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Este capítulo da dissertação pretende observar em uma análise comparativa aspectos relacionados a rentabilidade, risco e performances aos quais os quatro Fundos de Previdência Municipais estudados se submeteram no período de análise.

Para verificar a performance se utilizou o método de Sharpe (1966), e ainda fez-se os cálculos do BETA e CAPM, para observar a volatilidade e risco a que os Fundos estudados estão submetidos.

O gráfico 37 apresenta uma análise comparativa das performances dos Fundos, e também em relação à rentabilidade de títulos de CDBs, este foi incluso junto a analise, como indicador de Renda Fixa.

Ao longo das entrevistas, percebeu-se ser relevante incluir no gráfico 37 informações quanto os objetivos relacionados as metas dos gestores para com os Fundos de Previdência a qual são responsáveis. Neste sentido se incluiu na análise, a meta anual estabelecida que é o Índice IPCA mais seis por cento.

Gráfico 37: Rentabilidade comparativa entre os fundos

Fonte: Elaborado pelo autor.

Em uma análise anual percebeu-se que no ano de 2012 o Fundo que obteve o melhor resultado foi o do município de Panambi, acumulando 11,71% de rentabilidade. Em 2013 o Fundo do município de Santo Ângelo alcançou um resultado melhor, atingindo 12,88%; em 2014 o Fundo PREVIJUÍ, com rentabilidade de 11,73% e por fim em 2015 o Fundo PREVIROSA.

Já no acumulado dos quatro anos, o que se percebeu foi que, o Fundo PREVIROSA, obteve o melhor resultado alcançando 43,82% de rentabilidade no período. É possível perceber também que todos os Fundos obtiveram uma rentabilidade superior à modalidade de CDBs.

Porém, em relação as metas buscadas pelos gestores foi constatado que, apenas no ano de 2013 conseguiu-se alcança-las. Os Fundos que obtiveram êxito foram o Fundo de Previdência Municipal de Panambi e o Fundo Municipal de Previdência Municipal de Santo Ângelo.

Ainda nesta análise também é possível observar que de modo geral, no acumulado de rentabilidade, como demostrado no gráfico 37 os Fundos de Previdência Municipais estudados não estão conseguindo alcançar a meta estabelecida por eles.

No que diz respeito às análises de riscos que os Fundos estão submetidos dentro do período analisado, conforme se estabeleceu na metodologia aplicou-se o método CAPM para a análise de risco. 11, 71% 12, 58% 10, 13% 8, 88% 43, 30% 10, 64% 12,86% 8, 13% 11, 28% 42, 91% 10, 71% 10, 78% 10, 49% 11, 84% 43, 82% 11, 83% 11, 91% 12, 40% 16, 67% 52, 81% 7, 59% 7, 52% 9,55% 10, 89% 35, 55% 2 0 1 2 2 0 1 3 2 0 1 4 2 0 1 5 A C U M U L A D O

Como taxa livre de risco se utilizou a rentabilidade referente a uma aplicação em CDB. Segue tabela 7:

Tabela 7: CAPM do PREVIJUÍ

PREVIJUÍ 2012 2013 2014 2015 Índices Gerais

CAPM 7,90% 6,93% 10,02% 11,85% 9,18%

Fonte: Elaborado pelo autor.

Conforme pode-se observar na tabela 8, o Fundo PREVIJUÍ, obteve uma rentabilidade em relação aos riscos a que se submeteu, nos períodos de 2012 a 2014, superior aos valores encontrados no cálculo CAPM. Sendo que apenas no ano de 2015, ele não conseguiu superar os valores encontrados no cálculo relativo ao CAPM, conforme pode-se observar no gráfico 37.

Tabela 8: CAPM do PREVIROSA

PREVIROSA 2012 2013 2014 2015 Índices Gerais

CAPM 7,59% 7,82% 10,02% 12,42% 9,46%

Fonte: Elaborado pelo autor.

Em relação ao Fundo PREVIROSA, a tabela 9, nos demonstra que, no que diz respeito aos riscos aos quais o Fundo se submeteu, este apenas obteve rentabilidade inferior ao resultado do CAPM, no ano de 2015, assim como o Fundo PREVIJUÍ. Alcançando neste período 11,84%de rentabilidade o que é inferior aos 12,42% encontrados no cálculo do CAPM.

Tabela 9: CAPM do Fundo de Previdência Municipal de Santo Ângelo

Sa. Ângelo 2012 2013 2014 2015 Índices Gerais

CAPM 6,97% 9,56% 10,15% 10,49% 9,29%

Fonte: Elaborado pelo autor.

