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e 3Rs: a presença indispensável do Poder Público

PONTOS COMERCIAIS

3. ANÁLISE DOS COMPONENTES DO PROVER

A difi culdade de conservação dos conjuntos habitacionais construídos pelo poder público, para a população de baixa renda, é uma das características desse tipo de solução, tanto na experiência nacional quanto internacional. Essa questão central orienta a análise do projeto Cingapura aqui apresentada, no sentido de identifi car de que maneira os componentes socioeconômicos, urbanísticos, fundiários, arquitetônicos e tecnológicos do Projeto contribuíram para que a precariedade existente na favela fosse reproduzida nos novos conjuntos habitacionais. A análise não tem a pretensão de esgotar o tema, constituindo uma refl exão sobre os resultados do modelo de verticalização de favelas adotado, buscando contribuir para que próximos projetos de moradias sociais sejam desenhados de forma mais adequada à efetiva melhoria das condições de vida da população de baixa renda.

Para subsidiar a análise foram utilizados: Relatórios da SEHAB; Relatórios executivos das missões do BID; Relatórios de Avaliação e Monitoramento do Projeto; Relatórios do Programa de Regularização, Recuperação de Créditos e Revitalização dos Empreendimentos (3Rs); e consultas ao Banco de dados da Diagonal Empreendimentos e Gestão de Negócios Ltda., empresa responsável pelo gerenciamento social do Projeto. As fotos de implantação foram obtidas no

Google Earth e as fotos dos conjuntos pertencem ao arquivo pessoal da autora, Diagonal e SEHAB.

A análise foi organizada a partir dos aspectos relevantes do projeto organizados em três grandes temas. O primeiro tema aborda o contexto geral da gestão do Projeto e apresenta de forma sintética os impasses decorrentes de problemas na sua concepção original. O segundo refere-se à análise dos aspectos urbanísticos/ arquitetônicos e seus rebatimentos sociais. O terceiro analisa os aspectos de sustentabilidade do projeto, considerando a ausência de títulos, os altos índices de inadimplência nas taxas condominiais e de retribuição do TPU, bem como a situação de vulnerabilidade social dos moradores residentes agravada por episódios de violência e criminalidade nos conjuntos.

3.1 Gestão do PROVER

A implantação do PROVER /Projeto Cingapura em São Paulo representou um grande desafi o para as equipes técnicas envolvidas, tanto da Prefeitura como das empresas contratadas. A complexidade inerente à questão habitacional na cidade, especialmente nas favelas, foi agravada por problemas de concepção, implementação e pós-ocupação do Programa, apesar do modelo de verticalização representar inegável melhoria das condições de moradia da população benefi ciada. Entre tais problemas destacando-se: a escolha das áreas e as pendências fundiárias, até o momento não equacionadas; a inadequação das tipologias adotadas (urbanística e arquitetônica), considerando-se o público

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alvo; a descontinuidade dos cronogramas de obras; a falta de critérios claros de atendimento; as difi culdades das equipes sociais para aplicação da “autofocalização”; e a fragilidade do sistema de fi scalização e controle dos usos, mudanças de titularidade e cobranças das taxas do Termo de Permissão de Uso (TPU) utilizado.

O Programa se desenvolveu ao longo de três gestões municipais e o prazo inicial estimado para a sua execução, de 4 anos, se estendeu por mais 4 anos. As mudanças de administração não haviam sido consideradas na época de preparação e comprometeram o cumprimento do cronograma de desembolso fi nanceiro, execução dos contratos em curso e contratação de novos projetos e obras. O resultado foi o atraso na entrega de unidades habitacionais à população ou, em alguns casos, a paralisação total das obras com sérios rebatimentos, como o prolongamento do tempo de permanência das famílias em moradias provisórias. As descontinuidades na implementação do Programa geraram um alto grau de desgaste e descrédito na relação da Secretaria da Habitação (SEHAB) com as comunidades. O descompasso entre o tempo do arrolamento e a efetiva fi nalização dos conjuntos criou condições para o surgimento de um grande número de novas famílias que não haviam sido arroladas e que, sem previsão de atendimento, tornaram-se um impedimento para a abertura das frentes de obra, elevando os custos das unidades habitacionais.

