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IFQ Quantidade Qualidade

3.2 UNIDADE HABITACIONAL B

3.2.4 Análise de Funcionalidade

A avaliação de funcionalidade e qualidade do projeto é feita mediante o cálculo dos indicadores de funcionalidade por compartimento e da habitação, que permite a identificação de problemas ou baixo desempenho de funcionalidade ambiental, conforme pode ser observado no Quadro 25 e ilustrado no Quadro 26.

Os Quadros 25 e 26 mostram a análise de funcionalidade e o quanto a Habitação B atingiu em relação ao desempenho funcional, por compartimento e enquanto habitação. Após os cálculos, verificou-se o IFH de 51, que está relacionado ao conceito de precariedade e funcionalidade do ambiente e às necessidades do usuário. Os ambientes cozinha, área de serviço e banheiro obtiveram os menores indicadores, com baixo desempenho funcional, classificados com o conceito de

atende de maneira precária as necessidades do usuário, conforme

mostrado no Quadro 25. IFQ Quantidade Qualidade Ambiente a1 b1 a b c d IFC Conceito Dormitório 3 1 2 2 3 2 13 Parcial Jantar 3 2 2 3 2 3 15 Parcial Cozinha 2 1 1 0 1 1 6 Precário Banheiro 2 3 2 0 0 3 10 Precário

Área de Serv. 3 1 0 1 1 1 7 Precário

IFH 51 Precário

Quadro 25 – Funcionalidade da Habitação B – IFH 51. Fonte: Adaptada de Leite (2003).

Na análise, observa-se a sobrecarrega de função do setor de serviço - a cozinha e área de serviço - agravada pela ausência de abertura para o exterior e pelo espaço reduzido - principalmente da área de serviço -, onde se encontra um excesso de equipamentos e mobiliários, chegando a obstruir a área destinada à circulação do usuário e a operação dos equipamentos, conforme apresentado nos gráficos do Quadro 26.

No Quadro 26, observam-se as irregularidades apresentadas pelo gráfico tipo radar, que indicam o baixo desempenho funcional dos ambientes. Os ambientes com maior número de irregularidades na forma

do gráfico foram a cozinha, a área de serviço e o banheiro, devido à falta de abertura para o exterior que possibilitaria a iluminação e a ventilação natural. O banheiro não possui disponibilidade de uso simultâneo. Esses ambientes também não obtiveram mais do que um ponto em relação aos outros quesitos, pois atendem de maneira muito precária as funções de acréscimo de equipamentos adicionais, circulação e posicionamento do fogão e geladeira em relação à mesa e à porta de acesso da habitação.

Ambiente Gráfico Modelo Radar IFC IFH

Dormitório A = 10,28m² 13 Parcial Estar | Jantar A = 10,15m² 15 Parcial Cozinha A = 5,37m² 6 Precário Banheiro A = 2,94m² 10 Precário Área de Serviço A = 1,87m² 7 Precário IFH 51 Atende Precário

Quadro 26 – Síntese da análise de funcionalidade espacial e grau de desempenho da Habitação B.

3.2.5 Análise de Habitabilidade

A análise relacionada à habitabilidade da Habitação B observou os fenômenos existenciais, conforme sintetizado no Quadro 27.

a) Territorialidade: na primeira zona – cozinha e área de serviço – verifica-se a demarcação dos limites, com o uso de revestimento cerâmico nas paredes e instalação de equipamentos e mobiliário próprio destes compartimentos para o desempenho de suas funções, conforme mostrado na Figura 21a. A segunda zona é a social, que é composta por sala de jantar e sala de estar com escritório e reversível a dormitório temporário de hóspede. Encontra-se delimitada pelo término do revestimento cerâmico da parede na zona de serviço. Essas zonas encontram-se totalmente integradas, sem barreira visual de vedação e separadas entre si apenas pela disposição do mobiliário e dos equipamentos. O terceiro zoneamento é o íntimo, composto pelo dormitório que encontra-se totalmente compartimentado por paredes de alvenaria com abertura para ventilação e iluminação natural. A quarta zona é a de higiene, composta pelo único banheiro da unidade, que é todo compartimentado, porém não possui abertura para ventilação e iluminação natural.

b) Privacidade: a ausência de barreiras físicas fixas nos ambientes integrados prejudica o nível de controle e diminui a privacidade. Na Habitação B, verificam-se os seguintes dispositivos de controle que viabilizam a privacidade em relação ao exterior: cortina na sala e persiana do tipo blackout no dormitório. No entanto, observa-se que os ambientes com regulação de controle e, portanto, com maior nível de privacidade são o banheiro e o dormitório, por serem espaços compartimentados.

c) Identidade: a possibilidade de identificação do perfil do usuário a partir de vestígios observados nos compartimentos, tais como o uso de bichos de pelúcia em todos os puxadores do guarda-roupa, como pode ser observado na Figura 21c.

d) Ambiência: a apropriação do espaço, por meio da interação efetiva com o ambiente, a decoração dos compartimentos e a disposição do uso de cores e texturas do mobiliário. Uso de caixas para organização de pertences na área de serviço, no guarda-roupa e no armário da sala, de acordo com as Figuras 21a e 21b. A zona de serviço é um espaço que recebe iluminação e ventilação indireta, mediante o compartimento da sala. A habitação possui muitos

espaços destinados a depósitos, distribuídos pelos armários de bancada ou aéreos da cozinha; prateleira e armário com uma porta na área de serviço; armário aéreo na sala de jantar; armário e bancada da sala; guarda-roupa grande no dormitório e armário no banheiro, conforme mostrado nas imagens da Figura 21. O uso de tons em todo o mobiliário, utilização de diferentes objetos e paredes com a mesma cartela de cores com nuances cítricas, observando sobriedade ao espaço, conforme poder ser observado na Figura 21b.

Territorialidade Privacidade Identidade Ambiência Figura 21 – a) Área de serviço, b) Sala de estar e c) Uso do guarda-roupa no dormitório.

Categoria Parecer Técnica

Territorialidade Ambientes com a demarcação de limites facilmente detectada: dormitório, banheiro, cozinha e área de serviço.

Ambientes que apresentam ambiguidade na demarcação de limites: salas/escritório.

Levantamento físico

Privacidade Ambientes com níveis satisfatórios de privacidade: dormitório e banheiro.

Ambientes com baixo desempenho de privacidade: espaço integrado.

Entrevista e observação de vestígios Identidade Ambientes com a personalização do

usuário: dormitório, sala de estar e área de serviço.

Ambientes com baixo nível de expressão individual ou de grupo do usuário: banheiro, sala de jantar e cozinha.

Entrevista e observação de vestígios

Ambiência Ambiente que expressa a interação pessoa-ambiente: dormitório, sala de estar e área de serviço.

Registros de observação vestígios e

Categoria Parecer Técnica Ambiente que apresenta pouca

interferência do usuário (simbologia e afetividades): banheiro.

levantamento fotográfico Iluminação e

ventilação satisfatório: dormitório e o setor social. Ambientes com desempenho Ambientes com baixo nível de iluminação natural: banheiro, área de serviço e cozinha. Ambientes com pouca ventilação natural: área de serviço, cozinha e banheiro. Entrevista, registros de observação e levantamento fotográfico Espaço

adequado em relação à organização espacial: Ambientes com desempenho satisfatório dormitório e sala de estar.

Ambientes com baixo desempenho relacionado à organização espacial: área de serviço, cozinha, banheiro e sala de jantar. Entrevista, levantamento físico e observação de vestígios

Quadro 27 – Síntese da análise de habitabilidade da Habitação B.