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Análise das duas componentes do processo de custeio

6. ANÁLISE AO SISTEMA DE CUSTEIO

6.2 Análise das duas componentes do processo de custeio

O apuramento da produção é bastante completo, todos os intervenientes diretos do processo produtivo são controlados.

As máquinas são monitorizadas através do apontamento das suas horas disponíveis, horas trabalhadas e perdas de tempo. Esta informação resulta no apuramento da produção e num controlo total por parte dos gestores nos equipamentos da obra, maximizando a utilização destes meios, sempre com a ideia de que um equipamento parado representa uma diminuição da produção e consequentemente um custo para a empresa.

A mão-de-obra direta é controlada pelo apontamento das fichas de ponto. Esta informação permite para além de apurar a produção de mão-de-obra direta, informar os gestores se há necessidade de mobilizar mais meios humanos para um determinado serviço/frente.

Problemas encontrados

Apontamento das fichas diárias dos equipamentos em papel

Um dos maiores problemas do sistema de custeio da empresa está na parte do apontamento dos dados para apurar a produção. O método consiste em registar nas fichas diárias em papel (figura 16) o que se passou com o equipamento durante o dia de trabalho. Em obras com pequenas dimensões não é um problema a ser considerado, nas de grandes dimensões complica o trabalho de custeio na obra.

53 Figura 16 - Ficha diária de equipamento

Neste exemplo, a ficha diária do equipamento tem dois erros graves: a data “31- 02-2013” e a contagem do horometro3.

Principais deficiências deste método:

1. Grande quantidade de fichas a serem digitalizadas no sistema

Se considerarmos uma obra da empresa de grandes dimensões que tem à disposição 400 equipamentos com necessidade de apontamento diário, por exemplo, no final de uma semana de trabalho teríamos 4.800 fichas diárias4 para analisar e digitalizar no sistema. Isto deixa o responsável de custeio com pouco tempo para outras tarefas de grande importância para a obra e compromete muitas vezes a entrega do custeio no prazo estabelecido pela sede.

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Pelo apontamento do operador o equipamento não trabalhou neste turno devido a uma avaria, porém, existe uma diferença de duas horas entre o horometro inicial e o horometro final, o que indica que o equipamento trabalhou duas horas.

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2. Erros consecutivos no apontamento por parte dos operadores das máquinas

Como já foi referido anteriormente a empresa realiza as suas obras maioritariamente nos países em desenvolvimento no mercado Africano, onde a maioria da população não tem acesso à educação básica, e como tal, a taxa de analfabetismo é bastante elevada. Tendo em consideração o baixo nível da mão-de-obra qualificada nestes países e a obrigatoriedade de contratação da população local que as entidades promotoras impõem no início do contrato das obras, é comum haver muitos erros no apontamento por parte dos operadores de veículos, o que dificulta posteriormente a análise aos dados do responsável do custeio.

3. Ilegibilidade das fichas diárias

É comum as fichas diárias serem entregues ilegíveis por motivo de chuva, sujidade ou pela caligrafia dos apontadores, isto deve-se ao apontamento ser feito em obra, onde as condições para o preenchimento das fichas não são as melhores.

4. Falta de credibilidade no apontamento

Acontece também aos operadores das máquinas associarem a sua ficha diária de equipamento à sua folha de ponto, omitindo as paragens que ocorrem ao equipamento com receio de não receberem por esse período, isto resulta em diferenças entre os dados de produção e produção real.

Solução (1):

Uma solução para este problema passa pela implementação de um sistema de apontamento automático e eletrónico em cada um dos equipamentos da empresa. Este sistema funciona via satélite, onde a informação é enviada para o controlo da obra em tempo real e apenas é solicitado ao operador um número limitado de ações:

 Selecionar o tipo de serviço que esta a operar sempre que ligar o equipamento;

55 O apontamento automatizado para além de acabar com todos os problemas indicados anteriormente também gera indicadores de desempenho das obras e permite a tomada de decisão para aumentar a rentabilidade e diminuir os desperdícios através das seguintes informações:

 Quem trabalhou;

 O que fez;

 Com que equipamento trabalhou;

 Em que obra executou a atividade;

 Apontamento de perdas;

 Identificar no momento os equipamentos que estão parados;

 Apurar do custo e produtividade.

Este sistema de apontamento já existe noutras empresas do mesmo ramo da Zagope, com resultados bastante positivos.

O grande investimento é único fator que pode impossibilitar a sua implementação nos equipamentos da empresa.

Solução (2):

A outra solução passa pela formação dos trabalhadores. Existe uma escassez evidente em mão-de-obra local qualificada na generalidade dos países onde a empresa atua, desta forma, o investimento em planos de formação para estes trabalhadores traria grandes vantagens diretas à obra.

Esta solução apenas resolveria os problemas relacionados com os erros dos operadores nas fichas diárias. As dificuldades associadas à digitalização das grandes quantidades de fichas continuariam a existir.

