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ANÁLISE COMPARATIVA DOS PERFIS DOS SAXOFONISTAS

FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

SAXOFONISTAS: PERFIS E ANÁLISE

3.2 ANÁLISE COMPARATIVA DOS PERFIS DOS SAXOFONISTAS

Para a análise comparativa dos perfis dos saxofonistas, selecionamos e agrupamos em um quadro (a seguir) algumas informações sobre a trajetória e atividades dos saxofonistas que consideramos mais relevantes à análise. São elas: “idade”, “tempo aproximado de carreira

profissional”, “formação musical”, “primeiro instrumento”, “outras capacitações musicais”, “gêneros musicais mais presentes”, “principais atividades profissionais” e “principais formações instrumentais”. O aparecimento de reincidências nas informações coletadas dos perfis anteriormente descritos nos indicou que, para a análise comparativa dos dados, seria necessária a padronização26 de uma nomenclatura específica para a identificação de características como: “formação musical”, “gêneros musicais mais presentes”, “principais atividades profissionais” e “principais formações instrumentais”.

3.2.1 Padronização da nomenclatura para análise

a. Formação Musical: Para a padronização dos tipos de “formação musical” dos saxofonistas utilizamos os termos: Formal, para designar aquela educação realizada em instituições formais de ensino musical tais como universidades, conservatórios e escolas técnicas; e Informal, para designar aquela educação feita através de professores particulares, pela troca de informações com colegas ou de maneira autodidata. Utilizamos também no quesito “formação musical” os termos Erudito, Popular e Jazz, para caracterizar o conteúdo técnico-musical e artístico das formações.

b. Gêneros Musicais: Para a padronização dos “gêneros musicais mais presentes”, utilizamos os termos: Erudito, Choro, Frevo, Jazz, Música de Gafieira, Música de Banda, MPB (Música Popular Brasileira) e MIB (Música Instrumental Brasileira). Alguns gêneros, como Erudito e Popular são de difícil definição quanto às suas abrangências pois estão em constante transformação, incluindo ou excluindo sub- categorias. As questões conceituais acerca destes termos em geral levam a infindáveis discussões que tendem a anular a capacidade do termo em si de significar o gênero de maneira prática e necessária para uma identificação e entendimento cotidianos. Nesse sentido consideramos que, para esta pesquisa, seja desnecessário e contraproducente um maior aprofundamento sobre questões conceituais acerca desses gêneros. Consideramos que, para esta pesquisa, música “erudita” seja a música relacionada à chamada música clássica, música de concerto, música de câmara, recitais, concertos sinfônicos e afins. O termo “música de banda” refere-se àquela música executada por

26 Adoção de uma medida, especificação, paradigma ou tipo para uniformizar a produção ou

bandas filarmônicas e militares, e o termo “música de gafieira”, àquela música, de caráter dançante, executada por algumas orquestras populares e conjuntos de baile. Os gêneros choro, jazz e frevo, apesar de também abrangentes, parecem-nos não carecer de definição específica. Consideramos necessários, contudo, alguns esclarecimentos sobre a utilização das siglas MPB e MIB nesta pesquisa. A sigla MPB, iniciais de “música popular brasileira”, é de difícil definição quanto ao seu conceito e abrangência; contudo, neste trabalho, refere-se a um gênero inserido dentro da música popular como um todo, de maneira geral relacionado à música urbana brasileira que utiliza a canção como forma principal de expressão. A utilização da sigla MPB, enquanto gênero musical, vem sofrendo contínuas transformações ao longo das décadas. Em seu trabalho “Pertinência e Música Popular”, Marta de Ulhoa (2001)27 refere-se à MPB como “uma sub-categoria da música popular, inscrita no campo simbólico da música no Brasil, em interação com a música erudita e a música folclórica”. Ela relata que, primeiramente, nas décadas de 30 e 40, a MPB era restrita ao samba urbano do Rio de Janeiro; contudo, nas décadas seguintes, outros gêneros como o baião, a bossa nova, o tropicalismo e os festivais da canção foram sendo gradativamente incorporados. Atualmente a MPB abrange uma variedade de gêneros e estilos musicais que vão desde o rock brasileiro à música sertaneja. Nesta pesquisa, MIB, sigla criada por este autor para significar “música instrumental brasileira”, refere-se àquela música instrumental produzida por músicos brasileiros, que tem na improvisação um elemento fundamental de identificação. É comum que essa música tenha influências estilísticas do jazz americano; contudo, em geral, utiliza-se de elementos rítmicos característicos da música brasileira, como o samba, o baião ou o frevo. Como exemplos representativos da MIB podemos citar os trabalhos desenvolvidos pelos músicos Hermeto Pascoal, Egberto Gismonti, Nivaldo Ornelas, Marcio Montarroyos e Raul de Souza.

