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6 RESULTADOS E DISCUSSÃO

6.1 Análise do pH do solo e do material percolado

Na Tabela 15 é apresentado o resumo da análise de variância dos valores médios de pH do extrato aquoso do solo, em função dos tratamentos com ARS e adubação nos períodos de coleta.

Tabela 15 Resumo da análise de variância para a obtenção dos valores de F do pH (CaCl2) do extrato aquoso do solo sob tratamento com as taxas de aplicação da água residuária de suinocultura e adubação nos períodos de coleta

F Fonte de variação

0 DAS 59 DAS 118 DAS

ARS 2,33ns 9,94* 11,10* AD 0,50 ns 2,69 ns 0,01 ns ARS x AD 2,82 ns 1,09 ns 0,06 ns Bloco 0,26 ns 0,47 ns 1,77 ns CV (%) 2,19 2,91 2,83 DP 0,14 0,19 0,18 Média geral 6,57 6,41 6,58

* indica que o valor de F é significativo e “ns” que o valor de F não é significativo ao nível de 5% de

significância. ARS = água residuária de suinocultura; AD = adubação; CV = coeficiente de variação; DP = desvio padrão; DAS = dias após a semeadura.

Na Tabela 15 observa-se que o valor de F foi significativo apenas para as taxas de aplicação de ARS nos períodos de 59 DAS e 118 DAS. Isto implica que o pH do extrato aquoso do solo não variou em função da adição ou não da adubação. Nota-se ainda que a coleta do solo realizada antes da semeadura 0 DAS não apresentou diferenças significativas para os fatores analisados, embora na área avaliada vinha sendo aplicado as taxas de ARS. Os coeficientes de variação foram classificados como baixos, uma vez que foram inferiores a 10 %, representando dados homogêneos (PIMENTEL GOMES, 2000).

Na Tabela 16 é apresentado o resultado do teste de comparação de médias dos valores de pH no extrato aquoso do solo de acordo com as taxas de aplicação de ARS nos períodos de 59 e 118 DAS.

Tabela 16 Médias do pH (CaCl2) do extrato aquoso do solo em função dos tratamentos com água residuária de suinocultura nos períodos de 59 e 118 dias após a semeadura

DAS

Taxas (m3 ha-1) 59 DAS 118 DAS

0 6,18 A 6,22 A

100 6,23 A 6,58 B

200 6,57 B 6,72 B

300 6,67 B 6,78 B

Letras maiúsculas iguais na coluna não diferem entre si de acordo com o Teste de Tukey ao nível de 5 % de significância. DAS = dias após a semeadura.

Observa-se pela Tabela 16 que os valores médios do pH do extrato aquoso do solo aos 59 DAS foi maior para a maior taxa de ARS (300 m3 ha-1) o qual diferiu estatisticamente da testemunha (0 m3 ha-1) e da taxa de 100 m3 ha-1. O menor valor do pH do solo no período foi obtido nos tratamentos sem adição (0 m3 ha-1) de água residuária de suinocultura. Verifica-se que aos 118 DAS, o menor valor médio do pH do extrato aquoso do solo foi verificado para a testemunha (0 m3 ha1) a qual diferiu ao nível de 5 % de significância das demais taxas de aplicação de ARS. Neste período (118 DAS) a maior taxa de ARS também obteve maior valor de pH.

Neste sentido, Pereira (2006) também observou variação do pH do solo para os tratamentos que foram adicionados água residuária de suinocultura, valores que variaram de 4,2 a 5,4. Segundo o autor, atribuiu-se tal fato ao elevado valor do pH da ARS

aplicada no solo (7,0 a 8,1) o que pode estar associado ao comportamento do pH no presente estudo, uma vez que a ARS utilizada durante o ciclo apresentou pH de 7,4 a 8,3. Assmann et al. (2007) constataram em curto período de tempo, influência das doses de esterco líquido suíno sobre o pH do solo. A aplicação do esterco líquido suíno segundo os autores, aumentou o pH de 4,52 para 4,79, com as doses de 0 e 80 m3 ha-1, respectivamente. Whalen et al. (2000) constataram que a adição de esterco de cavalo fresco aumentou o pH do solo de 4,8 até 6,0; provavelmente, pode ter ocorrido com a presença de CaCO3 utilizado na dieta alimentar dos cavalos, o qual é excretado nos estercos. Entretanto, Ceretta et al. (2003) verificaram que o pH do solo praticamente não foi alterado com a aplicação de 20 a 40 m3 ha-1 de ARS em pastagem.

Pode-se notar ainda pela Tabela 16 que com o incremento de ARS, os valores aumentaram proporcionalmente, porém, de acordo com Malavolta, Pimentel Gomes e Alcarde (2002) algumas médias obtidas nas taxas de ARS para os dois períodos (DAS) de coleta não se enquadram na faixa ideal de pH do solo, tida entre 6,0 e 6,5. Vale ressaltar que esta faixa refere-se à faixa ideal para a camada arável de 0-0,20 m. De acordo com Raij (1996) todas as médias obtidas foram classificadas como acidez muito baixa, uma vez que o pH dos solos foi maior que 6,0.

De forma semelhante ao calcário, o efeito do dejeto animal sobre o pH do solo pode persistir durante muitos anos, uma vez que os compostos orgânicos liberados durante o processo de decomposição do esterco podem formar complexos com o Al, diminuindo sua fitotoxicidade (ASSMANN et al., 2007).

