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2.3 Projeto e simulação

2.3.1 Amplificador classe A

Para os projetos dos amplificadores será primeiramente estabelecida a fonte de alimentação e o transistor, pois com base neles serão tomados os pontos de operação. O valor da fonte de alimentação CC será de 10 V e o transistor BC548 da Fairhild Semiconductor® será escolhido pelo histórico de confiabilidade e por ser amplamente utilizado.

Com base nas considerações, é realizada uma especulação acerca de 𝐼𝐶𝑄(𝑠𝑎𝑡), que por enquanto assumirá um valor de 30 mA. Os valores podem ser devidamente reajustados no decorrer do projeto para atingir os parâmetros requeridos. O valor de 𝑉𝐶𝐸(𝑐𝑜𝑟𝑡𝑒) assume o mesmo da fonte de alimentação CC (𝑉𝐶𝐶), que é de 10 V.

Com esses valores é possível determinar no gráfico 𝐼𝐶 × 𝑉𝐶𝐸 do BC548 a reta de carga CC. O ponto de operação será colocado inicialmente no centro da reta de carga, ou seja, 𝐼𝐶𝑄 igual a 15 mA e 𝑉𝐶𝐸𝑄 igual a 5 V. A figura 19 mostra a representação dos pontos referidos.

Fonte: Adaptado de Fairchild Semiconductor® (2002)

Observando a posição do ponto Q na figura 19, é possível deduzir um valor para 𝐼𝐵𝑄 a partir da distância entre as curvas de 50 e 100 µA, que proporcionalmente é um valor próximo de 60 µA. Com 𝐼𝐶𝑄 e 𝐼𝐵𝑄 calcula-se o valor de β que será de 250. Por esse valor ser muito alto, a corrente de coletor será considerada a mesma que a de emissor.

A folha de dados do transistor disponibiliza a curva 𝑉𝐵𝐸× 𝐼𝐶 para 𝑉𝐶𝐸 igual a 5 V. Assim, ao invés de utilizar o valor típico de 0,7 V para 𝑉𝐵𝐸, é possível obter seu valor na curva a partir da corrente de coletor do ponto de operação (15 mA). A figura 20 mostra a projeção do valor de 𝐼𝐶𝑄 na curva e o valor aproximado de 𝑉𝐵𝐸 equivalente, que é aproximadamente de 0,74 V.

Fonte: Adaptado de Fairchild Semiconductor® (2002)

O modelo de amplificador será o mesmo mostrado na figura 5, sendo, entretanto, retirado o capacitor de desvio 𝐶3. Com isso, 𝑅𝐸 será considerado na impedância de base e, consequentemente, também no ganho de tensão. A nova impedância de base pode ser vista na equação 27. A escolha de retirar o capacitor se deve ao fato de manter um ganho de tensão mais estável, estando menos sujeito às variações da corrente quiescente e às variações de temperatura.

𝑍𝑖𝑛(𝑏𝑎𝑠𝑒)= 𝛽(𝑟𝑒 + 𝑅𝐸 ) (27)

O ganho de tensão para um amplificador classe A com carga pode ser descrito pela equação 28, sendo 𝑟𝑐 uma associação em paralo entre 𝑅𝐿 e 𝑅𝐶 . Esta equação foi obtida a partir dos valores de 𝑣𝑜𝑢𝑡 e 𝑣𝑖𝑛. (BOYLESTAD, 2013)

𝐴𝑣 = − 𝑟𝐶

𝑟𝑒+ 𝑅𝐸 (28)

Como mencionando anteriormente, para que o amplificador classe A tenha o máximo rendimento, o ponto Q deve excursionar por toda reta de carga CA. Malvino (2016) afirma que ´para que isso aconteça, 𝑅𝐸 deve obedecer a igualdade da equação 29.

𝑅𝐸 = 𝑅𝑉𝐶+ 𝑟𝑐

𝐶𝐶

𝑉𝐸 − 1 (29)

Para este projeto, será estabelecido um ganho de tensão com carga mínimo de -15. O valor de 𝑉𝐸 é escolhido por uma regra de projeto, geralmente de porcentagem em relação a 𝑉𝐶𝐶. Entretanto, para que o ponto de operação CC não se altere é preciso deixar 𝑉𝐸 em função de 𝑉𝐶𝐸𝑄 e 𝐼𝐶𝑄, conforme a equação 30. Ela foi derivada da lei de Kirchoff das tensões aplicada à malha do coletor, vista na equação 6.

