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A produção acadêmica sobre políticas públicas de esporte e lazer tem uma história recente, tendo seu início com a obra de Manhães (1986). Aquela, porém foi uma iniciativa isolada, que não refletia um movimento no sentido de tomar as políticas públicas da área como objeto relevante para o campo científico/acadêmico, especialmente ao subcampo científico/acadêmico da Educação Física.

O próprio subcampo científico/acadêmico da Educação Física brasileira naquele momento passava por um momento de re-significação, agregando referenciais das áreas humanas e sociais, que contribuíram muito para a ampliação do entendimento dos fenômenos educação física, esporte e lazer, e para o crescimento da área.

Ao que tudo indica, a produção acadêmica sobre políticas públicas de esporte e lazer começou a se desenvolver com maior fôlego no final da década de 1990 e início da década de 2000, com a criação de fóruns específicos de discussão, como o GTT de Políticas Públicas do CBCE, edições de periódicos com números temáticos específicos sobre políticas públicas (volume 24, número 3 da RBCE;

volume 11, número 3 da Revista Movimento; número 11 e número 12 da Revista Motrivivência; volume 2, número 1 da Revista Licere), a criação e consolidação de grupos de pesquisa, e a publicação de alguns livros sobre a temática (MARCELLINO, 1996; 2001). Ali começava a se delinear o subcampo científico/acadêmico de políticas públicas de esporte e lazer80, com a inserção de agentes, instituições, e a produção científica se efetivando.

80 Vale ressaltar que as fronteiras do subcampo não estão bem definidas até hoje. Como destacam Amaral e Pereira (2009), os trabalhos apresentados em temáticas de políticas públicas por vezes não

Por outro lado, esse desenvolvimento do subcampo esteve pautado em ações personalistas, girando a área muito em torno de alguns pesquisadores, que por motivação pessoal, levaram a frente pesquisas e orientações acadêmicas.

Destacam-se, nesse sentido, os pesquisadores Nelson Carvalho Marcellino e Lino Castellani Filho, ambos oriundos da Unicamp. O capital científico/acadêmico acadêmico institucionalizado com o peso de fazer parte de umas das maiores universidades do país, bem como a notoriedade obtida com publicações de grande repercussão no campo da Educação Física brasileira, fizeram desses agentes os

“fundadores” do subcampo da pesquisa em políticas públicas de esporte e lazer, ocupando até hoje uma posição dominante no espaço social.

[...] o capital científico é uma espécie particular do capital simbólico (o qual, sabe-se, é sempre fundado sobre atos de conhecimento e reconhecimento) que consiste no reconhecimento (ou no crédito) atribuído pelo conjunto de pares-concorrentes no interior do campo científico (BOURDIEU, 2004c, p.

26).

A criação do Ministério do Esporte em 2003, e o posterior surgimento da Rede Cedes, deram fôlego extra às pesquisas sobre políticas públicas de esporte e lazer. De um lado as políticas implementadas pelo Ministério foram motivadoras da reflexão acadêmica, por seu caráter inédito e inovador. De outro, o Ministério criou uma rede de apoio e financiamento à pesquisa, através da Rede Cedes, que fez com que mais pesquisadores se engajassem na produção científica sobre políticas públicas de esporte e lazer. Houve aí um efeito multiplicador, com alunos se inserindo na iniciação científica sobre o tema, grupos de estudo e pesquisa se formando e consolidando, e a produção científica dando um salto quantitativo. Em outras palavras, houve um alargamento do subcampo, que se mostrou, até então, receptivo a novos agentes.

Retomando as contribuições de Marques (1996) na relação entre os grupos de interesse que formam e produzem suas agendas, e as estruturas organizacionais e agências estatais existentes, pode-se dizer que a criação de uma agência responsável por determinado tema ou política, nesse caso o Ministério do Esporte, gerou um potencial aumento de demandas por aquele tema, provocando uma possível alteração na agenda de questões que são levadas ao Estado. Os inputs do

contemplam essa linha de estudos, o que suscita uma dificuldade dos autores da área, quanto à

identificação ou discernimento das dimensões políticas abordadas, bem como há uma confusão conceitual dos pareceristas em estabelecer um limite para essa subdisciplina.

