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III. PROBLEMÁTICA E OBJETIVOS

4. Análise dos Dados

A análise dos dados obtidos através de entrevistas foi realizada de forma qualitativa, tendo presentes os objetivos do estudo.

A análise de conteúdo, que pretende descrever de forma objetiva e sistemática o conteúdo resultante das entrevistas com o propósito final da interpretação (Léon, 1980, cit. por Morgado, 2003), compreende três fases: a pré-análise, caracterizada pela pertinência e representatividade dos dados; a exploração do material, relativa aos processos de codificação e enumeração com orientações muito específicas; o tratamento dos resultados, inferência e

interpretação, que permite dar significação aos dados (Bardin, 1977).

Assim, o conteúdo da entrevista é dividido por unidades de registo, passíveis de serem agrupadas em categorias, ou ainda subcategorias, temáticas (Plummer, 1995). Este processo é realizado de acordo com critérios estabelecidos à priori, aos quais é atribuída uma designação. Estas categorias são, por sua vez, subdivididas em categorias mais específicas, nas quais é indicada a frequência com que surjem no discurso, realizando-se depois uma análise geral (Bardin, 1977).

Deste modo, realizou-se uma leitura minuciosa das transcrições das entrevistas, analisando de forma rigorosa o seu conteúdo, seguindo o procedimento já descrito.

Para uma melhor compreensão dos dados, foi verificada a frequência de participantes que produziram unidades de sentido de determinada natureza. Deste modo, na apresentação dos resultados, para além de um exemplo de discurso relativo à subcategoria, estará registado o número de sujeitos que fizeram referência a dado assunto.

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As operações de categorização e atribuição de exemplos obtiveram um nível de concordância superior a 80 pontos percentuais.

Na análise do discurso das mães, seguiu-se a ordem cronológica presente no guião de entrevista, criando quatro temas principais que remetem para diferentes etapas da vida escolar dos filhos: ESCOLHA DA ESCOLA (tema A), ENTRADA NA ESCOLA (tema B), PERCURSO ESCOLAR (tema C) e FUTURO (tema D).

Deste modo, apresentar-se-á seguidamente o mapa dos diferentes temas, com as respetivas categorias e subcategorias, justificando a pertinência desta classificação.

QUADRO 1

Tema A: Escolha da Escola – Categorias e Subcategorias

Tema A – ESCOLHA DA ESCOLA

Categoria Subcategoria

A.1 – Critérios A.1.1 – Fatores logísticos ou económicos A.1.2 – Defesa da inclusão

A.1.3 – Continuidade (colegas e espaço) A.1.4 – Conhecimento prévio

A.1.5 – Aconselhamento técnico A.1.6 – Opção pelo ensino público A.2 – Expetativas A.2.1 – Negativas

A.2.2 – Positivas

O quadro 1 apresenta a análise da escolha da escola, com base nos critérios da escolha e nas expetativas face à escola.

Nos critérios da escolha da escola, identificaram-se oito aspetos: os fatores logísticos e económicos (respeitantes à distância escola-casa, facilidade de deslocações, custo do ensino privado, entre outros); a defesa do ideal de inclusão; a preferência por dar continuidade ao mesmo grupo de colegas ou em manter-se no mesmo espaço; o conhecimento prévio da escola (pela frequência anterior de membros da família) ou de profissionais da mesma; o aconselhamento dos técnicos que trabalham com a criança; a opção pelo ensino público.

As expetativas face à escola foram agrupadas enquanto expetativas negativas ou expetativas positivas.