𝑉𝐸 = 𝑉𝑐𝑐− 𝐼𝐶𝑄𝑅𝐶− 𝑉𝐶𝐸𝑄 (30)

O valor de 𝑟𝑒 pode ser calculado a partir da equação 7. Considerando que a corrente de coletor é igual a de emissor, obtém-se um valor de 1,67 Ω. O valor da carga será de 1 kΩ, valores baixos são inviáveis de serem aplicados em amplificadores classe devido a fatores anteriormente explicados. Baseando-se nisso, poderão ser encontrados os valores de 𝑅𝐸 e 𝑅𝐶 por meios da manipulação das equações 28, 29 e 30.

Isolando-se 𝑅𝐸 na equação 28, obtém-se:

𝑅𝐸 =−𝑟𝑐 𝐴𝑣 − 𝑟𝑒

Igualando-se a equação 29 com a nova equação para 𝑅𝐸, obtém-se a equação 31. Os valores foram devidamente substituídos pelos escolhidos.

−𝑟𝑐 𝐴𝑣 − 𝑟𝑒 =𝑅𝑉𝐶+ 𝑟𝑐 𝐶𝐶 𝑉𝐸 − 1 (32) −𝑟𝑐 𝐴𝑣 − 𝑟𝑒 𝑅𝑉𝐶+ 𝑟𝑐 𝐶𝐶 𝑉𝐸 − 1 = 0 (33) − 𝑅𝐶.𝑅𝐿 𝑅𝐶+𝑅𝐿 𝐴𝑣 𝑅𝐶+ 𝑅𝐶.𝑅𝐿 𝑅𝐶+𝑅𝐿 𝑉𝐶𝐶 𝑉𝑐𝑐− 𝐼𝐶𝑄𝑅𝐶−𝑉𝐶𝐸𝑄− 1− 𝑟𝑒 = 0 (34) 𝑅𝐶.(1000) 𝑅𝐶+(1000) (−15) 𝑅𝐶+ 𝑅𝐶.(1000) 𝑅𝐶+(1000) (10) (10)−(15.10´3)𝑅𝐶−(5)− 1− (1,67) = 0 (35)

Para facilitar o cálculo e a manipulação de equações, podem ser empregados softwares para este fim. Neste caso será usado o Microsoft Excel para atribuir valores inteiros a 𝑅𝐶 a fim de que o lado esquerdo da equação seja igual a zero. A raiz se encontra em um valor no intervalo 316 e 317 Ω. O valor inteiro para 𝑅𝐶, para o qual a equação mais se aproxima de zero, é o de 317 Ω. Esse valor é aplicado na equação 28 para se encontrar a resistência de 𝑅𝐸, que é de 14,38 Ω.

A coordenação das equações 29, 30 e 31 teve como objetivo dimensionar 𝑅𝐶 e 𝑅𝐸 para obter a máxima eficiência possível para um ganho de tensão com carga pré-determinado, sem que houvesse modificação do ponto de operação CC, assim as informações da folha de dados sobre 𝑉𝐵𝐸 para um 𝑉𝐶𝐸 de 5 V continuam válidas, fazendo com que os valores sejam mais coerentes.

É impossível manter o ponto de operação no centro das duas retas de carga sem que elas sejam coincidentes. Os valores não se encontram otimizados para a máxima eficiência, pois isso alteraria o ganho de tensão do projeto e mudaria o ponto de operação CC para um valor de

𝑉𝐶𝐸, cujo a fabricante do transistor não fornece informações acerca de 𝑉𝐵𝐸, diminuindo a precisão dos valores finais. A operação realizada não posicionou o ponto Q no centro da reta de carga CA, mas a modelou para que seu centro se aproximasse da reta CC, obtendo-se um equilíbrio entre eficiência e coerência para o projeto.

Analisando o ramo do divisor de tensão, é sabido que 𝑅2 deve obedecer a equação 3 para que a corrente de base cause um efeito pequeno na divisão, então este resistor deve ser menor que 359,5 Ω. O valor de tensão sobre ele (𝑉𝑅2) deve ser o equivalente à soma de 𝑉𝐵𝐸 e 𝑉𝐸. Para o 𝑅𝐸 encontrado (14,38 Ω) e considerando a corrente de emissor igual à de coletor (15 mA), obtém-se um valor para 𝑉𝐸 de 0,22 V. Portanto, 𝑉𝑅2 deve ser igual a 0,96 V. Para um valor comercial de 𝑅1 de 1 kΩ, 𝑅2 precisa ter um valor aproximado de 106 Ω para gerar a tensão necessária. Essa resistência é menor do que 359,5 Ω e, portanto, obedece à equação 3.