Estado não são dados inteiramente de fora, mas dependem em grande parte do próprio Estado como ator e como instituição. O apoio do Fundo de Apoio à Ciência e Tecnologia do município de Vitória às pesquisas sobre políticas públicas de esporte e lazer na UFES é outro indício dessa relação.

O principal fórum de discussão sobre políticas públicas de esporte e lazer, o GTT de Políticas Públicas do CBCE mostrou o avanço quantitativo na área, materializado no aumento de produção científica circulante no grupo, especialmente quando da realização dos Conbraces. A própria composição do comitê cientifico do GTT na gestão 2009-201181 mostra a inserção de novos agentes, de origem distinta dos grupos vinculados aos professores Marcellino e Castellani Filho. Consideram-se ainda agentes emergente nesse campo, que poderão brevemente compor o pólo dominante do subcampo, os pesquisadores Fernando Marinho Mezzadri e Silvia Cristina Franco Amaral (mais independentes, porém ambos também com vínculo a Unicamp), Edson Marcelo Húngaro e Fernando Mascarenhas82 (vinculados a Castellani Filho), esses últimos hoje trabalhando na mesma instituição, a UNB.

Esses agentes que se confrontam no subcampo em busca de prestígio,

[...] os capitalistas cientistas, se assim posso me exprimir, não têm quase nada em comum – se põe à parte dos efeitos das homologias estruturais – com os capitalistas no sentido comum, isto é, aqueles que se encontram no campo econômico [...]. É evidente que o capital de Einstein não era de natureza financeira. Esse capital, de um tipo inteiramente particular, repousa, por sua vez, sobre o reconhecimento de uma competência que, para além dos efeitos que ela produz e em parte mediante esses efeitos, proporciona autoridade e contribui para definir não somente as regras do jogo, mas também suas regularidades, as leis que fazem que seja ou não importante escrever sobre tal tema, que é brilhante ou ultrapassado, e o que é mais compensador publicar no American Journal de tak e tal do que na Revue Française de disso e daquilo (BOURDIEU, 2004c, p. 26-7).

Podemos falar hoje de um espaço social, constituído por agentes, que disputam a notoriedade científica na área de políticas públicas de esporte e lazer no Brasil. Os melhores posicionados no subcampo, e que mais consistentemente incorporam as regras e os habitus têm uma tendência a dominar o jogo:

Essa arte de antecipar as tendências, observada por toda parte, que está estritamente ligada a uma origem social e escolar elevada e que permite

81 Compõe a comissão científica do GTT de Políticas Públicas do Conbrace: Fernando Augusto Starepravo, André Malina e Carlos Nazareno, todos sem um vinculo direto a Marcellino ou Castellani Filho. Por outro lado, os demais integrantes, Roberto Liao Junior, Savio Assis e Silvana Araújo representam o grupo vinculado a Castellani Filho.

82 Mascarenhas recentemente não tem produzido sobre políticas públicas, tendo dedicado maior atenção aos estudos do lazer.

apossar-se dos bons temas em boa hora, bons lugares de publicação (ou mesmo de exposição) etc. é um dos fatores que determinam as diferenças sociais mais marcantes nas carreiras científicas (BOURDIEU, 2004c, p. 28).

Por outro lado, os recém-chegados e aqueles que adquiriram disposições longe do subcampo arriscam-se, por exemplo, a estar sempre defasados, deslocados, mal colocados, na contramão e na hora errada, com todas as conseqüências que se possa imaginar. Mas eles podem também lutar com as forças do campo, resistir-lhes e, em vez de submeter suas disposições às estruturas, tentar modificar a estrutura em razão de suas disposições, para conformá-las às suas disposições (BOURDIEU, 2004c).

Trava-se uma luta, por vezes mais explícita, outras vezes não tão clara, pelas posições dominantes do subcampo, bem como pelo próprio estabelecimento das regras do jogo. A luta se dá como em outros campos.

Mas o que faz a especificidade do campo científico é aquilo sobre o que os concorrentes estão de acordo acerca dos princípios de verificação da conformidade ao “real”, acerca dos métodos comuns de validação de teses e hipóteses, logo sobre o contrato tácito, inseparavelmente político e cognitivo, que funda e rege o trabalho de objetivação (BOURDIEU, 2004c, p. 33).

