Esta seção apresenta e analisa os dados demográficos e funcionais por uma perspectiva estatisticamente descritiva, utilizando medidas de centralidade e dispersão para construir o perfil dos respondentes. As variáveis demográficas (gênero, idade e escolaridade) e funcionais (controle, cidade, tempo na empresa e função profissional) foram tratadas individualmente e, quando necessário, por tabulações cruzadas. As respostas em branco ou nulas foram retratadas nos gráficos e tabelas, mas não comentadas na descrição dos dados para não haver excesso de informação, exceto em situações de relevância do número.
No que tange ao gênero, a amostra está segmentada em 53,5% dos participantes do gênero masculino e 45,7% do gênero feminino, conforme Gráfico 3. Os percentuais demonstram uma superioridade numérica masculina na amostra desta pesquisa e indicam uma predominância deste gênero em instituições bancárias. Contudo, o resultado da Região
Quesito Frequência Percentual Percentual acumulado Formulários preenchidos 160 100,0% - Funcional-institucional 11 6,9% 6,9% Funcional-localidade 16 10,0% 16,9% Perdas do sistema 6 3,8% 20,6% Formulários válidos 127 79,4% -
Sudeste do Censo da Diversidade 2014 sugere o oposto, uma vez que, 51,9% dos bancários pertencem ao gênero feminino e 48,1% ao masculino, apesar de essa diferença não ser muito grande (FEBRABAN, 2014b).
Esta comparação deve vir sucedida de ressalva, pois a abrangência geográfica do Censo da Diversidade 2014 utilizada como parâmetro (Região Sudeste) e a limitação geográfica da pesquisa, apenas as cidades de Niterói e Rio de Janeiro, impossibilitam confirmações conclusivas sobre a representatividade feminina e masculina nas instituições bancárias. Porém, devido à proximidade dos percentuais nos dois casos, pode-se afirmar que os bancos possuem uma divisão homogênea entre funcionários homens e mulheres e, assim, a amostra retrata a realidade.
Gráfico 3 – Gênero dos respondentes
Fonte: Elaborado pela autora (2015).
Os dados extraídos no quesito idade, Tabela 3, permitem afirmar que entre os funcionários dos bancos há significativa disparidade de idade. A justificativa está pautada na dispersa distribuição das respostas, constatada pelo desvio padrão retornado em ±10,14, pela diferença entre os extremos de 41 anos e pelas medidas de mínimo e máximo, na qual a menor idade relatada foi de 19 anos e, a maior, de 60 anos. Esta última representa o início do direito de solicitação de aposentadoria por idade para os trabalhadores urbanos femininos, e próximo aos 65 anos, a idade para os homens se aposentarem, indicando a construção de uma carreira bancária pelo indivíduo (BRASIL, 2015a).
Tabela 3 – Estatística descritiva dos dados da idade
Fonte: Elaborado pela autora (2015).
Apesar de possuir funcionários de diferentes idades, sua representatividade compõe-se de um grupo com idade média de 36,69 anos. De acordo com a mediana, o valor central de todas as idades é de 35 anos. Nos resultados fornecidos pelo quartil, pode-se afirmar que 50% da amostra têm de 19 até 35 anos e os demais 50% têm de 36 a até 60 anos, uma diferença entre os extremos maior do que no primeiro caso, possibilitando concluir que o grupo de maior representatividade nas instituições bancárias é o dos mais jovens.
Após essa primeira análise dos dados, os valores encontrados foram agrupados em faixas etárias, para facilitar o processo de síntese. A referência utilizada foram os índices aplicados pelo censo da diversidade 2014. Este novo formato, apresentado no Gráfico 4, demonstra que a maior parcela de indivíduos está na faixa etária de 25 a 34 anos (37%), seguida pela faixa etária de 35 a 44 anos (28,3%); 45 a 54 anos (16,5%); menos de 25 anos (11,8%) e acima de 54 anos (5,5%). Esses valores corroboram a afirmativa de que o grupo com maior percentual de idade nos bancos pesquisados foi composto por indivíduos com idade inferior ou igual a 35 anos.
Os resultados do censo da diversidade 2014, na Região Sudeste, apresentam percentuais similares e com a mesma ordem decrescente de representação encontrada nesta pesquisa. A maior faixa etária permanece entre 25 e 34 anos, com 39,7%, seguida da faixa etária de 35 a 44 anos, com 25,5%; 45 a 54 anos (21,7%); menos de 25 anos (7,3%); e acima de 55 anos (5,7%), demonstrando que a amostra aleatória representa fidedignamente a população pesquisada (FEBRABAN, 2014b).