Apontamento das fichas de ponto em papel

O apontamento das fichas de ponto da mão-de-obra direta é feito por cada trabalhador em fichas de papel. Posteriormente essas fichas são entregues no setor de controlo onde é feito o apuramento da produção.

56 Para se conseguir apurar as faltas dos trabalhadores, os encarregados ficam responsáveis por apontar diariamente os trabalhadores que não se apresentaram no serviço e no final do dia reportar essa informação ao setor de controlo da obra.

Este método não é o mais indicado por duas rasões:

1. Grande quantidade de informação para ser digitalizada e tratada;

2. Os encarregados estão responsáveis por uma função que não devia ser sua, o que

resulta em menos tempo disponível para as suas atividades.

Solução:

Uma das maneiras de resolver este problema seria a implementação de um sistema de “picar o ponto”. Com este método tanto o controlo como o departamento de recursos humanos, que são os setores que mais necessitam desta informação, teriam o acesso a ela de maneira organizada, rápida. A cada trabalhador seria concedido um cartão pessoal que o identificaria quando o passasse na máquina. A passagem do cartão seria realizada sempre que o trabalhador iniciasse e parasse o seu trabalho.

No final, todas as horas trabalhadas seriam alocadas nos diversos setores (pedreiro, carpinteiro, servente, etc.) de forma a calcular facilmente a produção.

6.2.2 Apuramento de despesas

O apuramento das despesas da obra é a parte mais importante do sistema de custeio. Este processo é rigoroso, engloba todos os gastos da obra, sejam eles relacionados com materiais, equipamentos, trabalhadores, impostos, contas (água, energia elétrica, telefone) ou doações. Os relatórios gerados mensalmente por esta informação permitem aos gestores acompanhar a evolução das despesas, para que no final da obra o resultado entre despesas e receitas seja positivo.

A opção da empresa em calcular os CAP´s traduz-se num benefício enorme. Grande parte da matéria-prima que a empresa utiliza nas suas construções é produzida por ela mesma em obra, o que torna necessário um controlo dessa produção. Todos os custos dos CAP´s são apurados detalhadamente o que permite melhorar a produção.

57 Com as informações geradas pelos CAP´s os gestores também conseguem decidir facilmente entre, continuar a produzir determinado produto/matéria ou compra-lo diretamente aos seus fornecedores, uma informação essencial para o aumento da competitividade da empresa.

O processo de depreciação das máquinas apresenta uma vantagem e uma desvantagem. Por serem a maior fonte imediata de despesa para as obras, a empresa opta por fazer uma depreciação gradual, custeando como custo apenas as horas trabalhadas no mês em análise. Este método tem a vantagem dos resultados da obra mensais não serem exageradamente influenciados na negativa quando se adquire uma máquina. O problema dá-se quando a obra termina e a máquina ainda não está totalmente depreciada. Se existir uma obra que necessite desta máquina o problema não existe, mas, se nenhuma obra estiver interessada na máquina a despesa fica por custear. Quando isto acontece a empresa opta por dividir o custo ainda existente na máquina e embuti-lo em várias obras, o que resulta num aumento das despesas nessas obras.

Problemas encontrados

Excessiva liberdade na abertura de contas de centros de custos

A principal função dos centros de custos na empresa é alocar as despesas por grupos da uma forma simples e concisa, de forma a permitir uma análise rápida aos gestores na sede da empresa.

A possibilidade dada aos responsáveis do controlo na obra de criarem novas contas de centros de custos tem o objetivo de lhes facilitar a inserção dos dados no sistema, relativos a despesas que não estão englobadas nas contas padrão das obras. O problema dá-se quando esta liberdade é utilizada para criar contas desnecessárias, como é habitual em muitas obras, resultando num excesso de contas criadas para alocação das despesas, o que complica a análise de resultados feita na sede da empresa.

Outro problema dá-se quando, por qualquer razão, o responsável pelo custeio da obra é substituído. O substituto muitas das vezes abre contas já criadas pelo antigo responsável.

58 Isto acontece porque o substituto:

 Não conseguiu identificar que a despesa pertence ao código já existente no sistema;

 Não identificou a despesa com a descrição que o outro responsável deu ao centro de custo;

 Não verificou as contas já criadas pelo outro responsável no sistema.

Solução:

A resolução deste problema não pode passar simplesmente pela proibição de criação de novas contas nos centros de custos aos responsáveis pelo custeio. As contas de centro de custo basse que estão nos sistemas de todas as obras por si só não conseguem englobar todas as despesas existentes na obra.

A solução passa por em qualquer situação em que seja necessário a abertura de uma nova conta no sistema, o responsável pelo custeio da obra ter obrigatoriamente de solicitar autorização à sede para a sua criação. Só depois de uma confirmação positiva, a poder criar. A sede terá assim um acesso completo a todas as contas de centro de custos existentes na obra e desta forma ajudará os responsáveis pelo controlo a não cometerem erros.

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