Com relação ao Fundo de Previdência Municipal de Santo Ângelo, a tabela 10 nos mostra em análise comparativa aos resultados apresentados no gráfico 37, que se alcançou rentabilidade inferior aos resultados obtidos do CAPM, apenas no ano de 2014. Neste período Fundo de Previdência Municipal de Santo Ângelo obteve, 8,13% de rentabilidade o que é inferior aos 10,15% encontrados no cálculo do CAPM.

Tabela 10: CAPM do Fundo de Previdência Municipal de Panambi

PANAMBI 2012 2013 2014 2015 Índices Gerais

CAPM 7,36% 7,73% 8,73% 7,32% 7,79%

Em relação a análise de risco aos quais os Fundos analisados se submeteram, temos exposto na tabela 11, os resultados obtidos do cálculo do CAPM, em relação ao Fundo de Previdência Municipal de Panambi. Nesta, é possível observar que em nenhum ano o Fundo de Panambi obteve rentabilidade inferior aos resultados encontrados em relação ao CAPM.

Por fim, no que diz respeito aos resultados do método CAPM, pode-se observar a partir das tabelas 8, 9, 10 e 11, que todos os Fundos de Pensão em estudo obtiveram rentabilidade acima do prêmio exigido pelo CAPM.

Uma vez analisado a rentabilidade e o risco dos Fundos de Previdência Municipais, parou-se para a análise da performance dos mesmos, a partir do BETA do CAPM e do Índice de Sharpe. Aplicou-se então o índice de Sharpe, este nos mostra a relação de risco versos o retorno de um ativo. Em outras palavras, o mesmo mede o retorno excedente ao ativo livre de risco. Sendo assim quanto maior o valor encontrado melhor, pois isso significa que o investidor obteve o mesmo retorno assumindo menos riscos.

A tabela 11 apresenta os resultados obtidos.

Tabela 11: Resultados do Desvio Padrão, BETA e Índice de Sharpe dos períodos

PREVIJUÍ 2012 2013 2014 2015 Índices Gerais

Rentabilidade Média 1,69% 1,49% 1,96% 1,90% 1,76% Desvio Padrão 0,0107% 0,0168% 0,0096% 0,0067% 0,0109% BETA 0,04 0,14 -0,19 -0,17 -0,04 Sharpe 1,71 2,71 1,22 0,75 1,59 PREVIROSA Rentabilidade Média 1,79% 1,80% 1,75% 1,97% 1,83% Desvio Padrão 0,0042% 0,0043% 0,0043% 0,0053% 0,0045% BETA 0 -0,07 -0,19 -0,27 -0,13 Sharpe 0,68 0,71 0,55 0,59 0,63 Sa. Ângelo Rentabilidade Média 1,77% 2,14% 1,36% 1,88% 1,79% Desvio Padrão 0,0044% 0,0059% 0,0094% 0,0064% 0,0065% BETA -0,08 -0,48 -0,24 0,07 -0,18 Sharpe 0,71 0,95 1,19 0,71 0,89 PANAMBI Rentabilidade Média 1,95% 2,10% 1,69% 1,48% 1,81% Desvio Padrão 0,0061% 0,0183% 0,0218% 0,0189% 0,0163% BETA -0,03 -0,05 0,33 0,63 0,21 Sharpe 0,97 2,96 2,77 2,11 2,20

Fonte: Elaborado pelo autor.

Os dados apresentados demonstraram que todos os Fundo de Pensão obtiveram BETAs perto de zero em relação ao índice utilizado como comparativo, os mesmos são considerados neutros, pelo fato de que uma vez que os valores encontrados para BETA forem zero, significa que a volatilidade em relação ao Índice utilizado como comparativo é baixa ou nula.

Também conforme demonstrado na tabela 11, observa-se que, no que diz respeito aos resultados encontrados pelo Índice de Sharpe o que obteve a performance mais elevada foi o Fundo de Previdência de Panambi. O mesmo alcançou um índice de 2,77 no ano de 2014. Portanto foi o que teve a melhor relação risco/retorno.

A PREVIROSA foi a instituição que obteve a maior rentabilidade acumulada, 43,82%, no período, frente aos 43,30% do Fundo de Previdência Municipal de Panambi, o risco também foi mais elevado. Isto fez com que o Fundo de Panambi tivesse a melhor performance.

Por fim, é necessário no entanto salientar, que de modo geral os gestores dos Fundos de Previdência Municipais estudados não conseguiram rentabilizar seus ativos a ponto de baterem as metas estabelecidas por eles.

