DE 3 TEMPOS E 4 SEMÁFOROS SINCRONIZADOS
7.4 ANÁLISE DA ATIVIDADE “SENSOR DE TEMPERATURA”
Com o sensor de temperatura (LM 35) propusemos o desafio/problema onde um buzzer deve ser acionado quando a temperatura no LM 35 for superior a 50ºC. Posteriormente
deveria ser inserido um display para a leitura da temperatura em tempo real. Desse modo, essa aula possui uma forte relação com o detector de incêndio que é um sistema de muita relevância no nosso cotidiano. Com o sensor de temperatura (LM 35) é possível à leitura de uma faixa de tensão devido a dependência linear com a temperatura de 10 mV/ºC no intervalo de -55ºC a 150ºC.
Após a apresentação dos desafio/problema da ação foi proposta a etapa de investigação, na qual questionamos os conhecimentos prévios do LED, potenciômetro e do sensor de luminosidade (LDR) para o aprendizado das funcionalidades do sensor de temperatura e do buzzer. Os componentes foram disponibilizados para os grupos além da imagem deste último sensor (Figura 32). As perguntas são apresentadas a seguir.
Figura 32 — Aspecto físico do LM 35
Fonte: disponível em
http://www.instructables.com/id/LM3 5-Temperature-Sensor
1) O buzzer, espécie de buzina, apresenta similaridade com algum componente já utilizado nas oficinas? Justifique.
2) Para a utilização no Arduino é necessário utilizarmos um resistor em série com o buzzer disponibilizado? Justifique.
3) O LM 35 apresenta similaridade com algum componente já utilizado nas oficinas? Justifique.
4) Para a utilização do LDR com o Arduino foi necessário um resistor para termos uma leitura de dados analógica através de um divisor de tensão. Para a utilização com o Arduino é necessário um resistor para fazermos a leitura de dados com o LM 35 disponibilizado? Justifique.
5) O circuito que envolverá o buzzer terá relação com portas digitais ou analógicas? Justifique.
6) O circuito que envolverá o LM 35 terá relação com portas digitais ou analógicas? Justifique.
Na transcrição dos áudios do grande grupo e entre os próprios componentes, observamos uma ponte entre os conhecimentos do potenciômetro com o sensor de temperatura “Lembra que o potenciômetro tinha três entradas que funcionava uma como
analógica que era a central que definia o valor da tensão que tem exatamente a mesma função dessa aqui, uma positiva que é no cinco volts e uma negativa que é no GND. A única diferença é que aqui tem uma fixa no GND e uma fixa no cinco volts” (Aluno 6). Também a
relação entre o LED e o buzzer sendo que “.... o buzzer funciona exatamente como o LED.” (Aluno 2) e “O Buzzer tem polaridade como se fosse um LED” (Aluno 11). Com o manuseio do buzzer foi observado “12 Volts” (Aluno 16) e tivemos duas considerações diferentes para a necessidade do resistor com o buzzer. Para o Aluno 1 não seria necessária a conexão com o resistor. Já o Aluno 16 “Achava que sim”. Num diálogo com zona de desenvolvimento proximal com o Aluno 15 foi informado “É 12 V e na placa sai 5 V. Então daria para usar
um relé”. Desse modo, o Aluno 15 apresentou a necessidade em elevar a tensão de 5 V para
12 V com a concepção de que o buzzer só funciona em 12 V. O relé tem essa finalidade e esse conhecimento foi construído em períodos paralelos à oficina já que não havíamos estudado o relé até o momento. Para o Aluno 15 “O buzzer está ligado ou desligado” então “Vai numa
porta digital” Aluno 16.
Em relação ao LM 35, o Aluno 15 citou a similaridade com o LDR. Porém, o Aluno 16 “Achava relação com o potenciômetro”. Para investigarmos a especificidade de coisas comuns, questionamos “Em que sentido o LM 35 se aproxima do potenciômetro?” e “Em que sentido o LM 35 se aproxima do LDR?”. Para o Aluno 16 “O LM 35 assim como
potenciômetro tem o 5 V, GND e o analógico”. Conforme observado pelo Aluno 3, “Ambos têm 3 patinhas”. Posteriormente investigamos os conhecimentos das diferenças do LM 35 e
do potenciômetro. Ao citar o termo “Polaridade” o Aluno 11 fez referência a algo incomum entre os componentes que foi tratada com maiores detalhes pelo Aluno 16 “Quando você olha
naquela parte plana na esquerda vai ser o 5 V. No outro lado será o GND. No meio a analógica”
Para o Aluno 2, o LM 35 tem uma proximidade ao LDR “....por ser sensível a alguma
coisa externa” que no caso do LDR há a relação com a “Luz” conforme o Aluno 16. Mas,
para o Aluno 11 “O LDR não tem polaridade” e “ ...o LDR não mais é que um resistor
variável” que “...não tem uma perna central para a leitura dos Volts” (Aluno 15). Em
contrapartida, “O LM 35 tem” (Aluno 16). Portanto, no LM 35 “Não é necessário o divisor de
Após a discussão das 6 perguntas, orientamos os grupos que utilizassem o Fritizing para a elaboração do projeto que solucionava o desafio/problema. As Figuras 33, 34 e 35 os projetos dos Grupos 1, 2 e 3.
