4. CARACTERIZAÇÃO DOS COMPONENTES FÍSICOS DA PAISAGEM DA ÁREA
4.3. Caracterização dos constituintes do Relevo
4.3.4. Análise das formas do relevo
As formas de relevo foram classificadas através da proposta do Instituto de Pesquisa Tecnológico IPT (1981). A partir da imagem 3D definiram-se as áreas de maior elevação e dissecação sendo possível obter-se uma melhor visualização das formas existentes na superfície. Com o cruzamento da imagem com os canais de drenagem percebe-se com clareza as diferentes feições existentes e como se comportam a medida que distanciam-se desses canais.
Os levantamentos permitiram dividir a área, de uma forma geral, em três principais feições: a porção sul, próximas do rio Jacuí o relevo apresenta extensas planícies, estendendo-se em direção as nascentes dos principais afluentes existentes dentro dos limites da área em estudo, onde é tradicionalmente realizado o cultivo do arroz (exceto as áreas de interfluvios, onde o relevo torna-se mais elevado); a porção central da área, onde começa a surgir formas de entalhamento no substrato rochoso, como vales e paredões rochosos; e, por fim, a porção norte que apresenta um relevo suavemente ondulado a ondulado.
O relevo resulta da ação da erosão diferencial, a qual está associada à natureza da rocha e as condições climáticas, além de eventos tectônicos. Quanto mais resistente a rocha menor será a atuação dos processos de intemperismo e erosão. As influências das condições climáticas dizem respeito ao tipo de clima existente em cada local. Quanto maior o grau de insolação e a quantidade de precipitação, maior será a atuação dos processos de intemperismo e erosão.
O mapa de Unidades de Relevo (Figura 11) permitiu a definição de áreas distintas utilizando elementos de declividade, amplitude, comprimento de vertente, e parâmetros da rede de drenagem. Assim, a partir da análise dos dados obtidos foram definidas 8 unidades com feições e respostas aos processos de dinâmica superficial semelhantes.
Unidade I - Rampas de Fundos de Vale
Esta unidade apresenta uma topografia de relevo plano, na qual predominam as rampas em áreas de fundo de vale, figura 12. Associam-se as menores declividades em áreas inferiores a 5%. As altitudes predominantes são de 80m, atingindo 200m. Região
caracterizada por áreas com drenagens encaixadas em direção ao topo, formadas por vários cursos d’água que cortam as áreas escarpadas e de material coluvial.
Figura 11: Mapa com as unidades de relevo da área de estudo.
A morfologia dessas áreas caracteriza-se por porções levemente onduladas e parte rapidamente para áreas de escarpa com declividade acentuada. Além disso, apresenta vales abertos nas porções de foz das pequenas drenagens e em direção as nascentes, os vales ficam fechados. Essa configuração morfológica resulta na formação de solo a partir de alúvio-colúvio através do retrabalhamento do material desgastado das vertentes.
Figura 12: Perfil topográfico Rincão dos Freu, Nova Palma.
Fonte: Google Earth, 16/03/2011. Org: Schirmer, 2012.
Unidade II - Rampas de Altitudes Elevadas
Estas áreas possuem baixa declividade, menor que 5% apresentando aspectos de colina suavemente ondulada, figura 13. Estão presentes em altitudes maiores que 400metros, localiza-se principalmente na porção nordeste do município.
Figura 13: Perfil topográfico Complexo da Serra, Agudo.
Fonte: Google Earth, 16/03/2011. Org: Schirmer, 2012.
Unidade III – Rampas de Baixas Altitudes
A definição de Rampas de Baixas Altitudes ocorreu a partir da identificação de porções alongadas nas áreas de planície de inundação do rio Jacuí (Figura 14), área essa com altimetria menor que 80 m e com pequenas porções de colinas, onde as declividades são baixas, <5¨%, conferindo à paisagem uma topografia plana. Nessa região estão presentes atividades agrícolas voltadas para o cultivo do arroz e pecuária.
