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Análise da distribuição plantar na marcha

Integral da pressão versus tempo (kPa.s)

ICC Área de

6.2.3 Análise da distribuição plantar na marcha

De maneira geral, os resultados demonstram que a neuropatia diabética está relacionada com o défice sensorial e com a maior incidência de deformidades nos pés. O padrão dinâmico da distribuição da pressão plantar em diabéticos encontra-se com diferenças em relação ao padrão encontrado nos sujeitos não diabéticos. Foi possível observar que, para todos os parâmetros avaliados foi possível discriminar os grupos neuropatas do grupo controlo e tem uma tendência a ser aumentada no grupo neuropata para todas as áreas plantares, inclusive no hálux.

A faixa etária dos indivíduos da presente amostra foi mantida o mais homogénea possível, para que os grupos pudessem ser comparados sem grande interferência do fator idade. Embora saibamos que a neuropatia diabética é uma consequência da diabetes mellitus, que tem a sua gravidade e o

risco de ulceração aumentados com o passar do tempo da doença, os fatores idade e tempo da diabetes não foram diferenciais, já que o tempo da diabetes e a média das idades não diferenciaram os grupos neuropatas. A partir dos resultados obtidos pode-se observar que o GD apresentou um IMC significativamente mais elevado que o GC e verificou-se também picos de pressão plantar mais elevados, no geral, que o GC. Contudo, Cavanagh et al. [55] mostraram que a massa corporal não parece afetar as pressões plantares de indivíduos diabéticos. Todavia, o efeito da massa corporal sobre as pressões plantares ainda permanece algo controverso. Nos indivíduos observados, foi possível confirmar através do biofeedback visual das plataformas e pelos resultados obtidos para as variáveis dos respetivos indivíduos a existência de pé cavo (2 indivíduos diabéticos), pé plano (2 indivíduos pertencentes ao GC e 2 indivíduos pertencentes ao GD) e também hálux valgo (5 indivíduos do GC).

Como referido, a formação da ulceração plantar também tem sido fortemente relacionada com a perda de sensibilidade protetora nos pés [107]. Os resultados relativamente à sensibilidade mostraram que cerca de 30% dos indivíduos do GD foram incapazes de perceber o monofilamento de 10g nas regiões do hálux, antepé lateral e calcâneo. Embora a estesiometria seja um método simples, barato e rápido para investigar a sensibilidade tátil dos pés [112], ela pode ter os seus resultados mascarados pela presença de hiperqueratinização dos pés, mesmo em grupos de indivíduos saudáveis. Esta hiperqueratinização pode ser resultado não só de alterações teciduais presentes em neuropatas, como pode ser resultado de sobrecargas mecânicas aumentadas e/ou cíclicas mesmo em sujeitos não neuropatas.

Em relação ao tempo de contato do pé durante o passo, o GD apresentou um tempo de contato significativamente maior que os demais grupos. Um dos fatores que contribui para essa diferença entre os grupos, é que a velocidade da marcha foi autosselecionada pelos indivíduos. Isto aponta para uma característica já estabelecida na literatura de que os indivíduos diabéticos, sobretudo os que possuem neuropatia periférica, executam a marcha numa velocidade menor à usada por indivíduos não diabéticos [114]. Contudo, este fator não foi crucial, pois verifica-se que os indivíduos presentes neste estudo apresentam já alguma idade, pelo que é esperado que a percentagem do tempo de contato seja maior em pessoas com idade mais avançada.

Relativamente à área de contato, nos tecidos verificou-se uma diferença significativa entre os grupos, onde a área de contato para o GD foi superior ao GC, o que está de acordo com o que era esperado. Isso ocorreu, possivelmente numa tentativa de se procurar maior estabilidade e equilíbrio durante a marcha como consequência do défice sensorial presente na neuropatia diabética. Para a plataforma PhysioSensing verificou-se uma diferença significativa entre os grupos (GC apresentou um valor ligeiramente superior ao GD), tal como o esperado. De salientar, que ao observar os valores das plataformas reparamos que a plataforma de tecidos inteligentes apresenta valores mais baixos (GC=47.13 cm2 e GD=50.4 cm2) comparativamente com a plataforma PhysioSensing (GC=133.85 cm2 e

GD=133.73 cm2). Uma justificação para esta diferença é relativamente ao número de sensores

presentes em cada plataforma, e no caso da plataforma de tecidos inteligentes verifica-se que existe um espaçamento de 1 cm entre cada sensor o que leva a que haja uma perda de informação nessas zonas. Quando avaliada a área de contato para cada região anatómica, foram observadas maiores áreas de contato para as regiões do mediopé e antepé. Estes resultados foram observados em ambas as plataformas. Foram também encontradas diferenças significativas entre os grupos (p<0,05) em ambas plataformas, com exceção nas regiões do calcanhar e mediopé no TI. Observou-se que o GD apresentou valores superiores ao GC, na maioria das regiões, o que está de acordo com o esperado. De acordo com o resultado esperado o GD apresenta um valor superior para o pico de pressão (kPa) em ambas as plataformas. De salientar que os indivíduos presentes no estudo e inclusive os pertencentes ao GC são indivíduos que de alguma forma apresentam determinadas deformidades e/ou

patologias plantares. Daí apresentarem também um valor para o pico de pressão elevado. Quando avaliado o pico de pressão para cada região anatómica avaliada, foram observadas diferenças significativas entre os grupos, onde o GD apresentou valores superiores em geral em relação ao GC. A única vez que se registou o oposto foi para os valores observados para a região do antepé lateral. Estes resultados foram observados em ambas as plataformas. Para o PhysioSensing, as zonas anatómicas onde se registou um valor de pico de pressão superior foi nas regiões do calcanhar e do hálux, nos dois grupos. Já para os tecidos inteligentes as zonas anatómicas onde observou um grande desvio de valores entre os grupos foi o hálux, o calcanhar e o antepé medial. Estes dados estão de acordo com o que esperado, e descrito na literatura.

A alteração de parâmetros de distribuição de pressão plantar nos pés diabéticos neuropatas pôde ser confirmada por meio da análise de integral da pressão. Esta variável diferenciou a distribuição da pressão nos pés dos grupos neuropatas dos pés do grupo controlo. A integral da pressão, que é um indicativo de sobrecarga na superfície plantar, foi diferente entre os grupos, aumentando significativamente do GC para o GD. Segundo Boulton et al [74], esta variável está relacionada ao surgimento de ulceras plantares, em indivíduos com neuropatia periférica, em consequência do aumento do tempo de uma determinada pressão que permanece sendo exercida numa determinada área da planta do pé, podendo ser mais importante do que apenas a identificação do local em que ocorrem os picos de pressão. Os resultados estão de acordo com o esperado, observando-se que as regiões com um intervalo de pressão superior para as regiões do calcanhar, hálux e também antepé lateral, para ambas as plataformas. Estes resultados foram observados em ambas as plataformas, observando também que o grupo diabético apresenta valores superiores ao GC, o que está de acordo com o previsto. Como indicado, o p-value observado é inferior a 0,05, logo é possível afirmar que é possível diferenciar os grupos em ambas as plataformas para as diferentes regiões. .

Um dos fatores limitantes desta investigação foi a pouca disponibilidade de indivíduos diabéticos, para compor grupos de diferentes grupos. Com isso, as comparações entre os grupos podem também estar limitada por erros estatísticos relacionados com o tamanho da amostra.

6.2.4 Comparação dos desempenhos apresentados pelas plataformas