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QUADRO 2

Tema B: Entrada na Escola – Categorias e Subcategorias

Tema B – ENTRADA NA ESCOLA

Categoria Subcategoria

B.1 – Primeiro Contacto B.1.1 – Positivo B.1.2 – Negativo

B.2 – Adaptação B.2.1 – Tranquilidade sentida pelas mães B.2.2 – Ansiedade sentida pelas mães B.2.3 – Facilidade de adaptação B.2.4 – Dificuldade de adaptação B.3 – Facilitadores no Processo de Adaptação B.3.1 – Caraterísticas da criança

B.3.2 – Procura de soluções por parte da escola B.3.3 – Familiaridade com a escola

B.3.4 – Apoio de auxiliar ou tarefeiro B.3.5 – Apoio dos professores B.3.6 – Apoio dos colegas B.3.7 – Apoio exterior à escola B.3.8 – Recurso à medicação

B.4 – Barreiras no Processo de Adaptação B.4.1 – Inexperiência do professor titular B.4.2 – Falta de recursos humanos B.4.3 – Caraterísticas da criança B.4.4 – Caraterísticas da turma

No quadro acima apresentado estão presentes as quatro categorias respeitantes à entrada na escola: primeiro contacto com a escola; adaptação à escola; facilitadores e barreiras no processo de adaptação.

Os relatos do primeiro contacto com a escola foram distinguidos como positivos ou negativos.

Em relação à adaptação à escola, optou-se por analisar não só a facilidade ou dificuldade de adaptação da criança, mas também os sentimentos associados pelas mães a esse período e presentes no seu discurso. Optou-se por agrupar estes sentimentos em duas subcategorias, sendo que uma remete para uma vivência tranquila e outra para uma vivência ansiosa da adaptação do/a filho/a à escola.

Identificaram-se, igualmente, facilitadores e barreiras no processo de adaptação à escola. Os primeiros foram separados em oito fatores: as caraterísticas da própria criança; a procura de soluções por parte da escola; a familiaridade; o apoio de auxiliar ou tarefeiro; o apoio dos professores; o apoio dos colegas; o apoio exterior à escola; o recurso à medicação.

Os segundos foram organizados em apenas quatro aspetos: a inexperiência do professor titular, a falta de recursos humanos, as caraterísticas da própria criança e da turma.

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QUADRO 3

Tema C: Percurso Escolar – Categorias e Subcategorias

Tema C – PERCURSO ESCOLAR

Categoria Subcategoria

C.1 – Aspetos/Experiências Positivos C.1.1 – Progressos da criança

C.1.2 – Atitude positiva da criança face à escola C.1.3 – Boa relação com os pares

C.1.4 – Atitude positiva por parte dos profissionais C.1.5 – Receção positiva por parte dos pais de outros alunos

C.1.6 – Qualidade no desempenho dos professores C.1.7 – Qualidade na educação especial

C.1.8 – Inclusão da criança na sala de aula

C.1.9 – Benefícios para profissionais e outros alunos

C.1.10 – Procura de informação por parte dos profissionais

C.1.11 – Boa relação pais-escola

C.1.12 – Realidade portuguesa face a outros países C.1.13 – Não necessidade de outros apoios C.1.14 – Apoio a outros pais

C.1.15 – Gerais

C.2 - Aspetos/Experiências Negativos C.2.1 – Falta de formação/experiência dos profissionais

C.2.2 – Falta de recursos C.2.3 – Encargos para os pais C.2.4 – Má relação com os pares

C.2.5 – Atitude negativa por parte dos profissionais

C.2.6 – Má gestão das caraterísticas da criança C.2.7 – Instabilidade na colocação de profissionais C.2.8 – Falta de qualidade no desempenho técnico C.2.9 – Emoções negativas sentidas pelos pais C.2.10 – Reações negativas da criança à diferença C.2.11 – Receção negativa por parte dos pais de outros alunos

C.2.12 – Não-inclusão em sala de aula C.2.13 – Má relação pais-escola C.2.14 – Necessidade de apoio aos pais

C.2.15 – Atitude negativa da criança face à escola C.2.16 – Gerais

C.3 – Facilitadores no Percurso Escolar C.3.1 – Caraterísticas da criança C.3.2 – Caraterísticas da mãe C.3.3 – Apoio exterior à escola C.3.4 – Apoio familiar

C.3.5 – Apoio de outros pais

C.3.6 – Apoio de auxiliar ou tarefeiro C.3.7 – Apoios gerais

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O quadro 3 apresenta o tema C relativo ao percurso escolar em si até ao momento da entrevista. Categorizaram-se os dados relacionados como aspetos/experiências positivos, aspetos/experiências negativos e facilitadores no percurso escolar para permitir a compreensão dos resultados.