Na Tabela 17 é apresentado o resumo da análise de variância do pH para o material percolado em função dos tratamentos com ARS e adubação durante o desenvolvimento da cultura da soja.

Verifica-se pela análise de variância apresentada na Tabela 17 que o valor de F não foi significativo ao nível de 5 % para nenhum fator avaliado em cada período de coleta. Observa-se que o coeficiente de variação indicou homogeneidade dos dados por estar abaixo de 10 % (PIMENTEL GOMES, 2000).

Tabela 17 Resumo da análise de variância para a obtenção dos valores de F do pH para o material percolado dos lisímetros em função dos tratamentos com as taxas de água residuária de suinocultura e adubação durante o desenvolvimento do ciclo da soja

F Fonte de

variação 44 DAS 58 DAS 72 DAS 86 DAS 100 DAS 114 DAS ARS 0,83ns 0,58 ns 2,33 ns 0,35 ns 0,75 ns 0,75 ns AD 0,26 ns 0,16 ns 3,32 ns 1.04 ns 1,12 ns 1,12 ns ARS x AD 1,08 ns 0,58 ns 0,37 ns 0,35 ns 0,37 ns 0,37 ns Bloco 2,11 ns 4,46 ns 4,79 ns 5,44 ns 1,96 ns 1,96 ns CV (%) 3,26 7,02 4,67 5,53 5,38 5,38 DP 0,23 0,51 0,34 0,40 0,39 0,39 Média geral 7,19 7,29 7,21 7,25 7,16 7,16

* indica que o valor de F é significativo e “ns” que o valor de F não é significativo ao nível de 5% de

significância. ARS = água residuária de suinocultura; AD = adubação; CV = coeficiente de variação; DP = desvio padrão; DAS = dias após a semeadura.

Na Tabela 18 são apresentadas as médias dos valores de pH para o material percolado sob tratamento com ARS e adubação durante o desenvolvimento da cultura da soja.

Tabela 18 Médias do pH para o material percolado dos lisímetros sob tratamento de água residuária de suinocultura durante o desenvolvimento do ciclo da soja

DAS Taxas (m3 ha-1) AD 44 58 72 86 100 114 0 Sem 7,19 A 7,00 A 7,27 A 7,19 A 7,11 A 7,23 A Com 6,97 A 7,12 A 7,09 A 7,33 A 7,11 A 7,14 A 100 Sem 7,27 A 7,28 A 7,14 A 7,24 A 7,14 A 7,20 A Com 7,06 A 6,81 A 6,70 A 6,96 A 6,92 A 6,82 A 200 Sem 7,14 A 7,39 A 7,19 A 7,34 A 7,20 A 7,33 A Com 7,31 A 7,37 A 7,11 A 7,28 A 6,85 A 7,09 A 300 Sem 7,25 A 7,39 A 7,08 A 7,26 A 7,07 A 7,17 A Com 7,32 A 7,07 A 6,97 A 7,03 A 7,00 A 7,08 A

Letras maiúsculas iguais na coluna não diferem entre si de acordo com o Teste de Tukey ao nível de 5 % de significância. DAS = dias após a semeadura.

Observa-se pela Tabela 18 que os valores de pH do material percolado não variou em função dos tratamentos com ARS bem como com a adição ou não da adubação

nem ao longo do tempo, demonstrando indiretamente que a ARS aplicada estava estabilizada, uma vez que não houve acidificação nem no solo nem no material percolado. Verifica-se que os valores de pH oscilaram durante o desenvolvimento da cultura da soja, porém os valores permaneceram numa faixa de 6,70 a 7,39. Nota-se pela Tabela 17 através das médias gerais de pH que embora obteve-se variações ao longo dos períodos, o valor médio de pH inicial (7,19) e final (7,16) foram próximos. Comportamento semelhante foi verificado nos estudos realizados Caovilla et al. (2005) que trabalharam com um resultado de dejetos de suínos e bovinos deixados ao ar e acrescentados um coquetel de microorganismos lácteos para degradar a matéria orgânica e observaram diferenças significativas nos valores de pH para o material percolado.

Como há deficiência em limites que estabeleçam os valores de pH nas águas subterrâneas, tomou-se como parâmetro o padrão de lançamento de efluentes previsto na Resolução 357/2005 do CONAMA (BRASIL, 2005) que estabelecem valores de pH entre 5,0 a 9,0. Desta forma, os valores se enquadram na faixa permitida. Ressalta-se ainda que o pH da água residuária de suinocultura (7,73) utilizada se enquadrava na faixa estabelecido para a água de irrigação que conforme Ayres e Westcot (1991) é de 6,5 a 8,4.

Segundo Ayers e Westcot (1991) o pH é um índice que caracteriza o grau de acidez ou alcalinidade de um ambiente. No caso das águas de irrigação, o pH normal se situa entre 6,5 e 8,4. As águas com pH anormal podem criar desequilíbrio de nutrição ou conter íons tóxicos. Nota-se, na Tabela 18, que o pH do material percolado em todos os tratamentos nos períodos avaliados, ficaram abaixo da média do pH verificado na ARS utilizada na aplicação Tabela 11.