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4.5.1 Lucro Real

Nos quadros 4 e 5 foram efetuados os cálculos de PIS e COFINS não cumulativos, dentro da opção pelo Lucro Real. Observa-se um faturamento anual total de R$ 703.210,84, sendo que deste total, R$ 246.123,79 são de mercadorias tributadas pelo PIS e pela COFINS e R$ 457.087,05 são de saídas de mercadorias com tributação monofásica, com alíquota zero. Visto que nesta modalidade os impostos são pagos em única etapa pelo fabricante aplicou-se as alíquotas de 1,65% referente ao PIS e 7,6% referente à COFINS, resultando um débito de PIS no valor de R$ 4.061,04 e um débito referente à COFINS no valor de R$ 18.705,41. Seguindo o princípio da não cumulatividade para apurar os valores a pagar de PIS e COFINS pelo Lucro Real, foram levantados os créditos calculados por meio da aplicação das mesmas alíquotas sobre as compras das mercadorias efetuadas pela empresa que, no caso, foram de um total anual de R$ 436.374,65, sendo que R$ 152.731,13 são de mercadorias tributadas por

PIS e COFINS e R$ 283.643,52 são de mercadorias de tributação monofásica, resultando num crédito de PIS no valor de R$ 2.520,06 e de COFINS no valor de R$ 11.607,57. No final da apuração, subtraindo-se os créditos dos débitos, chegou-se ao montante de R$ 1.540,98 de PIS a pagar e de R$ 7.097,84 de COFINS a pagar.

No cálculo do ICMS, observado no quadro 6, observa-se que dentro do faturamento total de R$ 703.210,84, o valor de mercadorias tributadas vendidas foi de R$ 246.123,79 e o restante no valor de R$ 457.087,05 refere-se a vendas de mercadorias isentas de ICMS. O débito de ICMS é apurado aplicando-se a alíquota de 17% sobre o total tributado, resultando num valor de R$ 41.841,04. Já com relação aos créditos de ICMS, sabe-se que a empresa comprou durante todo o ano em questão um valor total de R$ 436.374,65 e deste valor, R$ 106.911,79 refere-se a compras tributadas internas que geram créditos de 17%. Neste item, R$ 30.546,23 refere-se a compras tributadas de outras unidades da federação, gerando créditos de 12%. Houve também compras de microempresas optantes do Simples Nacional no valor de R$ 15.273,11 que não transferiram crédito algum e, por fim, o valor de R$ 283.643,52, referente a compras isentas. Aplicando-se as alíquotas interna e interestadual sobre os respectivos valores de compras tributadas no Estado e compras tributadas de outras unidades da federação, chegou-se a um total de créditos de ICMS no valor de R$ 21.840,55. Na apuração do ICMS a recolher faz-se a conta: débitos menos créditos, chegando-se a um total a recolher de R$ 20.000,49.

Para o cálculo do INSS, observado no quadro 7, considerando a opção pelo Lucro Real, a contribuição previdenciária é apurada sobre a folha de pagamento da empresa, sendo 20% referente à contribuição patronal sobre os valores de pró-labore e autônomos e 27,8% sobre os valores de salários (contribuição patronal em 20%, terceiros 5,8% e RAT na alíquota de 2%), totalizando uma contribuição previdenciária anual de R$ 8.089,29.

Conforme o quadro 8, os valores de IRPJ e CSLL pelo Lucro Real foram apurados pela Demonstração do Resultado do Exercício, resultando num valor de R$ 22.298,51 referente a IRPJ a pagar e R$ 13.379, 10 de CSLL a pagar.

Resumindo os cálculos dos impostos efetuados pelo Lucro Real, conforme o quadro 9, chegou-se a um valor total de R$ 72.406,21, representando 10,3% da receita bruta da empresa.

4.5.2 Lucro Presumido

A apuração do PIS e da COFINS pelo Lucro Presumido, observada nos quadros 10 e 11, ocorre pelo sistema cumulativo, mediante a aplicação das alíquotas de 0,65% referente ao PIS e 3% referente à COFINS sobre o total da receita tributada no valor de R$ 246.123,79, resultando num PIS de R$ 1.599,80 a pagar e de COFINS no valor de R$ 7.383,7l a pagar. Salienta-se que o restante da receita da empresa, no caso os R$ 457.087,05 já foram tributados no sistema monofásico, não gerando valores a pagar no comércio varejista.

Para o cálculo do ICMS no Lucro Presumido, conforme o quadro 12, a metodologia e os valores são os mesmos para optantes do Lucro Real, ou seja, o valor total de ICMS a recolher é de R$ 20.000,49.

A contribuição previdenciária no Lucro Presumido, observado no quadro 13, também utiliza o mesmo método de cálculo e valores do Lucro Real. O valor do INSS a recolher é de R$ 8.089,29.

