifloripa.ufsc.br) com ajuda de um bolsista do curso de jornalismo, onde os principais resultados e as informações mais relevantes são constantemente atualizadas com a intenção de manter um vínculo com o participante. A página apresenta também um espaço que permite que o participante consiga atualizar os dados de telefone e endereço em caso de mudança.