Esses valores de resistência são inviáveis para aplicação em um modelo real, pois seus valores não são comerciais. Por isso a tabela 1 mostra as resistências calculadas e seu valor comercial mais próximo, juntamente com sua tolerância. O resistor 𝑅2 será substituído por um potenciômetro, cujo ajuste poderá compensar a mudança de valores sofrida por 𝑅𝐶 e 𝑅𝐸. Ele deve ser ajustado apara um valor de aproximadamente 103,75 Ω para isso.

Tabela 1– Valores calculados e comerciais das resistências de polarização

Resistor Valor calculado Valor comercial

R1 1 k Ω 1 kΩ ± 1 %

R2 106 Ω Potenciômetro 1 kΩ

RE 14,38 Ω 15 Ω ± 1 %

RC 317 Ω 330 Ω ± 1 %

Fonte: Autoria própria (2020)

A mudança provocou uma alteração em 𝐼𝐶𝑄 e 𝐼𝐶𝑄(𝑠𝑎𝑡)que agora apresentam respectivamente os valores de 14,49 mA e 28,99 mA, mas 𝑉𝐶𝐸𝑄foi preservado, continuando igual a 5 V. O valor de 𝐼𝐶𝑄𝑟𝑐 é igual a 3,59 V, sendo menor do que 𝑉𝐶𝐸𝑄. É previsível que o sinal sofrerá ceifamento na saída caso o sinal seja maior que 𝐼𝐶𝑄𝑟𝑐, então a maior tensão pico a pico que poderá haver na saída será o dobro deste valor, ou seja, 𝑀𝑃𝑃 é igual a 7,18 𝑉𝑃𝑃.

Os valores de 𝑖𝑐(𝑠𝑎𝑡) e 𝑣𝑐𝑒(𝑐𝑜𝑟𝑡𝑒) podem ser encontrados a partir das equações 12 e 13, e são respectivamente 34,64 mA e 8,59 V. A partir desses dois pontos é possível traçar a reta

de carga CA. As equações 36 e 37 representam respectivamente as retas de carga CC e CA. Como já era esperado, o coeficiente angular da reta CA é maior em relação à CC.

𝐼𝐶(𝑉𝐶𝐸) = −2,90 ∙ 10−3𝑉𝐶𝐸+ 28,99 ∙ 10−3 (36)

𝑖𝑐(𝑣𝑐𝑒) = −4,03 ∙ 10−3𝑣𝑐𝑒+ 34,64 ∙ 10−3 (37)

Com a obtenção dos parâmetros de corrente contínua, podem ser calculados os parâmetros para corrente alternada, que definirão as características de amplificação do sinal. A impedância de entrada de base, obtida a partir da equação 27, possui valor de 4,04 kΩ, conforme mostram os cálculos. Com os valores dos resistores comerciais 𝑟𝑒 é 1,73 Ω e β é 241,5.

A 𝑍𝑖𝑛(𝑒𝑠𝑡á𝑔𝑖𝑜) é equivalente ao paralelo entre os resistores do divisor de tensão e da impedância de entrada de base. O valor obtido foi de 91,86 Ω, que é baixo, o que se espera de uma operação em classe A.

𝑍𝑖𝑛(𝑒𝑠𝑡á𝑔𝑖𝑜)= 𝑅1||𝑅2||𝑍𝑖𝑛(𝑏𝑎𝑠𝑒) (38)

𝑍𝑖𝑛(𝑒𝑠𝑡á𝑔𝑖𝑜) = 1 𝑘Ω||103,75Ω||4,04 𝑘Ω

𝑍𝑖𝑛(𝑒𝑠𝑡á𝑔𝑖𝑜) = 91, 86 Ω

A corrente de entrada (𝑖𝑖𝑛) pode ser colocada em função da corrente de base (𝑖𝑏), uma vez que a primeira é proporcionalmente maior que a segunda, já que existe uma parte da corrente de entrada é desviada pelo divisor de corrente existente entre o paralelo dos resistores da malha de polarização de base e da impedância de entrada de base. A equação 39 é derivada da típica equação de divisão de corrente e mostra a relação entre 𝑖𝑖𝑛 e 𝑖𝑏. Os cálculos explicitam que 𝑖𝑖𝑛 é 43,98 vezes maior que 𝑖𝑏.