Figura 33 — Projeto Sensor de Temperatura – Grupo 1
Fonte: elaborada pelo autor.
Figura 34 — Projeto Sensor de Temperatura – Grupo 2
Fonte: elaborada pelo autor.
Figura 35 — Projeto Sensor de Temperatura – Grupo 3
Fonte: elaborada pelo autor.
Nas imagens, observamos a autonomia dos grupos às numerações diferentes de portas digitais na ligação entre buzzer e Arduino. Além disso, conexões adequadas entre o LM 35, protoboard e Arduino. Portanto, avaliamos que o debate da etapa de investigação foi produtiva em todos os grupos. A existência de uma saída de tensão (OUT) no LM 35 facilita a ligação com as portas digitais por não necessitar de um divisor de tensão como nos projetos da “Atividade Sensor de Luminosidade” e “Atividade Potenciômetro”. Na introdução da etapa de programação questionamos “A porta analógica escolhida pelos grupos lê diretamente
valores de temperatura coletados pelo LM 35?” Para o Aluno 1 “Não”; “Ela vai ler em bit” (Aluno 15) “Entre 0 e 1024” (Aluno 11). As últimas duas falas são de alunos participantes do segundo ano do ensino médio e são conhecimentos de fundamental relevância em robótica com Arduino. Nossas observações indicam que a maioria dos alunos foi capaz de compreender que apesar do LM 35 ler valores de temperatura essa grandeza não é coletada diretamente pelo Arduino, ou seja, temos que desenvolver a programação em termos da escala entre 0 e 1023 onde 0 corresponde a 0V e 1023 corresponde a 5 V. Como sugestão didática para as próximas oficinas sugerimos a analogia entre V (volts) e degraus de uma rampa proposta na Figura 36.
Figura 36 — Analogia entre a faixa de tensão na leitura de dados nas portas digitais do Arduino e o número de degraus de uma rampa para a programação
Fonte: disponível em https://portal.vidadesilicio.com.br/lm35- medindo-temperatura-com-arduino/
A analogia traz a ideia de uma rampa que vai de 0 a 5 V e que pode ser dividida em 1023 degraus. Quando estamos em 0 V não há degrau. Quando estamos em 5 V temos o degrau 1023 como equivalente. Quando estamos em determinada voltagem, temos um determinado degrau que pode ser calculado pelo o que chamamos de função do primeiro grau da Matemática.
Para a relação entre temperatura e volts, informamos que o LM 35 utilizado também apresenta uma relação linear entre a saída de tensão e a temperatura em ºC com uma taxa de 10 mV/ºC na faixa de – 55 ºC a 150 ºC. Aqui também temos um exemplo de grande aplicabilidade da função linear. Como o desafio/problema envolvia acionar a buzina após a leitura de 50 ºC no LM 35, questionamos o valor correspondente em V? Para o Aluno 11 seria “50 vezes o 10 mV” que equivale a “0,5 V” Aluno 16.
Finalizada a relação entre a temperatura de 50 oC e o valor de 0,5 V o Aluno 15 afirmou para o grande grupo “Seria mais fácil a gente pegar e fazer uma leitura no próprio
Arduino”. Paralelamente, o Aluno 16 fez a seguinte colaboração “Monitor Serial?”
essa situação foi inesperada pelo professor. Até a presente atividade não tínhamos apresentado a ferramenta Serial Monitor localizada na interface de programação do Arduino. Ela permite a comunicação entre o Arduino e o computador e a leitura de dados na tela com os comandos Serial.begin(9600) que inicia a comunicação e Serial.print que imprime os valores na tela do computador.
As nossas observações na oficina e a situação inesperada demonstram que os alunos estavam promovendo um processo de ensino/aprendizagem com um grau elevado de autonomia. Ou seja, estavam buscando novas informações com níveis de conhecimentos prévios adequados e, por isso, estavam sendo capazes de integrar conhecimentos com maior nível de complexidade na estrutura cognitiva.
Na etapa de programação em si não tínhamos o objetivo que os grupos fossem capazes de elaborar o programa independente do auxílio do professor. No desafio/problema da “Atividade Sensor de Temperatura” a parte de programação do buzzer tem proximidade com a “Atividade Pisca Led”, porém a parte de programação do LM 35 necessitava de novas informações. Por isso, elaboramos o programa ilustrado a seguir com o auxílio do Datashow com a discussão de cada comando em tempo real.
Finalizado o protótipo para a solução do desafio/problema os grupos utilizaram um display para a leitura em tempo real da temperatura. Como etapa introdutória integramos o display ao buzzer e ao LM 35 (Figura 37) com a inclusão dos comandos para a sua funcionalidade (Figura 38).
Figura 37 — Projeto do alarme de temperatura com integração do display.
Fonte: elaborada pelo autor.
Fonte: elaborada pelo autor.