7 CONSIDERAÇÕES FINAIS

O presente estudo procurou analisar a forma de gestão realizada pelos administradores responsáveis dos Fundos de Pensão das Prefeituras Municipais da região. Buscando assim, responder as questões pertinentes ao objetivo geral e específicos.

Neste sentido, buscou-se descrever e analisar o processo de gestão dos ativos dos Fundos de Pensão das prefeituras de Ijuí, Santa Rosa, Panambi e Santo Ângelo.

Para isso, acreditou-se ser necessário compreender a composição dos Fundos de Pensão das Prefeituras Municipais que foram foco desta dissertação. Se buscou então, informações relativas as aplicações financeiras, assim como informações referente aos gestores responsáveis pelos Fundos de Previdência analisados, junto aos órgãos de previdência federal e prefeituras estudadas.

Estas informações nos revelaram questões pertinentes durante o período de análise. Especificamente o nome dos Fundos em que o capital financeiro foi aplicado, as instituições financeiras a que pertencem, a porcentagem do montante total do valor financeiro dos Fundos de Previdência Municipais em relação a cada Fundo aplicado, e o valor das cotas de cada Fundo que recebeu aplicações financeiras.

Assim como também, dados não financeiros dos mesmos tais como: nome dos gestores responsáveis, o nome legal e CNPJ dos Fundos Municipais, ano de sua criação e se possuem no momento déficit atuarial.

A partir destas informações, se conseguiu observar que a maioria das aplicações financeiras dos Fundos de Previdência Municipais foco deste estudo, estão alocados em outros Fundos de Investimentos de Renda Fixa. E ainda que apenas uma pequena parte dos recursos financeiros estão destinados a aplicações em Renda Variável.

Outro ponto verificado a partir dos dados relacionados a composição dos Fundos das prefeituras, foi que, os gestores responsáveis, tendem a diversificar suas aplicações em vários outros Fundos de Previdência de Bancos Públicos em geral, o que gera maiores dispêndios relacionados a taxas de administração.

Após este momento, buscou-se responder a questão pertinente ao segundo objetivo especifico, que diz respeito a informações referentes as leis orgânicas e a legislação para averiguar o quanto estas impactam no processo de gestão dos Fundos de Pensão dos municípios analisados.

O que se conseguiu observar, é que as leis acabam por impactar também na performance e até mesmo na rentabilidade e risco dos Fundos de Previdência estudados. Uma vez que estas

exigem que os recursos provenientes das alienações de patrimônio vinculado ao Fundo com finalidade providenciaria na forma de bens, direitos ou ativos de qualquer natureza devem ser aplicados com, no mínimo 80% do montante financeiro que possuem, de forma isolada ou cumulativamente, em: títulos de emissão do Tesouro Nacional, inclusive créditos securitizados; títulos de emissão do Banco Central do Brasil e títulos ou valores mobiliários de emissão de instituições financeiras cujo capital social seja integralmente detido pela União.

Outro ponto que interfere diretamente quanto ao risco a que os Fundos podem ou não se expor é o fato de que a lei sugere que aplicações em renda variável sejam efetuadas em quotas de outros Fundos de Investimento, porém voltados a previdência mista. Ou seja, mesmo as aplicações que se destinariam a renda variável tem do montante da aplicação pelo menos 51% de seu capital financeiro aplicados em renda fixa, vigente as regras legais a que os Fundos de Previdência mista estão sujeitos.

Ainda no que se refere a legislação, observou-se que poderiam sim os órgãos reguladores determinar diretrizes mais consistentes, que levem em conta os efeitos da diversificação. Como Por exemplo, o excesso de taxas administrativas pagas pelos gestores em decorrência das carteiras altamente diversificadas.

Estes de modo geral alocam o capital financeiro em outros Fundos de mesma categoria, o que acaba por agregar muito pouco quanto à performance, porém gera um desgaste quanto as custos de manutenção dos Fundos de Previdência estudados.

Do ponto de vista do agente regulador, exigir a análise de risco traria vantagens. Quanto à implantação de controle de risco aumentando a transparência e a profissionalização da administração das entidades além de efetivamente, monitorar e controlar o risco, eliminando a necessidade de impor tantas limites as aplicações dos Fundos de Previdência Municipal.

Por fim, no que se refere aos objetivos específicos, se buscou comparar as composições destes Fundos de Pensão, quanto a risco e performance. A análise de risco efetuada possibilitou a avaliação dos gestores e proporcionou a visualização do quadro geral do risco, já que a imposição de restrições de investimentos aos gestores, por si só, pode não significar muito.

