• Nenhum resultado encontrado

Capítulo III – Utilizando Geo-Ferramentas

3.1 Análise de impacto ambiental

Segundo a Resolução CONAMA nº 01/86, que trata dos critérios básicos e diretrizes para avaliação de impacto ambiental, o mesmo significa: "qualquer alteração das propriedades físicas, químicas e biológicas do meio ambiente, causada por qualquer forma de matéria ou energia resultante das atividades humanas que, direta ou indiretamente, afetam:

I - a saúde, a segurança e o bem-estar da população; II - as atividades sociais e econômicas;

III - a biota;

IV - as condições estéticas e sanitárias do meio ambiente; V - a qualidade dos recursos ambientais.”

A Instrução Normativa – IN 44, da Fundação Estadual do Meio Ambiente – FATMA, estabelece que os instrumentos técnicos utilizados no processo de Licenciamento Ambiental (item 2.4) sejam:

I – Estudo de Impacto Ambiental (EIA/RIMA); II – Estudo Ambiental Simplificado (EAS); III – Relatório Ambiental Prévio (RAP);

IV – Estudo de Conformidade Ambiental (ECA); V – Projetos de Controle Ambiental;

VI – Planos e Programas Ambientais;

VII – Plano de Recuperação de Áreas Degradadas (PRAD); VIII – Estudo de Análise de Riscos; e

Utilizando Geo-Ferramentas 93

Análise da construção de PCHs no Alto Vale do Rio Tijucas/SC - Direitos Autorais – Lei 9.610/98 – art. 70, itens X e XI (art. 1), § Único

Para a avaliação de impacto ambiental e socioeconômico, foi criada uma matriz de impacto com base em modelos pré-existentes, a fim de estabelecer os níveis de interferência causada pelas usinas. As matrizes e as listas de verificação simples são os métodos de AIA – Avaliação de Impacto Ambiental – mais utilizados. São essencialmente modificações de listas de verificação.

De acordo com Costa et al (2005) estas matrizes consistem da união de duas listas de verificação. Uma lista de ações ou atividades é mostrada horizontalmente, enquanto uma lista de componentes ambientais/sociais aparece verticalmente. A inclusão dessas duas listas de verificação em uma matriz ajuda a identificar os impactos, uma vez que os itens de uma lista podem ser sistematicamente relacionados a todos os outros itens da outra lista, com o objetivo de identificar os possíveis impactos. Isto pode ser feito por meio da incorporação de roteiros para caracterizar os impactos em termos de magnitude e importância em uma escala de 1-10, onde 1 representa a menor magnitude ou importância e 10, a maior. A magnitude de um impacto é tomada como a expressão de sua escala de ação, por exemplo, a área geográfica do impacto. A importância refere-se à significância do impacto: por exemplo, se um impacto visual ocorre em uma área com baixa qualidade de paisagem, um valor de dois ou três pode ser dado, enquanto que em uma área com alta qualidade de paisagem o mesmo nível de impacto teria um valor de oito ou nove.

Os impactos positivos e negativos de cada meio (físico, biótipo e socioeconômico) são alocados no eixo vertical da matriz, de acordo com a fase em que se encontrar o empreendimento (implantação e/ou operação), e com as áreas de influência (direta e/ou indireta), sendo que alguns impactos podem ser alocados, tanto nas fases de implantação e/ou operação, como nas áreas direta e/ou indireta do projeto, com valores diferentes para alguns de seus atributos respectivamente. Cada impacto é, então, alocado na matriz por meio (biótico, antrópico e físico), e cada um contém subsistemas distintos no eixo vertical, sobre o qual os impactos são avaliados nominal e ordinalmente, de acordo com seus atributos. Os atributos de impacto, com suas escalas nominal (atribuindo qualificações, por exemplo, alto, médio e baixo) e ordinal (atribuindo uma ordenação hierarquizada – por exemplo, primeiro, segundo e terceiro graus), possibilitam uma melhora da análise qualitativa (Costa et al., 2005:8-). Um dos modelos matriciais mais difundidos nacional e internacionalmente é a Matriz de Leopold, elaborada em 1971 para o Serviço Geológico do Interior dos Estados Unidos.

Na Ilustração a seguir apresenta-se uma matriz simplificada que foi adotada para a anotação das interferências observadas de forma empírica, a partir de visitação das áreas, da

Utilizando Geo-Ferramentas 94

Análise da construção de PCHs no Alto Vale do Rio Tijucas/SC - Direitos Autorais – Lei 9.610/98 – art. 70, itens X e XI (art. 1), § Único

observação de fotografias e imagens e de conversas e entrevistas realizadas em campo. A mesma foi elaborada pelo autor, levando em consideração os parâmetros básicos exigidos para o licenciamento estabelecido nas Resoluções do CONAMA e na legislação ambiental em vigor, especialmente a Lei nº 6.938/81 e suas alterações (ver Ilustração 6, p. 19).

Ilustração 70 – Matriz simplificada de impacto ambiental

Alterações no ambiente observado Impactos sobre 1. 2. 3. 4. 5. 6. C ara cte rísti ca s F ísi ca s, B iol ógica s e Soc iais D I P N P L R P T C C M L R I A M B Mata Ciliar X X X X X X X Vegetação Nativa X X X X X X X Vegetação Exótica Cursos D’água X X X X X X X Fauna Aquática X X X X X X X Fauna Terrestre X X X X X X X Avifauna X X X X X X X Conforto Sonoro X X X X X X X Conforto Visual X X X X X X X Economia X X X X X X X Lazer X X X X X X X

Fonte: Elaborada pelo autor com base em Barbosa & Dupas, 2008. Legenda:

1. Reflexos sobre o meio: Direto/Indireto; Positivo/Negativo; 2. Abrangência do Impacto: Pontual/Local/Regional;

3. Frequência de manifestação: Permanente/Temporário/Cíclico; 4. Temporalidade (Prazo): Curto/Médio/Longo;

5. Reversibilidade do dano: Reversível/Irreversível; 6. Magnitude do comprometimento: Alta/Média/Baixa

A mata ciliar é degradada em quase toda extensão dos rios analisados mas esta intervenção é agravada nas áreas das usinas. Os métodos tradicionais de utilização do solo para agropecuária são outro fator de intervenção negativa, haja vista que, via de regra, expõem o solo e permitem o aumento do escoamento superficial. No caso da região de estudo

Utilizando Geo-Ferramentas 95

Análise da construção de PCHs no Alto Vale do Rio Tijucas/SC - Direitos Autorais – Lei 9.610/98 – art. 70, itens X e XI (art. 1), § Único

este solo e uma variedade de detritos são carreados aos cursos d’água. A presença das PCHs tende a agravar a situação, a não ser que os projetos de monitoramento e compensação sejam efetivamente postos em prática.

A fauna sofre graves perturbações nos locais e durante os períodos de construção. Porém, também podem se recuperar e até aumentarem suas populações, na dependência da recuperação de áreas desmatadas e criação de corredores ecológicos que permitam sua circulação, a obtenção de alimentos e a miscigenação de grupos de animais, aumentando assim sua biodiversidade.

No que concerne às perturbações sonora e visual, considera-se que a primeira tem seu auge durante as construções e que o distanciamento das Casas de Forças pode amenizar este desconforto, à exceção aos trabalhadores das mesmas, obviamente. A agressão visual é permanente mas pode ser amenizada com a recuperação das áreas, com vegetação, fundamentalmente.