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3 RESULTADOS E TRATAMENTO ESTATÍSTICO

3.7 ANÁLISE DE REGRESSÃO

Segundo Field (2009), para que uma regressão seja minimamente fiável é necessário 10 a 15 indivíduos (variável dependente) por cada preditor testado (variável independente). Como o presente estudo tem uma amostra de 24 crianças em cada grupo estudado, foram consideradas apenas dois preditores. A sua escolha teve como base a pesquisa bibliográfica realizada.

Realizou-se um estudo de regressão pelo método Stepwise para as variáveis dependentes leitura de palavras e leitura de pseudopalavras, no 1º ano. Como variáveis independentes introduziu-se a consciência fonológica (silábica + fonémica) e o conhecimento das letras minúsculas. Este estudo foi realizado para o grupo de crianças normo-ouvintes e para o grupo de crianças com hipoacusia ligeira (Tabela 41).

Foram escolhidas as letras minúsculas, uma vez que a maior parte dos textos com que as crianças têm contacto, e onde iniciam a aprendizagem da leitura, estão impressos em letras minúsculas. Nestes textos, as letras maiúsculas assinalam primordialmente o início da frase, cumprindo assim uma função mais visuo-gráfica do que de descodificação ou mesmo de compreensão do texto (Evans, Bell, Shaw, Moretti, & Page, 2006).

No grupo de crianças normo-ouvintes, a variável consciência fonológica ( = 0,64) previu 41% do desempenho na leitura de palavras. Obteve-se um modelo estatisticamente significativo (F (1,22) = 15,54; p = 0,001).

No grupo de crianças com hipoacusia ligeira, a variável conhecimento das letras minúsculas ( = 0,75) previu 56% do desempenho na leitura de palavras. Obteve-se um modelo estatisticamente significativo (F (1,22) = 27,61; p = 0,001).

No grupo de crianças normo-ouvintes, a variável conhecimento das letras minúsculas ( = 0,54) previu 29,0% do desempenho na leitura de pseudopalavras. Obteve-se um modelo estatisticamente significativo (F (1,22) = 8,99; p = 0,007).

No grupo de crianças com hipoacusia ligeira, a variável conhecimento das letras minúsculas ( = 0,61) previu 38% do desempenho na leitura de pseudopalavras. Obteve- se um modelo estatisticamente significativo (F (1,22) = 13,17; p = 0,001).

Tabela 41 – Contributo dos preditores (Consciência Fonológica e Conhecimento das letras Minúsculas), por grupo, para a explicação da Exactidão da Leitura de Palavras e de

Pseudopalavras (1º Ano)

Hipoacusia Ligeira Normo-Ouvinte R2 β p R2 β p

Leitura de Palavras (1º Ano) 0,56 0,000 0,41 0,001 Consciência Fonológica (Fonema +

Sílaba) 0,64 0,001

Conhecimento das letras Minúsculas 0,75 0,000

Leitura de Pseudopalavras (1º Ano) 0,38 0,001 0,29 0,007 Consciência Fonológica (Fonema +

Sílaba)

Conhecimento das letras Minúsculas 0,61 0,001 0,54 0,007

Legenda: R2 – coeficiente de determinação; β – coeficiente de regressão padronizado

Realizou-se um estudo de regressão pelo método Stepwise para as variáveis dependentes leitura de palavras e leitura de pseudopalavras, no 2º ano. Como variáveis independentes introduziu-se a consciência fonológica (silábica + fonémica) e o conhecimento das letras minúsculas.

Este estudo foi realizado para o grupo de crianças normo-ouvintes e para o grupo de crianças com hipoacusia ligeira (Tabela 42).

No grupo de crianças normo-ouvintes, as variáveis introduzidas, consciência fonológica (silábica + fonémica) e conhecimento das letras minúsculas não foram preditoras do desempenho na leitura de palavras. Não se obteve um modelo estatisticamente significativo.

No grupo de crianças com hipoacusia ligeira, a variável conhecimento das letras minúsculas ( = 0,81) previu 66 % do desempenho na leitura de palavras. Obteve-se um modelo estatisticamente significativo (F (1,21) = 40,77; p = 0,001).

No grupo de crianças normo-ouvintes, as variáveis introduzidas, consciência fonológica (silábica + fonémica) e conhecimento das letras minúsculas não foram preditoras do desempenho na leitura de pseudopalavras. O modelo não foi estatisticamente significativo.