Média
Erro padrão da média Mediana
Moda Desvio padrão Variância
Diferença entre os extremos Mínimo Máximo Somatório Percentis (Quartil) 25 29 50 35 75 43
a. Múltiplas modas existem. O menor valor está apresentado. Estatística descritiva das idades dos respondentes
36,69 0,903 35 29 10,139 102,807 41 19 60 4623
Gráfico 4 – Faixa etária dos respondentes
Fonte: Elaborado pela autora (2015).
A variável escolaridade retrata que as instituições bancárias são operadas, na maioria, por pessoal com terceiro grau completo, pois 79,6% dos funcionários possuem, no mínimo, o ensino superior completo, conforme Gráfico 5. Além do ensino superior, 21,3% apresentam formação em cursos de pós-graduação lato sensu. Essa categoria de educação é estruturada para especializar os indivíduos frente às teorias de áreas restritas, em uma perspectiva mais prática, diferenciando-se, assim, da graduação, mais abrangente, e das pós-graduações stricto
sensu, mais críticas e teóricas.
Gráfico 5 – Escolaridade dos respondentes
Fonte: Elaborado pela autora (2015).
Este percentual significativo aponta para a existência de incentivos por parte do banco para a procura por esta formação, e/ou os funcionários identificam a necessidade de aperfeiçoamento para desempenharem satisfatoriamente suas respectivas funções. Por outro lado, o percentual de funcionários com mestrado (6,3%) e doutorado (2,4%) representa um total de 8,7%, menos do que a metade da modalidade considerada como especialização. Deste
modo, parece não haver incentivo, por parte dos bancos, e tampouco identificação de necessidade por parte dos funcionários, de pleitear essas formações.
No intuito de confirmar essas suposições, uma frequência cruzada entre as classes de idade e a escolaridade foi gerada (Gráfico 6).
Do grupo com ensino médio completo, 32% estão na faixa etária de menos de 25 anos, 28% de 26 a 34 anos, 16% de 35 a 44 anos, 20% de 45 a 54 e 4% acima de 54 anos. O grupo com menos de 25 anos e até o início da segunda faixa etária confirma a suposição de que há uma parcela considerável de jovens trabalhando nas instituições bancárias sob estudo. Considera-se a idade até 27 anos, pois não existe a opção “cursando o ensino superior”.
Em contrapartida, as demais faixas etárias confirmam a suposição de que o banco funciona, também, por meio de funcionários com formação acadêmica básica e que, possivelmente, não há incentivos para os indivíduos darem continuidade aos estudos.
Gráfico 6 – Tabulação cruzada da escolaridade com as classes de idades
Fonte: Elaborado pela autora (2015).
A escolaridade na Região Sudeste, constatada no censo da diversidade 2014, está configurada por 4,5% até o ensino médio completo, 14,7% com ensino superior incompleto, 47,5% com ensino superior completo e 41,1% acima do ensino superior completo. Para ser possível comparar os resultados, os dados desta pesquisa foram agrupados segundo parâmetro utilizado no censo da diversidade 2014 ou vice-versa. Como não existe a opção do ensino superior incompleto na pesquisa realizada, deve-se assumir que o percentual 19,7% possui essa opção acrescida do ensino médio completo. Somando essas opções pelo censo da
diversidade, o resultado foi 19,2%, um valor similar. As outras duas opções foram 48,8% com ensino superior completo e 30,8% acima do ensino superior.
Nas variáveis funcionais, os respondentes foram questionados primeiramente quanto ao tipo de controle da instituição bancária. As respostas retornaram em 40,9% privado, 54,3% público e 4,7% sociedade de economia mista (acrescentada na opção “outros”), conforme o Gráfico 7. A literatura aponta dificuldade em estabelecer uma definição única sobre sociedade de economia mista. Contudo, a parte consensual entre os estudiosos está pautada na forma de participação igualitária entre pessoas de direito público e privado, tanto na constituição do capital quanto na administração da companhia (FERREIRA, 2011, p. 28).
Partindo dessa premissa conceitual para uma mais prática, o governo federal brasileiro classifica como sociedade de economia mista o Banco do Brasil e a Petrobras (BRASIL, 2015b). Porém, para o Banco Central do Brasil (BCB), as categorias dos tipos de controle nas instituições bancárias e operadoras de crédito são público, privado nacional e privado com controle estrangeiro. Optou-se por utilizar a referência adotada pelo Banco Central do Brasil, pois esta pesquisa trata de instituições regulamentas diretamente por este órgão e, como nesta entidade o Banco do Brasil é definido como sendo de controle público, uma nova segmentação agrupada foi gerada (BACEN, 2014). Após esta estipulação, a conformação final ficou em 40,9% os bancos privados e 59,1% os bancos públicos (Gráfico 8).
Gráfico 7 – Tipo de controle das Instituições bancárias
Fonte: Elaborado pela autora (2015).
Gráfico 8 – Tipo de controle das Instituições bancárias redefinido
Fonte: Elaborado pela autora (2015).
