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Análise das Simulações: Comparações Entre os Modelos

7. ANÁLISE DOS MODELOS ATUAL E PROPOSTO – SIMULAÇÃO DE CASO

7.4 Análise das Simulações: Comparações Entre os Modelos

No modelo atual do governo, os agentes ofertantes sempre fazem lances apenas de quantidades aos preços correntes disponíveis para cada um dos produtos. Agentes aversos ao risco podem optar por vender seus montantes de energia, a preços mais reduzidos sob a ameaça de não serem comercializados seus produtos nesse período. Nesse caso, esses agentes teriam que vender seus lotes de energia no fechamento do mercado ao preço desse mercado (e que poderia estar abaixo, inclusive, do próprio preço de fechamento do leilão). Já os agentes

neutros ao risco, poderiam desistir de comercializar seus lotes a determinados preços considerados baixos demais por eles, preferindo negociá-los no mercado ou em outros processos de leilões porventura existentes. Por outro lado, pelas regras estabelecidas nesse modelo, há a possibilidade de uma ação estratégica por parte dos jogadores ofertantes no sentindo de prejudicar o andamento do leilão. Se o(s) agente(s) concentrar(em) seus lances em um determinado produto, ele será sempre aberto, fazendo com que o preço corrente vá se reduzindo a cada rodada. Esse preço descerá abaixo do preço reserva atingindo um valor mínimo que pode ser inclusive menor que o preço de mercado. A esse preço, obviamente, não há interesse na venda desse produto e o mesmo é eliminado do leilão. Salienta-se que um fato dessa natureza ocorreu no 2º Leilão de Compra de Energia de Empreendimentos Existentes conforme pode ser visto nos resultados desse leilão disponíveis no Anexo 4.

Outro ponto que merece destaque aqui é a possibilidade de “contaminação” do preço de um determinado produto devido ao preço de outro produto no modelo atual do governo. Agentes podem migrar suas ofertas entre produtos abertos e fechados com o intuito de obter a venda otimizada para si. Isso pode fazer com que a redução no preço de um produto leve outros agentes a abandonarem aquele produto específico e ofertarem em outro(s) produto(s) podendo reduzir o seu preço. A melhor opção para os agentes ofertantes seria uma situação em que todos os produtos disponíveis no leilão fossem fechados ao final da 1ª fase. Dessa forma, como todos os lotes já estariam comprometidos, não seria necessário ofertar menores preços para negociar seus lotes, e os preços de fechamento seriam os próprios preços finais da 1ª fase. Isso não contribuiria sobremaneira para o fechamento do leilão aos menores preços possíveis (modicidade tarifária).

O mecanismo de matching game do modelo proposto, apesar de não explorado nesse capítulo da simulação uma vez que se pretendeu comparar e analisar os dois modelos nas suas etapas de leilão aberto e fechado, pode vir a ser uma poderosa arma de negociação se bem conduzida pelo leiloeiro. A idéia é unir os vendedores que desejam comercializar lotes de energia a determinados preços, com compradores que querem adquirir essa energia e aceitam pagar esse preço solicitado. Nessa etapa pode haver, inclusive, sem risco de formação de cartéis ou conluios, negociações diretas entre agentes compradores e vendedores para o fechamento de contratos de compra e venda de energia. É claro que tudo será regulado pelo leiloeiro que tem definido um preço reserva máximo que ele permitirá que os agentes repassem às tarifas dos consumidores finais e cativos. No mercado brasileiro sempre houve

no passado entre elas ou devido a outros fatores. Esse mecanismo de “casamento” pode, e deve, ser explorado para a compra e venda de energia elétrica nessa ambiente regulado.

A grande vantagem do modelo proposto, durante a fase de leilão, é a liberdade que é dada aos agentes para ofertarem preços e quantidades nos produtos de seu interesse. Podem ocorrer em cada rodada, preços correntes uniformes ou discriminatórios para os agentes, conforme observado nas simulações. Só que essa informação é desconhecida por eles. Podem ocorrer situações onde o próprio preço corrente de fechamento de uma rodada seja maior que o preço ofertado por um determinado agente naquela rodada. Cabe a cada jogador particular analisar os preços correntes divulgados para si e sua quantidade atendida em cada rodada e para cada produto. De posse dessas informações, esse agente deve definir uma estratégia que vise comercializar os maiores montantes de sua energia aos maiores preços possíveis para os produtos de seu interesse dentro do leilão.