No grupo de crianças com hipoacusia ligeira, a variável conhecimento das letras minúsculas ( = 0,63) previu 40% do desempenho na leitura de pseudopalavras. Obteve- se um modelo estatisticamente significativo (F (1,21) = 14,13; p = 0,001).

Tabela 42 – Contributo dos preditores (Consciência Fonológica e Conhecimento das letras Minúsculas), por grupo, para a explicação da Exactidão da Leitura de Palavras e de

Pseudopalavras (2º Ano)

Hipoacusia Ligeira Normo-Ouvinte R2 β p R2 β p

Leitura de Palavras (2º Ano) 0,66 0,000

Não são preditores Consciência Fonológica (Fonema + Sílaba)

Conhecimento das letras Minúsculas 0,81 0,000

Leitura de Pseudopalavras (2º Ano) 0,40 0,000

Não são preditores Consciência Fonológica (Fonema + Sílaba)

Conhecimento das letras Minúsculas 0,63 0,000

Finalmente, realizou-se um estudo de regressão pelo método Stepwise para a variável dependente compreensão na leitura (2º ano). Como variáveis independentes introduziu- se o vocabulário e o tempo de reacção de leitura de pseudopalavras no 2º ano. Este estudo foi realizado para o grupo de crianças normo-ouvintes e para o grupo de crianças com hipoacusia ligeira (Tabela 43).

No grupo de crianças normo-ouvintes, a variável tempo de reacção de leitura de pseudopalavras ( = - 0,65) previu 42% do desempenho na compreensão na leitura. Obteve-se um modelo estatisticamente significativo (F (1,21) = 15,20; p = 0,001).

No grupo de crianças com hipoacusia ligeira, a variável vocabulário ( = 0,55) previu 31% do desempenho na compreensão na leitura. Obteve-se um modelo estatisticamente significativo (F (1,21) = 9,32; p = 0,006).

Tabela 43 – Contributo dos preditores (Vocabulário e Tempo de Reacção de Leitura de Pseudopalavras) para a explicação da Exactidão da Compreensão na Leitura (2º Ano)

Hipoacusia Ligeira Normo-Ouvinte R2 β p R2 β p

Compreensão na Leitura (2º Ano) 0,31 0,006 0,42 0,001 Vocabulário 0,55 0,006

Tempo de Reacção de Leitura de

Em síntese:

Em relação ao estudo de correlação salientou-se:

 A presença, apenas no grupo de crianças com hipoacusia ligeira, de correlações estatisticamente significativas ou marginalmente significativas entre o nível da inteligência não verbal e o vocabulário, a consciência fonológica, o conhecimento de letras maiúsculas, o conhecimento das letras minúsculas, a leitura de palavras no 1º e no 2º ano de escolaridade, a leitura de palavras irregulares de alta frequência no 1º e no 2º ano de escolaridade, a leitura de pseudopalavras no 2º ano e a compreensão na leitura (correlação entre 0,366 e 0,710).

 Também, apenas no grupo de crianças com hipoacusia ligeira existirem correlações estatisticamente significativas ou marginalmente significativas entre o vocabulário e a consciência fonológica, a leitura de palavras no 1º ano, a leitura de palavras irregulares de alta frequência no 1º e 2º ano de escolaridade, o tempo de reacção de leitura de palavras no 2º ano e a compreensão na leitura (correlação entre - 0,399 e 0,492).

Em relação às análises de regressão, verificou-se:

 No grupo de crianças normo-ouvintes, a variável consciência fonológica foi preditora do desempenho na leitura de palavras, apenas no 1º ano, enquanto no grupo de crianças com hipoacusia ligeira, a variável conhecimento de letras minúsculas foi preditora na leitura de palavras, tanto no 1º como no 2º ano de escolaridade.

 No grupo de crianças normo-ouvintes, a variável conhecimento das letras minúsculas foi preditora do desempenho na leitura de pseudopalavras, apenas no 1º ano, enquanto no grupo de crianças com hipoacusia ligeira, a variável conhecimento de letras minúsculas foi preditora na leitura de pseudopalavras, tanto no 1º como no 2º ano de escolaridade.

 Em relação ao desempenho na compreensão na leitura, os dois grupos de crianças em estudo tiveram preditores diferentes, a variável tempo de reacção de leitura de pseudopalavras para o grupo de crianças normo-ouvintes e a variável vocabulário para o grupo de crianças com hipoacusia ligeira.