Mesmo após a entrega, a maioria dos conjuntos apresentava um grande número de pendências e passivos, demandando complementação das obras nas áreas comuns e nas redes infraestrutura. Tais pendências não foram solucionadas no período de pós- ocupação e, com o passar dos anos, foram agravadas pelos problemas de falta de manutenção. A impossibilidade da COHAB5, administradora do Fundo Municipal de Habitação, de regularizar os conjuntos e comercializar as unidades, seja pela falta de aprovação dos projetos nas instâncias competentes ou pelas pendências para a abertura das matrículas das glebas, impuseram a presença imprescindível da Administração Pública, por tempo indeterminado, na manutenção e conservação dos prédios entregues. Enquanto não se viabilizava a regularização e comercialização/titulação das unidades em nome dos moradores, a Prefeitura, por meio da SEHAB, cobrava das famílias um valor correspondente a um Termo de Permissão de Uso (TPU).

3.2 Componentes Urbanísticos, Arquitetônicos e Sociais

A implantação das obras foi marcada por um marketing agressivo do Projeto e a escolha das primeiras favelas, objeto das intervenções, priorizou as áreas públicas em localizações de grande visibilidade na cidade, tais como avenidas marginais, alças de viadutos e vias de circulação importantes, sem considerar

a avaliação das características socioeconômicas e 5 Companhia Metropolitana de Habitação de São Paulo, empresa municipal.

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culturais das famílias, pendências fundiária das glebas e potencialidades do entorno. Na prática, essas localizações, apesar de estarem mais próximas da oferta de trabalho e, portanto, melhor inseridas na cidade em relação às localizações dos grandes conjuntos habitacionais da COHAB e da CDHU6, constituem muitas vezes locais inadequados ao uso residencial por estarem distantes de escolas, creches e transportes

6 Companhia de

Desenvolvimento Habitacional e Urbano, vinculada ao Governo do Estado.

Figura 3.24. Conjunto Goiti. Fonte: Google Earth. Figura 3.25. Conjunto Chácara Bela Vista. Fonte: Google Earth.

Figura 3.22. Conjunto Piqueri. Fonte: Google Earth. Figura 3.23. Conjunto Lidiane. Fonte: Google Earth.

públicos, apresentando difi culdades de integração que não foram previamente consideradas nem superadas nos projetos de implantação dos conjuntos. Outro aspecto a ser destacado na escolha das áreas foi a natureza dos terrenos ocupados por favelas, integrantes do patrimônio municipal ou bens de uso comum. Muitos terrenos, localizados em cotas de inundação por serem originários da retifi cação do rio Tietê, apresentavam problemas de drenagem com afl oramento do lençol freático e acabaram envolvendo serviços complexos de troca de solo, entre outras intervenções de recuperação, que aumentaram signifi cativamente o custo fi nal das unidades.

Os problemas de deterioração surgidos nesses territórios construídos em localizações impróprias foram agravados nas áreas onde a verticalização foi implantada parcialmente, envolvendo 31 favelas e representando

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79,48% do universo das favelas verticalizadas, desconsideradas as três glebas de reassentamento, as quais estavam desocupadas e foram utilizadas como áreas “pulmão”. Nos casos onde a favela permaneceu sem urbanização, em área contígua aos conjuntos, além de outros fatores relacionados à inadequação dos espaços, a precariedade instalada no assentamento impediu a integração do conjunto ao entorno próximo. As áreas residuais facilitaram o desenvolvimento de atividades ilegais e o tráfi co de drogas no interior dos conjuntos, mantendo o estigma dos moradores que continuaram a ser considerados como favelados. As fotos da implantação dos conjuntos em alças viárias apresentadas exemplifi cam alguns casos de inadequações das localizações e limitações do projeto quanto à acessibilidade e integração com a cidade.