𝑖𝑖𝑛 = (𝑅1||𝑅2) + 𝑍𝑖𝑛(𝑏𝑎𝑠𝑒)

(𝑅1||𝑅2) 𝑖𝑏 (39)

𝑖𝑖𝑛= (94) + (4,04 ∙ 10 3)

𝑖𝑖𝑛 = 43,98 𝑖𝑏

A tensão de entrada 𝑣𝑖𝑛 é aquele que é entregue diretamente a 𝑍𝑖𝑛(𝑒𝑠𝑡á𝑔𝑖𝑜), por isso pode ser obtida pela aplicação da lei de Ohm, como mostra a equação 40

𝑣𝑖𝑛 = 𝑖𝑖𝑛× 𝑍𝑖𝑛(𝑒𝑠𝑡á𝑔𝑖𝑜) (40)

𝑣𝑖𝑛 = (43,98𝑖𝑏) × (91,86) 𝑣𝑖𝑛 = 4040𝑖𝑏

É importante ressaltar que os cálculos realizados não levaram em consideração a resistência interna (𝑅𝐺) da fonte do sinal, pois esse parâmetro pode variar conforme a aplicação do amplificador. A resistência interna atenua o sinal na entrada, diminuindo o ganho de tensão. (BOYLESTAD, 2013)

Os parâmetros de saída serão calculados duas vezes, pois é importante que sejam obtidos os valores de operação com e sem carga acoplada. A corrente de saída sem carga (𝑖𝑜𝑢𝑡(𝑁𝐿)) e a tensão de saída sem carga (𝑣𝑜𝑢𝑡(𝑁𝐿)) são relativos unicamente a 𝑅𝐶, uma vez que não existe efeito de 𝑅𝐿. Já a corrente de saída com carga (𝑖𝑜𝑢𝑡(𝐿)) e a tensão de saída com carga (𝑣𝑜𝑢𝑡(𝐿)) são relativos a 𝑅𝐿.

As equações 41 e 42 são utilizadas para a obtenção de 𝑖𝑜𝑢𝑡(𝑁𝐿) e 𝑣𝑜𝑁𝐿. A corrente de saída é igual a 𝑖𝑐, e, conforme a lei de Ohm, a tensão é o produto desta corrente com a impedância de saída (𝑍𝑜𝑢𝑡), ou seja, 𝑅𝐿.

𝑖𝑜𝑢𝑡(𝑁𝐿) = 𝑖𝑐 = 𝛽𝑖𝑏 (41)

𝑖𝑜𝑢𝑡(𝑁𝐿) = 241,5𝑖𝑏

𝑣𝑜𝑢𝑡(𝑁𝐿) = −𝑖𝑜𝑢𝑡(𝑁𝐿)× 𝑍𝑜𝑢𝑡 (42)

𝑣𝑜𝑢𝑡(𝑁𝐿) = −(241,5𝑖𝑏)(330)

Com o acoplamento da carga, 𝑅𝐶 passa a estar em paralelo com 𝑅𝐿, diminuindo a corrente e a tensão de saída. As equações 43 e 44 provam tal colocação, elas se baseiam na divisão de corrente entre os resistores 𝑅𝐶 e 𝑅𝐿.

𝑖𝑜𝑢𝑡(𝐿)= 𝛽. 𝑖𝑏 𝑅𝐶 𝑅𝐶+ 𝑅𝐿 (43) 𝑖𝑜𝑢𝑡(𝐿)= (241,5). 𝑖𝑏 (330) (330) + (1 ∙ 103) 𝑖𝑜𝑢𝑡(𝐿)= 59,92 𝑖𝑏 𝑣𝑜𝑢𝑡(𝐿)= −𝑖𝑐 . 𝑍𝑜𝑢𝑡(𝐿), sendo 𝑍𝑜𝑢𝑡(𝐿) = 𝑅𝐶//𝑅𝐿 (44) 𝑣𝑜𝑢𝑡(𝐿)= −𝛽. 𝑖𝑏 𝑅𝐶. 𝑅𝐿 𝑅𝐶+ 𝑅𝐿 𝑣𝑜𝑢𝑡(𝐿)= −(241,5). 𝑖𝑏 (330)(1 ∙ 10 3) (330) + (1 ∙ 103) 𝑣𝑜𝑢𝑡(𝐿) = −59.921,05𝑖𝑏

Com os parâmetros de entrada e saída, os ganhos de corrente e tensão podem ser obtidos, conforme anteriormente mostrado nas equações 9 e 10. O ganho de tensão com carga (𝐴𝑣𝐿) apresentou um valor de -14,83, que é bastante aproximado do projetado (-15). Como esperado o ganho de corrente com carga (𝐴𝑖𝐿) é baixo em relação ao de tensão, apresentando um valor de 1,36. A tabela 2 mostra o valor relativo a cada ganho.