No quadro 14 pode-se observar a apuração do IRPJ no Lucro presumido, que ocorre mediante a aplicação da alíquota de 8% sobre a receita total como presunção do lucro, resultando na base de cálculo do imposto, e sobre esta se aplica a alíquota do IRPJ de 15%. Ou seja, sobre a receita bruta total de R$ 703.210,84 calcula-se 8% para a definição da base de cálculo, que no caso foi de R$ 56.256,87 e sobre esta base aplica-se a alíquota de 15%, resultando num IRPJ a recolher no valor de R$ 8.438,53.

Para a apuração da CSLL, conforme o quadro 15, utiliza-se um método semelhante à da apuração do IRPJ, porém a alíquota para definição da base de cálculo é 12% e a alíquota da contribuição é de 9%, ou seja, de uma receita total de R$ 703.210,84 aplicou-se os 12% para a definição da base de cálculo, que resultou em R$ 84.385,30 e sobre esta base aplicou-se os 9% para se chegar ao valor de devido da CSLL em R$ 7.594,68.

Resumindo os valores devidos na opção pelo Lucro Presumido, conforme o quadro 16, chegou-se a um total de R$ 53.106,50, representando 7,5% da receita total da empresa.

4.5.3 Simples Nacional

Na opção pelo Simples Nacional, como se pode observar nos quadros 17, 18 e 19, a tributação referente IRPJ, CSLL, PIS, COFINS, ICMS e INSS é contempladas em um único

recolhimento, que se dá por meio de uma única alíquota sobre a receita total, definida pela soma dos faturamentos da empresa nos últimos 12 meses, conforme a tabela 17. A empresa em questão, devido à sua regularidade de faturamentos nos últimos anos, manteve-se sempre na faixa de R$ 600.000,00 a R$ 720.000,00 anuais, o que determina uma alíquota para o Simples Nacional de 8,28% em todos os meses. Então, aplicando-se os 8,28% sobre a receita total da empresa no ano estudado, que é de R$ 703.210,84, chegou-se a um Simples Nacional de R$ 58.225,86. Como o Estado do Rio Grande do Sul prevê benefícios à suas micro e pequenas empresas enquadradas no Simples Nacional, utilizou-se a tabela de descontos no ICMS que compõe o Simples. Conforme a tabela observada no quadro 18, a empresa obteve um desconto de 41,41% sobre a fatia do ICMS dentro do Simples Nacional, que no caso é de 2,82% dentro dos 8,28% total, ou seja, obteve-se um desconto no valor de R$ 8.152,34, que faz com que o valor total a recolher de Simples Nacional fique em R$ 50.073,52, representando 7,1% sobre a receita total da empresa.

Na comparação das três modalidades tributárias conclui-se que para esta empresa a melhor forma, ou a mais econômica no ano de 2011, foi a do Simples Nacional.

CONCLUSÃO

A carga tributária no Brasil sempre foi um dos grandes tormentos dos empresários, visto a quantidade de impostos e contribuições a que estão obrigados, ou mesmo, a própria legislação, que com o tempo tornou-se uma legítima “colcha de retalhos”, provocando enorme insegurança a quem investe nas indústrias, no comércio e serviços no país.

Neste contexto, a Contabilidade, nas suas mais diversas áreas do conhecimento, mais precisamente a área Tributária, torna-se cada vez mais fundamental para o sucesso ou insucesso do empreendedor. O planejamento tributário apresenta-se como uma ferramenta eficaz no sentido de proporcionar economia no que se refere ao recolhimento dos tributos, atuando dentro da legalidade.

Para a empresa do presente estudo, o planejamento efetuado proporcionará maior segurança ao empresário, que poderá optar por um regime tributário mais barato, que lhe proporcionará fôlego financeiro na gestão de seus negócios. É importante salientar que o presente estudo de caso valeu-se de dados, valores, alíquotas e informações exclusivamente de um único ano, especificamente o de 2011, trazendo respostas para um período mais imediato, comprometendo, de certa forma, o planejamento para o longo prazo, visto que seria necessário o estudo de, no mínimo, três anos.

Ao pós-graduando em Controladoria e Gestão Empresarial fica a certeza de que a área Tributária precisa ser cada vez mais estudada, analisada detalhadamente, não restando dúvidas de que o Planejamento Tributário é uma grande ferramenta e o seu domínio trará possibilidades de o profissional atuar numa área seleta do mercado.

Foram contemplados todos os objetivos propostos neste estudo, visto que foi revisada a bibliografia sobre a Contabilidade Tributária, o Sistema Tributário nacional e o Planejamento Tributário. Além disso, foram levantados todos os dados necessários para a

elaboração dos cálculos que, por sua vez, proporcionaram a realização das análises, seus relatórios e demonstrativos.

E, por fim, pode-se responder à grande questão deste estudo, que era o objetivo a ser alcançado, ou seja: através da ferramenta do planejamento tributário, qual a melhor

forma de tributação federal para alcançar economia fiscal? A resposta a que se chegou

com o estudo foi a opção pelo Simples Nacional. O quadro 20, a seguir, ilustra tal conclusão:

Quadro 20. Valores apurados de acordo com a opção tributária

Opção Tributária Valor Anual a Recolher (R$)

Lucro Real 72.406,21

Lucro Presumido 53.106,50

Simples Nacional 50.073,52

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