A variável renda é um meio de se medir a riqueza pessoal. É normalmente a partir do emprego que o indivíduo aufere renda, ou seja, ambos estão relacionados. Aqui o emprego e a renda são trabalhados como variáveis constitutivas dos indicadores. Embora apenas um indicador trabalhe a dimensão do emprego, é possível ter uma boa noção acerca da evolução emprego formal no período destacado. Já a variável renda é abordada de forma mais abrangente, pois está submetida a diferentes metodologias.
3.2.1 IDHM Renda, IFDM Emprego e Renda e IDESE Renda
Este tópico busca analisar a evolução do IDHM Renda, IFDM Emprego e Renda e IDESE Renda no município de Ijuí nos períodos destacados. Para tanto se utiliza o gráfico 7, abaixo, que sintetiza a evolução dos índices destes três indicadores.
Gráfico 7. Evolução do IDHM Renda e do IFDM Emprego e Renda de Ijuí nos anos 2000 e 2010, além do IDESE Renda de Ijuí nos anos 2000 e 2009.
Fonte: Elaboração própria a partir de dados do PNUD/Atlas Brasil, da FEE e da FIRJAN.
A metodologia do IDHM Renda usa como referência a renda mensal per capita em R$ de agosto de 2010. Seu índice em Ijuí registrou um aumento de 10,86% no período destacado. Com isso, o município avançou no ranking estadual, passando da 59ª posição no ano 2000 para a 29ª em 2010. A evolução dos índices também permite notar que o avanço apurado não foi suficiente para Ijuí ultrapassar a faixa do alto para o muito alto desenvolvimento municipal, conforme metodologia do indicador.
Para a definição do índice do componente IFDM Emprego e Renda é usada uma metodologia específica que considera o desempenho conjunto de três variáveis: geração de emprego formal; estoque de emprego formal; e salários médios do emprego formal. Portanto, mais do que um estudo da evolução da renda dos trabalhadores, este componente reflete o comportamento do mercado de trabalho formal na esfera governamental avaliada.
Percebe-se um crescimento substancial do IFDM no município. No ano 2000, Ijuí tinha um índice de 0,4880, e em 2010 o índice passou para 0,8149; ou seja, um aumento de 66,99%. Isto fez com que o município apresentasse também um grande crescimento dentro do ranking estadual deste componente, subindo da 154ª colocação em 2000 para a 16ª em 2010. Além disso, na classificação do indicador, Ijuí evoluiu do desenvolvimento regular em 2000 para o alto estágio de desenvolvimento em 2010.
O bloco IDESE Renda é composto por duas variáveis: geração de renda (medida pelo PIB per capita) e apropriação de renda (medida pelo valor adicionado bruto per capita – VABpc – do comércio, alojamento e alimentação). Cada uma das variáveis representa 50% do peso do bloco.
Os dados apresentados indicam uma elevação de 12,24% no índice municipal no período 2000-2009. No entanto, este crescimento não foi suficiente para o município avançar no ranking estadual, pelo contrário, ele caiu da 27ª colocação em 2000 para 38° em 2009. Isto indica que um conjunto de municípios gaúchos alcançaram melhores resultados que Ijuí em termos de renda, conforme metodologia de cálculo do IDESE. Paralelamente, o município conseguiu passar do médio para o alto nível de desenvolvimento, segundo classificação metodológica do indicador.
A seguir, o gráfico 8 apresenta a evolução dos índices destes mesmos indicadores no Rio Grande do Sul.
Gráfico 8. Evolução do IDHM Renda e do IFDM Emprego e Renda do RS nos anos 2000 e 2010, além do IDESE Renda do RS nos anos 2000 e 2009.
Fonte: Elaboração própria a partir de dados do PNUD/Atlas Brasil, da FEE e da FIRJAN.
Verifica-se que o IHDM Renda do Rio Grande do Sul teve um incremento de 6,81% de 2000 para 2010. No entanto, isto não foi suficiente para o Estado ultrapassar a faixa do alto para o muito alto desenvolvimento, conforme metodologia do indicador.