Nos aspetos/experiências positivos, organizaram-se as unidades de sentido semelhantes em quinze subcategorias: os progressos da criança a diversos níveis; a atitude positiva que demonstra face à escola; a boa relação com os pares; a atitude positiva por parte dos profissionais na relação com a criança; a receção positiva por parte dos pais de outros alunos; a qualidade do desempenho do trabalho dos professores; a qualidade da educação especial; a inclusão da criança na sala de aula; os benefícios para profissionais e outros alunos; a procura de informação por parte dos profissionais; a boa relação entre os pais e a escola; a realidade portuguesa face a outros países; a não-necessidade de outros apoios; o apoio a outros pais; apreciações gerais.

Quanto aos aspetos/experiências negativos, identificaram-se dezasseis subcategorias: a falta de formação/experiência dos profissionais; a falta de recursos; os encargos para os pais a diversos níveis; a má relação da criança com os pares; a atitude negativa por parte dos profissionais relativamente à criança; a má gestão das caraterísticas da criança; a instabilidade na colocação dos profissionais nas escolas; a falta de qualidade no desempenho técnico dos profissionais; as emoções negativas sentidas pelos pais; as reações negativas da criança à consciencialização da diferença; a receção negativa da criança por parte dos pais de outros alunos; a não-inclusão da criança em sala de aula; a má relação entre os pais e a escola; a necessidade de apoio aos pais; a atitude negativa da criança face à escola; comentários gerais.

Na terceira categoria, respeitante aos facilitadores no percurso escolar, o discurso das mães foi dividido em oito fatores: as caraterísticas da criança; as caraterísticas da própria mãe; o apoio exterior à escola, quer de técnicos, quer de entidades públicas; o apoio na rede familiar; o apoio de outros pais de crianças com Trissomia 21; o apoio de um auxiliar ou tarefeiro; apoios gerais; o recurso à medicação.

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QUADRO 4

Tema D: Futuro – Categorias e Subcategorias

Tema D – FUTURO

Categoria Subcategoria

D.1 – Preocupações D.1.1 – Transições de ano, ciclo ou escola D.1.2 – Implicações das alterações legislativas D.1.3 – Relação com a escola

D.1.4 – Incerteza relativa aos apoios

D.1.5 – Falta de funcionalidade dos currículos D.1.6 – Profissionalização e escolhas vocacionais D.1.7 – Risco de exclusão social

D.1.8 – Ansiedade D.2 – Expetativas D.2.1 – Otimismo

D.2.2 – Progressos académicos D.2.3 – Profissionalização e autonomia

Os aspetos relacionados com o futuro da criança foram agrupados num último tema, apresentado no quadro anterior, distinguindo-se as preocupações e as expetativas das mães.

O discurso que remete para as preocupações das mães foi analisado e subdividido em oito aspetos: as transições de ano, de ciclo ou de escola da criança; as implicações das alterações legislativas no seu percurso; a relação dos pais com a escola; a incerteza relativa aos apoios da criança; a falta de funcionalidade dos currículos; a profissionalização e escolhas vocacionais futuras; o risco de exclusão social; as expressões de ansiedade por parte das mães. No que diz respeito às expetativas, optou-se pela sua organização em três subcategorias: expressões de otimismo face ao futuro da criança; previsão de progressos académicos; antecipação da profissionalização e autonomia numa fase posterior.

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