Tabela 2 – Ganhos do amplificador classe A

Ganho Valor

𝐴𝑣𝑁𝐿 −19,73

𝐴𝑖𝑁𝐿 5,49

𝐴𝑣𝐿 −14,83

𝐴𝑖𝐿 1,36

É possível representar o pré-amplificador como um bloco unitário para facilitar uma futura abstração, mostrando somente as informações necessárias para os cálculos dos ganhos, independente da carga ou fonte que seja utilizada. O bloco é representado na figura 21.

Fonte: Autoria própria (2020)

A eficiência do amplificador será determinada pelo consumo de potência da fonte de alimentação (𝑃𝑆) e pela potência entregue à carga (𝑃𝐿), conforme mencionado anteriormente pela equação 18. A corrente demandada (𝐼𝑆) pela é fonte é a soma da corrente do divisor de tensão (𝐼1) com a corrente de coletor (𝐼𝐶𝑄).

𝐼1 = 𝑉𝑐𝑐 𝑅1+ 𝑅2 = 10 1 ∙ 103+ 103,75= 9,06 𝑚𝐴 𝐼𝑆 = 𝐼1+ 𝐼𝐶𝑄 𝐼𝑆 = (9,06 𝑚𝐴) + (14,49 𝑚𝐴) = 23,55 𝑚𝐴

A potência consumida será, portanto, o produto da tensão da fonte pela corrente demandada.

𝑃𝑆 = 𝑉𝐶𝐶 × 𝐼𝑆

𝑃𝑆 = (10 𝑉) × (23,55 𝑚𝐴) = 0,24 𝑊

A potência entregue à carga pode variar conforme a tensão de entrada. Para a maior eficiência possível, o valor da tensão na carga deve ser igual a 𝑀𝑃𝑃. Dessa forma, o valor da

máxima potência que pode ser entregue à carga pode ser calculado conforme foi mostrado na equação 14. 𝑃𝐿 = (𝑀𝑃𝑃)2 8𝑅𝐿 𝑃𝐿 = (7,18)2 8(1000)= 6,44 𝑚𝑊

A eficiência será a razão entre 𝑃𝐿 e 𝑃𝑆, como já foi explicitado pela equação 18.

𝜂 =𝑃𝐿

𝑃𝑆× 100%

𝜂 = 6,44 ∙ 10 3

0,24 × 100% = 2,68%

Assim como foi mostrado na equação 15, a potência dissipada pelo transistor (𝑃𝐷) é simplesmente o produto dos parâmetros do ponto de operação, ou seja, 𝑉𝐶𝐸𝑄 e 𝐼𝐶𝑄.

𝑃𝐷 = 𝑉𝐶𝐸𝑄× 𝐼𝐶𝑄

𝑃𝐷 = (5 𝑉) × (14,49 𝑚𝐴) = 72,45 𝑚𝑊

Os capacitores utilizados podem ser calculados conforme foi mostrado na equação 19. O capacitor de acoplamento de entrada (𝐶1) deve possuir uma reatância menor ou igual a 10% do valor da impedância de entrada de estágio, pelos motivos anteriormente explicados na análise teórica. Já o capacitor de acoplamento de saída (𝐶2) deve imprimir uma reatância equivalente a 10% do valor da carga. A frequência do circuito será de 1khz, um valor típico de sistemas de áudio. 𝐶1 = 1 2𝜋𝑓𝑋𝐶, sendo𝑋𝐶 = 0,1 ∙ 𝑍𝑖𝑛(𝑒𝑠𝑡á𝑔𝑖𝑜) 𝐶1 = 1 2𝜋(1𝑘ℎ𝑧)(9,89)= 16,09 𝑚𝐹 𝐶2 = 1 2𝜋𝑓𝑋𝐶, sendo𝑋𝐶 = 0,1𝑅𝐿 𝐶2 = 1 2𝜋(1𝑘ℎ𝑧)(100)= 1,59 𝑚𝐹

Os valores de capacitância são os mínimos necessários para o acoplamento, portanto, qualquer valor acima desses pode ser usado. A capacitância comercial mais próxima de 𝐶1 é a de 18.000 µF. Para evitar o uso de capacitores diferentes, serão aplicados dois com esse mesmo valor, já que ele é suplanta 𝐶2.