Em conseqüência, aquilo que se defronta no campo são construções sociais concorrentes, representações (com tudo o que a palavra implica de exibição teatral destinada a fazer ver e a fazer valer uma maneira de ver). (BOURDIEU, 2004c). As disputas, porém, não se circunscrevem a dimensão científica e racional, que uma análise precipitada e ingênua poderia nos conduzir.

De fato, o mundo da ciência, como o mundo econômico, conhece relações de força, fenômenos de concentração de capital e do poder ou mesmo de monopólio, relações sociais de dominação que implicam uma apropriação dos meios de produção e reprodução específicos, próprios do subuniverso considerado. Se é assim, entre outras razões, é porque a economia antieconômica – voltarei a esse ponto – da ordem propriamente científica permanece enraizada na economia e porque mediante ela se tem acesso ao poder econômico (ou político) e às estratégias propriamente políticas que visam conquistá-lo ou conservá-lo (BOURDIEU, 2004c, p. 34).

A posse do capital inerente ao subcampo, por sua vez, determina as posições e lugares de disputa. Os campos são o lugar de duas formas de poder que correspondem a duas espécies de capital científico: de um lado, um poder que se pode chamar temporal (ou político), poder institucional e institucionalizado que está ligado à ocupação de posições importantes nas instituições científicas, direção de laboratórios ou departamentos, pertencimento a comissões, comitês de avaliação, e

ao poder sobre os meios de produção (contratos, créditos, postos etc.) e de reprodução (poder de nomear e de fazer as carreiras) que ela assegura. De outro, um poder específico, “prestígio” pessoal que é mais ou menos independente do precedente, segundo os campos e as instituições, e que repousa quase exclusivamente sobre o reconhecimento, pouco ou mal objetivado e institucionalizado, do conjunto de pares ou da fração mais consagrada dentre eles (BOURDIEU, 2004c).

A partir da análise dos grupos de pesquisa cadastrados no CNPq, dos componentes da Rede Cedes, a entrada de agentes em cargos e instâncias administrativas, pode-se observar que a inserção e notoriedade no subcampo da pesquisa em políticas públicas de esporte e lazer, se conquista, muitas vezes, especialmente pelo capital temporal ou político, e em menor grau pelo capital puramente acadêmico.

As duas espécies de capital científico têm leis de acumulação diferentes: o capital científico “puro” adquire-se, principalmente, pelas contribuições reconhecidas ao progresso da ciência, as invenções ou as descobertas (as publicações, especialmente nos órgãos mais seletivos e mais prestigiosos, portanto aptos a conferir prestígio à moda de bancos de crédito simbólico, são o melhor indício); o capital científico da instituição se adquire, essencialmente, por estratégias políticas (específicas) que têm em comum o fato de todas exigirem tempo – participação em comissões, bancas (de teses, de concursos), colóquios mais ou menos convencionais no plano científico, cerimônias, reuniões etc. –, de modo que é difícil dizer se, como os professam habitualmente os detentores, sua acumulação é o princípio (a titulo de compensação) ou o resultado de um menor êxito na acumulação da forma mais específica e mais legítima do capital científico (BOURDIEU, 2004c, p. 36).

A dificuldade em acumular e transmitir o capital científico “puro”, fragilmente objetivado, tem qualquer coisa de impreciso e permanece relativamente indeterminado, tendo sempre alguma coisa de carismático (na percepção comum está ligado à pessoa, aos seus “dons” pessoais, e não pode ser objeto de uma

“portaria de nomeação”); desse aspecto, é extremamente difícil de transmitir na prática (ainda que o grande pesquisador possa transmitir a parte mais formalizada de sua competência científica, mas somente por um longo e lento processo de formação, ou melhor, de colaboração, que leva muito tempo; e mesmo se ele pode também, como todos os detentores de capital simbólico, “consagrar” os pesquisadores, formados ou não por ele, fazendo sua reputação, assinando com eles, publicando-os, recomendando-os para as instâncias de consagração etc.) (BOURDIEU, 2004c), faz com que se busque, com maior freqüência a acumulação

do capital político. Esse capital científico institucionalizado tem quase as mesmas regras de transmissão que qualquer outra espécie de capital burocrático, ainda que em alguns casos deva assumir a aparência de uma eleição “pura”, por exemplo, por meio de concursos que podem estar muito próximos dos concursos de recrutamento burocrático, no qual a definição do posto está de algum modo pré-ajustado ao candidato desejado (BOURDIEU, 2004c).