A representativa por cidade é maior no Rio de Janeiro, com 61,4% dos respondentes contratados nesta região. Já a cidade de Niterói foi representada por 37,8% (Gráfico 9).
Gráfico 9 – Localização da agência ou lotação dos respondentes por cidade
Fonte: Elaborado pela autora (2015).
Na variável “tempo de vínculo institucional”, os respondentes preencheram o campo de acordo com os respectivos tempos de permanência na organização atual, com uma medida anual e/ou mensal, sendo o segundo não obrigatório no formulário online. Apesar de não estar contemplado o histórico profissional individual, parte-se da suposição de que a experiência profissional e pessoal adquirida constrói a identidade do indivíduo, impactando na maneira como este se relacionará (percepção) nos ambientes organizacionais seguintes e, assim, possibilitando a utilização ou não de estratégias defensivas mais bem-sucedidas.
De forma a contribuir para este panorama, o censo da diversidade 2014 fez este levantamento: a experiência profissional prévia dos funcionários de instituições bancárias respondentes da pesquisa teve como resultado que 11,6% nunca haviam trabalhado; 14,2% não estavam trabalhando; 16,1% já trabalhavam no setor; 57,7% trabalhavam em outro setor; e 0,5 não apresentaram respostas (FEBRABAN, 2014b). Considera-se pertinente trabalhar com os resultados alcançados pelo censo da diversidade, uma vez que os resultados desta pesquisa têm se mostrado equivalentes e, assim, fidedignos à pesquisa censitária na sua proporção.
Retornando aos dados desta pesquisa, a estatística descritiva da variável em questão está consolidada na Tabela 4. Ao verificar o mínimo de tempo de permanência relatado (três meses), há um indicativo de que as instituições bancárias buscam a renovação do quadro de pessoal. O máximo de tempo contabilizado foi de 34 anos e quatro meses. Os valores de mínimo e máximo, confirmados pela medida da diferença entre os extremos, 34 anos e um mês, indicam que as instituições bancárias possuem funcionários com experiências e conhecimentos organizacionais variados.
Este indicado é confirmado pelo coeficiente de variação, uma medida de dispersão relativa, que demonstra significativa variabilidade dos dados em torno da média, com 0,85,
apontando para uma heterogeneidade do conjunto de dados do tempo de permanência na instituição bancária.
Tabela 4 – Estatística descritiva do tempo de vínculo com a instituição atual
Fonte: Elaborado pela autora (2015).
A média de tempo de permanência na instituição é de 9,88, o que representa nove anos e onze meses aproximadamente, o que é importante indicativo de retenção de pessoal. Contudo, como existem pessoas em instituições de controle privado e público, vale verificar possíveis discrepâncias nesses tempos de vínculo, uma vez que organizações com controle público se caracterizam pela estabilidade.
A construção das faixas temporais de permanência para o agrupamento das respostas teve por base as utilizadas pelo censo da diversidade 2014 e pelos resultados do Rais 2012 (FEBRABAN, 2014b; DIEESE, 2014b). A proporção de 51,2% dos respondentes está vinculada à instituição atual de 5 até 20 anos, conforme Gráfico 10.
Média 9,8827
Erro padrão da média 0,76101
Mediana 7
Moda 2,00a
Desvio padrão 8,4742
Variância 71,812
Diferença entre extremos 34,05
Mínimo 0,25 Máximo 34,3 Soma 1225,46 Percentis (Quartil) 25 3,75 50 7 75 13,75 a. Existem múltiplas moda. O menor valor está apresentado.
Gráfico 10 – Tempo de vínculo institucional
Fonte: Elaborado pela autora (2015).
A distribuição pela função profissional foi majoritariamente representada por gerente, com 31,5% (Gráfico 11). Em seguida, as categorias de assistentes e profissionais básicos aparecem com representação de 14,2% e 13,4%, respectivamente. Nos profissionais básicos, foram incluídos os cargos exigidos no edital de concurso com ensino superior, e neles se encaixam os contadores, engenheiros, arquitetos, psicólogos, advogados, economistas e administradores.
Os dados obtidos no censo da diversidade em 2014, para a Região Sudeste, demonstraram que, no somatório entre homens e mulheres, 39,4% estavam na categoria operacional/administrativo; 34,9% na categoria técnico/profissional/comercial; 8,6% na coordenação/supervisão; 16,4% na gerência; e 0,7% na direção/superintendência.
Gráfico 11 – Função profissional nas instituições bancárias
Fonte: Elaborado pela autora (2015).
Finalizada a apresentação do perfil demográfico e funcional dos funcionários de instituições bancárias respondentes da pesquisa, a seção a seguir destina-se a analisar
descritivamente as respostas atribuídas às afirmativas sobre percepção de justiça organizacional.
4.2 PERCEPÇÃO DE JUSTIÇA ORGANIZACIONAL DOS FUNCIONÁRIOS DE