Segundo dados da SEHAB, a implantação do modelo em assentamentos menores possibilitou o atendimento integral das famílias, correspondendo à totalidade dos empreendimentos das fases I e II onde houve melhor encaminhamento da organização condominial. Nas fases III e IV, os empreendimentos eram maiores e apresentaram maiores difi culdades na organização dos blocos e no encaminhamento das questões coletivas. Na análise de todas os empreendimentos nos quais foi adotada a verticalização parcial, houve um número signifi cativo de novas ocupações demonstrando que a escolha pela

verticalização parcial não era adequada. As áreas de reassentamento ou áreas “pulmão” que receberam grande diversidade de grupos de demanda (diversas favelas de origem) apresentaram situações de tensão adicional com grande difi culdade de resolução. Todavia, nos casos em que foi oferecida aos moradores a possibilidade de escolha das áreas para onde seriam removidos, o trabalho social e a organização da população forram favorecidos.

Outros problemas surgidos durante o processo de negociação com as famílias decorreram da falta de critérios de atendimento claros e pré-estabelecidos, não estando previstas orientações para o encaminhamento de inúmeras situações, tais como: moradias alugadas, comércio, uso misto, uso institucional, serviços, compra/ venda das unidades, crescimento vegetativo, confl itos entre inquilinos e “proprietários”, discórdias conjugais e familiares, pessoas sós e portadoras de necessidades especiais, falecimento de titulares etc.

Apesar de ser avaliado pelas equipes sociais como um avanço no Programa, a aplicação da política preconizada pelo BID de autofocalização teve rebatimento nos altos índices de inadimplência, pois as famílias não escolhiam a tipologia da unidade habitacional em função da sua capacidade de pagamento, mas contraditoriamente, escolhiam em função das suas necessidades (composição familiar, vínculos profi ssionais e tempo de moradia do local).

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3.2.1 Tipologias e Critérios de Atendimento

Nas três primeiras fases do Cingapura, todas as famílias residentes na favela, na área de intervenção do Programa, na época do arrolamento, tinham direito a uma unidade habitacional de apartamento de 2 dormitórios com 43,36 m², independente da renda familiar, da situação ocupacional do chefe ou do número de integrantes da família.

Na fase IV, o atendimento foi aprimorado com base nos procedimentos de autofocalização e ampliação das alternativas habitacionais, permitindo condições específi cas para pessoas sozinhas, famílias mais numerosas e famílias de menor renda (embriões). Para adequação à composição familiar foram adotados os seguintes critérios: 1 dormitório – livre escolha; 2 dormitórios – até 6 componentes da família; e 3 dormitórios - 7 ou mais membros na família. Na favela de Heliópolis a intervenção também contemplou a construção de unidades de comércio. Os critérios de exclusão do Projeto eram: compra e venda das unidades; nova ocupação posterior ao arrolamento; e novas famílias co-habitantes não arroladas.

Tipologia Vertical

As unidades habitacionais de apartamento foram projetadas a partir de um núcleo tipológico de aproximadamente 24 m2 composto por sala,

cozinha, banheiro e área de serviço comum a todas as tipologias habitacionais que, acrescidas de 01, 02 e 03 dormitórios totalizavam 37,27 m2; 43,36 m2 e 51,37 m2 respectivamente. Em plano vertical estas tipologias admitem gabaritos de até 7 pavimentos dependendo da topografi a do terreno. Cada bloco é equipado com vãos de iluminação e ventilação das áreas comuns, instalações hidráulicas e elétricas, incluindo minuterias nos andares, reservatórios de água superior e inferior com bombas de recalque, equipamentos de segurança (extintores de incêndio e mangueiras na parte interna, pára-raios e cordoalhas na parte externa), abrigos para botijões de gás e passeio perimetral para pedestres. Nas suas várias fases, o projeto permitiu algumas complementações por parte dos moradores: coberturas de garagens, esquadrias em geral, grades de fechamento do acesso ao bloco. As unidades foram entregues sem portas, piso ou revestimentos internos, cabendo ao morador o desembolso desses custos de acabamento de acordo com as normas instituídas em cada condomínio. As plantas a seguir apresentam o núcleo tipológico adotado na concepção dos andares tipo dos conjuntos e as plantas do embrião com a alternativa de ampliação vertical.

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Tipologias adotadas no PROVER

Figura 3.26. Tipologia de 1 Dormitório (37,27m2).

Figura 3.29. Planta do Pavimento Tipo com tipologias de 2 e 3 dormitórios.

Figura 3.27. Tipologia de 2 Dormitórios (43,36m2). Figura 3.28. Tipologia de 3 Dormitórios (51,37m2).

