4. DELINEAMENTOS EXPERIMENTAIS
4.1 Detalhamentos do Projeto Piloto – Primeiro Experimento
4.1.2 Análise do Experimento
Gráfico 4.1 – Tipo de Equipamento de Acesso à Internet
Fonte: elaborado pelo autor
O ensino híbrido, mediado pelas TICs, em especial pelos dispositivos móveis com acesso a Internet, podem flexibilizar o atendimento, ao mesmo tempo, a múltiplos públicos de alunos, personalizando a aprendizagem para os mais ágeis e os mais lentos, para os mais participativos e os mais passivos e para os mais autônomos e os mais dependentes (BACICH et al. 2015).
Já no segundo item, quanto à ajuda na realização da tarefa de casa, cujos resultados são apresentados na gráfico 4.2, há uma predominância em “fazer sozinho”, o que pode indicar autonomia, que é uma competência necessária e importante na formação do aluno. Todavia, pode também, indicar uma falta de orientação e apoio na realização do tema de casa, visto que apenas 11% dos alunos informaram contar com a ajuda do pai ou da mãe para realizar as tarefas. Nesse aspecto, há de se destacar a “ajuda dos amigos”, em número superior ao número dos familiares, indicando a relevância de se desenvolver trabalhos colaborativos entre pares (OLIVEIRA et al., 2017).
Em relação aos 12 (doze) itens do questionário da escala tipo Likert, dos itens 1 a 6, que tratam da aceitação e da realização do tema de casa, há uma boa concordância com as afirmações dos itens, ou seja, com a importância da realização das tarefas de casa, com exceção do item “O tema de casa prejudica meu descanso e meu lazer”, com média de 2,5 pontos, o que indica aceitação moderada nesse quesito.
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EQUIPAMENTO DE
ACESSO À INTERNET
Gráfico 4.2 – Quem ajuda no Tema de Casa
Fonte: elaborado pelo autor
Esses aspectos, de valorização da realização do tema de casa pelos alunos, de forma geral, confirmam os resultados do estudo realizado por DILLARD-EGGERS et al. (2011), que indicaram que a lição de casa online melhora o desempenho do aluno, e que eles acreditam que essa modalidade de lição online é um método efetivo de estudo.
Já os itens 7 a 12, sobre a aceitação e a utilização do Chatbot, todos os participantes apresentaram muita satisfação com a qualidade do aspecto descrito, com médias superiores a 3,6, com exceção do item sobre a realização do “tema de casa feito no computador ser melhor do que o feito no livro”, com média de 3,1 pontos, que indica aceitação moderada.
Dessa forma, a aplicação do tema de casa mediada pelo Chatbot demonstrou ótima aceitação, convergindo para o alcance do objetivo do trabalho de promover a aprendizagem, através das tarefas de casa na disciplina de matemática mediada pelo AC. Assim, no estabelecimento da comunicação didática, buscou-se o diálogo, que segundo Alro e Skovsmose (2006), trata-se de uma conversação com certas qualidades”.
A proposta de mediação oferecida pelo Chatbot estabelece conexões por meio desse intermediário e, quando o processo ensino-aprendizagem está inserido no contexto das TICs, há uma dupla mediação, pois para se apropriar do conhecimento, o aluno é mediado tanto pelo professor quanto pelas tecnologias utilizadas como ferramenta na aprendizagem (TOSCHI, 2011).
Mas, apesar dos bons resultados, indicados pelas altas médias verificadas no questionário, fazem-se necessárias algumas melhorias importantes na aplicação do Chatbot como mediador da tarefa de casa, principalmente em relação à facilidade de utilização do
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QUEM AJUDA NO TEMA DE CASA
aplicativo, tornando-o mais simples. Além disso, merece atenção a preocupação com a conscientização dos alunos, que ainda não desenvolveram o hábito pela realização do tema de casa para a importância dessa prática para promover a aprendizagem e o desempenho escolar na disciplina de matemática.
Por outro lado, é importa procurar desenvolver maior participação dos familiares na realização do tema, visto a baixa participação dos responsáveis apontada no questionário, pois esse engajamento pode contribuir no processo de aprendizagem dos alunos, além de fomentar um diálogo de acompanhamento das atividades escolares.
Além disso, durante a aplicação do experimento, algumas observações importantes sobre a API do Chatbot e sobre a interação e a participação dos alunos na plataforma foram verificadas, tais como:
- aumento do engajamento na realização das tarefas de casa, visto que, sem a utilização do Chatbot, como mediador das atividades, a taxa de alunos que não realizavam a tarefa era em torno de 24% e, com a utilização do AC, esse índice baixou para 8%. O Chatbot atuou como o mais experiente e mediador para auxiliar os que ainda eram incapazes de solucionar sozinhos uma situação-problema, agindo na Zona de Desenvolvimento Proximal (VYGOTSKY, 2007). Essa ação do AC ocorreu através da comunicação didática, que proporcionou um diálogo próximo e aberto com o objetivo de promover a aprendizagem.
- todas as tarefas de casa realizadas em ambiente EaD valiam alguma pontuação na composição da nota parcial dos alunos, o que ajudou no engajamento dos mesmos.
- o ambiente do Chatbot ainda estava muito direcionado para esclarecimentos sobre as avaliações. Assim, é necessário ampliar os assuntos disponíveis para acesso dos alunos, a fim de evitar o caráter especificamente de avaliação do Chatbot, mas que ele seja um agente de comunicação didática, que auxilia todo o processo ensino-aprendizagem, não se limitando à terminalidade específica de um teste.
- os alunos ao longo do semestre desenvolveram o compromisso com as atividades semanais da tarefa de casa, o que faziam regularmente perguntando: “essa semana vai ter JorgeBot?”
- o feedback imediato proporcionado pelas atividades, mediadas pelo Chatbot, foi de grande importância, pois permitiu para o professor acompanhar de maneira muito mais próxima a eficácia das técnicas de ensino que estavam sendo desenvolvidas. Ou seja, se o desempenho dos alunos estava transcorrendo de forma satisfatória ou se os resultados não estavam aceitáveis, era possível manter ou corrigir rapidamente o desenvolvimento das atividades da aula regular.
- a abertura de um canal de comunicação didática, que amplia o tempo e o espaço de sala de aula, mostrou-se favorável, principalmente, por permitir que todos os alunos pudessem interagir com o professor, independentemente de ter maior ou menor espaço em sala de aula regular. Nesse contexto, Lorenzo (2013) aponta algumas possibilidades de utilização das redes sociais em proveito da educação escolar, entre elas: divulgar e compartilhar os recursos disponíveis (textos, vídeos, sites, animações) e, principalmente, a criação de um canal de comunicação e colaboração que aproxima alunos e professor.
- utilizar um AC como mediador, que auxilia e complementa o processo ensino- aprendizagem, exige grande planejamento e demanda um volume considerável de trabalho por parte do professor, principalmente na construção do material que será automatizado para ser disponibilizado para o aluno. Entretanto, esse material depois de construído pode sempre ser reaproveitado para outras turmas, além de pode ser compartilhado com outros professores que poderão construir e compartilhar esses objetos de aprendizagem (TAROUCO et al., 2003).