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4. RESULTADOS E DISCUSSÃO

4.6. ANÁLISE DOS MAPAS DE RISCO

O mapa final de risco a inundação foi obtido combinando o mapa de (ameaça a inundação) e o de (vulnerabilidade a inundação) utilizando a convenção dada no Quadro 7 para cada setor censitário do IBGE. Com isso obteve-se uma configuração de três classificações de risco resultante: baixa, moderada e alta.

A partir do mapa de risco fica intrínseco que em todas as áreas urbanas tem um risco incutido a ele, o mesmo se apresenta de formas diferenciadas, por exemplo, em Carnaubais apenas dois tipos de risco são demonstrados que é o moderado e o baixo risco cobrindo uma porção de terra considerável, como podemos observar na Figura 19.

Figura 19. Mapa de Risco a Inundação.

Fonte: Autor (2019).

Para os municípios de Alto do Rodrigues e Carnaubais, no entanto, dentro de suas áreas urbanas encontramos áreas que requerem atenção, por evidenciar trechos variando de alto, moderado e baixo risco, nesse sentido sendo certamente prioritária alguma política de prevenção, haja vista, que o mapa de ameaça foi construído a partir de cheias reais. Dessa forma o que estamos a ver no mapa de risco é uma situação de evento extremo que pode ocorrer novamente no futuro.

Vale salientar que no contexto geral da área de estudo temos o baixo risco como mais predominante seguido da classificação moderada e do alto risco em último. A classificação apresenta uma variação de risco diferenciada do leito menor para o maior, nesse sentido há setores que acendem uma luz de alerta aos gestores públicos, por estarem no raio de exposição ao risco. Por esse motivo, é importante promover políticas públicas que diminuam a exposição dessas populações a fim de mitigar os danos que porventura um desastre pode vim a proporcionar.

Nas manchas urbanas, observa-se a presença de áreas de risco que tendem a surgir no sentido do leito menor para o maior (figuras 20, 21 e 22), ou seja, da calha principal para a planície de inundação e quanto mais perto da calha mais o risco aumenta, dessa maneira as residências ribeirinhas são as primeiras atingidas numa situação de evento extremo (HORA; GOMES, 2009). A seguir na figura 20 temos a malha urbana do município de Pendências que evidencia a presença de três categorias de risco. De forma que o baixo risco se projeta sobre a cidade, quando avançamos para oeste temos o risco moderado como intermediário seguido do Alto risco, este último demarcando uma grande área, contudo o local onde se deu essa espacialização já possuiu registros contundentes de inundação (ver figura 4a).

Figura 20. Malha Urbana de Pendências em Detalhe.

Fonte: Autor (2019).

A cartografia em si denota a fidelidade do modelo de risco, haja vista, que retrata eventos reais, sob a perspectiva urbana, nesse aspecto nos aproximamos com autores que desenvolveram trabalhos na mesma perspectiva, dentre eles vale salientar Junior (2010); Magalhães et al (2011) e Almeida (2012), estes obtiveram resultados bem relevantes e de extrema qualidade, pela precisão que seus mapas adquiriram utilizando pra isso, dados de uma realidade observada (MONTEIRO; KOBIYAMA, 2014). Seguindo esse contexto na figura 21 apresentamos a malha urbana do município de Alto do

Rodrigues que apresenta uma configuração diferenciada do risco em seu contexto espacial isso se deve principalmente ao Índice de Vulnerabilidade (IVI) que de maneira mais geral apresenta maior vulnerabilidade nas áreas centrais, nessa perspectiva Almeida (2011) evidenciou padrões parecidos ao estudar a Região Metropolitana de Fortaleza, com seu Índice de Vulnerabilidade Socioambiental. E esse aspecto repercute no mapa de risco do nosso trabalho, concentrando o risco em locais que depreendem um maior empenho do gestor público para mitigar os possíveis danos que evento extremo possa oferecer.

Figura 21. Malha Urbana de Alto do Rodrigues em Detalhe.

Fonte: Autor (2019).

Na figura acima, o risco se especializa principalmente pelas categorias de risco baixo e moderado, um forte contribuinte para esse tipo de configuração, além do (IVI) é a presença de grandes lagoas que transbordam durante eventos de caráter extremo (ver figura 4b), é claro que seja pouco provável que a mancha urbana desse município durante a maior inundação desse rio em 1985, não tinha o tamanho que tem hoje, dessa forma, faz com que Alto do Rodrigues seja o município com o maior risco de inundação atrelado, na (figura 21) uma inundação de mesma proporção ou similar, atingiria uma boa parcela da população, chegando a atingir até mesmo áreas mais centrais da cidade.

No último município escolhido (figura 22) a cidade de Carnaubais apresenta uma relativa distância do leito principal do rio, o que faz com que áreas com alto grau de risco se localizem na sua divisa com os outros municípios, fazendo com que a cidade de carnaubais possua o menor risco atrelado a sua mancha urbana.

Figura 22. Malha Urbana de Carnaubais em Detalhe.