Mas, Bourdieu atenta sobre a indissociação entre as duas formas de capital científico na busca do prestígio acadêmico, que varia seu peso em função da conformação do campo.

Toda estratégia de um erudito comporta, ao mesmo tempo, uma dimensão política (específica) e uma dimensão científica, e a explicação deve sempre levar em conta, simultaneamente, esses dois aspectos. Entretanto, o peso relativo de um e de outro varia muito segundo o campo e a posição no campo: quanto mais os campos são heterônomos, maior é a defasagem entre a estrutura de distribuição no campo dos poderes não-específicos (políticos); por um lado, e por outro, a estrutura da distribuição dos poderes específicos – o reconhecimento, o prestígio científico (BOURDIEU, 2004c, p. 42).

A análise dos periódicos, que nos dá maiores pistas do capital científico

“puro”, mostrou ainda uma tímida inserção nesse espaço de divulgação científica, fruto talvez do processo de amadurecimento da produção no interior dos grupos. A apreciação da produção dos pesquisadores doutores dos grupos de pesquisa sobre o assunto mostrou a dificuldade de publicação em periódicos importantes da área de Educação Física, bem como o crescente número de livros e capítulos de livros publicados, especialmente em função do apoio da Rede Cedes.

A indução de pesquisas por meio de números temáticos em periódicos, ou pela criação de editais específicos do Ministério do Esporte, tem trazido bons frutos, materializados através de publicações em eventos e periódicos.

No que diz respeito à produção strictu sensu, pode-se observar que a discussão, que a princípio se mostrava dispersa entre várias áreas do conhecimento, gradativamente vem se concentrando nos programas de pós-graduação em Educação Física. Entre os orientadores, destacam-se Nelson Carvalho Marcellino e Fernando Marinho Mezzadri, que apresentaram constância nas orientações sobre o assunto no decorrer dos anos pesquisados, assim como Celi Nelza Zulke Taffarel na área de Educação.

Em relação às abordagens teóricas, referenciais e temas das pesquisas, pode-se observar grande influência dos agentes dominantes do subcampo, com as abordagens marxista (Castellani Filho) e funcionalista (Marcelino) predominando.

Nessas condições, é importante, em seguida, para a reflexão prática, o que comanda os pontos de vista, o que comanda as intervenções científicas, os lugares de publicação, os temas que escolhemos, os objetos pelos quais nos interessamos etc. é a estrutura das relações objetivas entre os diferentes agentes que são, para empregar ainda a metáfora “einsteiniana”, os princípios do campo. Ou, mais precisamente, é a posição que eles ocupam nessa estrutura que determina ou orienta, pelo menos negativamente, suas tomadas de posição (BOURDIEU, 2004c, p. 23).

A gradativa inserção de novos agentes e agentes emergentes no subcampo, devidamente dotados de capital científico oriundo de outras matrizes teóricas, poderá diversificar e qualificar a produção da área.

[...] no domínio da pesquisa científica, os pesquisadores ou as pesquisas dominantes definem o que é, num dado momento de tempo, o conjunto de objetos importantes, isto é, o conjunto das questões que importam para os pesquisadores, sobre as quais eles vão concentrar seus esforços e, se assim posso dizer, “compensar”, determinando uma concepção de esforços de pesquisa (BOURDIEU, 2004c, p. 24-5).

Apontamos, especialmente, a necessidade do foco simultâneo da instituição e no ator (REIS, 2003), que permite captar o jogo entre constrangimento e liberdade, ou melhor, o foco simultâneo no campo, instituições e agentes.

O processo de comparação sistemática seria, por sua vez, a melhor forma de avançar em nossas explicações e interpretações. Coloca-se como primordial para o desenvolvimento de uma agenda de pesquisa em políticas públicas, que se articulassem as perspectivas individualistas e institucionais. Este é um desafio crucial, tanto do ponto de vista teórico quanto prático.