Figura 14: Perfil topográfico nas várzeas do rio Soturno e do Rio Jacuí, Faxinal do Soturno, Dona Francisca e Agudo.
Fonte: Google Earth, 16/03/2011. Org: Schirmer, 2012.
Unidade IV - Colinas de Altitudes Elevadas
As colinas de altitudes elevadas caracterizam-se por possuir forma suavemente ondulada e com porções aplainadas, figura 15. Localizam-se em altitudes acima de 400m, com declividade entre 5 e 15%. A agricultura desenvolvida nessa área do município é predominantemente o cultivo do fumo.
Figura 15: Perfil topográfico na localidade de Rincão do Apel, Pinhal Grande.
Fonte: Google Earth, 16/03/2011. Org: Schirmer, 2012.
Unidade V - Colinas de Baixas Altitudes
Esta unidade é constituída por um relevo colinoso com vertentes onduladas e levemente onduladas em declividades de 5 a 15%, figura 16 São áreas em que os processos erosivos são acentuados. A litologia dessas áreas é composta por arenitos com presença de conglomerados e vestígios de depósito de canais. Os solos são predominantemente argissolos.
Figura 16: Perfil topográfico, Sítio dos Melo, Faxinal do Soturno.
Fonte: Google Earth, 16/03/2011. Org: Schirmer, 2012.
Unidade VI - Patamares entre-escarpas
Nas vertentes de relevo bastante inclinado estão presentes porções planas a levemente onduladas constituindo patamares entre escarpas, figura 17. Formam-se devido a diferença de resistência das rochas.
Figura 17: Perfil topográfico em Linha Boêmia, Agudo.
Fonte: Google Earth, 16/03/2011. Org: Schirmer, 2012.
Os patamares entre-escarpas são constituídos por áreas levemente onduladas com declividade inferior à 15%, localizadas na meia encosta da vertente e, normalmente, marcando contato de derrames vulcânicos. Nas demais porções da escarpa a vertente possui declividade acentuada, normalmente acima de 47%, na porção inferior do patamar, e entre 30 e 47%, na porção superior do patamar. Os patamares apresentam solos com espessura entre 20cm e 1,20m, propícios para o desenvolvimento da agricultura. Na maioria dos casos, esta atividade é realizada a partir da tração animal pela dificuldade de acesso do maquinário.
Unidade VII - Topos de morro
Nas áreas de topo de morro, figura 18, a declividade varia entre 15% e 30%, o solo possui coloração marrom escuro (cor bruna), variando de 10 a 20 cm de profundidade. São superfícies mais resistentes a erosão que resultam em morros isolados situados em superfícies onduladas e elevadas.
Figura 18: Perfil topográfico Cerro Formoso, Dona Francisca.
Fonte: Google Earth, 16/03/2011. Org: Schirmer, 2012.
Unidade VIII - Associação de Morros e Morrotes
De acordo com Florenzano (2008) entende-se por morros, médias elevações do terreno, com domínio de topos arredondados, amplitudes entre 100m e 200m e
declividades altas. Os morrotes são porções de baixas elevações do terreno, com domínio de topos de arredondados, amplitudes entre 20m e 60 m e declividades altas.
Esta unidade predomina nos municípios em estudo, com declividade muito acentuada, predominando declividade acima de 30%, (figura 19). Essas áreas são pertencentes à unidade de relevo do denominada de Rebordo do Planalto Rio- Grandense, formado a partir da erosão e entalhamento das camadas de rochas areníticas e basálticas, resultando em encostas íngremes de cabeceiras de drenagens.
Nessa área ocorrem processos de dissecação, associados a movimentos de massa devido às altas declividades. Nas porções de base da encosta registra-se a presença de depósitos de talus e depósitos coluvionares, resultantes de processos erosivos sendo compostos pela combinação solo-rocha. Nessa área é onde encontra-se a maior parcela da cobertura vegetal dos municípios.
Figura 19: Perfil topográfico entre os municípios de Faxinal do Soturno e Nova Palma.
Fonte: Google Earth, 16/03/2011. Org: Schirmer, 2012.