No entanto o que se verificou foi que estás nestes casos específicos acabam por limitar as aplicações quanto a investimentos mais arrojados, fazendo com que os gestores responsáveis se limitem na sua grande maioria das vezes a aplicações pré-estabelecidas por entidades financeiras públicas.

O que se conseguiu observar foi que o risco/retorno a que estes Fundos estão sujeitos é considerado conservadora, uma vez que os resultados de BETA apresentaram volatilidade perto de zero, em todos os Fundos de Previdência Municipais estudados.

A análise do CAPM aplicada aos Fundos de Previdência Municipais, também nos mostraram que de modo geral, todos os Fundos das prefeituras analisados obtiveram retorno acima do prêmio exigido. No que diz respeito à aplicação do Índice de Sharpe todos os Fundos de Previdência Municipal também obtiveram performance considerada satisfatória.

No entanto, conforme foi demonstrado no gráfico 37, o que se verificou foi que de modo geral, a rentabilidade dos Fundos de Previdência Municipais analisados, não está sendo suficiente para alcançar as metas de performance estabelecidas por eles. É possível observar que apenas no ano de 2013 a meta de rentabilidade estipulada em IPCA mais 6%, foi atingida, e tão somente pelos Fundos de Previdência Municipais das Prefeituras de Panambi e Santo Ângelo.

Além disso, a presente dissertação também teve caráter qualitativo, pelo fato de se ter feito entrevistas junto aos gestores responsáveis dos quatro Fundos de Previdência Municipal estudados. As entrevistas se mostraram de suma importância para os estudos realizados, uma vez que permitiram uma análise relacionada as preocupações mais corriqueiras dos gestores responsáveis pelos Fundos, assim como as principais atribuições que um gestor de Fundo deve ter para desempenhar suas funções.

Também foi a partir das entrevistas que se obteve informações relacionadas aos motivos de determinado montante financeiro estar em um Fundo especifico de um Banco especifico e não em outros muitas vezes com oportunidades de rentabilidade superior.

No que se refere as possíveis contribuições, podemos considerar o ponto de vista dos usuários dos Fundos de Previdência Municipais, e mesmo estudantes do assunto relacionado a esta presente dissertação. Neste sentido a análise do BETA, assim como o CAPM e mesmo a aplicação do Índice de Sharpe é considerado bastante informativa, talvez bastante importante, considerando o baixo nível geral de conhecimento financeiro da maioria dos participantes.

A transparência proporcionada por estas metodologias de análise visa aumentar a segurança do participante e, possivelmente, seu interesse no acompanhamento do desempenho dos investimentos dos Fundos de Previdência.

Em relação ao senário acadêmico, os estudos auferidos tendem a contribuir com informações pertinentes a quem busca se aperfeiçoar nas áreas de gestão de Fundos de Investimentos, assim como em entender um pouco mais sobre riscos de uma aplicação, a volatilidade a que estas estão sujeitadas e mesmo a necessidade de se estabelecer uma performance mínima como meta de rentabilidade.

Mesmo com todas as vantagens, porém, a ainda muito a ser feito no sentido de aperfeiçoar as análises encontradas, para os Fundos de Previdência Municipal estudados. É

possível observar limitações deste estudo quanto a informações relativas a análise técnica, a inexistência de acesso a dados mais aprofundados em relação aos Fundos das instituições Financeiras a que estão alocados os recursos financeiros dos Fundos de Previdência Municipal estudados.

Além destas observações, é importante mencionar que a inclusão de fatores de risco mais complexos, como análise de carteiras com características distintas entre si, tornaria as medidas mais realistas e permitiriam tirar conclusões mais bem fundamentadas acerca da metodologia mais apropriada para cada situação especifica.

A contemplação de outros tipos de risco, especialmente os riscos de liquidez, legal e operacional, também seriam bem vindas na tentativa de se abordar capacidade de gerenciamento por parte dos profissionais envolvidos na gestão dos fundos de previdência municipal estudados e aos demais usuários e partes interessadas.

Por fim, acredita-se que futuras pesquisas complementares ou de aprofundamento deste trabalho poderiam incorporar novos elementos, tais como o passivo atuarial das entidades municipais, as dívidas renegociadas dos Fundos em questão buscando assim tentar traduzir os riscos de natureza diferentes em uma única medida.

Além de também podermos considerar em estudos futuros, a possível necessidade da interação entre o ativo e passivo. Um aspecto interessante neste, seria incorporar, no cálculo, a volatilidade do passivo atuarial, que sofre influência de muitos fatores, encontrando com isto maneiras de contornar a instabilidade da matriz de covariância dos fatores de risco, o que permitiria uma analisa mais exata dos riscos em que os Fundos de Previdência Municipais estão submetidos.

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