Poder-se-ia avançar sobre aquilo que os neo-institucionalistas históricos rejeitam – o enfoque determinista presente em teorias gerais globalizantes, como a teoria marxista, a teoria dos sistemas, ou o funcionalismo –, entendendo que a escala mais propicia para a investigação dos fenômenos sociais é o nível intermediário, no qual as grandes estruturas ganham formas históricas específicas, mediadas pelas instituições, sem o risco de explicações deterministas e unicausais.

Em termos finais, pode-se dizer, com base no material pesquisado, que o subcampo científico/acadêmico das políticas públicas de esporte e lazer comporta hoje estruturas, agentes e instituições, que travam uma luta concorrencial pelo prestígio acadêmico na área, reconhecimento interno e externo. Para isso,

munem-se de capital, especialmente político, para galgar posições de destaque no espaço social. Por outro lado, o peso científico do subcampo ainda é pequeno, com fronteiras mal definidas, pobreza conceitual e teórica. O alargamento do subcampo, consubstanciado no aumento quantitativo de agentes e produções, pode sugerir uma futura melhora qualitativa em termos científicas no subcampo, o que vai depender das futuras posições e jogadas dos agentes nele inseridos.

4 POLÍTICAS PÚBLICAS DE ESPORTE E LAZER NO BRASIL

Políticas públicas de esporte e lazer no Brasil. Talvez não haja hoje um tema, dentro do campo científico/acadêmico da Educação Física, tão em voga quanto esse. Isso porque completou-se um ciclo político de oito anos de existência do Ministério do Esporte, e nesse período foram várias as ações desse órgão que motivaram o olhar dos pesquisadores, seja através da criação de uma Rede que apóia diretamente esse lócus de pesquisa, pela implementação de políticas públicas ditas inovadoras, pela possibilidade dada de participação dos diferentes grupos sociais na formulação dessas políticas, ou ainda por ter “abraçado a causa” da realização de megaeventos esportivos no país.

Especialmente em relação ao último ponto, dos megaeventos esportivos, esse tem sido um tema que faz com que outras pessoas, grupos e instituições passem a se atentar com as políticas públicas de esporte e lazer no Brasil. Afinal, esse tipo de ação acaba tendo grande repercussão midiática e simbólica. Isso por sua vez acaba repercutindo dentro e fora do país, e é tomado como assunto a ser discutido nos mais diferentes círculos sociais, desde a mídia, passando pelo âmbito científico/acadêmico, até chegar aos círculos de amizade menos formais, como no bate-papo com o vizinho ou em calorosas discussões em uma mesa de bar.

Isso acaba revelando pontos positivos e negativos. Positivos no sentido de que a sociedade como um todo passa a discutir questões que até então estavam restritas a um conjunto de especialistas. Esses especialistas, por outro lado, devem se policiar de sua rigorosidade científica para não correr o risco de incorporar o discurso do senso comum ou simplesmente ecoar discursos contra ou a favor de determinada causa política. Cabe e espera-se deles um olhar mais refinado, pautado na reflexão e no conhecimento já produzido.

Nesse caso, pautado nos referenciais já anunciados no texto, logo nos posicionamos no sentido de pensar as políticas públicas de esporte e lazer para além da política pública em si, o programa esportivo ou a iniciativa pública voltada a atender o cidadão no seu direito ao lazer como fenômenos estanques ou isolados de um contexto social. A política pública muitas vezes é apenas a parte mais visível de todo um processo desenvolvido num espaço social específico, que comporta disputas, relações, alianças, decisões estratégicas e também não planejadas. Em

Nesse caso, pautado nos referenciais já anunciados no texto, logo nos posicionamos no sentido de pensar as políticas públicas de esporte e lazer para além da política pública em si, o programa esportivo ou a iniciativa pública voltada a atender o cidadão no seu direito ao lazer como fenômenos estanques ou isolados de um contexto social. A política pública muitas vezes é apenas a parte mais visível de todo um processo desenvolvido num espaço social específico, que comporta disputas, relações, alianças, decisões estratégicas e também não planejadas. Em