c. Atividades Profissionais: Para a padronização das “principais atividades profissionais” dos saxofonistas participantes utilizamos os termos: Concerto, Show e Gravação para designar o tipo de atividade envolvida. Vale ressaltar que elas se referem principalmente às atividades dos participantes enquanto saxofonistas e não às

27 Marta Tupinambá de Ulhôa é doutora em Musicologia pela Universidade de Cornell (EUA). Professora da

Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO) e Pesquisadora do CNPq. Tem publicado livros sobre análise da canção e sobre gêneros de música brasileira popular.

suas atividades profissionais como um todo, que incluiriam as suas outras capacitações musicais. Para esta pesquisa, o termo Concerto, enquanto atividade profissional, refere-se àquela apresentação musical relacionada à música erudita, incluindo concertos de orquestras sinfônicas, bandas sinfônicas, recitais solo e de grupos de câmara, etc., mas também podendo abarcar apresentações de bigbands. O termo Show refere-se nesta pesquisa a apresentação musical em geral relacionada à música popular (incluindo MPB, choro, frevo, gafieira e outros gêneros), à música instrumental e ao jazz. O termo Gravação, nesta pesquisa, refere-se às atividades dos saxofonistas relacionadas à gravação de discos e trilhas musicais para cinema e publicidade, geralmente realizadas em estúdios de gravação.

d. Formações Instrumentais: Para a padronização das “principais formações instrumentais” nos quais os saxofonistas estão envolvidos, utilizamos os termos: Orquestra Sinfônica, Orquestra Popular, Big Band, Grupo de Câmara, Quarteto de Sax, Banda Sinfônica, Banda Filarmônica, Regional e Conjunto. As formações: Orquestra Sinfônica, Grupo de Câmara, Quarteto de Sax, Banda Sinfônica e Banda Filarmônica, não carecem de maiores explicações em termos de suas instrumentações. A formação aqui denominada Big Band refere-se ao “grande” conjunto instrumental característico do jazz americano, composto em geral por quatro ou cinco saxofones, quatro trompetes, três ou quatro trombones, baixo (elétrico ou acústico), guitarra, bateria e piano. Essa formação pode sofrer variações de acordo com o repertório executado, podendo ter incluídas partes para flautas e clarinetas, a serem executadas, em geral, pelos próprios saxofonistas. Percussão e vocais são também utilizados eventualmente. A formação aqui denominada Orquestra Popular segue as características básicas das big bands americanas em termos de instrumentação utilizada e suas variantes, contudo caracteriza-se também por executar um repertório variado de música brasileira que inclui o samba, o frevo, o choro e a música de gafieira. Como exemplo característico dessas orquestras está a tradicional Orquestra Tabajara, liderada pelo maestro, compositor, saxofonista e clarinetista Severino Araújo (ORQUESTRATABAJARA, 2007), como também a Spok Frevo Orquestra, especializada no repertório de frevo (SPOKFREVO, 2007). A formação denominada Conjunto refere-se aqui àqueles conjuntos comumente utilizados em shows e apresentações de música popular (incluindo MPB, o choro, frevo, carimbó,

etc...), MIB e jazz. Esses conjuntos são formados por instrumentações variadas que em geral incluem: bateria, baixo (elétrico ou acústico), guitarra ou violão, piano ou teclado eletrônico, percussão e instrumentos de sopro como saxofone, flauta, trompete e trombone. A formação denominada Regional refere-se ao grupo instrumental, principalmente relacionado ao Choro, formado tradicionalmente por: violão, violão de sete cordas, bandolim, cavaquinho e pandeiro. É muito comum a inclusão de pelo menos um instrumento de sopro, em geral saxofone, flauta ou clarineta. Não é rara a utilização de mais instrumentos de percussão, a se somarem ao pandeiro.

É prudente ressaltar que os dados apresentados no quadro a seguir podem não representar a completa realidade sobre as formações e atividades dos saxofonistas participantes, uma vez que as biografias e currículos enviados pelos mesmos muitas vezes não contêm o detalhamento para uma análise mais apurada. No entanto, acreditamos que os resultados apresentados desvelam os perfis dos saxofonistas nas suas características mais marcantes.

99 QUADRO 1 - PERFIS DOS SAXOFONISTAS

NOME IDADE TEMPO

APROX. FORMAÇÃO MUSICAL INSTRUMENTO 1º CAPACITAÇÕES OUTRAS MUSICAIS GÊNEROS

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