Pelos valores apresentados nas tabelas anteriores, observa-se que no modelo proposto os agentes têm uma grande liberdade de ofertar seus lotes de energia nos produtos que melhor lhe aprouverem. A divulgação dos valores reais de demanda antes da realização da 2ª fase é uma informação adicional para os jogadores que podem avaliar, com base nesses números e no desenrolar dos valores divulgados ao longo da 1ª fase do leilão, quais são os produtos que estão sendo mais disputados e quais os que não despertaram grandes interesses nos participantes.

Nessa 2ª fase, cada modelo tem suas particularidades com os agentes podendo ofertar suas quantidades finais estabelecidas na fase anterior a preços que serão definidos por eles. O modelo proposto, com o seu mecanismo de segundo preço escalonado, visa estimular os agentes a ofertarem suas próprias valorações dos produtos em leilão, independente desses agentes serem neutros ou aversos ao risco, pois essa estratégia é sempre dominante, mesmo que fracamente em certos casos, para ambos os tipos de jogadores. Nesse modelo, não existem produtos fechados e abertos. Dessa forma, na 2ª fase, os preços ofertados sempre serão menores que os preços finais da 1ª fase sob o risco dos jogadores não efetuarem suas vendas nesse processo. Assim, não há a possibilidade dos agentes manterem os preços finais da rodada anterior como no modelo atual. Como os agentes desconhecem os preços finais uns dos outros bem como as suas quantidades atendidas, eles ficam na incerteza sobre o quanto eles poderão vir a vender. Como já ressaltado, a melhor estratégia seria ofertar suas próprias valorações para os produtos pois garantiria um ganho mínimo da diferença entre a sua valoração e a segunda menor.

7.5 CONCLUSÕES

A conclusão que se pode estabelecer é que há uma maior possibilidade do modelo proposto vir a produzir, ao final do mecanismo como um todo, menores preços finais de fechamento para os contratos, pois os agentes ofertantes sempre são estimulados a ofertar suas próprias valorações para os produtos (energia) na fase de leilão fechado de segundo-preço. Por outro lado, espera-se ainda que os mecanismos de matching games e de ofertas de quantidades e preços produzam o fechamento de um maior volume de quantidades negociadas entre agentes vendedores e compradores, pois os primeiros desejam negociar seus lotes de energia, enquanto aqueles são obrigados, por força de lei, a adquirir 100% da sua carga futura.

As simulações realizadas tiveram a finalidade de ilustrar o funcionamento de um mecanismo e do outro para uma situação hipotética de comercialização de energia em um determinado mercado de energia. Pelo exposto, não se pode fazer uma comparação exata entre as diversas fases dos dois modelos, simplesmente porque eles apresentam ações bem diferentes entre os jogadores em um determinado momento do jogo. Mesmo sem poder comparar os dois modelos, etapa por etapa, fase por fase, uma análise comparativa geral em termos dos resultados produzidos pelos mesmos pode ser realizada. Pelos resultados obtidos nos dois leilões de compra de energia elétrica proveniente de empreendimentos existentes já realizados pelo governo, observou-se que os montantes negociados em ambos ficaram abaixo do esperado e do requerido pelas empresas distribuidoras. De acordo com as características do modelo proposto, espera-se que haja mais negócios efetuados entre agentes compradores e vendedores e mesmo após a fase de leilão fechado de segundo-preço escalonado, onde há possibilidade dos preços de fechamento serem ainda menores que os leilões realizados com o modelo atual, estima-se que os volumes financeiros negociados estejam acima daqueles verificados com o modelo do governo.

Do ponto de vista de facilidade de oferta, para um mercado ainda não completamente sedimentado com as comercializações por intermédio dos leilões, o modelo atual poderia vir a ser melhor em detrimento do outro uma vez que só se oferta quantidade na 1ª fase. No entanto, ambos os modelos tem especificidades que os tornam extremamente úteis para determinados segmentos do mercado. O ponto principal defendido aqui é que os jogadores, sejam eles neutros ou aversos ao risco, têm uma participação mais ativa nos leilões quando eles possuem mais informações acerca do processo em si e dos produtos que estão sendo

leiloados. Além disso, o fato desses agentes ofertarem quantidade e preço na fase aberta do leilão, dá a eles a possibilidade de “jogar” conforme as suas características e estratégias originais e nos produtos leiloados de seu interesse. Vale salientar que comportamentos desse tipo, em que os agentes participam mais ativamente, dando lances de quantidades e de preços, é mais característico de mercados amadurecidos, em que a prática da comercialização de energia através desse mecanismo já faz parte do dia a dia das empresas.

8 ESTRATÉGIAS DE COMPRA E VENDA NO AMBIENTE

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