Os componentes necessários para a montagem do circuito são listados na tabela 3, escolhidos com base nos parâmetros trabalhados até então. O circuito completo é representado na figura 22.

Tabela 3 – Componentes do amplificador classe A

Fonte: Autoria própria (2020)

Fonte: Autoria própria (2020)

Componente Símbolo Potência

(mW) Identificação comercial Uni.

Resistor superior do divisor

de tensão R1 82,08 1 kΩ ± 1 %; 1/8 W 1

Resistor inferior do divisor

de tensão R2 8,52 (103,75 Ω) Potenciômetro 1 kΩ 1 Resistor de emissor RE 3,15 15 Ω ± 1 %; 1/8W 1 Resistor de coletor RC 69,29 c 1 TJB NPN Q1 72,45 BC548 – Fairchild Semiconductor® 1 Capacitor de acoplamento C1, C2 - 18.000 µF; 25 V 2

2.3.1.2 Simulação

A simulação foi realizada no software Proteus Design Suite versão 8.6 desenvolvido pela Labcenter Electronics ©. O circuito foi montado conforme mostrado na figura 22. Para alcançar o 𝑀𝑃𝑃 de 7,18 𝑉𝑃𝑃, a tensão de entrada deve ser este valor dividido por 𝐴𝑣𝐿, ou seja, 𝑉𝐺 deve ser igual a 0,484 𝑉𝑃𝑃. Desta forma, o amplificador se encontra no limiar do ceifamento por 𝐼𝐶𝑄𝑟𝑐.

Entretanto, como a unidade mínima de regulagem do potenciômetro do simulador é de 1%, a resolução do dispositivo é de 10 Ω (1% de 1kΩ). Com essa resolução, o valor mais próximo possível de 103,75 Ω (valor ideal de 𝑅2) é de 100 Ω. Por menor que seja a diferença entre o valor ideal e o alcançado pelo potenciômetro, a diferença nos resultados foi considerável quando comparado ao efeito de um resistor de valor teórico de 103,75 Ω que foi colocado no lugar do dispositivo. A tensão de pico de saída, por exemplo, aumentou em 0,25 V ao fazer a substituição. Por isso, a simulação será realizada com o resistor teórico, resultado no esquema da figura 23.

Fonte: Autoria própria (2020)

Como pode ser visto no esquema, foram colocados voltímetros e amperímetros para a medição dos principais parâmetros. O canal A, conexão de cor amarela, do osciloscópio foi

ligado à saída e o canal B, cor azul, foi ligado diretamente à entrada. As formas de onda resultante podem ser vistas na figura 24.

Fonte: Autoria própria (2020)

A tensão de pico a pico da fonte de sinal foi de 0,484 𝑉𝑃𝑃, equivalente a uma tensão de 0,242 𝑉𝑃. O osciloscópio, por ter uma menor resolução, fez uma leitura de 0,25 𝑉𝑃. Já a tensão de saída foi de 3,00 𝑉𝑃, acusando um 𝐴𝑣𝐿 de -12,00. O sinal negativo se dá pela defasagem de 180° entre os sinais, que fica explicita na figura 24. Pelos amperímetros, pode ser visto que 𝐴𝑖𝐿 foi aproximadamente de 1,23.

Em comparação com os valores projetados na etapa de modelagem, podem ser notados os desvios existentes. A tabela 4 compara os valores calculados e os obtidos da simulação, dando os respectivos erros relativos aos valores calculados. O projeto tomou algumas considerações que admitiam um determinado erro, tais como a aproximação do divisor de tensão, o valor da reatância capacitiva, 𝐼𝐶 igual a 𝐼𝐸, dentre outras. Tudo isso leva à acumulação do erro nos processos de modelagem. Além de que o simulador tem uma base dados mais precisa sobre os parâmetros do transistor, os dados retirados para modelagem foram aproximações da análise dos gráficos.

Tabela 4 – Comparação entre os valores da modelagem e simulação

Parâmetro Valor calculado Valor da simulação Erro relativo (%)

𝐴𝑣𝐿 -14,83 -12,00 19,08

𝐴𝑖𝐿 1,36 1,23 10,29

𝑉𝐶𝐸𝑄 5,00 V 5,50 V 10,00

𝐼𝐶𝑄 14,49 mA 13,1 mA 9,59

Fonte: Autoria própria (2020)

2.3.2 Amplificador classe B

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