Assim como no município, o IFDM do Estado também apresentou um grande crescimento, passando de 0,5255 no ano 2000 para 0,8317 em 2010, o que representa um aumento de 58,17%. Da mesma forma, o Estado migrou da faixa do desenvolvimento regular em 2000 para o alto estágio de desenvolvimento em 2010. Já o IDESE do Rio Grande do Sul cresceu 10,16% no período 2000-2009; fazendo o Estado evoluir do médio para o alto nível de desenvolvimento, segundo metodologia do indicador.
3.2.2 – Evolução do PIB per capita
O PIB per capita é uma variável determinante para a definição do índice de pelo menos dois dos três indicadores de renda relacionados anteriormente. Portanto, justifica-se uma atenção especial para a sua evolução no período destacado.
A partir de dados do IPEA – Instituto de Políticas Econômicas Aplicada, que, utilizando estatísticas oficiais do IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, apresenta uma série histórica deflacionada pelo Deflator Implícito do PIB Nacional com o
ano-base de 2000, efetuou-se o cálculo do PIB per capita de Ijuí e do RS nos anos de 2000 e 2010, conforme gráfico 9 a seguir.
Gráfico 9. Evolução do PIB per capita de Ijuí e do RS nos anos 2000 e 2010 (em R$ de 2000). Fonte: Elaboração própria a partir de dados do Ipeadata.
Nota-se que no período 2000-2010 houve um crescimento do PIB per capita em ambas
as esferas governamentais. Enquanto que Ijuí registrou uma elevação de 38,75%, no Estado o aumento foi de 31,18%. Percebe-se também que o PIB per capita do Estado continuou superior ao de Ijuí, embora a diferença tenha diminuído.
3.2.3 – Evolução do Coeficiente de Gini
Conforme já destacado, o Coeficiente de Gini é um instrumento utilizado para medir o grau de concentração de renda. Seu índice varia de 0 a 1; quanto mais próximo de 0, maior será a igualdade de renda entre os indivíduos, por outro lado, quanto mais próximo de 1, maior será a concentração de renda. Abaixo, o gráfico 10 mostra a evolução deste índice em Ijuí e no Rio Grande do Sul nos anos de 2000 e 2010.
Gráfico 10. Evolução do Índice de Gini em Ijuí e no RS nos anos 2000 e 2010. Fonte: Elaboração própria a partir de dados do PNUD/Atlas Brasil.
Vale ressaltar que os números apresentados pelo Índice de Gini não podem ser lidos da
mesma forma que os indicadores sociais apresentados anteriormente. A evolução positiva, neste caso, significa um retrocesso, uma vez que representa o aumento da concentração de renda. Foi exatamente isto o que aconteceu em Ijuí de 2000 para 2010, ou seja, o índice se elevou de 0,56 para 0,57. Paralelamente, o Rio Grande do Sul conseguiu avançar de 0,58 para 0,54, tornando a renda dos indivíduos 6,90% menos concentrada.
Como foi possível observar, todos os indicadores apresentados neste subtítulo apontam para um incremento da renda e do emprego no município de Ijuí, inclusive acima do crescimento estadual. No entanto, este desempenho não se repetiu quando foi avaliada a distribuição desta renda. A seguir, o gráfico 11 demonstra como evoluiu a apropriação da renda dos 20% mais pobres e dos 20% mais ricos em Ijuí.
Gráfico 11. Porcentagem da renda apropriada por estratos da população em Ijui, nos anos 2000 e 2010. Fonte: Elaboração própria a partir de dados do PNUD/Atlas Brasil.
O estrato da população enquadrado como os 20% mais pobres registraram um pequeno aumento da sua parcela de apropriação da renda, ou seja, 0,54 pontos percentuais. Já os 20% mais ricos conseguiram ampliar sua apropriação em 0,83 pontos percentuais. Este cenário reflete a manutenção de um verdadeiro abismo social e econômico entre as classes mais abastadas e as mais miseráveis do município de Ijuí.