2.3 DECLÍNIO E TURNAROUND NAS ORGANIZAÇÕES
2.3.2 O turnaround nas organizações sob o enfoque do contexto,
2.3.2.3 Análise do turnaround sob o enfoque do processo
Bibeault (1999), Slatter (1984), Robbins e Pearce II (1983), Slatter e
Lovett (1999) e Chowdhury (2002), são autores que contribuem para a
análise do processo nos movimentos de declínio e turnaround
organizacional. De acordo com Pettigrew (1992), quando analisado o
processo, se devem considerar as ações, reações e interações entre as
partes interessadas, e como elas realizam a mudança. O objetivo
principal é entender como as organizações aplicam as ações planejadas
para promoverem o turnaround nos negócios.
Chowdhury (2002) define turnaround como a combinação de
eventos que juntos concorrem para a retomada dos negócios num
determinado período de tempo, que inicia ainda enquanto a empresa
encontra-se em declínio, culminando com o momento em que a
organização volta aos patamares anteriores de desempenho.
O primeiro autor a dividir em fases o processo de turnaround foi
Bibeault (1999). Segundo seu entendimento, o turnaround compõe-se
de: fase inicial; avaliação; emergência e estabilização e retomada do
crescimento. Para o autor, o momento crucial é quando a empresa
percebe que precisa adotar ações de impacto para melhorar os
indicadores de desempenho.
O Quadro 3 apresenta um resumo das fases do turnaround sugeridas
por Bibeault:
Autor Fase Perspectivas Fase inicial
-
Mudança de gestão (CEO);-
Decisão por realizar transformações na organização;Avaliação
-
Pode ser apoiada por consultores externos;-
Elaboração de um plano de sobrevivência e recuperação;-
Plano de comunicação interno e externo sobre as ocorrências de mudanças. Emergência eestabilização
-
Preocupação em assegurar a sobrevivência;-
Desenvolvimento de ações de retrenchment;-
Reestruturação dos ativos da empresa;-
Intervenção na gestão das operações;-
Redefinição das estratégias de marketing;-
Adequação da estrutura de pessoal a nova organização;-
Incremento das margens de eficiência operacional;-
Melhoria da liquidez, reestruturação do passivo;-
Melhoria dos processos de controle.B ib ea u lt ( 1 9 9 9 ) Retomada do
crescimento
-
Crescimento do volume dos negócios;-
Criação de suporte financeiro para sustentar o crescimento;-
Aumento da capacidade produtiva;-
Reposicionamento dos produtos existentes e lançamento de novos;-
Investimento nas competências humanas da empresa.Quadro 3 - Fases do turnaround sugeridas por Bibeault (1999)
Fonte: Bibeault (1999)
A exemplo de Bibeault (1999) Slatter e Lovett (1999) indicam
quatro etapas para o turnaround: análise da situação; recuperação do
desempenho; mudança estratégica e recuperação organizacional.
O Quadro 4 apresenta um resumo das fases do turnaround sugeridas
por Slatter e Lovett (1999):
Autor Fase Perspectivas
Análise da situação
-
Realização de diagnóstico situacional;-
Avaliação das possíveis estratégias de recuperação;-
Avaliação da equipe de gestão;-
Avaliação da estrutura organizacional;-
Consenso entre os sócios sobre a alternativa de recuperação mais viável;-
Desenvolvimento de um plano para gerar mais fluxo de caixa;-
Mudança do gestor (CEO).Emergência
-
Aplicação de ações de curto prazo (6 a 12 meses);-
Redução dos custos operacionais;-
Aumento do fluxo de caixa;-
Aumento do esforço de marketing e vendas;-
Redução do quadro de pessoal;-
Redução de estoques-
Eliminação de linhas de produtos com pouca rentabilidade;-
Antecipação das contas a receber;-
Negociar prazos de dívidas;-
Aporte de novos recursos por meio de financiamentos.Mudança estratégica
-
Reposicionamento estratégico dos negócios ligados a empresa;-
Reposicionamento de mercado que requerem novos investimentosS la tt er e L o v et t (1 9 9 9 ) Recuperação
organizacional
-
Lançamento de novos produtos;-
Ampliação do mercado (market share);-
Aquisição de novos negócios.Quadro 4 - Fases do turnaround sugeridas por Slatter e Lovett (1999)
Robbins e Pearce II (1992) desenvolveram um framework de
recuperação empresarial considerando os trabalhos desenvolvidos
anteriormente por Slatter (1984) e Bibeault (1999), este último,
originalmente publicado no ano de 1982, conforme é demonstrado na
Figura 8. Para efeito deste estudo consideraremos os itens abordados nos
quadrantes dois e três, conforme mostra a Figura 9.
O quadrante dois mostra o processo de estabilidade e recuperação
que, para os autores, são fases complementares. Como pode ser
observada na Figura 9, a fase do processo de estabilização e recuperação
se sobrepõe a fase seguinte (crescimento). Para os autores é difícil
definir quando uma fase termina e outra inicia. Por se tratar de um
processo, os indicadores de desempenho devem ser mensurados
constantemente.
Figura 9 - O processo de recuperação de Robbins e Pearce II - b
Fonte: Adaptado de Robbins e Pearce II (1992, p.291)
Robbins e Pearce II (1992) indicam que o processo de turnaround
(quadrante dois) inclui duas fases com atividades estratégicas: o
retrenchment e a recuperação. A estabilização da situação econômica é
o objetivo da fase de retrenchment. De acordo com a extensão da crise,
as ações serão mais densas, podendo, nos casos de extrema severidade,
reduzir custos e ativos, simultaneamente. Aquelas empresas em situação
menos severa de crise estão sujeitas a ações menos traumáticas,
exigindo ou redução de custos ou redução de ativos. (HOFER, 1980).
Fatores Internos de declínio Fatores Externos de declínio Intensidade do declínio Estabilidade Melhoria do desempenho da organização Redução de custos Redução de ativos Manutenção da eficiência Expansão empreendedora Operacional Estratégico Baixa Alta Processo de Turnaround
Fase de Declínio Processo de estabilidade e recuperação crescimento