Fonte: Autor (2019).

Entretanto numa situação de evento extremo, como a ocorrida em 1985, a cidade de Carnaubais (figura 22), é atingida na porção mais oeste da sua malha urbana, e esse risco é moderado, mas de forma geral esse município encontra-se mais protegido de desastres do que Pendências e Alto do Rodrigues, mas isso relativo a inundação do Rio Piranhas.

Com isso, a médio longo prazo, considerando o tipo de ameaça, quando nos referimos à inundação. Faz-se importante os representantes da sociedade desempenharem um papel fundamental em diminuir essas disparidades sociais, bem como de mitigar os danos à sociedade, nesse sentido o decreto 7.257 de 2010 em seu 2º Art. É bem específico na relação entre gestor e a defesa civil e seus papéis quanto aos danos relativos à sociedade dos desastres: “I – (...) evitar desastres e minimizar seus impactos para a população e restabelecer a normalidade social” (BRASIL, 2019). No primeiro

trecho do fragmento do decreto é importante identificarmos a palavra evitar o desastre, mas no caso de o mesmo ser inevitável, reduzir seus impactos.

5. CONCLUSÕES

O evento extremo em algumas situações pode até não ser evitado, mas suas causas e efeitos podem ser mitigados, a urbanização atrelada da constante impermeabilização do solo em áreas urbanas, tem contribuído no aumento significativo dos danos pelos desastres naturais. Nesse contexto, encontra-se a população de baixa renda, que se apropria de locais bastante atrativos que, no entanto, são precários pela falta de estrutura básica, tornando esses ambientes perigosos para as pessoas.

Essas localidades estão dispostas em encostas, leito de rios e próxima de córregos, em períodos de excedente hídrico, quando a precipitação supera as médias anuais, a população fica vulneráveis a enchentes, alagamentos e inundações. Diante dessa perspectiva que nosso trabalho se desenvolveu, para tanto, fizemos um resgate histórico da precipitação na bacia do Rio Piranhas-Açu, com dados de 52 anos (ver anexos) o que subsidiou nossa segunda hipótese que enuncia o seguinte: “A caracterização climática da bacia do Piranhas-Açu pode ser usada como base para o estudo do impacto das cheias do rio piranhas principalmente no que se refere ao dimensionamento real das áreas atingidas pelas cheias”. Esse ponto atendeu nossas expectativas, pois, separamos anos com o comportamento normal, chuvoso e muito chuvoso. Nesse ponto em questão utilizamos a análise de quantis com dados mensais como entrada, foi interessante evidenciar extremos de anos secos até muito chuvosos, onde a bacia demonstrara uma transformação exuberante.

Com base nos dados de 52 anos de precipitação, deu-se início a criação de um mapa com as médias da bacia, que evidenciou um comportamento diferenciado ao longo de toda a bacia, com locais que demonstram uma abundância da precipitação em detrimento de outros onde as chuvas são praticamente escassas ao longo do ano. Esse comportamento suscitou duas dúvidas pertinentes: na primeira a presença de regiões com precipitações homogêneas e na segunda a localização de uma área que serve como recarga da bacia, ambas as questões foram comprovadas por meio da análise de

Ter a informação do regime de precipitação da bacia foi primordial, no intuito de definir os anos a serem utilizados como recorte temporal, pois de posse dos anos pré-definidos, prosseguiu com a seleção de imagens do satélite LANDSAT 5, onde três anos (1988; 2005 e 1985) foram selecionados para a construção do Mapa emergencial de inundação, sucessivamente os anos normal, chuvoso e muito chuvoso, de acordo com a delimitação de frequência dos Quantis: Normal (0.35<q≤0.65), Chuvoso (0.65<q≤0.85) e Muito Chuvoso (q>0.85) (XAVIER, 1999).

O mapa emergencial de inundação foi um desafio à parte, pois os respectivos anos a serem escolhidos por vezes apresentavam muitas nuvens, o que impossibilitou a escolha de outros anos com uma resposta interessante da análise dos quantis. Com a definição dos anos base, sucedeu a construção dos mapas emergenciais, grosso modo, o ano tido como normal apresenta uma mancha de inundação limitada a leito principal do rio (leito menor), enquanto no ano que definimos como muito chuvoso a situação muda de forma drástica, apresentando uma mancha que cobre toda a planície de inundação na bacia (a hipótese II Pôde ser reforçada aqui), esse perspectiva reflete o quanto a bacia está suscetível a mudanças de ordem climáticas bastante severas ao longo de um ano, por exemplo, pro ano considerado chuvoso, temos uma situação que o caracteriza como um evento de caráter intermediário.

De posse das manchas de inundação, se deu a construção do mapa de ameaça a inundação sobrepondo as manchas, que concebe com maior evidência a diferença das áreas inundadas, em diferentes períodos e carga hídrica da bacia, três categorias de ameaça foram escolhidas para definir as manchas como: Alta (ano Normal), Moderada (chuvoso) e Baixa (Muito Chuvoso).