No Empreendimento Heliópolis – Gleba A, adotaram- se tipologias diferenciadas, que permitem a implantação de agrupamentos ou blocos mistos (1, 2 ou 3 dormitórios) além da utilização do térreo para atividades comerciais conforme planta ao lado.

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A tipologia da unidade horizontal adotada no Projeto era composta por sala, cozinha e banheiro distribuídos no térreo em aproximadamente 24 m2, sendo denominada de embrião devido à possibilidade de ampliação, de acordo com projeto pré-defi nido pela SEHAB. A ampliação prevista em projeto é composta por escada e dois dormitórios no pavimento superior. No térreo, a área de serviço está localizada no recuo de fundo, além de área para garagem no recuo de frente. Cada embrião é entregue com base de fundações para caixa de escada, passeio e calçada, além de abrigo de gás/ hidrômetro e centro de medição elétrica.

Tipologia Horizontal: o Embrião

Figura 3.30. Planta Tipo do Embrião -Pavimento Térreo.

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3.2.2. Trabalho Social

Para viabilizar a verticalização das favelas, as áreas a serem liberadas eram defi nidas em função do cronograma das obras, sendo os moradores arrolados setorialmente e transferidos para moradias provisórias, localizadas próximas às favelas enquanto aguardavam a construção das unidades habitacionais. Após a demolição dos barracos iniciava-se a fase de adequação do terreno, a construção dos blocos de apartamentos e a implantação da infraestrutura básica. Com o término das obras do conjunto de blocos, os moradores eram transferidos das moradias provisórias para os prédios prontos, reproduzindo esse ciclo de remoções e mudanças até o término da obra. Foram também construídos alguns Conjuntos em “áreas de reassentamento” (áreas não ocupadas anteriormente por favela). Tais Conjuntos foram destinados às famílias que optaram por sair das favelas de origem. Toda essa movimentação de famílias exigia negociações e intenso trabalho social.

Devido a falta de equipes técnicas na SEHAB dimensionadas para a execução das atividades exigidas pela escala e pela engenharia social do Projeto, foram contratadas diversas empresas, sob a coordenação da SEHAB, para realização dos levantamentos planialtimétricos cadastrais das favelas, elaboração de projetos (implantação, arquitetura e complementares), construção das edifi cações e infraestrutura da gleba, bem como para o trabalho social e gerenciamento/fi scalização

Figura 3.32. Vista da Moradia Provisória.

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Figura 3.34. Plantão Social nos canteiros de obras.

das obras. A coordenação e integração dessas equipes técnicas foi um problema recorrente ao longo de todo o período de execução do Programa.

3.3. O Programa de Regularização, Recuperação de Créditos e Revitalização (3Rs) dos Empreendimentos do PROVER

A mono-funcionalidade que exclui a possibilidade do morador desenvolver atividades de sobrevivência, a localização distante dos equipamentos públicos, a inadequação dos projetos aos padrões culturais do público alvo e a baixa qualidade construtiva deram origem à decadência, segregação social e surgimento de focos

de violência nos empreendimentos, comprometendo signifi cativamente sua auto-sufi ciência e impondo grandes desafi os ao trabalho social da SEHAB e empresas contratadas.

No fi nal do fi nanciamento do BID, em 2004, somente 3 conjuntos habitacionais estavam em vias de regularização e comercialização (Nova Jaguaré – setor 2, Parque Continental e Haia do Carrão) de um universo de 42 empreendimentos.

Em 2005, o contexto de deterioração física e social dos empreendimentos era dramático e distante de qualquer possibilidade de regularização e comercialização. Para reverter a situação de precariedade e os altos índices de inadimplência no pagamento do TPU, a SEHAB criou o Programa de Regularização, Recuperação de Créditos e Revitalização dos Empreendimentos (3Rs)7.

O Programa 3Rs, ainda em andamento, tem como objetivo a regularização fundiária e comercialização das unidades habitacionais; a recuperação de créditos oriundos do pagamento dos TPU; e o desenvolvimento de ações intersecretariais, bem como de possíveis parcerias para a recuperação das áreas externas, de lazer e comuns dos empreendimentos, abrangendo também a recuperação dos equipamentos de segurança. O Programa prioriza os conjuntos cujas bases fundiárias têm maiores possibilidades de averbação junto ao Cartório de Registro de Imóveis. Nestes casos, a SEHAB implanta obras de recuperação

7 O Programa foi criado com base nas conclusões de um Grupo de Trabalho coordenado pela Divisão Técnica Social de HABI, com participação das áreas de planejamento, projeto, obras e regularização, bem como das HABIs regionais e Gerenciadora Social, em 2005.

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dos edifícios e trabalho socioeducativo para minimizar os problemas de irregularidades na ocupação dos imóveis e de inadimplência nos pagamentos do TPU e taxas condominiais.

As ações específi cas propostas para viabilizar os objetivos do Programa se desenvolvem em torno de três eixos, correspondentes aos três Rs.

O Eixo 1, de Regularização fundiária compreende: a. Avaliação da situação fundiária dos conjuntos

habitacionais (levantamento da situação do domínio, defi nição de instrumentos jurídicos para regularização, levantamento dos custos de investimentos e defi nição dos valores da comercialização);

b. Procedimentos para regularização da ocupação dos imóveis, com base na Instrução Normativa SEHAB/n°004/2004 de 25/11/2004, mediante:

• Atualização da situação de ocupação (atualização cadastral dos moradores e coleta de documentos comprobatórios de compra e venda irregular do imóvel);

• Elaboração de parecer social sobre as situações irregulares encontradas;

c. Procedimentos para comercialização das unidades habitacionais, mediante fornecimento de orientação e recolhimento de documentação, necessárias para o fi nanciamento das unidades habitacionais e encaminhamentos à COHAB.

O Eixo 2, de Recuperação de créditos, compreende:

a. Elaboração de diagnóstico integrado da situação das famílias, nos aspectos social, econômico e fi nanceiro, com base em pesquisas censitárias junto aos moradores e análise de documentos da Prefeitura; b. Formulação de um Plano de Ação Integrada

com defi nição de prioridades, metas e cronograma de atividades.

O Eixo 3 , de Revitalização dos empreendimentos, corresponde a:

a. Elaboração de diagnóstico preliminar da situação físico-construtiva, contemplando o estado de conservação dos blocos, áreas verdes, áreas comuns, equipamentos de uso coletivo, problemas físicos e situações irregulares de uso e ocupação;

b. Elaboração de diagnóstico participativo, com moradores e representantes dos blocos, para levantar informações sobre a gestão condominial dos empreendimentos; c. Levantamento de potenciais do entorno, para

desenvolvimento de futuras parcerias com vistas à revitalização do empreendimento e formatação de projetos voltados à geração de renda e capacitação profi ssional.

Após desenvolvimento dos três eixos e consolidação do Diagnóstico Integrado, é elaborado um

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Plano de Ações para cada empreendimento, com os seguintes objetivos:

a. Propiciar a inclusão de famílias em situação de alta e média vulnerabilidade em programas sociais;

b. Introduzir redes de proteção social;

c. Articular e integrar as diversas ações públicas; d. Elaborar e implementar projetos sociais

integrados;

e. Promover um processo de sensibilização, mobilização e envolvimento da população através de discussões acerca das necessidades e potencialidades locais para formulação de projetos;

f. Realizar levantamentos e estudos específi cos para subsidiar os vários projetos propostos; g. Promover articulação com instituições

públicas e privadas para constituição de parcerias conforme especifi cidade de cada projeto proposto;

h. Realizar a formulação conjunta de projetos envolvendo lideranças locais, grupos de moradores e parceiros institucionais;

i. Contribuir e apoiar os processos de regularização das unidades e de arrecadação dos créditos de TPU, bem como de comercialização das unidades habitacionais pela COHAB.

Figura 3.35. Vistorias físicas.

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A partir de 2009, o Programa 3Rs mudou a metodologia de elaboração do Diagnóstico. Como os dados da pesquisa censitária fi caram defasados devido à morosidade na contratação das obras de revitalização, adotou-se a aplicação de pesquisas qualitativas junto aos representantes dos edifícios, com foco na organização condominial a ser incorporada no Diagnóstico, juntamente com vistorias físicas que