O mapa de vulnerabilidade foi construído utilizando dados do IBGE, colhidas por setores censitários, onde definimos a vulnerabilidade por setor. A representação cartográfica apresentou vulnerabilidade social variada principalmente nos centros urbanos de Carnaubais, Alto do Rodrigues e Pendências (área de estudo), isso demonstra a fragilidade socioeconômica na qual esses municípios estão sujeitos e em períodos de natureza extrema, os danos socioeconômicos que se tornam mais difíceis de equalizar.

Combinando os mapas de ameaça a inundação com os de vulnerabilidade, identifica-se a setorização dos riscos em áreas urbanas que se apresentam de formas diferenciadas nas malhas urbanas, mas que respondem as hipóteses: III – ao revelar gradações de risco diferenciadas entre o leito menor e a planície de inundação e a hipótese I que afirma que as inundações ocorridas em Alto do Rodrigues, Carnaubais e Pendências no RN são decorrentes principalmente da ocupação desordenada do leito do rio e a geomorfologia do terreno que é prioritariamente uma planície, nessa hipótese o principal município que identificamos é a cidade de Pendências, haja vista, sua proximidade do leito principal e por ser uma cidade que apresenta pouca elevação, cerca de 50m de altitude ao nível do mar (figura 7), difere de Alto do Rodrigues que apesar de estar na mesma cota altimétrica, apresenta uma distância considerável da margem do rio, respeitando o que diz a legislação ambiental, sobre a preservação das margens dos rios.

Por outro lado Alto do Rodrigues apresenta maior risco de inundação, do que os demais municípios objeto de estudo, pela presença de lagoas bastante extensas, que em anos chuvosos a muitos chuvosos transbordam causando transtornos a sua população, de forma que as áreas atingidas em eventos dessa magnitude alcançam o centro urbano dessa cidade, com diferentes classificações do risco. Outro fator que potencializa os danos socioambientais desses desastres em Alto do Rodrigues é a presença de residências, muito próximas de uma dessas lagoas evidenciando uma grande área considerada de Alto Risco, seguida de trechos onde o risco é moderado, somadas as áreas afetadas, cobrem boa parte da malha urbana municipal, o que torna inadiável a construção de um plano de ação por parte do gestor em caso de evento extremo na bacia.

No outro extremo, temos a cidade de Carnaubais que apresenta uma distância razoável do leito principal e por esse motivo, não apresenta risco significativo a sua população, excetuando uma pequena faixa com o risco moderado e que foi evidenciada principalmente pelo resultado do Índice de Vulnerabilidade, entretanto é possível notar que durante uma inundação similar como a ocorrida em 1985 algumas residências do extremo leste da malha urbana seriam atingidas, mas sua resolução socioeconômica seria mais rápida e eficiente.

Seguido de Alto do Rodrigues na questão de risco o município de Pendências apresenta um risco mais concentrado próxima do leito principal, de maneira que apenas eventos do tipo moderado a alto podem vir a atingir sua área urbana, mas bem localizado na borda oeste da cidade, atingindo principalmente as comunidades ribeirinhas, a cidade, contudo dispõe de instrumentos como hospital e equipamentos urbanos que podem ter favorecido na diminuição dos impactos que um desastre natural pode vir a favorecer.

Vale salientar, entretanto que a mancha de alto risco se estende pela área onde se desenvolve atividades de carcinicultura (figura 4a). De uma maneira geral uma extensa área do vale do Açu é impactada pela ocorrência de cheias, que apesar de ocorrerem em menor frequência, quando ocorrem trazem grandes prejuízos tanto para as populações urbanas e rurais como para as atividades de cunho agrícola dentre elas a pecuária, carcinicultura e fruticultura.

E nesse contexto a proposta metodológica se apresentou bastante precisa como levantamos na última hipótese onde: IV - A utilização de mapas reais de inundações e dos levantamentos de dados sociais e econômicos é possível criar um indicador de vulnerabilidade a enchentes que retrate com precisão a problemática sobre o assunto, fato esse que os mapas indicaram os principais trechos de risco na área de estudo e comparando com as fotos de eventos anteriores que coincidiram de forma precisa, com isso nos permite dizer que a metodologia utilizada evidenciou um trabalho de qualidade que encontra seu principal respaldo no decreto 7.257 por meio do Art. II que dispõe sobre a importância de: “realizar estudos, para avaliar e reduzir riscos de desastres” (BRASIL, 2019).

Considerando o contexto geral do trabalho desenvolvido, acreditamos que as hipóteses foram satisfeitas e os objetivos atendidos, a proposta metodológica se apresentou muito efetiva e pode vir a ser utilizadas em trabalhos futuros, tanto pela precisão de seus resultados como a qualidade que a mesma apresentou. Contudo, é muito importante que enquanto pesquisadores, deveremos vir a fortalecer o conhecimento científico para resolução de problemas, sejam eles sociais ou ambientais. Pois, somente por meio do estudo, podemos desenvolver uma ciência de qualidade e uma sociedade melhor.

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